Anything Could Happen: After the Happy Ending
6 Anyway the wind blows
Notas iniciais
Tudo estava bem naquela manhã. A mansão Hale estava silenciosa, estava em paz. Cora acordou cedo e seguiu ainda sonolenta até a cozinha. Ao entrar no cômodo a loba se assustou ao encontrar Stiles em ao frente ao fogão, usando apenas uma camiseta e uma cueca samba-canção — ambas de Derek -, tão cedo. Ela então caminhou na ponta dos pés até chegar próximo a ele, e o abraçou por trás.
– Bom dia, garanhão – ela cochichou no ouvido dele, provocando-o.
Stiles, que não tinha percebido a aproximação de Cora, assustou-se com a atitude da amiga e pulou, soltando a frigideira e a espátula sobre o fogão.
– Garanhão? Serio? – perguntou ele. – Eu esperava mais criatividade de você, Cor.
A Hale riu e passou por ele, pegando o bule — que também estava sobre o fogão — e uma caneca, servindo-se com café, enquanto sentava-se a mesa.
– E é essa a hora em que você me agradece – começou ela. – Por ter feito você vir no natal, mesmo sob ameaça, por ser uma maravilhosa amiga e também, a melhor cunhada do mundo.
O humano riu, enquanto terminava de organizar o café-da-manhã dele e de seu amado sobre a bandeja nas mãos, passando por Cora em seguida e a beijando no rosto.
– Você é a cunhada e a amiga mais maravilhosa do mundo. Obrigado.
Cora apenas deu de ombros, enquanto bebia mais um gole do café.
– Nada que eu já não saiba.
Stiles riu e saiu da cozinha, subindo as escadas enquanto equilibrava a bandeja sobre as mãos. Ele virou o corredor e deu de cara com Peter, que segurou a bandeja em um reflexo perfeito quando o mais novo praticamente a soltou. Ele usava uma calça de moletom e uma camiseta branca de algodão.
– Acredito que os eventos da noite passada tenham te deixado um tanto desequilibrado, hein Stiles? – disse ele com aquele mesmo cinismo de sempre. – Devo voltar a te considerar meu sobrinho?
O rapaz revirou os olhos para o lobisomem.
– Sabe, sempre achei incrível essa sua capacidade de ser inconveniente logo cedo, Peter – ele disse. – Como você consegue?
– Faz parte do meu charme – respondeu Peter entregando a bandeja para Stiles e abrindo espaço para que ele pudesse passar. – Mas você ainda não respondeu a minha pergunta, querido Stiles. Você e Derek voltaram?
– Não que isso seja da sua conta, mas como já está bastante aparente, e você infelizmente é da família, nós voltamos sim.
– Fico feliz por vocês, honestamente – disse Peter. – De todas as pessoas com quem Derek já se envolveu na vida, você é o mais normal. E eu admiro sua inteligência, Stiles.
– Acho que eu deveria agradecer – disse o Stilinski passando pelo mais velho. – Mas como se trata de você, não será preciso.
Ele seguiu pelo corredor em direção a suíte de Derek, e ouviu quando Peter riu descendo as escadas. Stiles apenas bufou e entrou em seguida no quarto de seu companheiro.
Dentro do quarto, Derek saía do banheiro usando apenas uma toalha. Ele sorriu ao ver Stiles ali, usando suas roupas e segurando uma bandeja com comida preparada por ele, que provavelmente devia estar uma delícia, sendo feita por Stiles. Nisso, o lobisomem foi até ele e o beijou nos lábios, retirando a bandeja de suas mãos e a colocando sobre o estofado que ficava encostado a beira da cama, voltando em seguida e tomando Stiles nos braços, beijando-o novamente.
Stiles passou suas mãos pelo pescoço do namorado, rindo com a atitude dele e retribuindo os beijos que recebia.
– Bom dia para você também, lobão.
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Havia sido combinado que Sal e Lydia buscariam Danny e Ethan no aeroporto, quando eles voltassem do Hawaii. As duas haviam sido escaladas para isso, devido a relação que Lydia tivera com Aiden, e também, ao fato dela ter sido a primeira a saber da morte dele. E tinha Sal, que além de ser a mais sábia de todos nessas situações, fora quem havia encontrado o corpo dele, mais o rasto de magia e a presença vampírica no local do assassinato do gêmeo de Ethan. O corpo de Aiden estava sendo mantido pela bruxa em seu apartamento, acima do Beacon Grill, protegido e preservado por magia.
O clima de apreensão reinava entre as duas, já que não sabiam como passar a notícia para Ethan. Quando eles atravessaram o portão do saguão de desembarque, Lydia segurou a mão de Sal com força, respirando fundo.
– Mantenha a calma, ruiva – disse a bruxa. – Eles irão precisar da nossa calma, quando chegar a hora de dar a notícia.
Lydia apenas concordou com um aceno e forçou um sorriso. Essa era uma velha habilidade que ela tinha. Mostrar confiança mesmo nos momentos mais difíceis. E ela precisava usar disso agora mais do que nunca.
Danny e Ethan aproximaram-se delas, carregando sua bagagem, e foram recebidos por abraços delas, e sorrisos de boas vindas.
– Mas e Aiden, por que não veio nos buscar? – perguntou Ethan para Lydia.
– Ele não pôde vir e nos pediu que viéssemos em seu lugar – respondeu Sal, usando de sua magia para ocultar a mentira dos sentidos lupinos de Ethan.
– Ah sim – disse Ethan sorrindo. – Depois eu falo com ele então.
A ruiva apenas sorriu, enquanto concordava.
– Vamos então?
– Vamos – responderam todos em uníssono.
Eles seguiram para o estacionamento, onde estava o carro de Lydia. A ruiva destravou o alarme e apertou o botão da chave eletrônica que abria o porta-malas, onde os rapazes colocaram sua bagagem. Em seguida, entraram no carro e a jovem deu partida, voltando para Beacon Hills.
O trajeto foi calmo, entretido por conversas sobre a viagem, e perguntas que Sal fazia ao casal sobre o Hawaii, já que a bruxa não ia até o arquipélago há alguns anos. A ruiva apenas sorria e comentava algumas coisas, olhando vez ou outra para Ethan no banco de trás, pelo espelho retrovisor.
Quando chegaram até a nova casa do casal, as duas mulheres ajudaram a desembarcar as bagagens, levando tudo para dentro da casa. Ao terminarem, Danny as convidou para um café.
– Agora nós temos que ir – disse Sal após o café. – Lydia vai me deixar no Grill e depois irá se encontrar com a Allison.
Elas se despediram do casal e saíram, entrando em seguida no carro de Lydia, onde ela deu partida no motor e saiu com ele dali.
– Por que você não os deu contou a verdade?
– Eles acabaram de chegar da lua de mel, e merecem um pouco de paz – respondeu a bruxa.
– Mas você sabe que não vai demorar muito para ele descobrir, né?
– Até lá, a gente vê o que faz.
A ruiva aceitou, respirando fundo. O assunto da morte de Aiden mexia com ela, e por mais que ele não tenha sido o melhor dos namorados — embora nenhum tenha chegado perto de Jackson -, ela se importava com ele, e tinha medo de que isso destruísse Ethan, que no fim se revelou uma boa pessoa.
Ela apertou os dedos no volante e respirou fundo, tirando toda a tensão de si.
– Vamos mudar de assunto, né? – disse ela. – Hm, por que o Peter fica atrás de você o tempo todo, como se quisesse alguma coisa?
A bruxa riu.
– Peter Hale é um interesseiro, ruiva. Quando ele me procurou, pedindo ajuda para Derek e o negócio da maldição, eu sabia que ele queria mais do que isso.
– E o que você acha que pode ser?
– Eu não sei – respondeu a bruxa, sincera. – Apenas tenho essa sensação, de que ele está atrás de alguma coisa. Eu o conheço há muitos anos, e vi o suficiente dele para ter essa sensação. Por isso eu digo, fique atenta, pois Peter Hale não dá ponto sem nó. Ele está tramando alguma coisa.
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Elas chegaram ao Grill minutos depois, e durante esse período, Lydia ficou pensando nas palavras de Sal.
“Será que ele está tramando para roubar o posto de Scott?” – pensou ela. – “Seria estúpido da parte dele, mas não duvido que ele possa tentar alguma coisa”.
– Falando no diabo – disse Sal, e só então Lydia percebeu que o carro de Peter estava no estacionamento do bar.
A ruiva riu enquanto pegava o celular em sua bolsa.
“Mudança de planos, Alli. Ao invés de eu ir te buscar, venha me encontrar no Grill. Preciso resolver uma coisa antes. Você tem meia hora, beijos.” – ela enviou para Allison como SMS.
As duas saíram do carro após isso e entraram juntas no bar, separando-se em seguida, para que Sal fosse resolver algumas coisas com os funcionários. Lydia então seguiu para o balcão, onde viu que Peter estava sentado e bebendo.
– O que você está aprontando Peter?
– Olá para você também, Lydia – disse ele.
– Pare de enrolação e me diga de uma vez – insistiu a ruiva. – O que você tanto quer com a Sal?
O homem olhou para ela por alguns segundos e riu em seguida.
– O que te faz pensar que eu esteja planejando alguma coisa? – ele perguntou. – Eu posso estar apenas interessado por Sal Pierce. Qual o problema nisso? Te deixa com ciúmes?
A ruiva se sentou ao lado dele e riu, mordendo o lábio e acenando em negativa, sem acreditar no que Peter lhe acabara de dizer. Ele não conseguia crer na capacidade que ele tinha em surpreendê-la, sendo ainda mais imbecil do que já era.
“Como ele ousa pensar que eu seja burra?” – pensou ela. – “E ainda pergunta se estou com ciúmes dele, o cretino”!
– Chega a ser inacreditável, sabe? Você achar que eu seja burra o suficiente para cair nessa sua conversinha.
– Não custa nada tentar – respondeu ele erguendo o copo para Lydia.
– Pois então, irei te dar um aviso – começou ela. – Eu sei que foi você que matou a Jennifer, e não o Deucalion. Eu senti isso, mas preferi não comentar com ninguém, por enquanto. Sei também que você ainda deseja ser um alfa, graças a conexão bizarra que tivemos no passado, quando você me coagiu a te ressuscitar. E cá entre nós, eu não vou pensar duas vezes antes de te matar, caso você tente alguma coisa contra Scott McCall, você me entendeu?
O sorriso no rosto de Peter desapareceu, e de repente o rosto dele adquiriu um tom sério, quase enfurecido. Ele largou o copo em cima do balcão e puxou Lydia pelo braço, colando o corpo dela ao seu, deixando-os cara a cara.
– Escute aqui, garota banshee. Eu não acho que seja uma boa ideia ficar me ameaçando. Você pode acabar se arrependendo.
Lydia soltou seu braço do aperto do homem, olhando-o ainda nos olhos.
– E eu digo o mesmo a você.
Ela então saiu do lugar e foi até a porta do bar, onde Allison esperava por ela.
– Está tudo bem? – ela perguntou.
– Vamos embora daqui – disse a ruiva puxando a amiga pelo braço e saindo com ela do bar.
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Após Lydia e Sal irem embora, Ethan começou a abrir as caixas e malas, querendo organizar a nova casa, mas foi impedido pelo marido, no ato.
– Depois a gente arruma isso tudo, amor – disse Danny. – A viagem foi longa e nós dois precisamos descansar.
Ele aproximou-se de Ethan, beijando-o nos lábios.
– Vem, vamos tomar um banho e dormir um pouco, ok?
O lobisomem aceitou o pedido de seu companheiro e foi com ele para o banheiro do quarto deles, onde tomaram um banho quente e relaxante, trocaram carícias e sorrisos. No fim, eles se secaram e foram para o quarto, onde vestiram-se com roupas leves — retiradas de uma das malas — e deitaram em sua cama, juntos. Eles ficaram ali, abraçados, até que o sono veio e os pegou.
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Ethan estava na reserva de Beacon Hills em seu sonho. Ele caminhou entre as árvores, até chegar a uma clareira. Nessa clareira estava Aiden, esperando por ele.
– O que faz aqui, irmão?
Aiden sorriu fraco e caminhou até ele.
– Eu precisava ver você uma última vez – respondeu.
As palavras de Aiden deixaram o irmão confuso.
– Como assim, Aiden? – perguntou Ethan. – Eu acabei de chegar de viagem. Lydia foi me buscar, porque você pediu.
– Oh Lyds, sempre fazendo o trabalho sujo por mim – disse Aiden, sentindo-se culpado.
– Do que você está falando, Aiden?
– Durante a sua viagem aconteceram algumas coisas na cidade – ele começou. – Ninguém quis te contar, para não estragar a sua felicidade, Ethan. Portanto, peço que não os culpe.
Ele parou por um instante para respirar.
– Eu saí para caminhar um dia desses, por essas mesmo, e eu encontrei com Kendra.
– Kendra? – perguntou Ethan. – Pensei que ela estivesse morta.
– Somos dois, irmão – disse Aiden rindo. – Mas enfim, ela estava com ódio de mim, e queria se vingar. Eu sabia que não seria uma boa ideia lutar com ela sozinho, então eu corri. Mas ela acabou me alcançando.
– E o que aconteceu depois? – perguntou Ethan com medo da resposta que poderia vir.
– Implorei que ela me deixasse ir – respondeu ele. – Implorei como a mais miserável das criaturas faria, mas nem assim a vadia teve piedade. Ela disse que havia prometido a uma espécie de entidade, que me mataria em troca de salvação, quando eu a prendi naquela tumba. Então eu decidi lutar, para tentar fugir, mas ela foi mais rápida do que eu, e arrancou meu coração do peito, com a mão.
Ethan estava sem reação.
– Isso... Isso não pode ser verdade, Aiden!
Aiden então abraçou seu irmão.
– Me perdoe Ethan – disse ele. – Por todos os erros que cometi em vida, incluindo este.
– Não! Você não pode ter morrido! Você é meu irmão, eu saberia.
– Não, meu irmão. Você não saberia. A morte é mais rápida do que a nossa ligação. Ela fica na espreita, esperando para dar seu bote, e quando acontece, já é tarde.
– Mas o pack não teria escondido isso de mim.
– Eles não queriam estragar a sua felicidade, Ethan. Entrei em contato com a bruxa Pierce, e a contei onde estava meu corpo. Mas, por algum motivo, não consegui dizer que foi a Kendra. Quando ela e Lydia foram te buscar no aeroporto, eu pedi a ela que não te contasse. Eu queria fazer isso por mim mesmo.
– E o que eu farei da vida sem você, Aiden?
O irmão sorriu.
– Você será feliz – respondeu ele. – Construirá uma família com Danny, e não deixará o pack de Scott. Irá se desculpar com Lydia por mim, e dizer o quanto ela é maravilhosa. E irá me vingar, matando Kendra.
Ethan não sabia o que dizer naquele momento. Era muita coisa para ele absorver em pouco tempo. Seu irmão então lhe puxou novamente para um abraço, sendo este mais apertado.
– Eu preciso ir agora – disse Aiden. – Seja feliz, meu irmão.
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E com isso, Ethan acordou gritando por seu irmão, enquanto era amparado por seu marido.
– Ele morreu! Aiden está morto, Danny!
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– Lydia! – chamou Allison enquanto era puxada pela amiga pra fora do Beacon Grill. – Dá pra me contar o que tá acontecendo, por favor?
A ruiva bufou.
– Peter Hale, é isso que está acontecendo.
– Como assim?
– Aquele homem me dá nos nervos!
– Mas o que aconteceu, afinal?
– Isso não vem ao caso no momento – disse a ruiva entrando no carro. Allison entrou em seguida, no lado do passageiro. – Agora me diz, você vai mesmo tentar falar com Scott?
Allison sorriu esperançosa.
– Sim. Decidi seguir seu conselho e abrir o jogo com ele.
– Uma hora ou outra você iria acabar ouvindo a voz da razão, ou seja, eu.
As duas riram, fazendo com que Lydia esquecesse a discussão com Peter naquele instante. Ela guiou o carro até a casa de Scott, parando do outro lado da rua e olhando pela janela para a casa, que parecia calma.
– Chegou a hora – ela disse para Allison.
A caçadora acenou, concordando com a amiga e saindo do carro em seguida, indo até a porta e tocando a campainha. Foi então que Allison se lembrou da época em que ainda namorava Scott e sorriu, pensando nas vezes em que viera até essa casa com ele.
Eles não tiveram oportunidade de conversar depois que ela terminou com Isaac, por causa da morte de Aiden e o acidente de Stiles, e tinha também essa nova garota, Kira. Pelo que Allison sabia, eles estavam saindo a pouco tempo, e ela resolveu seguir o conselho de Lydia e lutar por ele, na esperança de que Scott deixasse Kira e voltasse para ela.
A porta se abriu, despertando Allison de seus pensamentos, fazendo com que ela desse de cara com Scott, que estava sem camisa, usando apenas uma calça velha de moletom.
– Alli? – ele perguntou um tanto desconcertado.
– Oi Scott.
– O que faz aqui? Aconteceu alguma coisa?
A garota sorriu.
– Não, não aconteceu nada. Eu só queria ver você, sabe? Conversar com você. Eu venho tentado criar coragem pra isso, para vir até você e abrir o jogo contigo, antes que seja tarde demais.
O lobisomem olhou para ela confuso, como sempre.
– Tarde demais? Tarde demais para o que?
Allison respirou fundo.
“É agora ou nunca” – ela pensou.
– Tarde demais para te dizer que eu ainda amo você, Scott. Que eu terminei com o Isaac, porque gostaria de poder voltar com você.
As palavras da caçadora deixaram Scott sem reação. Ele não sabia o que responder a ela, ainda mais naquela hora.
– Scott? – chamou uma voz dentro da casa. – Quem está aí?
De repente a porta se abriu um pouco mais, e a tal Kira surgiu ao lado de Scott, usando apenas uma camiseta dele.
– Ah, oi Allison – disse Kira sorrindo. – Tudo bem com você?
A vontade de Allison naquele momento era cavar um buraco e se enfiar dentro dele. Ela não sabia o que fazer perante aquilo. Havia acabado de se declarar para Scott, dizendo eu ainda o amava e que queria voltar, daí a nova garota com quem ele está saindo surge, usando apenas uma camiseta dele, como ela fazia quando dormia escondido da mãe dele, anos atrás, naquela mesma casa.
– Acho melhor eu ir embora – ela disse e virou-se de costas para eles, indo em direção a rua.
– Allison, espere – chamou Scott, indo atrás dela na rua.
Ela seguiu até o carro de Lydia, virando-se para Scott antes de abrir a porta do carona.
– Não Scott, está tudo bem. Desculpe-me por aparecer aqui assim, ok?
E assim, ela entrou no carro de Lydia, pedindo para que a amiga a tirasse dali. Antes que Lydia pudesse dar partida no carro e sair dali, Allison pôde olhar Scott uma última vez, e reparar também em Kira, que a observava da porta.
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Derek e Stiles estavam sentados no sofá da sala de televisão, assistindo um filme. Era Harry Potter e as Relíquias da Morte — Parte II, que Stiles insistira para que o namorado assistisse junto com ele. O mais velho apenas riu, já que esse era um dos filmes que o humano o fazia assistir várias e várias vezes seguidas, antes deles terminarem, anos atrás.
Eles assistiam a cena em que Harry se revela para Snape entre os alunos, no salão principal, gritando para que o homem revelasse a todos que tinha matado o velho Dumbledore covardemente a mando de Voldemort. E foi nessa hora que a campainha começou a tocar várias vezes, tirando a concentração dos dois do filme.
– Derek, Stiles – chamou Cora. – Venham aqui, rápido!
Os dois então seguiram para o hall da casa, onde encontraram Cora acudindo um Deucalion caído e inconsciente sobre a soleira da porta.
– Ligue para Deaton – disse Derek para a irmã. – Eu o levarei para o porão.
A garota pegou o celular e começou a discar o número do veterinário.
– Stiles, me ajude a carregá-lo até a cozinha – ele pediu, pegando em seguida o lobisomem caído, enquanto o mais novo o pegava pelo outro lado.
Eles seguiram até a cozinha carregando Deucalion, até chegarem a porta do canto, que Stiles presumiu que fosse revelar uma escadaria até o porão, mas ele acabou se enganando. Quando Derek abriu a porta, ela revelou uma pequena sala, com um elevador. Na parede havia um painel com números e um leitor de digitais.
– Ah, qual é! Isso aqui agora é o Instituto Xavier? – perguntou Stiles em tom de surpresa e zombaria.
– Mais ou menos – disse Derek sério, antes de passar Deucalion para Stiles e seguir até o painel, onde digitou uma senha, que Stiles percebeu ser o seu nome, e em seguida estendeu a mão pelo leitor, liberando assim a porta do elevador.
O lobisomem voltou até Stiles e o ajudou com Deucalion, levando-o para dentro do elevador. Derek apertou o botão que indicava que o elevador tinha que descer, e com isso as portas se fecharam.
Quando o elevador voltou a se abrir, eles estavam em um lugar que nunca poderia ser chamado de porão. Stiles ficou boquiaberto enquanto observava aquele corredor. Ele achava que já tinha visto de tudo depois que entrou de cabeça nesse mundo sobrenatural, mas ele realmente estava impressionado com o quanto aquilo se parecia com a casa dos X-MEN.
Derek o guiou pelo corredor, levando Deucalion nos braços, junto com Stiles, até que eles chegaram a uma espécie de enfermaria, onde o deitaram em uma maca.
– Que lugar é esse, Derek? – Stiles perguntou.
– Eu precisava de um lugar que fosse protegido para nós, depois que reconstruísse a mansão. Um lugar onde pudéssemos treinar e nos proteger, caso fosse necessário. Então decidi criar esse pavilhão aqui embaixo, onde temos uma sala de treinamento, essa enfermaria, uma cozinha e mais cinco quartos grandes, para emergências. Tudo a prova de invasões e incêndio, claro.
Stiles o olhava novamente surpreso, e cheio de admiração. Ele não imaginava que Derek pudesse ir tão longe, quando se tratava de proteger sua família.
– Há também duas saídas de emergências, sendo uma delas para carros, para o caso de uma fuga rápida – ele continuou. – E sim, sei que isso tudo parece com os filmes dos X-MEN, que é tudo muito exagerado, mas eu não quero passar novamente pelo que passei, quando os Argents queimaram a minha casa.
– Derek? – chamou Deucalion com a voz fraca, voltando a consciência e fazendo com que, tanto Derek quando Stiles, fossem até ele.
– O que aconteceu contigo? – perguntou o Hale.
– Eles vieram atrás de mim, queriam saber onde estava o herdeiro de Sebastian Hale. Queriam saber onde estava o filho de Thalia, onde estava Derek Hale. Eu disse que não sabia, mas é claro que eles não acreditaram. Então eles atacaram, a mim e a Marin.
– E onde está Morrell? – perguntou Stiles.
– Ela não conseguiu escapar. Eles a mataram na minha frente, e teriam feito o mesmo comigo, se eu não tivesse fugido e vindo até vocês.
– E quem diabos são eles? – Derek perguntou rosnando.
– Você sabe quem são eles, Derek. São aqueles que seguem o inimigo de Sebastian, os discípulos da sombra que tentou roubar a lua. E eles estão vindo atrás de você, o Ômega Hale.
Stiles em um ataque de susto, acabou se desequilibrando e batendo contra uma mesinha com equipamentos médicos, derrubando tudo no chão. Derek voltou seu olhar para ele, percebendo o quanto aquilo havia o abalado, assim como Deucalion também percebeu.
– Presumo que você tenha contado para o jovem Stiles – disse ele. – Pelo que soube, vocês são um casal, não?
– Isso não é da sua conta. Agora, como você sabe que que sou o Ômega Hale?
– Eu era um grande amigo de sua mãe, rapaz – disse Deucalion. – Ela era não só minha amiga e conselheira, mas eu também era o padrinho de Laura. Eu vi você nascer, Derek. Vi a bruxa Pierce fazer a profecia sobre o seu nascimento. Laura seria a futura alfa da família, pois era a primogênita. Mas você... Você nasceu destinado a ser o herdeiro do legado de Sebastian e Luna Hale. Foi por que eu o queria em meu pack, não apenas por você ser um alfa, na época. Mas sim, por você ser o lobo que descende da união mais sagrada entre os lobos americanos.
A porta da enfermaria se abriu, dando passagem para Cora e Deaton que foram até Deucalion na maca.
– Onde ela está? – perguntou o veterinário ao lobisomem. – Onde está Marin?
Deucalion respirou e colocou uma mão sobre o braço de Deaton.
– Desculpe-me Allan – ele disse. Ela não conseguiu chegar até aqui.
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