Any Other Day

12 Capítulo 12


Notas iniciais
Minha gente, eu quero mudar essa capa, porém nada do que eu vi me agradou nem tampouco manjo dos Photoshop da vida, será que cês podem ajudar essa humilde autora? Desde já agradeço. Bom, entrei no clima olímpico e danei a mão a escrever, acho que nem demorei muito. Enfim, mas um capítulo para vocês.

Eu tô morrendo, eu definitivamente estou morrendo, a minha cabeça está explodindo, a musculatura da minha barriga começou a doer graças ao esforço que faço para vomitar e eu não consigo nem tirar a cara do vaso sanitário antes que venha outra infeliz vontade de vomitar, maldita bebedeira, maldita ressaca, nunca mais eu bebo de novo.

— Jarvis, chama a Pepper, diz que eu tô morrendo e manda ela trazer remédio. — ordeno trêmulo por não ter mais nada para vomitar.
— A senhora Stark me pediu para que eu lhe dissesse para se virar, pois segundo ela ninguém mandou o senhor encher a cara.
— Diga a ela que fizemos um voto onde dizia na saúde e na doença.
— Ressaca não é doença, Anthony, é o que se sabe que vai ter depois de encher a cara! — Jarvis reproduz como resposta e eu desisto de pedir a ajuda dela.
— Jarvis, tem algum remédio pra dor de cabeça aqui?
— Tem senhor, está no armário. — eu demoro pra levantar e sinto minhas pernas bambas a cada passo que dou, quando alcancei a pia a primeira coisa que fiz foi abrir a torneira para lavar a boca para tentar diminuir aquele gosto terrível, escovei os dentes, procurei o remédio, o tomei e em seguida fui para um banho frio que me acordou e fez a dor de cabeça diminuir um pouco, no entanto, eu sabia que daqui a pouco ela aumentaria já que o meu próximo passo, depois de tomar pelo menos uma xícara de café forte, é conversar com ela e ir na casa dos meus pais.
— Pepper. — chamo ao vê-la na cozinha, ela está em pé e de costas para mim, sua perna dobrada e encostada na outra perna forma um 4, seus cabelos estão presos em um coque um pouco frouxo e suas roupas resume-se em um short jeans, que se não fosse o balançar do seu corpo e sua posição nem estaria aparecendo, e uma camisa minha. — Pepper. — chamo mais uma vez e pego em cima da bancada do centro da cozinha uma xícara de café cheia e fumegante. — Pepper.
— Que é, Tony. — ela responde ríspida e ainda de costas pra mim.
— Vamos começar de novo. Bom dia, Pepper. — cumprimento e ela se vira para mim furiosa. — Mau dia? — questiono e eu acho que vi sair faíscas de seus olhos. — Não vou nem perguntar se fizemos sexo depois que chegamos... Fizemos? — pergunto em tom de brincadeira e sabendo que não, ela nem sequer gostava de dormir comigo quando eu bebia demais e nas vezes que isso aconteceu foi por que ela estava tão bêbada quanto eu e posso contar nos dedos de uma só mão quantas vezes aconteceu, três. — Fizemos? — insisto e vejo ela apertar o cabo da frigideira a qual ela acabou de usar para fritar ovos.
— Tô com cara de quem fez sexo?
— Definitivamente não, mas podemos fazer agora se você quiser. — sugiro e ela bufa, okay, isso não é um bom jeito de tentar acertar as coisas. — Eu adoro quando você veste minhas camisas.
— E quantas outras não já vestiram também? Não tem nada de especial nisso.
— Mas nenhuma delas é minha esposa.
— Grande coisa, pelo o que eu sei metade desse casamento a gente passou separado.- ela rebate enquanto monta sua refeição.
— Veja pelo lado bom agora estamos juntos. — eu contraponho e ela resmunga algo inaudível.
— Onde você estava?
— Quando?
— Ontem antes de chegar, anteontem, essa semana inteira.
— Fazendo besteira.
— Como quando no dia em que fui atropelada? — ela pergunta com aquele tom de que já sabe a resposta e levanta a cabeça para poder me encarar, aquele desgraçado deve ter dito alguma coisa a ela! É claro que eu não soube esconder dela minha surpresa pela pergunta e ela fica esperando minha resposta.
— Sim, como quando no dia em que você foi atropelada, mas eu não quero falar sobre isso.
— Por que?
— Por que eu não gosto de falar sobre esse dia, Pepper.
— Por que?
— Por que eu fiz merda, por que a gente se desentendeu, por que você quase morreu e eu não gosto de ficar relembrando, é por isso! — respondo sem muita paciência e ela curva a boca como se quisesse me dizer que não perguntou nada demais. — Por que tá me perguntando sobre isso?
— Por que eu tava aqui pensando em como alguns segundos são suficientes para mudar a vida de alguém.
— E em quais segundos você tá pensando?
— Em todos que foram fundamentais para mudar alguma coisa na minha vida.
— Incluindo os segundos onde você decidiu reatar o casamento?
— Um dos principais é esse.
— Olha, eu sei que faço muita cagada e nessa semana não foi diferente, você provavelmente sabe por que eu agi assim, mas vai querer que eu fale assim como fez quando perguntou sobre o dia de seu acidente, então aqui vai, eu tô com raiva, tô com raiva por que na vista dele eu sou um grande vilão, eu tô com raiva por que ao mesmo tempo que eu sei eu também não sei quem tá por trás disso tudo, tô com raiva por que não tô sabendo lidar com o que tá acontecendo, não tô sabendo me aproximar, não tô sabendo fazer o que prometi que faria, eu tô com raiva por que eu só venho falhando e ainda assim insistindo nas falhas, seja com você, com ele ou meus pais. Eu não tinha nada que ter falado aquilo ontem, o que eu deveria ter feito era ter voltado pra casa ao invés de ter continuado a beber, ter ido com vocês e ter aproveitado uma ação de graças que há muito tempo não acontece. — digo e ela permanece calada, em silêncio também monto minha refeição e me junto a ela, tudo o que podia se ouvir era aquele 'creck' da torrada quando a mordemos ou o barulhinho de quando passamos a geleia nela, a xícara batendo no pires, enfim, qualquer coisa menos o som de uma voz. — Vamos passar pela fase do gelo de novo? — pergunto a ela que levanta a cabeça e me encara enquanto mastiga o último pedaço de torrada. — Pepper!
— Que foi, Tony?! Tô bem aqui!
— E eu tô falando com você.
— Eu tô terminando o meu café, Tony, e eu não sei se você ainda lembra, mas não é educado falar de boca cheia. — ela responde se levantando e recolhe a louça. — Você vai a casa dos seus pais? — ela me questiona de costas e lavando a pouca usada louça.
— Vou, quer ir comigo?
— Não, só queria saber mesmo. — ela me responde e eu me levanto, chego atrás dela sob o pretexto de levar a xícara de café para lavar, mas enquanto uma mão depositava a xícara de café sobre a pia, a outra pousava sobre a barriga dela que no mesmo instante parou o que fazia. — Ei, eu sei que você tá com raiva e tem toda a razão de estar, mas me desculpe. — peço e beijo o seu pescoço que é inclinado levemente para a esquerda, roço minha barba em sua pele e a sinto puxar o ar, minha mão antes livre agora vem lentamente de encontro com a outra para desabotoar a camisa, mas no segundo que me desfaço do terceiro botão ela segura as minhas mãos e se vira para mim que a tomo em um beijo cheio de sofreguidão, ela me sugava com força, sua mão que estava em minha cabeça a pressionava cada vez mais contra ela ao mesmo tempo que puxava meu cabelo sem dó e isso só me fazia ter ainda mais vontade de tirar as roupas dela aqui mesmo, mas assim como antes ela também me parou quando tentei e aos poucos foi se desfazendo do nosso beijo.- Me desculpe por ontem, anteontem, essa semana, semana passada e todas as outras, Pep. — peço ofegante após o fim do nosso beijo e ela morde meu lábio inferior.
— Te desculpar é o que eu sei fazer de melhor, Tony. — ela responde, encosta a testa na minha e, de repente, me afasta e sai, mas assim que caio em mim vou até ela e a puxo pelo braço, ela pode estar com raiva por ontem e eu sei que ela está, mas não é só isso.
— O que tá acontecendo?
— Eu lembrei.
— Lembrou? Lembrou de quê?
— Lembrei de tudo. — ela me responde e eu solto seu braço, em seu rosto estava aquela mesma expressão que eu vi pela última vez antes dela sair da minha sala e eu sabia que aquilo não era bom.
— Quando?
— Ontem, depois que chegamos.
— Então você lembrou do...
— Lembrei.
— Aquilo não foi nada.
— Nunca é.
— Eu não queria que você tivesse visto.
— Bom, então estamos de acordo com isso por que eu também não queria ter visto.
— Pepper, eu...
— Tony, eu estou confusa, tudo veio de uma forma muito repentina e conturbada na minha cabeça e embora eu saiba que vivi tudo isso eu estou tentando me adequar a essas lembranças de novo e aos sentimentos e emoções que elas me causam. É claro que eu me incomodei por ter visto aquela cena, mas você não me deve explicações, não me devia antes e nem agora. — ela responde e eu acompanho a sua subida com o olhar e sem saber muito bem o que pensar.

Eu dirigi todo o caminho pensando e repensando no que Pepper disse, aquele "te desculpar é o que eu sei fazer de melhor" ecoa constantemente em minha cabeça e como se já não bastasse isso eu ainda tinha de resolver as coisas com meus pais.

Estacionei o carro e hesitei um pouco antes de descer, quando entrei na casa só encontrei o silêncio e a casa aparentemente vazia, podia ser que eles ainda estivessem dormindo haja vista que ainda são 10:20 da manhã ou por outra que estivessem lá fora, até me ocorreu de chamar um dos empregados, mas por nenhum ter ido abrir a porta ou ter aparecido até agora chego a conclusão de que eles os dispensaram por esses dias para que não contem por aí que John está de volta, de todo o jeito permaneci em silêncio e me encaminhei para o jardim onde encontrei apenas meus pais, minha mãe estava regando suas plantas e flores e o Howard estava de pé, com uma toalha sobre seu pescoço e debaixo de um guarda-sol pegando o que me parece ser um pedaço de bolo.

— Ve... Howard. — chamo ao chegar perto e ele já se vira com a cara fechada.
— Maria, seu filho está aqui! — ele diz alto e ela olha para trás, desliga a mangueira, abandona as plantas e vem em nossa direção. — Vou chamar meu neto.
— O engraçado é que eu sou só filho dela, mas o meu filho é seu neto, meio contraditório isso aí.
— Não me teste, Tony, não me teste. — ele diz visivelmente irritado antes de sair de perto de mim.
— Aconteceu alguma coisa aqui?
— Não, nada não. — respondo e ela me olha desconfiada, puxa a cadeira e se senta. — Não acha que tá muito quente pra ficar no sol regando plantas?- pergunto ao vê-la tirar o chapéu e passar a mão na testa para limpar o suor.
— Mais um motivo para regá-las, se pra mim que estou sempre tomando água e em grande parte do tempo em um lugar fresco e com sombra quando saio é ruim, imagine para elas que ficam aí fora o tempo todo.
— Mãe, são plantas e não gente.
— São seres vivos assim como eu e você.
— Tudo bem, não vou discutir quanto a isso, mas por que não usa irrigadores automáticos?
— Por que eu gosto do contato com a natureza, Anthony, e se me tirarem isso eu vou ficar sem ter o que fazer e uma pessoa na minha idade sem ter o que fazer não faz bem.
— Faz tricô, ué.
— Até faria se tivesse um neto prestes a nascer ou que fosse recém nascido, mas você e a Pepper não querem me dar um.
— Isso vai te tirar do sol?
— Vai.
— Então faremos um acordo, eu te dou outro neto e a senhora para de dar chance ao câncer de pele, fechado? — ela sorri e aperta minha mão para selarmos o acordo. — Mãe, eu não sabia que você não sabia que eu sabia sobre o seu primeiro marido, eu achei que o velho tivesse lhe dito que tinha me contado e eu não acredito que vou defender ele nisso, mas ele só me contou pra que eu tomasse uma atitude em relação a mim e a Pepper que tinha me flagrado com uma mulher na sala de presidência... Enfim, foi no dia do acidente dela, ele me falou, eu ouvi, fiz o contrário do que ele me aconselhou a fazer e deu no que deu. Olha, eu sinceramente não sei por que eu falei sobre o meu aniversário ou sobre aquilo talvez seja culpa da bebida, talvez seja somente minha, mas o que eu sei realmente é que eu fui errado...
— Não, não, você até que teve razão, eu realmente deveria ter aproveitado a minha viuvez, ter sentado, respirado, chorado, aprendido a lidar com a dor e com a falta e só então ter tomado qualquer decisão referente a relacionamento, mas isso não importa mais tomei a decisão que achei que deveria ter tomado e pronto. E não se preocupe quanto a mim e seu pai, já briguei com Howard por causa disso mais vezes do que posso me lembrar, em uma ou algumas delas terminou em traição, em outras com ele me pedindo desculpas minutos depois ou no dia seguinte como ele fez hoje. Só lhe peço que, por favor, não chame mais Marcel por esses apelidos que Howard botou.
— Não chamarei, mas só pra encerrar o assunto, Marcel não é um nome muito normal para quem é Holandês?
— Ele era meio a meio, Holandês por parte de pai e Nova Iorquino por parte de mãe, eu costumava chamá-lo de meu Ianque por conta disso. — ela diz com uma expressão saudosa que logo se vai ao ouvir a voz de Howard.
— Eu disse que ia servir.
— É mesmo, caiu perfeitamente nele.
— Eu conheço essas roupas. — digo por reconhecer uma velha calça jeans e uma antiga camiseta branca e jaqueta preta de couro. — O que houve?
— Ele estava perto da beirada da piscina quando Howard apontou pra ele e disse "vai lá, Scooby, pega ele", pronto, foi o suficiente para ele sair desembestado na direção do John que não esperava e foi surpreendido por um pulo que derrubou os dois na água.
— Em minha defesa eu não sabia que ele ia fazer isso. — ele argumenta, mas John não parece ligar para o que aconteceu. — Mas até que foi divertido.
— Tanto quanto o banho de mangueira que lhe dei.
— Não teve graça, Maria.
— Teve para mim. — ela rebate sorridente.
— Cadê a minha mãe?
— É mesmo, onde está a Pepper?
— Ele disse "cadê a minha mãe"?
— Qual é a surpresa nisso? Ele só quer saber onde a mãe está.
— A surpresa tá nele falando.
— Tony, desde que forçamos as coisas naquele dia que Pepper vem trabalhando isso com ele, obviamente ele não sai falando pelos cotovelos, mas fala com todos normalmente. E a proposito você não respondeu a pergunta dele.
— Ela ficou em casa. — eu respondo e ele entorta a boca. — Não vou comer seu figado quando estivermos voltando para casa, não se preocupe. — eu o tranquilizo e ele remexe a boca para não me responder. — Vamos? — ele assente.
— Apesar das coisas não terem saído como eu queria ontem, até que foi bom por que pelo menos ele ficou aqui conosco.
— É verdade. Você precisa voltar para discutirmos sobre o que me disse, precisamos de tempo e calma para trabalhar nele.
— Do que vocês estão falando?
— Coisa nossa.
— Então, tá. Vamos, John. — eu chamo e ele chama Scooby que logo surge saltitante entre nós, eles nos acompanham até o carro, Howard se despede dele com um abraço, minha mãe com um beijo no topo na cabeça e de mim com um aceno, nós entramos no carro e partimos numa volta para casa que estava me deixando apreensivo, percebi o motivo quando passei um cruzamento e sem mais nem menos freei bruscamente, na minha cabeça se passou o flash daquele dia e eu tive que encostar o carro para poder voltar a mim e consequentemente ter condições de guiar o carro para casa. O caminho dobrou a distância, a tensão e aquele maldito silêncio em nada me ajudavam e eu respirei aliviado ao ver que chegamos em casa.
— Você tá bem? — ele pergunta e vejo o quanto está sendo difícil para ele me perguntar isso.
— Estou, foi só um pesadelo que veio me assombrar. — eu respondo e ele se contenta com a resposta. — John, eu sei que começamos... Que eu comecei com o pé errado, eu deveria ter sido mais compreensivo com o seu jeito fechado, ter sido mais paciente, eu deveria ter agido como sua mãe agiu, mas eu tenho a mania de querer tudo na hora e do jeito que quero e por isso agi como agi, eu estava, na verdade estou apressado para querer todas as respostas ou pelo menos aquelas que julgo ser as principais por que quero dar um fim nisso e seguir em frente com você e sua mãe ao meu lado... Eu sei que perdi o título de melhor pai do mundo, que eu não sou mais bem visto e nem quisto, mas não se engane, apesar das minhas ações e no que te fizeram acreditar eu não sou o malvado da história, o que você disse a Pepper e ela mandou gravar nesse relógio também ficou gravado na minha mente, também desde que você se foi eu nunca o tirei do pulso, toda vez que eu olhava a hora ou baixava a cabeça e o via eu lembrava daquilo que nunca esqueci e reforçava a minha promessa de que ia te achar, por muito anos ou melhor nos últimos 8 anos vivi sob o título de super herói, mas só me senti assim de novo quando consegui te trazer de volta pra casa. — eu desabafo e ele para por um instante até que abre a porta e desce, eu obviamente não esperava lágrimas e abraços, mas depois do medo em que vim dirigindo finalmente disse o que eu queria dizer e achei as palavras certas para isso.

Eu ainda custo um pouco a descer, a menção no relógio me fez parar e tirá-lo do pulso para ver escrito em sua tampa traseira a frase que ele disse e Pepper mandou gravar, eu rio toda vez que leio e dessa vez não foi diferente, "para o papai olhar a hora e não se esquecer de mim" foi o que ele rebateu para Pepper quando ela sugeriu um relógio de presente no dia dos pais, ele estava chateado por eu tê-lo deixado de lado, por eu tê-lo esquecido na escola, por eu ter dado preferência a tantas coisas menos a ele e Pepper, se eu soubesse que esse seria meu último presente, se eu soubesse que aqueles meses seriam os últimos que eu teria com eles eu jamais teria conduzido as coisas como conduzi.

Volto a colocar o relógio em meu pulso e encostei a cabeça no volante, contei até 5 e saí determinado a colocar as coisas no eixo, mas as coisas perderam justamente o eixo quando eu ao entrar em casa e levantar a cabeça dei de cara com Adam que encarava John estarrecidamente.

— O que esse cara está fazendo aqui?! — eu explodo enraivecido e atraio a atenção de todos que estavam na sala, mas meu olhar está direcionado para apenas uma pessoa, Pepper.