Any Other Day
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Estávamos todos parados trocando olhares, parecia até que tinha uma bomba e que ao menor dos movimento ela iria explodir, não acredito que toda essa tensão é por causa do Tony que tá aqui me olhando de cara feia e eu não estava nem um pouco intimidada com isso, afinal, como ele mesmo me dizia "cara feia pra mim é fome", no entanto, eu sei que ele quer discutir, ele tá pronto pra isso, mas eu não vou fazer isso na frente dos meus amigos e do nosso filho por isso troquei olhares com a Lis que entendeu o que eu iria fazer e queria dela e eu arrastei Tony pra cozinha.
— Esse é o seu jeito de querer descontar por ter lembrado que me viu com aquela mulher? Eu não te devia nada e você sabe muito bem disso!
— Ah, por favor, nem tudo que eu faço gira em torno de você seu idiota! Eles são meus amigos e vieram me visitar, não tem nada a ver com eu ter lembrado que te peguei transando com uma mulher no escritório, se fosse pra fazer Adam e eu estaríamos nus e transando naquele sofá. — eu disse isso mesmo? Tony me olha com uma cara nada amistosa, mas mesmo assim me mantenho da mesma forma. — Agora se me der licença, tenho que voltar a sala.
— Era isso que você planejava fazer quando saiu da empresa? Uma licença para viajar e transar?
— Não, eu só queria uma licença pra viajar e de alguma forma me encontrar, mas se no meio do processo rolasse alguma coisa eu não ia negar. — os olhos dele incendiaram e quando eu tentei me afastar ele me puxou e me apertou fortemente. — Me solta, Tony.
— Parece que não somos tão diferentes assim, não é mesmo?
— Ah, nós somos, a começar pela cor do cabelo.- puxo o meu braço e saio dali de cara fechada, mas ao me aproximar da sala coloquei um sorriso forçado e fui para o lado de John que estava sério como sempre. — Desculpe-o, Adam, é que nós ainda não queremos que saibam que John está conosco e ele está temeroso que você fale algo.
— Não, eu não vou, mas eu entendo ele e também teria o mesmo receio, afinal, quem me conhece é você e não ele. — Adam responde alternando entre olhar pra mim e meu braço um pouco avermelhado.
— Tem certeza que é só disso que ele tem receio, Pepper? — Lis me pergunta escondendo um sorriso, eu nunca vi alguém que goste tanto de pôr lenha na fogueira que nem ela.
— Sim, Elise, tenho.
— O que foi isso no seu braço, Pepper?
— Ham...
— Foi eu que exagerei no aperto, estava muito bom na cozinha pra deixá-la vim pra cá. — Tony diz vindo para perto de nós e eu só sinto vontade de me afastar dele.
— Foi naquele dia, não foi? — Adam me perguntou olhando diretamente para mim e com uma cara pouco convencida do que Tony disse.
— O quê?
— Que vocês o acharam, foi naquele dia que eu vim aqui e você estava uma pilha de nervos, não foi? — assenti. — Ele se parece com você, senhor Stark.
— Claramente, você é muito perspicaz!
— Sua mãe me falou tanto sobre você que sinto que já lhe conheço. — ele diz animado e eu sorrio. — Daria a vida pra ter a mesma sorte. — eu me entristeço por ele e mesmo sabendo que John não gosta lhe apertei o ombro, por anos eu vivi sem querer pensar que o pior poderia ter acontecido com ele e mesmo tendo ele aqui por um segundo imaginei que ele podia ter tido o mesmo fim que a filhinha de Adam e isso me fez estremecer por dentro. — Mas saibam que eu tô feliz por saber que vocês não vão mais passar por essa angústia. — ele me sorri, sempre achei o sorriso dele lindo e esse não foi diferente. — Eu tenho de ir, só vim ver se você estava bem.
— Obrigado pela visita.
— Não se esqueça de ir ao neurologista pra saber se tá tudo bem.
— Não irei.
— Acho bom, Pepper Potts.
— Até mais, Adam. — Tony diz e eu quase lhe dou uma cotovelada.
— Vem comigo Lis?
— Sim, vou, mas antes.- ela dá um abraço de surpresa em John que fica todo tenso e ainda lhe dá dois beijos na bochecha. — Se acostume ou melhor se reacostume por que comigo é assim. — ela se afasta sorrindo e John está com uma carranca enorme.
— Não serei tão invasivo, então, foi um prazer te conhecer, John. — ele diz sem tentar contato.
— Eu acompanho vocês até lá fora.
— Ah, espera, Tony.
— Que é?
— Quem não dá assistência perde pra concorrência.
— Isso parece frase de adolescente que foi desprezada e agora se acha a coração de gelo.
— É, pode até ser, mas nós dois sabemos que essa frase se encaixa aqui.
— Vamos embora, Lis. — a arrasto para fora de casa e ela sorri triunfante pra mim. — Tinha necessidade de fazer isso?
— Tinha. Qual é, abandona esse barco furado e se ajeita logo com o Adam, vocês dois se gostam, entendo o medo de vocês por conta do que passaram, mas tá na hora de seguirem em frente e se livrarem desses fantasmas do passado.
— Desde quando ela é psicóloga? — ele me pergunta com bom humor e passando seu braço em cima do meu ombro.
— Não faço ideia.
— Podem ir tirando sarro, mas vocês sabem que é verdade, dá pra saber que vocês se gostam só de olhar. — Adam e eu nos olhamos e por alguns segundos parece que tudo estava em câmera lenta, sim, eu gosto dele, mas é como meu amigo... É como meu amigo, né?
— Ham... Ham... Tenho que voltar pra lá e conversar com o John pra saber como foi com os avós.
— Claro, claro... É... Lembra das flores que eu te mandei? — eu assenti. — No cartão tinha o trecho da música que a Lexie vivia cantando pra nós.
— Eu sei.
— Ela não estava errada em cantar pra você que você deveria repetir pra si que tudo ia ficar bem e que não deveria se preocupar e ser feliz. — ele pega a minha mão e me rodopia três vezes até que quando me para, fixa seu olhar em mim e acaricia minha bochecha. — Antes você dizia que não podia não se preocupar e ser feliz por que seu filho não estava aqui, mas agora nada te impede, aproveita.
— Eu vou aproveitar.
— E cuidado com os seus "bons momentos" — ele diz olhando para o meu braço e quando volta a me olhar, se aproxima e beija a minha testa, e eu o aperto quando sinto se afastar. — Conte comigo pra tudo.
— Sempre.
— Comigo também.
— Mas é claro, o que seria de mim sem você, não é mesmo? — ela sorri e também me abraça.
— Não quis me apertar, né, cachorra. — ela sussurra em meu ouvido e lhe estapeio o que faz ela rir e eu também, mas por dentro me questionar por que eu o apertei. — Vamos, Adam?
— Vamos.
— Tenham cuidado e liguem pra dizer que chegaram bem.
— Agora que você falou nisso, eu sempre tento te ligar, mas dá fora de área.
— Como assim?
— Tento ligar para o celular que eu te dei e só dá fora de área. — celular que ele me deu? É mesmo, ele me deu um celular, mas desde o dia que eu recebi a notícia de que Tony achou John que eu não o vejo, eu lembro que eu deixei no sofá, é, eu saí, fui na casa dos pais dele e de lá fomos a Nova Iorque, voltamos, eu subi pra acomodar John, mas Tony desceu, deve ter visto e feito algo, só pode ter sido ele!
— Eu me estressei por não conseguir aprender e o deixei de lado, algo tão fácil e eu me passando. — minto e tento convencer com aqueles sorrisos de quem fez de algo simples uma grande coisa. — Ele deve ter descarregado, vou colocar ele pra carregar e beijar este aparelho que já faz parte do meu ser. — os dois sorriram, eu não sei consegui convencer, mas aparentemente sim, mais uma vez me despeço e quando os vejo ir, faço o caminho de volta pra casa pisando duro e pronta pra discutir, Tony vai me dar conta desse celular.
— Mãe! — John surge na minha frente me parando e me olhando preocupado. — Ele te machucou?
— Quem?
— Seu marido, ele te machucou?
— O quê? Não, meu amor, não, é que eu sou muito branca e como ele foi tentar me impedir de sair da cozinha segurando o meu braço quando eu puxei ficou assim meio avermelhado, mas seu pai não fez nada. — o tranquilizo e sorrio alegremente pra ele. — Olha só você... Eu pensei que quando lhe visse não teria impacto algum, mas pelo visto me enganei. — eu falo com um misto de riso e lágrimas e o abraço apertado o que deixou ele tenso em sua postura. — Agora eu sei por que você se chama John. — eu engulo aquele embargo insistente e sorrio para ele que transparece confusão em seu semblante. — Quando eu descobri que estava esperando um menino, o seu avô Howard me fez prometer que além de ter o sobrenome dele e do seu pai você teria também o nome que eles tem em comum, como Tony não quis se meter na escolha de um nome, eu, suas avós e sua madrinha escolhemos alguns, bom, o tempo passou, a bolsa estourou e quando você nasceu parecia que nenhum nome que tínhamos escolhido era pra ser seu, mas como era os que tínhamos e quanto mais falávamos um que vinha em nossas cabeças menos gostávamos nós os deixamos, a discussão agora era pra saber qual tinha que ser, então, uma enfermeira vendo o nosso dilema sugeriu que você escolhesse seu nome, daí ela pegou uma folha e anotou bem pequenininho os nomes que queríamos e um que eu pedi que o que viesse na cabeça ela escolhesse, então ela rasgou os pedacinhos, amassou, os balançou dentro de sua mão fechada e os colocou no bercinho em que você estava bem perto da sua mãozinha que como a de alguns bebezinhos já era bem agitada, sua mão abriu e fechou, seus dedinhos quase chegaram perto de um papel, mas você foi e encolheu seu braço e ficou quietinho olhando para nós e nos hipnotizando com seus grandes olhos azuis, até que ainda olhando para nós você esticou seu braço de novo colocou as costas de sua mão sobre um papelzinho e depois desceu sua mão afastando os outros, a enfermeira pegou o papel e eu peguei você pra que quando ela dissesse o nome eu te olhasse de perto pra saber se você tinha a cara do nome que ela ia dizer, quando ela falou "John", você agarrou meu dedo com toda a sua força e sorriu, naquele segundo eu soube que você tinha cara de John e que nem um outro nome seria melhor que esse.
— E quem escolheu o nome John?
— A enfermeira. — respondo ainda sentindo aquela mesma sensação de surpresa pelo desfecho.
— Como você sabe disso?
— A minha memória está de volta. — ele se surpreende com o que conto e eu acaricio sua linda cabeleira negra e sorrio pra ele. — Agora eu vou poder te bombardear com todas as lembranças e te ajudar de todas as formas.
— Aquele cara... Ele... Ele...- John se prende pra falar não por não querer, mas sim por que parece estar sendo complicado continuar.
— O que tem ele?
— Ele... Ele era seu namorado? — o desconforto dele era perceptível ao me perguntar e eu não entendi por que tanta dificuldade em perguntar isso e nem tampouco o desconforto.
— Não, Adam é só um amigo que esteve do meu lado nos últimos anos. — ele se satisfaz com a resposta e num passe de mágica sua expressão volta ao normal. — Posso fazer uma pergunta? — ele assente. — Por que você se complicou tanto pra perguntar isso?
— Não sei. — ele coça a cabeça, olha pros lados e caminha. — É confuso. — ele comenta olhando em volta da sala de estar como se fosse pela primeira vez.
— O que é confuso?
— Tudo.
— Tudo bem, então tente me explicar a confusão de agora. — instigo aproveitando os raros momentos em que ele se abre e se distrai enquanto isso.
— Eu queria perguntar, mas não queria ouvir a resposta.
— Por que?
— Não sei, eu só não queria ouvir, mas enquanto eu pensava nela eu fiquei com raiva.
— Ficou com raiva de quê?
— Por pensar que ele era seu namorado, eu... Eu não quero isso. — ele já diz com um tom mais duro, acho que já entendi a confusão dele. — Eu estava olhando pra ele e ele estava olhando pra você e eu não gostei de como ele estava olhando pra você, eu não quero ele com você e eu não consigo entender o por que disso.
— Você está com ciúmes, John, com ciúmes de mim por conta do seu pai. — ele olha para mim como se eu estivesse falando alguma maluquice e eu ando até ele. — Me responda uma coisa, quando você me vê com seu pai o que você sente?
— Nada. — suas expressões foram mudando conforme ele ia se dando conta do que estava acontecendo, com certeza há um conflito entre tudo o que é possível pra ele lembrar que viveu conosco e com tudo o que ele viveu quando foi arrancado de nós e ele não está sabendo administrar isso. — Eu não deveria me importar com isso. Eu não deveria ligar se você passa mal, se você chora, se os pais deles brigam, se tem alguém doente, se vocês estão ou não juntos, se você tá machucada, eu não deveria me importar com nada e nem nenhum de vocês! — ele muda de jeito e de tom e eu só procuro me manter distante.
— Eu sei que na sua cabeça isso está confuso e que você prefere o seu lado que não se importa com ninguém, mas isso, esse sentimento é o que nos traz a sensação de que somos vivos e estamos vivendo, se importe, fique com raiva, discuta, abrace, sorria, mostre que você tá ali, que você se importa por que às vezes John demonstrar que se importa é tudo o que se pode fazer. — eu o olho com carinho e ele fecha os olhos e respira fundo, vou deixá-lo sozinho. — Seu pai tá lá embaixo? — ele assentiu. — Eu vou lá falar com ele, tá bem?
— Se ele tentar alguma coisa, qualquer coisa, me chame. — ele pareceu relutante em dizer isso e mesmo eu sabendo que não tem necessidade dele se preocupar quanto a isso fico contente por saber que estamos progredindo.
— Seu pai não é violento, John, ele não vai tentar nada contra mim, mas eu prometo que qualquer coisa eu te chamo. — lhe ofertei uma piscadela e desci, ainda quero saber desse celular e eu sei que Tony tem alguma coisa a ver com o sumiço. — Onde está?
— Onde está o quê?
— Meu celular, onde está?
— Que celular?
— Não se faça de desentendido, Tony, o celular que você achou no sofá da sala.
— Ah! Era um que tava numa caixa de presente?
— Era.
— Joguei no lixo.
— Você fez o quê?!
— Joguei no lixo.
— Você... Você... Não acredito que você fez isso, Tony! — minha vontade foi de pegar o que tinha em cima daquela mesa e jogar nele que estava agindo como se nada tivesse feito. — Era o meu presente!
— Tá com raiva por isso? Eu lhe dou outro.
— Eu não quero nada seu! Você não tinha o direito de ter pego algo que não era seu e ter se desfeito dele, Anthony Edward Stark.
— Ele que não tinha o direito de ter vindo na minha casa e te presenteado como se você fosse uma mulher solteira, Virginia Potts Stark.
— Você tá louco?! Os presentes agora são etiquetados entre solteiros e comprometidos, é? Ele é meu amigo, só achou que deveria me dar um presente por conta do que me aconteceu.
— Agora eu voltei no tempo! Quantos presentes eu te dei e você não quis aceitar por que era minha amiga e aceitá-los passaria para os outros a impressão que estávamos juntos? — mordi a língua por não poder respondê-lo e ele andou até mim. — Você sabe tão bem quanto eu que esse presente foi só uma jogada.
— Nem todo homem é igual a você.
— Ah, então você quer dizer a mim que ele não quer nada além da sua amizade?
— Eu não sei do querer de ninguém, Tony, eu sei apenas do meu e só posso responder por ele. — ele soltou sua risada debochada e minha raiva só fez aumentar. — Eu sinceramente não lhe entendo, você tá com raiva de quê? Por que eu te devo alguma coisa se você não me deve nada? Tudo o que eu fiz ou deixei de fazer foi em um período onde nós dois não tínhamos nada, Tony, nem sequer nos falávamos!
— E VOCÊ ACHA QUE POR ISSO EU ME SINTO BEM EM SABER QUE MINHA MULHER TAVA TRANSANDO COM OUTRO HOMEM?!
— E POR ALGUM ACASO VOCÊ ACHA QUE EU ME SINTO BEM EM SABER DE VOCÊ COM TODAS AS OUTRAS MULHERES?! — berro enraivecida e de repente sinto todos os anos, tudo aquilo que deixei de dizer pesar sobre mim. — Você faz ideia de por quantos anos eu passei por isso?! Eu sempre te amei, Tony, sempre e mesmo assim perdi as contas de quantas mulheres você esfregou na minha cara, passei por isso quando eu com a minha cara de otária achava que ninguém sabia que eu sentia alguma coisa por você, durante a minha gravidez ou até mesmo depois de casados. Eu te peguei com outra mulher, Tony, dias depois de você ter me dito que me amava, dias depois de você ter aparecido na minha casa chorando pelo o que aconteceu a nós, ao nosso filho, e mesmo assim, mesmo eu sabendo disso eu tô aqui com você, então engula toda a sua revolta por que se tem alguém aqui nessa casa que não merece se revoltar é você.
— Eu não mereço me revoltar? Ah, então quer dizer que pra ficar tudo numa boa eu tenho que aceitar que ele te visite, dê flores e presentes! Quer também que eu faça um acordo com ele de programação? Já tenho até uma, as segundas, quartas e sextas você dá pra mim, nas terças, quintas e sábados dá pra ele, e nos domingos você pode descansar ou ser gulosa e dar pra nós dois, tenho certeza que você vai gostar de dar pra nós dois!
— SEU CACHORRO! — foi reflexo, peguei o que tinha a minha frente e arremessei contra ele, eu nunca usei tanta força pra jogar algo como usei agora e graças ao desvio dele alguma coisa se quebrou mais atrás, mas o que importa mesmo foi o que se quebrou por aqui, lá se foi mais um pedaço do nosso relacionamento um dos poucos restantes. — Nunca mais na sua vida abra a boca pra falar de mim dessa forma, Tony Stark, nunca mais! — eu ainda o olhava com o indicador erguido, mão trêmula, peito queimando, garganta tapando e respiração descompassada, e ele ainda me olhava com cara de quem estava espantado e completamente sem palavras.
Não aguento mais ficar no mesmo ambiente que ele nem por um segundo por isso em passos seguros, mas apressados eu saí dali, tudo o que eu queria era que as coisas voltassem ao normal como eu pensei que voltariam quando John estivesse conosco novamente, mas se passou tempo demais, nos ferimos demais, só nos meus sonhos terei tudo aquilo da forma que tive um dia.
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