Antigo novo amor
16 Capítulo 16 - Uma ligação noturna
No outro dia pela manhã, ele se levanta e prepara o café da manhã para todos. João acorda melhor e então ele resolve ligar para Poliana e não se espanta com a reação dela e para evitar maiores complicações resolve levar as crianças e dessa vez Paula os acompanha.
— Tchau, tia! — se coloca entre os bancos, para dar um abraço em Paula.
— Tchau, pequeno! — sorri. Vou ficar com saudades! — arruma o cabelo dele.
— Eu também! — sorri e desce do carro.
— Tia Paula, podemos comprar minhas roupas na semana que vem?
— Podemos sim! Vou tentar vir para cá e iremos até a loja que você quer. — sorri.
— Vou sentir saudades! — a abraça fortemente.
— Eu também! — se emociona.
Do lado de fora do carro, Vitor informa a Poliana os remédios que deu ao filho enquanto ela observa Maria com Paula.
— Quem é? — pergunta.
— É a tia Paula! — João responde antes de Vitor. Mas, não é tia Paula irmã do papai.
— É… eu sei! — acaricia o filho. Você já está trazendo ela para porta da minha casa? — questiona ao Vitor.
— Como eu ia dizendo… — volta as suas anotações — o remédio do vômito eu dei por último as 1h30 de ontem.
— Claro que você vai ignorar! É mais fácil me mandar por mensagem tudo isso aí — aponta para o celular dele — Maria! — chama a filha — Vamos!
— Estou indo! — desce do carro. Mãe — corre até ela — eu ganhei uma maquiagem! — mostra. É da dior! — sorri.
— Linda, filha! — sorri.
— Pai, a gente pode se ver na semana que vem?
— Sim, filha. Vamos nos ver!
— Na semana que vem, não. Seus dias são essa semana!
— Mas, você pediu para trazer eles! Semana que vem eu os pego novamente.
— Nem pensar!
— Poliana… — guarda o celular — não precisamos discutir! Muito menos discutir na frente deles. Depois a gente se resolve! — se abaixa para se despedir dos filhos.
— Mãe, foi muito divertido lá com papai e tia Paula. A gente brincou de cama de gato, desenhamos, montamos lego e depois dormimos todos juntos no quarto do João.
— Vocês dormiram juntos?
Nesse momento Vitor respira fundo. Ele sabia o que estava se aproximando. O tom de voz dela não negava o grande problema que se instalaria naquele instante.
— Crianças, entrem!
Ele abraça os filhos e espera eles saírem para começar a se retirar também.
— Você é um irresponsável! Primeiro que não me avisa que meu filho está mal, segundo que já sai dormindo com sua namoradinha junto dos meus filhos. Isso chega ser um absurdo!
— Sabe… — se vira para ela. Você deveria agradecer a Paula. Ontem, ela quem limpou o vômito do seu filho. Ela quem ajudou sua filha se acalmar. Ela que preparou a refeição deles e distraiu eles enquanto eu resolvia com meus advogados o que eu ia fazer sobre você. E ela por várias vezes me pediu para te ligar e avisar o que estava havendo. Mas, sei lá… Você é incapaz de qualquer coisa assim: agradecer, reconhecer, ter consciência. Mas, vou te lembrar uma coisa: EU — aponta para si — sou o pai deles e faço com eles o que eu entender cabível. Não se meta na minha vida porque eu não me meto na sua! — sai andando.
Ao fundo escuta ela reclamando, mas apressa o passo e logo entra no carro, arrancando dali.
— Tudo bem?
— Você ouviu?
— Você não deveria ter dito aquilo a ela…
— Dito o que?
— Ela não tem que me agradecer. Você dizer isso acaba ofendendo ela mais. Se eu estou com você e você tem filhos, eu tenho que ter consciência de que tudo isso faz parte.
— Balela! Ela tem sim. Você não tem obrigação nenhuma com eles e ela querendo fazer escândalo?
— Só estou dizendo que isso pode chatear… e pode até influenciar ela a querer me afastar das crianças.
— Acho que você se preocupa demais com Poliana!
— Me preocupo com a minha relação com as crianças! E penso o seguinte também… Se fosse eu?
— Que? — não entende.
— Vitor, se ela fosse eu? Se eu tiver um filho seu e nos separarmos e isso acontecer, não sei se eu me comportaria diferente. Não sei. Se fosse eu sendo…
— Paula, pare! — a interrompe. Santo Deus… Você e Leo são as duas pessoas que mais convivo e vocês dois são as duas pessoas que mais pensam coisas aleatórias que eu já vi.
— Não fala assim! O que penso é real e não aleatório…
— Você não é ela, Paula! — diz nervoso — Já chega disso, ok?
— Você sempre fica nervoso assim quando tem que ter contato com ela ou eu estou te deixando nervoso?
— Os dois! — liga o som do carro.
Ela segue o caminho em silêncio e ele percebe que a chateou, mas nada diz. Ao retornarem para a casa, Paula começa organizar as malas enquanto ele participa de algumas reuniões on-line.
As horas passam.
Paula é apresentada aos outros amigos, eles viajam para BH, as famílias se reúnem.
Os dias passam.
O fim de ano chega e seguem o combinado e nessa altura do campeonato a mídia toma conhecimento do relacionamento, mas eles seguem optando por não se pronunciarem.
De férias, as crianças seguem com o pai para BH, onde passariam alguns dias na chácara de Paula.
— Vocês chegaram! — sorri, indo até eles. Que demora! — abraça Maria. Tudo bem, mocinha?
— Sim! — sorri. Eu amei aquele cavalo! — aponta.
— Sereno! — ri. Depois te levo pra ver. Oi João! — se abaixa e o abraça. Como você está?
— Estou bem e você?
— Bem também! — ri. Melhor agora que vocês estão aqui, vai ser divertido!
— Quero ver a casinha!
— Vamos ver! — se levanta. Mas primeiro, vamos comer e eu vou apresentar minha mãe para vocês.
— Como é o nome dela? — João segura na mão de Paula.
— É Dulcinéia! Mas chamamos ela de Dulce… — ri.
— Tipo doce! — ri.
— Isso! E ela é uma pessoa extremamente doce… Vocês vão amar conhecer ela! — pega na mão da Maria e saem andando.
Vitor observa eles saírem e pigarreia e então Paula se dá conta dele ficando para trás.
— Oi! — começa rir. Crianças… Vão indo por ali… Já eu alcanço vocês! — indica para eles.
— Estou tão magro assim que fiquei invisível?
— Primeiro: você não está magro! — se aproxima dele. Segundo: Nem se estivesse você seria invisível! — beija-o.
— Não foi o que pareceu! — faz drama, apoiando as mãos sobre a cintura dela.
— Você está carente?
— Você está achando? — riem.
— Vem, vamos… — pega a mão dele. Tem seu bolo preferido, tem requeijão e figo…
— Por isso não fico magro!
— Não quero você magro, quero você forte! — aperta os braços dele.
Chegam a área de lazer da chácara e as crianças já estão sentadas na mesa com Dulce e Ildo, conversando sobre o que gostam de comer.
— Ah… eu vou mandar fazer para o almoço.
— Pai, ela vai fazer batata frita! — pega uma bolacha e come.
— Estou super contente que a primeira impressão que vocês deixam é de crianças esfomeadas! — zomba. Tudo bem, Dulce? — a cumprimenta.
— Jamais! A primeira impressão foi de crianças gentis e espontâneas. — ri.
Após um café da manhã reforçado, as crianças já correm pela chácara para explorarem cada canto. Vitor os fotografa e envia para a mãe, refletindo a alegria dos filhos em estar em contato com tantos bichos.
— O que está rindo?
— Minha mãe… Enviei a foto das crianças pra ela e ela disse que queria estar aqui.
— Pede para ela vir! Tem espaço pra todo mundo.
— Tem certeza? A gente tá quase sempre rodeado de muita gente…
— Tenho!
— Ok… Vai ser bom que ela venha, vou pedir para que fique com as crianças e a gente sai para jantar. Ainda não te levei para jantar fora… — disca o número da mãe.
Vitor organiza a vinda da mãe e no fim do dia a busca no aeroporto, pedindo a ela que fique com as crianças para que ele possa sair com Paula.
— Por isso me trouxe, né?
— Claro que não! — ri. Te trouxe para aproveitar os netos e esse lugar… lindo!
— Lindo mesmo! — olha em volta.
Paula recepciona a sogra e em pouco tempo já estão todos entrosados.
— Oi… estou entrando… Amei meu quarto! — sorri.
— Que bom! — ri. Está precisando de algo?
— Não, querida. Nada. Só vim falar com Vitor.
— Ele não está aqui! Achei que estava com você.
— Ué, onde ele se meteu? — pega o telefone.
— Estou aqui! — aparece na janela de Paula.
— Onde estava?
— Tirando foto do céu. — pula para dentro do quarto dela pela janela. Olha… — mostra.
— Perfeita! — sorri.
— O que quer comigo? — olha para mãe.
— Cadê seus filhos?
— Como assim cadê eles? — guarda o celular. Coloquei os dois para tomar banho e já deixei eles acomodados no quarto… falei que você iria dormir com eles e que eu iria sair, mas logo voltava.
— Eles não estão no quarto!
— Uai, mãe… Tem certeza? — sai em busca dos filhos com Marisa e Paula atrás. Maria? — abre a porta do quarto. João? — chama.
— Vou ver lá fora! — Paula se retira.
Quando se dirige para fora da casa, os encontra na cozinha interna com Dulce.
— O que estão fazendo? — ri.
— Eu falei para eles que antes deles dormirem eu ia fazer o leite com doce de leite e canela, igual fazia para você, vieram me cobrar! — riem.
— O pai de vocês está procurando por vocês!
— Ele falou que ia sair! — Maria diz.
— Achei que ele já tinha ido. — João complementa.
— Eu ainda vou! — chega na cozinha. Vocês vierem incomodar a Dulce?
— Não! Viemos só tomar o leite que ela prometeu.
— Sei! Depois de tomarem, voltem pro quarto e escovem os dentes.
— Sim, a gente já sabe! — bebe o leite. Você não vai sair?
— Vou! Vou me arrumar… Obedeçam a vovó…
— Pai… — revira os olhos — você já falou tudo!
Paula retorna ao seu quarto e continua se arrumando, enquanto ele se ajeita no quarto em que os filhos estão, indo até ela assim que termina.
— Oi… — abre a porta. Posso entrar?
— Sim! Estou acabando… — passa o batom. Achei que ia se arrumar aqui. — olha ele. Caramba… Você está mais lindo do que o comum. Como é que consegue? — o admira em sua calça social e uma camisa preta de gola alta.
— São seus olhos! — ri. Nada de mais… Tive que improvisar, ainda bem que trouxe essa roupa. Me deixa ver você…
— Ainda não decidi o vestido… — se levanta da penteadeira. Qual você acha que vai combinar mais com sua roupa? Azul ou amarelo?
— Amarelo! — se aproxima dela. Se bem que o azul te cai bem também.
— Não encosta muito… — ri. Se você colocar essas mãos em mim é bem provável que a gente nem vá jantar.
— Jura? — retira o roupão dela e a observa. Ainda vou enlouquecer, Paula.
— Por que?
— Você quer que eu responda ainda… — enlaça a cintura dela e se aproxima, beijando seu pescoço.
— Eu quero jantar… — sorri. Vai ser a primeira vez que vamos sair juntos e sozinhos como namorados! — o afasta. Prometo que vou te recompensar muito bem.
— Vou aguardar e cobrar… — beija-a.
Se arrumam e seguem para Nova Lima, onde Vitor fez uma reserva no restaurante Topo do Mundo. Chegam atrasados, mas são liberados entrar. Fazem os pedidos e observam a cidade ao longe.
— Meu apartamento novo fica por aqui.
— Já começou mexer?
— Já sim. — sorri.
— Mais uma mudança em breve!
— Mais uma! Mas, está ficando lindo… Você vai gostar e já fiz o projeto também.
— Quero ver sim… O que quer ganhar para casa nova?
— Não sei… O que quiser me dar! — ri.
— É por minha conta a banheira então…
— Que delícia! — sorri. Podemos ir em alguma loja e escolhermos juntos. O que acha?
— Acho ótimo! Vai ser bom que já vejo se me cabe de maneira confortável. — riem.
— Tem uma jacuzzi maravilhosa na chácara…
— Eu vi… Mas, não conseguiremos usar! Fiquei me perguntando quem coloca uma jacuzzi no meio de um jardim de inverno todo de vidro!
— Não tinha outro lugar! — riem. Porém, tem um chuveiro muito bom também no chalé do Zezé.
— Por falar nisso… Ele tem um chalé pra ele na sua chácara e eu nunca tive um.
— Por um motivo óbvio… — olha para ele — você eu quero que durma na minha cama! — pisca.
— Justo! — ri. Hoje não vou conseguir, por conta da crianças. Ah não ser que você me aguarde até umas 3 da manhã e até as 6 eu saia do seu quarto!
— Tudo bem… — sorri. Te aguardo até as 3 da manhã. — pisca para ele.
Jantam conversando sobre músicas que compuseram, sobre o que farão no dia seguinte, as viagens que querem programar e os shows. Na volta para a fazenda, Vitor para o carro na entrada do condomínio.
— O que foi?
— Vamos descer! — abre a porta.
— Para que? Já tirei até a sandália… — abre a porta e sai.
— Olha a lua… — escora no carro e admira o céu.
— Sou suspeita para falar… — se aproxima dele, entrelaçando seu braço no dele. Você sabe…
— Eu amo a lua e sempre amei lembrar de você quando via ela. É impossível não lembrar. Da música, ficar imaginando como seria nós dois caminhando nas nuvens… — riem.
— Eu viajava demais escrevendo…
— Ah… não fala assim, eu amo essa música.
— Sim, eu também amo… E amo as lembranças de quando a fiz.
— O que pensou? Onde estava?
— Realmente foi um sonho! — ri. Acordei e corri escrever em um caderninho que eu tinha… depois voltei dormir e fiquei tentando voltar pro sonho.
— Conseguiu?
— Não! — riem.
— Meus sonhos com você não eram tão puros.
— Sei! — ri.
— Que bom que não precisamos querer dormir para se encontrar mais! — olha para ela.
— Pois é! — sorri. Que bom! — beija-o.
— Que horas são? — a pega no colo, colocando no capô do carro.
— Não faço ideia… — sorri. Você que usa relógio! — ri.
— Ah, verdade… — olha para o relógio — ah… que pena…
— O que? — apoia as mãos nos ombros dele.
— Ainda é meia noite e meia… Não vou aguentar isso de poder ir no seu quarto só às três da manhã! — ela ri. Você se importaria se eu adiantasse minha ida até você? Suponho que minhas crias estejam em sono profundo nesse horário depois do leite que sua mãe deu! — riem.
— Você pode ir ao meu quarto sempre que quiser… No horário que quiser! — sorri. Eu vou estar te esperando!
— Quer ir embora? — desliza as mãos nas pernas dela, embaixo do vestido.
— Não sei… Isso tudo está tão bom! — olha pro alto. O céu estrelado, a lua brilhando… Você aqui! — acaricia o rosto dele. Não pensei que isso seria mais possível nessa vida!
— Nem eu pensei, Pulinha! — sorri. Mas, aqui estamos… E é a melhor coisa que eu poderia viver.
Ele beija do sorriso dela. Beija profundamente, acedendo todas os tecidos, músculos e órgãos de seus corpos. Paula envolve seu rosto com as mãos enquanto ele vaga por seu pescoço e avança para seu colo.
— Vitor… — chama sua atenção. Vitor! — ri, levantando a cabeça dele. Vamos para casa! — sorri. Já está tarde e não tem como a gente continuar isso aqui… eu em cima de um carro e a gente parado no meio do nada! — ri.
— Sim! — sorri. Vem! — a desce do capô.
Entram no carro e terminam o trajeto, parando na garagem.
— Você acha que consegue ir agora pro quarto? — acaricia a perna dele.
— Vou dar uma passado no quarto das crianças e ver se está tudo certo e já sigo pro seu! — sorri.
— Pro nosso… — pisca. Vou te esperar! — abre a porta e sai.
— Você reza? — faz o mesmo.
— Como assim? — ri, entrelaçando seu braço no dele.
— Se você reza, reze aí para o leite da sua mãe ter dado super certo e eles estarem capotados de sono! — riem.
— Vou te esperar de qualquer jeito!
Paula abre a porta da casa enquanto ele a beija novamente, se dando conta de que não estavam sozinhos só após alguns segundos.
— O que houve? — vê a mãe sentada na sala, assustando-se.
— Oi! — se levanta. Desculpa assustar vocês! Vitor, preciso falar com você.
— Cadê as crianças?
— Estão no quarto. Você já deve imaginar o que houve… Não quis te ligar para não atrapalhar…
— Pai… — Maria chega na sala.
— Oi… Você não está dormindo? — vai até ela.
— Você vai levar a gente embora?
— Não, não vou levar vocês embora. — se ajoelha. E você não tem que se preocupar com nada, ok? Eu vou me resolver com sua mãe. — sorri. Vamos voltar dormir? João está dormindo?
— Aham…
— Ta bom! — se levanta. Pulinha — vai até ela — vou colocar Maria para dormir e depois vou até o quarto para conversarmos.
— Tudo bem!
Ele se retira com a filha e ela vai até Marisa, questionando o que aconteceu.
— Poliana telefonou para as crianças e quando descobriu que eles estavam aqui em BH e não estavam com ele naquele momento, ela simplesmente surtou… Eu tive que tomar o celular da mão do João para que não ouvissem mais asneiras e aí quem ouviu fui eu!
— Sinto muito!
— Não, não sinta… Está tudo bem. Ela é um mal esperado. Eu sinto muito é ter vivenciado isso tudo dentro da sua casa, fiz um esforço tremendo para sua mãe não ouvir, mas ela ouviu… me ajudou a acalmar eles.
— Está tudo bem, Marisa. Não se preocupa com isso! — fecha a porta da casa.
— Me preocupo! Paula… — vai até ela — Poliana é meio complicada, para não dizer outra coisa. Eu penso que ela ainda tenha uma sensação de posse sobre Vitor e quer controlá-lo, atingir ele pelas crianças. Ela não vai dar paz… Eu imagino que ele já tenha conversado com você sobre isso, mas… nem se ele ficasse horas te explicando sobre essa relação seria suficiente. Então me preocupo muito no quanto isso pode atingir você.
— Vai me atingir se eu permitir. Ás vezes eu realmente me assusto com algumas atitudes dela, mas… Não posso fazer nada. Não tenho controle sobre isso. Minha preocupação é as crianças, no quanto estão sendo expostas por essa mãe e no quanto isso atinge Vitor. Mas, quanto a mim… Não sei o que ela pode fazer a mim diretamente!
— Não subestime a capacidade dela de fazer loucuras.
— Não estou! É só que… — para de falar ao ver Vitor. Tudo bem?
— Sim! Vim buscar uma água para o João. — vai até a cozinha.
— Eu vou me deitar lá com eles. Boa noite! — sorri.
— Boa noite! — vê a sogra se retirar. Você está bem? — segue até Vitor.
— Oi! — coloca a jarra de volta na geladeira. Não sei o que estou, Paula. Ainda não sei. — apoia o copo na bancada, respirando fundo.
— Sua mãe me falou o que houve. As crianças comentaram algo?
— Maria está preocupada. Pediu para ir embora para que a mãe e eu não briguemos. Ela faz isso de propósito. Mas, não vou te ocupar com isso! Vou levar a água dele e depo…
— Vitor, por favor! — o interrompe. Você me ofende falando isso. Toda vez que envolver as crianças e você não será problema meu?
— Mas realmente não é problema seu!
— Ok… — pega a bolsa de cima do balcão. Vou me deitar!
— Paula! — a observa sair. Não quis dizer nesse sentido… Enfim…
— Você está nervoso e eu também estou. Não vai adiantar conversarmos. Vou pro quarto! — sai.
Vitor fica alguns minutos ainda na cozinha, imóvel e pensativo com tudo que ocorreu, despertando pro mundo real no momento que é surpreendido pela filha, pedindo da água do irmão. Eles seguem até o quarto e por lá ele fica até as crianças pegarem no sono.
— O que vai fazer?
— Não sei, mãe. Mas, a primeira coisa vai ser pegar esse celular e desligar! — pega o celular de Maria e coloca no bolso.
— Pode ir dormir com a Paula, eu vou ficar aqui!
— Ela está chateada comigo. Acabei ficando nervoso e falei algo que soou de outra forma para ela.
— Mais um motivo para ir se deitar com ela. Eu estou aqui, qualquer coisa te ligo.
— Vou lá fora um pouco! Boa noite. — sai.
Caminha pelo jardim da chácara e para em frente a janela do quarto da Paula, senta-se em um banco e pega o celular da Maria, abre na conversa com a mãe e começa ler.
Após a ligação, Poliana havia enviado inúmeras mensagens para a filha, pedindo que ela viesse embora, que voltasse para o local onde ela não seria trocada por uma mulher qualquer. Vitor desliga o aparelho e pega o seu, entrando na conversa com a ex-esposa.
“Boa noite, Poliana!
Me perdoe pelo horário, mas preciso avisá-la que a partir de amanhã, Maria Vitória e João Luiz não terão acesso a qualquer aparelho celular enquanto estiverem comigo. Se precisar saber qualquer informação, me consulte, preferencialmente por mensagens. Contudo, já adianto que não tolerarei gracinhas e que se você vazar novamente meu número celular, resolveremos as coisas de outra forma.
Oportunamente informo que as crianças estão ótimas, já que você nem sequer perguntou isso a eles e foi já querendo saber onde eu estava. Eles adoram a madrasta, que montou um verdadeiro paraíso para recebê-los. A diversão e a alegria estão garantidas, se é que isso lhe importa.
Horários para entrar em contato:
Das 10h às 14h
Das 18h às 20h
Não atenderei você e nem responderei suas mensagens fora desses horários descritos acima.
No mais, passar bem!”
Guarda seu celular no bolso e vai para o interior da casa, mais precisamente para o quarto de Paula. Bate na porta algumas vezes e como não tem resposta, acaba desistindo. No instante em que vai saindo, ela abre.
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