Antigo novo amor

9 Capítulo 09 - Um jantar diferente


Na manhã seguinte, ele desperta e ela já não está na cama. Enrola um pouco mexendo no celular e depois se arruma, descendo até a cozinha.

— Bom dia!

— Oi… — sorri. Bom dia!

— Levantou cedo?

— Sim! Ainda me acostumando ao lugar. — pega uma xícara.

— Entendi! — se aproxima dela.

— Fiquei com medo de encontrar sua ajudante.

— Por que?

— Nada… Ia ficar com vergonha. — ri — Não que ela já não tivesse visto muito isso nessa casa, né? — provoca.

— Não viu.

— Sei! — serve o café para ele.

— Estou falando sério! — pega a xícara. Por que é tão difícil acreditar?

— Não é difícil acreditar… Mas, não acho que você tenha ficado sozinho todo esse tempo.

— Não fiquei! — ri. Mas, ninguém ficava aqui em casa para o outro dia. — bebe o café.

— Não precisa fazer isso! — senta.

— Fazer o que? — senta-se também.

— Me fazer acreditar que sou a única mulher que dormiu aqui!

— Até então a única que ficou para o dia seguinte e a única que apresentei aos meus filhos. Não que as outras… e nem foram tantas assim, ok? Nesses anos após a separação só tive três brevíssimos relacionamentos — explica — enfim… não que elas não merecessem, não sou um babaca também, só que as coisas não estavam caminhando para um futuro, não havia compatibilidade o suficiente, elas não conseguiam lidar muito bem com meu passado também…

— Entendi.

— Não quero que fique pensando nisso. Não penso em nenhum dos seus exs.

— Não estava pensando, só comentei algo. Não me incomoda também se tivesse trago… É sua casa, afinal.

— Sim. Mas vou te dizer uma coisa… Não se ofenda com meus amores de antes…

— Todos tornarem-se ponte para que eu chegasse até você! — repete com ele.

— Isso mesmo! Ser namorado de uma compositora é lindo… — riem. Jorge Vercillo foi certeiro!

— Pois é! — bebe seu café.

— Tenho frutas na geladeira e na dispensa… Não prefere um suco? Vejo que você não toma muito café.

— Sou mais adepta ao chá!

— Vou preparar um para você! — se levanta.

— Não precisa, toma seu café… Preciso que me leve a uma loja antes de buscar as crianças.

— Como assim? — pega a chaleira.

— Preciso ver uma roupa pro jantar da sua família.

— Você fica linda de qualquer forma e vai ser uma coisa muito simples, não precisa de muito, não.

— Tem certeza?

— Absoluta! E hoje descobri que terão amigos do Leo também, então não será algo muito família.

Vitor vai até sua horta e colhe algumas ervas. Prepara o chá dela e a entrega.

— Me diga o que achou… — se senta.

— Nossa… — experimenta — eu estou impressionada! Você está se revelando um homem e tanto… Com muitos dotes!

— Palhaça! — riem.

— Eu amei… Agora você está ferrado! Vai ter que fazer chá para mim sempre, mesmo que esse não seja seu dote que eu mais prefiro.

— E qual é o dote que você mais prefere?

— Aquele de ontem… O que me garantiu dois orgasmos em uma noite só. — ele começa rir — Isso é realmente extraordinário! — riem. Preciso saber se você anda fazendo isso há muito tempo, preciso saber onde estou me enfiando, quem vou ter que enfrentar. Antigamente você era o mais bonito, mais educado, todo mundo ficava em cima… Agora então...

— Você não tem concorrentes e nunca teve porque meus olhos sempre foram seus! — a encara. E para de achar que sou grande coisa… Você também era a mais bonita, a mais ingênua, a mais doce... Eu tinha muito mais concorrentes que você. Não posso falar que continua ingênua — riem — mas ainda é a mais bonita, a mais doce e a mais gostosa! — pisca.

— Hum… — bebe o chá. Certo!

— O que está a fim de fazer?

— Como assim?

— Temos até ás 14h… Quer voltar para cama?

— Não! — ri. Precisamos fazer outras coisas. Quero comprar algo para eles… Maria é tão vaidosa, a vi de óculos esses dias em uma foto no instagram, queria comprar algo pra ela assim... E para o João.

— Não precisa, Pulinha!

— Mas eu quero… Você não vai deixar?

— E eu tenho que deixar? — ri. Podemos ir ao shopping. O que exatamente você quer?

Conversam sobre as opções que tem e então se organizam para ir para a centro da cidade. Já no shopping Paula escolhe um óculos de grife para os dois, um kit de pintura para Maria e um lego para João. Enquanto finaliza o pagamento em uma loja, Vitor telefone para a mãe.

— Oi.

— Oi filho, como está?

— Estou bem, mãe! E a senhora? Está em Uberlândia?

— Bem também! Estou sim. Você já veio?

— Não, estamos em Campinas ainda.

— Já está com as crianças?

— Pego eles às 14h, mas não irão com a gente pra Uberlândia. Vão ter um aniversário aqui, de uns amigos.

— E quem é esse a “gente” que você vem? — ri.

— É sobre isso que estou ligando. Paula já está aqui…

— Sua irmã? Ela nem me falou nada!

— Não! A Paula Fernandes... — espera a resposta.

— Ah… Que bom!

— Nós estamos namorando. Queria falar sobre isso pessoalmente, mas quero que saiba antes de chegarmos.

— Meu filho…

— Desculpa não ter falado antes, mas precisávamos nos organizar, contar para as crianças… Passei alguns dias em BH com ela. Ela se mudou para o meu apartamento lá.

— Vitor, eu sei disso desde o dia que encontrei ela na fazenda! — sorri. Claro que eu gostaria que você pudesse me contar e sei que faria isso no momento oportuno. Estou feliz por vocês, vou sempre torcer para que você seja feliz!

— Sim! — sorri.

— Como as crianças reagiram?

— Muito bem! — ri. Vamos almoçar e depois buscar eles.

— Vocês chegam amanhã que horas? Quero preparar algo para receber a Paula.

— Então, mãe… queria falar disso… Para que pudesse fazer algo para ela mesmo. Ela está com muito receio da sua reação, da do Leo. Ela não quer que eu fale ainda para ele.

— Mas, porque com receio de mim?

— Com medo de você não gostar dela.

— Meu Deus… Mas, sempre adorei ela! — ri.

— Eu sei. Ela também sabe disso, mas ela passou por muita coisa nos últimos anos. Muita mesmo. Outro dia vou sentar e te explicar melhor.

— Sem problemas! Vou fazer o possível para que ela se sinta bem acolhida…

— Isso! — sorri — Amo você, mãe… Sabia que saberia entender!

— Também te amo, meu filho. Aguardo vocês aqui amanhã, estou ansiosa.

Finalizam a ligação e ela surge, segurando as sacolas. Ele a ajuda e dali vão para um restaurante, almoçam, passam em uma cafeteria e compram algumas coisas para as crianças. Retornam a casa, ele a deixa lá enquanto busca os filhos, chegando com eles pouco tempo depois.

— Paula? — chama.

— Oi! — desce as escadas. Olá… — vê eles.

— Oi tia Paula… — sorri.

— A gente fez uma coisa para você! — pega o embrulho. Mas antes meu pai precisa terminar! — ri, enquanto segura o que parece um quadro. Tó pai… — entrega pra ele. Termina logo pra gente dar pra ela!

Vitor pega a tela e coloca sobre a mesa. Usa algumas tintas e finaliza a pintura com um desenho enquanto Paula e as crianças observam atentas.

— Tia, eu tô feliz que meu pai esteja namorando você.

— Sério? — olha para ela.

— Sim! Você não vai deixar ele sozinho, né?

— Não, não vou… — acaricia ela.

— Você vai ficar grávida?

— João! — Vitor chama atenção dele.

— Você quer um irmão, João?

— Não sei ainda… Não estava querendo, mas acho que agora quero.

— Eu quero! — Maria diz. De preferência uma menina.

— Entendi! — ri deles.

— Mas então… Você vai ou não vai?

— João… — Vitor intervém novamente.

— Não sei, João… Não é tão simples ficar grávida, ter um bebê… Então realmente não sei! — sorri. Mas, se um dia eu ficar, você ficaria triste?

— Acho que não, tia.

— Se eu for querer ficar grávida, te falo, ok?

— Tá bom!

Finalizam a tela e entregam pra ela. No quadro haviam vários desenhos aleatórios, flores, casas, sol, lua e a assinatura deles no final. Paula se emociona quando vê cada detalhe do trabalho deles e os agradece por terem pensado nisso. Aproveita o momento e entrega o presente deles que ficam fissurados.

A tarde vai passando e a programação era que voltassem para casa da mãe às 19h, porém pediram para ficar mais, pois Paula estava ajudando a montar o lego de João e pintando um quadro com a Maria. Poliana os libera para dormirem com a condição de que estariam na casa dela no outro dia pela manhã. A noite passa divertida. Comem batata frita, assistem filme e Vitor os coloca para dormir.

Logo pela manhã os leva até a entrada do condomínio da Poliana onde a cuidadora deles já os aguardava.

— Pai, a gente vai ver a tia Paula de novo?

— Vai sim, filha — ri. Por que?

— Porque eu gosto dela. — desce do carro. E acho que ela vai me dar uma irmã.

— Vitória… — Vitor a olha — não vamos ficar pensando nisso agora, ok? Nem falando sobre isso com a tia Paula. Não vamos ter um bebê agora. Ta bom? — desce o João.

— Mas quando vocês tiverem, a gente vai poder ficar lá com ele também?

— Claro que sim! — sorri.

— Pai, depois você guarda meu lego? A tia ia me ajudar a terminar depois.

— Ela já guardou ontem, filho!

Se despede das crianças e retorna para casa. Prepara um chá de especiarias e leva para Paula que ainda dorme.

— Pulinha! — abre as cortinas. Bom dia!

— Desde quando você está acordando cedo? — ri.

— Desde que virei pai! — riem. Te fiz um chá diferente hoje… Esse é com cravo, canela, hortelã e mais algumas coisas que é segredo… — entrega a caneca para ela.

— Obrigada! — senta-se. Já levou as crianças? — bebe.

— Já sim! — senta-se na poltrona em frente à ela. Maria estava preocupada se te veria novamente. — ela sorri, colocando a xícara ao lado. Estava pensando em irmos de avião já que as crianças não irão.

— Pode ser!

— Vou comprar as passagens então! — se levanta.

— Vitor…

— Oi?

— Você não está cansado? — vai até a beirada da cama.

— Um pouco… Não consegui dormir bem essa noite! — pega o celular. Você percebeu?

— Percebi… — vai até ele.

— Desculpa…

— Pelo que? — o abraça pelas costas.

— Por não ter dado sossego! — ri.

— Não tem que se desculpar… — vira ele para ela. Claro que eu prefiro quando você não me dá sossego de outra forma! — começa desabotoar a camisa dele.

— Pulinha… — observa.

— Temos tempo até o voo…- pega o celular dele e joga de lado. E você me garantiu que eu enjoaria da sua cama… — o puxa próximo a cama.

Senta-se e ele para em frente a ela, ainda em pé. Paula o observa sedenta por tê-lo.

— Pulinha, não brinca com fogo!

— Não estou brincando… E se estivesse, eu ia gostar de me queimar… — sorri.

— Não sei que bendito efeito é esse que você tem… — sorri. Mas, eu amo ele! Você acende meu corpo inteiro.

— É… — observa o volume sobre a calça dele. Eu amo saber que faço isso em você… — passa a mão, subindo até o botão.

— Paula… você sempre fez isso em mim!

Empurra a calça para o chão e volta acariciar, sem tirar os olhos dele, ansiosos pelo que ela fará. Paula retira a boxer aos poucos e ele apoia as mãos sobre os ombros dela ao sentir os lábios dela encostarem em si. Perde o sentido a partir daquele instante. As carícias dela iam além do toque. Tudo dentro dele estava cedendo na velocidade que os lábios dela se movimentavam. Vitor busca o ar com a mesma intensidade que a afasta e a puxa para seu colo. Senta-se na cama invertendo a posição e a sentando sobre ele.

— Eu não tinha terminado… — beija-o.

— Vamos terminar comigo dentro de você! — sussurra no ouvido dela, fazendo-a sorrir.

Os corpos se fundem novamente. A cada choque entre as peles, entravam em êxtase. Vitor a envolve, servindo de apoio, entrando em combustão quando ela o tocava. Cada segundo era um prazer inexplicável. O tempo foi se estendendo para além da vida e habitaram todas as constelações possíveis quando entraram em colapso.

Desabam na cama, esgotados e satisfeitos.

Após algum tempo em silêncio, seguem para o banho.

Em Uberlândia, Marisa recebe a filha com uma café da tarde na fazenda de Vitor.

— Vitor não veio ainda?

— Não… Chega mais tarde!

— E essa história dele com a Paula? Ela está só visitando mesmo ou tem algo a mais? — se serve com um pouco de café.

— Ela vem com ele… Estão em Campinas.

— Ah… E as crianças já sabem?

— Paula… — olha para filha.

— Eu só fiz uma pergunta, mãe!

— Ele me telefonou ontem, me contou que estão namorando.

— Sério? Isso é ótimo.

— Sim, também acho.

— E as crianças?

— Amaram a Paula! Fizeram um quadro pra ela junto com Vitor. Maria me contou que ganhou um kit de aquarela e um óculos da Dolce Gabbana. — riem.

— Como será que Poliana vai lidar com isso…?

— Heis a questão! Mas tem um detalhe… Eles não querem que ninguém saiba ainda. Não ficarão aqui como namorados…

— Entendi… Vou fingir que não sei!

— É melhor.

A tarde passa e próximo às 17h, Edvaldo busca Vitor e Paula no aeroporto, trazendo-os para a fazenda.

— Obrigado! — segura a mala. Minha mãe está aqui?

— Sim… Sua irmã também.

— Ok!

— Levo essa! — pega a mala para ajudar ele.

— Está tudo bem? — olha para ela.

— Sim! — sorri.

Entram na sede e Marisa e Paula se levantam para recebê-los. Cumprimentam-se e Vitor segue para guardar as malas.

— Quer um café ou um suco, Paula?

— Pode ser um suco! — sorri.

— Fiquei feliz quando Vitor contou que você viria… — a serve. Nos vimos tão rápido aquele dia.

— Sim! — pega o copo e sorri.

— Já eu acho que não vejo você desde 2012!

— Verdade… — olha para irmã de Vitor. No vimos em Florianópolis, no dvd.

— Caramba, muito tempo! — riem.

— Como está sua mãe? Seu irmão?

— Estão bem! — sorri. Meu irmão se casou em 2019 ainda… E minha mãe está praticamente casada também já tem uns dois anos.

— Que bom… Tem uma companhia!

— Tem sim! — sorri. Ele é muito bom para ela.

— Quem? — chega na cozinha.

— O Ildo.

— Ah sim… É uma excelente pessoa. — senta-se.

Vitor se junta a elas e travam uma conversa sobre a fazenda, a chácara de Paula, o tempo, o mundo. Algum tempo se passa e Marisa e a filha se retiram para a cidade, para se arrumarem para o jantar na casa do Leo, combinando com Vitor que se encontrariam todos lá.

— Tudo bem? — a vê observando Marisa seguir com o carro.

— Sim! — sorri. Vou começar me arrumar!

— O jantar é às 21h… — se aproxima dela. Temos tempo! — sorri.

— Também acho que temos… — envolve os braços sobre o pescoço dele. Quer me mostrar o quarto?

— Será um prazer! — a sobe em seu colo.

A fazenda tinha uma sede com uma cozinha ampla e uma sala anexa. Os quartos se concentravam em um corredor extenso, sendo divididos entre o quarto principal, do Vitor, um reservado para mãe e um para os filhos. Paula se hospedou no de Marisa na última vez que esteve ali e mal teve tempo para conhecer o quarto do Vitor que agora era dela. Entram no ambiente e ele a coloca no chão, beijando-a ardentemente e fazem da cama uma confidente de seus desejos.

Horas mais tarde já estão parados em frente a casa do Leo e Vitor nota a inquietude de Paula observando o local pela janela do carro.

— Tudo bem?

— Sim! — sorri.

— Uma pena que não vamos poder nos beijar!

— Como se fôssemos ficar fazendo isso…

— Por que não? — ri.

— Vitor… Você ficaria me beijando na frente da minha mãe?

— É… Não da forma que quero.

— Pois é! — guarda o celular na bolsa. Vamos! — abre a porta do carro.

Descem do carro e ele se aproxima, roçando sua mão sobre a dela delicadamente. Paula sorri e afasta.

— Chegaram! — os observa da porta.

— Oi Leo… — cumprimenta o irmão.

— Como vai? Sumiu esses dias.

— Não sumi! Você sabe meu telefone… Era só ligar! — riem.

— Paulinha! — sorri. Seja bem vinda…

— Muito obrigada! — o abraça.

— Quando a mamãe me falou que você viria, fiquei feliz… espero que esteja aproveitando bastante a fazenda, você sempre gostou muito de lá.

— Sim! — sorri. Cheguei hoje, mas vou aproveitar muito.

— De quem é aquele carro? — aponta.

— Possebon está aqui! — responde o irmão.

— Por que?

— Estava pela cidade então o convidei.

— Ah… Entendi.

— Vem, vamos entrar, Carol preparou um banquete. Vou te apresentar a ela! — olha para Paula e seguem. Carol… — chama-a. Paula chegou.

— Oi! — vem até ela. Que prazer… — a cumprimenta. Você é muito mais bonita pessoalmente! — riem.

— Muito obrigada! — sorri. Obrigada por me receber!

— Imagina, fica a vontade! Quando meu irmão chegar não vai acreditar que Paula Fernandes está aqui! — olha para Leo e ri. Ele é muito seu fã!

— Que honra! — ri.

Em pouco tempo é apresentada a todos os presentes. Ainda era um ambiente estranho, por mais que tentavam a deixar confortável. Todos se entrosavam muito bem e ela conseguia sentir que haviam dois olhos pregados sobre ela o tempo todo. A sensação era reconfortante e também excitante e se intensificou quando sentiu o calor sobre a pele ao ve-lo se aproximar dela e de Matheus, o filho mais velho do Leo, com quem estava conversando sobre música.

— Não vi você bebendo! — entrega a taça a ela.

— Também quero uma, tio!

— E eu quero ser milionário! — riem. Já está chegando… Os 18 já estão batendo na sua porta, fica tranquilo.

— Estava contando para Paula das minhas músicas.

— Ele foi para um estilo alternativo!

— Eu percebi! — riem. E ficou incrível.

— Obrigado, Paula! — sorri.

— Por que não fazem um feat? — Antônio chega. Paula tem bastante seguidor… ia te ajudar, mano.

— Não vai na onda desse aqui! — aponta para o sobrinho.

— Paula, você gosta de óculos?

— Eu amo!

— Eu tenho uma linha de óculos e vendo alguns, pode dar uma olhada?

— Claro! — ri.

— Hoje não! — segura Antônio. Deixa a Paula em paz hoje…- Leo se aproxima.

— Mas, pai! — contesta.

— Sem mas… É um jantar, ela é nossa convidada. Outro momento você vende suas coisas. — ri.

— Um músico e um empreendedor nato… — sorri.

— Pois é… Mal posso esperar para saber o que será o próximo! — riem. Vitor, Possebon quer falar com a gente!

— Durante o jantar? Meu Deus…

— Jogo rápido!

— Ok. Já venho! — olha para Paula e sai.

Passa pela mãe e sinaliza que Paula está sozinha. Ela logo entende e busca a nora. No caminho o irmão de Carol, um criador de cavalos no interior de minas, se aproxima e fica encantado ao ver Paula pessoalmente. Por ali ficam e já começam a conversar sobre cavalos.

Do outro lado da sala principal, Mateus Possebon, CEO da Opus, responsável pelo retorno da dupla, informa-os sobre um show extra que surgiu e que seria interessante fazerem. Leo se manifesta de forma favorável e Vitor se declara voto vencido. Próximos ao fim da conversa, o empresário cita que Paula tem sido uma das artistas mais pedidas para uma possível participação no DVD.

— Mas isso conversamos pessoalmente em outro momento, vamos curtir o jantar!

— Claro! — sorri. Só mencionei porque me surpreendi ao vê-la aqui… E me surpreendi ainda mais com a beleza dela. — ri.

— Ela está solteira, Mateus! — Leo informa rindo.

— Ah… Mas, ela não iria me querer, não. A gente tem que ter noção da nossa feiúra. — ri.

— Um relacionamento não vive de beleza! — bate no ombro dele — se eu fosse você eu tentava. Vitor tem o contato dela…

— Leo… — Vitor interrompe. Que isso? Empurrando Paula como se fosse uma mercadoria! — ri, para disfarçar o nervosismo.

— Vitor está certo, Leo! Vamos deixar esse assunto para lá. — pisca para eles.

— Vou pegar mais vinho… — sorri. Licença! — se retira.

É indescritível a capacidade de alguns seres humanos conseguirem manter o controle mesmo no ápice de suas raivas. No seu subconsciente, Vitor já havia calado Leo na primeira frase, mas na realidade teve que lidar com o nervosismo e a frustração com um sorriso no rosto. Enche mais uma taça e procura por Paula, a observando conversar com sua irmã e Carol. Ela o vê e sorri e ele retribui com uma piscada.

— Tudo bem? — se aproxima.

— Oi mãe… Sim! — sorri.

— Estou achando que Carol está grávida!

— Sério?

— Sim! Por isso o jantar está sendo aqui.

— Ela já te falou?

— Não! Mas ela não está bebendo.

— Ah… — olha para a cunhada.

— Paula está bebendo!

— Ela é maluca? — olha para irmã.

— A Fernandes! — ri.

— Mãe! — ri. Não começa criar coisas… É óbvio que Paula está bebendo! Nem se ela estivesse grávida saberíamos… O espermatozoide não teria chegado ainda ao útero.

— Vitor!

— Você começou…

— Mas seria lindo eu ter três netinhos juntos!

— Quem sabe Carol não esteja grávida de gêmeos… Aí você terá os três. — sorri. Estamos ainda organizando nossas vidas. São mais de 20 anos desde que nos conhecemos e muita coisa mudou. Ter um filho está nos nossos planos, foi a única coisa sobre qual conversamos. Mas, isso virá no tempo certo e não é agora. Então se acalme… — ela ri e ele sorri.

— Vou esperar isso e torcer para quem sabe acabar acontecendo…

— Estamos falando de Paula Fernandes… Perfeccionista, metódica e controladora. As cosias não vão acabar acontecendo… — riem.

— Nunca se sabe!

— Você não acha que é cedo? Temos que viver muita coisa ainda.

— Não acho. Paula está atingindo uma idade que torna as coisas mais difíceis… Então não acho que seja cedo.

— Você descobriu hoje que estamos namorando! Nem conversamos a respeito ainda. Nem te falei sobre meu encontro com Dulce, sobre tudo que Paula passou.

— Não precisa! O importante é que estejam juntos. — sorri. Você poderia contar a sua irmã pelo menos.

— Quase contei para Leo… Ele estava tentando ajeitar Paula para o Mateus Possebon.

— Não acredito! — ri. O pior vem aí então… O irmão da Carol está encantado! Acho que vai chamar ela para andar a cavalo…

— Meu Deus! É pior do que imaginei… — bebe o restante do vinho.

Alguém chama Marisa e ela segue. Vitor observa Paula novamente, ainda entretida na conversa. Pega seu celular e manda uma mensagem.

“Oi… Tudo bem?

Está sozinha na festa?”

Não demora muito e recebe uma resposta.

“Não… Estou bem acompanhada e com saudade do beijo do meu acompanhante!”

Ele ri e responde.

“Tem um lavabo no segundo andar… Poderíamos nos ver lá. Tem o tamanho perfeito para gente matar a nossa saudade!”

Paula segura o celular e encara Vitor até que os olhos dele estejam nela e quando os encontra, sorri. Ela pede licença para Carol e pergunta se há algum lavabo que possa ir. A esposa de Leo a indica o lavabo do segundo andar que é mais calmo.

— Te levo lá…

— Pode deixar, Carol… — se aproxima. Mostro a Paula! Tem convidados chegando. — aponta para a porta onde uns amigos do Leo acabam de chegar.

— Obrigada! Se não tiver toalha de rosto, pega na primeira gaveta do móvel verde.

— Tá bom! — sorri.

— Só subir, Pulinha… — aponta a escada.

Ela sobe cada degrau e o coração começa acelerar. Conscientemente sabia que aquilo parecia uma loucura descabida de dois adolescentes sem qualquer juízo e ainda assim o corpo dela ansiava por aquilo com a maior naturalidade possível. Sentia o calor do corpo dele logo atrás de si e a vontade de toca-lo só aumentava.

— Está chato?

— O que?

— A festa!

— Não. Estou gostando… Qual porta é? — para no corredor e se vira pra ele.

— A segunda porta à direita… Mas a do lado é o quarto de visitas.

— Não… Não vamos bagunçar a cama de ninguém.

— No que está pensando? — se aproxima dela. Eu achei que seria só uns beijos…

— Você não achou nada disso… — vai até a porta do lavabo. Mas, se quiser só uns beijos, me espera aqui! — abre a porta. Agora… se quiser outras coisas, pode entrar! — sorri.

— Vou aceitar o convite! — entra e fecha a porta.

— Isso é uma loucura! — coloca a bolsa sobre a bancada e o encara, sorrindo.

— Eu também acho! — se aproxima dela. Mas, não consigo evitar… — riem.

— E se alguém sobe para nos procurar? Carol sabe que viemos…

— Você está pensando nisso agora que já estamos aqui? — coloca o cabelo dela atrás da orelha. Mas, você tem razão… Se formos além, eu não vou querer parar… E precisamos de tempo para eu poder fazer com você tudo que eu quero.

— E o que é que você queria…? — enlaça-o.

— Primeiro de tudo, eu te beijaria… — a apoia sobre a parede e a beija. E um pouco mais… — volta beija-la. Depois disso, eu já iria puxando sua roupa…- desce as mãos pelo ombro dela. E te tocando levemente… — na cintura, começa puxar o vestido dela para cima, colocando sua mão embaixo.

— Vitor… — encara ele.

— Te tocaria aqui… — aperta a cintura dela. E te beijaria aqui ao mesmo tempo…

Desliza os lábios sobre o pescoço dela, a deixando inerte. Vitor explora o colo dela e começa a subir as mãos, uma embaixo do vestido e outra sobre o vestido, as encontrando juntas sobre os seios dela. Sente o coração de Paula pulsando mais rapidamente, a respiração descompassada, a pele começando a suar frio e resolve interromper os toques.

— Vamos parar por aqui! — a beija.

— Ah não… — olha para ele.

— Não vou aguentar e precisamos voltar… — arruma o vestido dela. A Carol é esperta e muito receptiva. Vai perceber que não voltamos para sala e vai querer subir para ver o que houve…

— Você tem razão! — espalma as mãos sobre o peito dele. Mas é uma pena a gente não conseguir terminar isso aqui… — vai deslizando a mão sobre o corpo dele, até chegar a calça.

— Preciso que você saia do banheiro, Paula…

— Vitor… Eu posso ficar…

— Quando formos embora você faz o que quiser, ok? — sorri. Mas, agora não temos tempo suficiente e eu preciso me recompor!

— Tudo bem! — aceita, contrariada.

Paula vai até a pia, olha no espelho e se arruma novamente, para estar o mais apresentável possível e não deixar que passe pela cabeça de ninguém o que eles dois viveram ali dentro. Aguarda Vitor do lado de fora e poucos minutos depois ele sai. Ao descerem as escadas se deparam com Leo subindo.

— Onde estavam? — estranha.

— Levei Paula ao lavabo e fiquei a aguardando!

— Sua casa é muito bonita! — sorri.

— Obrigado, Paula! Tenho certeza que a sua também.

— Ela está morando no meu apartamento em BH.

— Sério? — se surpreende.

— Eu aluguei… — explica. Até o meu ficar pronto!

— Vamos descer? — Vitor propõe. Está estranho nós três parados aqui na escada! Parece um interrogatório.

— Claro! — ri. Vamos descer! Vocês primeiro… — estende a mão para Paula e Vitor passarem.

— Obrigada! — Paula desce.

— Sabe que eu fico contente de vocês voltarem a ter contato…? — fala para Vitor.

— Pois é… — encara ele.

— Depois você me conta os detalhes! — desce antes do irmão.

Naquele instante Vitor soube que Leo já havia descoberto tudo. Sente um misto de culpa e raiva, pois não deixava de ser algo sobre sua vida que ele compartilharia no momento oportuno, ao mesmo tempo que sabia que se tratava do seu irmão e que gostaria de poder dizer a ele sobre tudo o que aconteceu.

— O Leo sabe, ok? — se aproxima de Paula.

— Você contou? — se espanta.

— Não! Mas ele sacou tudo já.

— É… Sabíamos que ele já ia saber! — pega uma taça de vinho.

— Não me sinto bem em não dizer a ele.

— Não te obriguei a não dizer! — o encara. Só pedi que eu pudesse falar com ele antes. Mas, tudo bem… Se te fizer melhor, conte a ele!

— Sei que não obrigou, não estou dizendo isso… — acaricia o braço dela. Mas acho válido eu conversar com ele depois. — pega um copo de água.

— Ok… — bebe o vinho. Você bebeu?

— Sim!

— Eu também! Quem vai dirigir pra nós?

— Eu me esqueci totalmente… Fiquei nervoso.

— Por que? Vitor… Não sabia que era tão importante falarmos pro Leo logo… Desculpa, eu…

— Não, Pulinha! Não foi isso. — a tranquiliza. Quando sai para falar com Leo e Matheus Possebon, o Leo meio que queria que eu fizesse uma ponte entre você e Matheus, porque ele te achou deslumbrante!

— Uma ponte? Tipo a Opus contratar meus shows também?

— Não, Paula… Tipo o Matheus querer sair com você!

— Que?

— Pois é… E se não bastasse, o irmã da Carol está encantado com você também! — ri.

— Ele me chamou para andar a cavalo… Conhecer o sítio que vivem.

— Como assim?

— É… — riem. E eu aceitei… Não vi maldade.

— Paula! — a encara. Um homem te convida para conhecer um lugar e andar a cavalo sozinhos e você acha que é amizade?

— Eu não pensei em nada disso.

— Percebe-se que não!

— Eu achei que você iria também!

— E ele sabe que eu vou também?

— Não seria óbvio?

— Só ele para responder, mas te garanto que não seria, não.

— Bom… Se ele pensou outra coisa, vai quebrar a cara! — devolve a taça de vinho para uma bandeja. Vou começar beber água para poder dirigir!

— Fica tranquila! Só bebi duas taças de vinho até agora… Já até parei! Se eu ver que não posso dirigir, peço para alguém nos levar, não se preocupe.

— Por favor… — se preocupa.

— Não vai acontecer nada, Pulinha! — acaricia ela. Estou bem e já parei de beber.

Marisa se aproxima e sorri ao ver ato, percebendo que Paula ficou envergonhada.

— Tudo bem? — sorri.

— Sim! — olha a mãe. Mãe, acabei me esquecendo que voltaria a fazenda hoje e bebi… Você poderia levar a gente depois?

— Claro, levo vocês! Vim chamá-los porque Carol vai servir o jantar.

— Ok! Já iremos. — sorri e a vê se distanciar. Tudo bem? — pergunta.

— Sim! — sorri. Estou bem. Vamos?

— Sim… — apoia a mão na cintura dela.

— Vitor… — se afasta.

— Foi automático! — sorri.

Seguem para a mesa de jantar e sentam-se lado a lado. Os anfitriões começam um discurso e como esperado, anunciam a gravidez. São parabenizados por todos e então o jantar é servido.

— Paula, como tem sido a vida na estrada?

— Oi… — limpa a boca — tem sido tranquila! — sorri. Estou priorizando minha saúde, então não faço tantos shows.

— Você está certa! 2011 foi insano, né?

— De 2011 a 2014 foi insano… — ri. Foram três anos muito complicados, mas proveitosos, não posso reclamar….

— Mas creio que você e Vitor se quisessem não fazer shows mais, não fariam… Porque só os direitos autorais… — ri.

— É… — sorri sem graça. Não posso reclamar!

— Nem eu! — bebe um copo de água. Mas isso não é assunto, né? — ri.

— Claro! — fica sem graça.

— Leo, Carol e os nomes? — Marisa puxa assunto para mudar o clima.

— Francisco ou Maria Antônia! — sorri.

O jantar continua em uma clima descontraído, mas não passa despercebido de Vitor o quanto Matheus e Marlos tentam puxar assunto com Paula. No final da recepção, o irmão de Carol vai se despedir de Paula, marcando para o dia seguinte o encontro no sítio para verem os cavalos.

— Estarei lá! Vitor já sabe o caminho, né? — olha para ele.

— Posso te buscar, sem problema!

— Não precisa se incomodar… Eu a levo! Aliás, poderíamos ir todos amanhã, o que acham?

— Eu topo! — Marisa responde.

— Vai ser um prazer receber vocês! — sorri.

Se despedem e Vitor informar a mãe que tem condições de dirigir, seguindo somente ele e Paula para fazenda.

— Do que está rindo? — observa ela rindo mexendo no celular.

— Você se convidando… — riem.

— Ou eu fazia isso ou ele realmente iria te buscar! Te avisei que não era óbvio pra ele que eu iria.

— Pois é… Mas já contornou a situação! Amanhã quando ele quiser andar a cavalo, você vai querer ir?

— Vou ser obrigado a me convidar novamente! — riem. Mas, confesso que vou pensar bem… Não gosto muito de cavalgar, prefiro quando cavalgam em mim.

— Ah Vitor… — olha para ele. Que coisa chata! — riem.

— Não é chato quando acontece…

— Tá bom… Mas, não precisa ficar falando!

— Ok… Não falo! — se concentra na estrada. Mas posso pensar, não posso?

— Pense… Mas, não perca o foco da estrada! — riem.

Na tarde do dia seguinte, seguem caminho rumo ao sítio da família de Carol. São recepcionados pela mãe dela e Marlon logo chega para convidar Paula para conhecer os animais. Só não contava que Vitor acompanharia.

— Que lindeza os patos! — ri.

— E tem filhotinhos, Pulinha… — aponta.

— Você tem patos na sua chácara?

— Não tenho… — diz com tristeza. Minha mãe disse que preciso comprar outra chácara para caber o tanto de bicho que quero. As galinhas já ficam com os coelhos… — riem.

Conversam durante o caminho ao estábulo e de longe Leo observa os três.

— Vitor virou babá da Paula? — bebe uma xícara de café.

— Por que?

— Marlon quis dar uma volta com ela e ele está lá… Parecendo um cão de guarda.

— Não acho…

— Mãe… — encara Marisa.

— O que foi, Leo?

— Nada! — senta-se. Só não gosto de mentiras.

— E quem mentiu pra você?

— Por que eles não falam a verdade? Não é mais simples? Complicam as coisas porque querem.

— Não temos nada ver com a vida deles. Não faça isso… O importante é que seu irmão esteja feliz e vai contar no momento necessário, ajudaria se você fosse mais maleável com a Paula.

— Eu? Mas mais do que já fui na noite passada? A tratei bem e não tenho intenção de tratar mal.

— Continue assim.

— O que houve? — Carol se aproxima.

— Nada demais, querida. — Marisa tranquila a nora.

Enquanto Paula decide tirar fotos de uns patos, Marlos de aproxima de Vitor.

— Vitor…

— Oi? — o vê se aproximar.

— Não tenho intenção alguma com a Paula. A não ser de um fã mesmo que ficou feliz em conhecer uma pessoa que admira.

— Marlos… — não sabe o que dizer.

— Não sei se passou essa impressão, mas não é nada disso!

— Não passou, não. — mente. Fica tranquilo! — sorri e volta observar ela pegar os patos. Por que me contou isso? — pergunta curioso.

— Porque acho que você está um pouco preocupado. Mas, não há nenhuma segunda intenção.

— Está tudo bem. — sorri, sem graça.

Paula retorna mostrando as fotos e Vitor a informa que vai aguardá-la cavalgar junto da mãe e do irmão. Ela não entende no momento, mas não demonstra nervosismo. A tarde finaliza tranqüila no sítio da família da Carol e no caminho de volta para a fazenda, Vitor explica a conversa que teve com Marlos, o que o tranquilizou para deixar que ela fosse sozinha com ele.

A noite Marisa os convida para jantar na casa dela e eles aceitam, passando na fazenda apenas para um banho.