Antigo novo amor

10 Capítulo 10 - A caminhada


A noite Marisa os convida para jantar na casa dela e eles aceitam, passando na fazenda apenas para um banho.

— Trouxe um vinho! — mostra.

— Que ótimo! — sorri. Vamos entrando…

— Obrigada! — sorri.

— Vitor, abra o vinho para nós.

— Cadê Paula? — pergunta da irmã.

— Está no banho.

— Rafael não chegou?

— Já sim! Estava se arrumando também… Paulinha, você pode me ajudar aqui?

— Claro! — coloca a bolsa na mesa e vai até a sogra. O que precisa?

— Segura isso enquanto despejo o recheio… — mostra a vasilha.

— O cheiro está ótimo! — ri.

— Bem que você falou que podia ser a lasanha… — Vitor se aproxima rindo.

— Ah é? — ri, enquanto despeja o recheio. Então você lembra da minha lasanha!

— Como não se lembrar disso? — riem. A famosa lasanha da Marisa Chaves.

— Então acertei! — ri. Fiquei com medo de você não comer e acabei preparando uma de berinjela também, mais leve.

— Não precisava, Marisa! — fica sem graça. Mas comerei as duas para não fazer qualquer desfeita… — sorri.

— Leo virá?

— Eu convidei… Mas, não sei.

— Entendi.

A irmã de Vitor e o esposo chegam até a cozinha e os cumprimenta. Sentam-se entorno da mesa principal e começam a conversar sobre o vinho, sobre o que fizeram na chácara dos sogros do Leo e se deparam com ele e Carol chegando, juntando-se a eles.

Servido o jantar, Rafael chama Vitor para ver um vídeo que ele preparou. Na mesa permanecem somente Paula e Leo, já que a irmã e a cunhada de Vitor haviam se retirado para levar os pratos até a cozinha, coisa que Paula se ofereceu para fazer mas elas não permitiram.

— Você está gostando?

— Do que?

— De Uberlândia! — ri.

— Ah… — ri. Sempre gostei! Desde a época que vinha montar cavalo aqui… Quando a fazenda ainda era sua! — sorri. Cogitei já morar aqui, mas BH sempre vai ter meu coração.

— Vitor sempre falou isso também… BH estava o coração dele! — sorri. Imagino que foi difícil pra ele sair de lá.

— Sim… Também tive dificuldade de me desapegar quando fui para São Paulo. Não é a toa que voltei. — sorri.

— Morou quanto tempo lá?

— Quatro anos praticamente.

— Bastante tempo… E São Paulo é um caos!

— Principalmente se estamos longe da família. Não é nada fácil.

— Você pode me acompanhar? — se levanta.

— Sim… — faz o mesmo.

— Onde irão? — Vitor os vê.

— Vou dar uma volta com a Paula… Mostrar o condomínio.

— Também vou!

— Não… Vamos só eu e Leo! — Paula o tranquiliza. Daqui a pouco voltamos.

Eles saem e Vitor fica tenso com a situação, mas tenta não transparecer. Paula e Leo caminham por um tempo em silêncio, observando as casas.

— Quando contou a ele?

— Contei o que?

— Não se faz de desentendida, Paula!

— Se você está falando sobre a razão que fez você me odiar por anos… Não, nunca contei a ele!

— Você nunca contou ao Vitor? — para de andar.

— Não, Leo! Eu nunca contei ao Vitor. Não era sobre mim, tão pouco sobre ele… Por qual razão eu contaria?

— Você não contou a Tatiana também.

— Você foi a única pessoa que eu procurei. Era sobre você! E sim… Jamais achei justo o que você fez, me decepcionei muito, como se fosse comigo. Mas quem deveria contar a Tati era você, não eu.

— Eu me arrependo muito do que fiz.

— Que bom… é o mínimo! — volta a caminhar.

— Eu achei que em algum momento você teria contado ao Vitor. — a acompanha.

— Para que? O que ele ia fazer se soubesse? Não tinha o que ser feito.

— Talvez me odiar um pouco mais do que ele já estava naquela época.

— Acho que todo mundo pagou um preço bem alto pelo seu erro…

— Você sabe dela?

— Não, você não vai fazer isso! — o encara. Não vai me perguntar sobre sua ex amante a essa altura do campeonato!

— Só quero saber se você sabe algo dela, porque ela sumiu.

— Que bom que sumiu, né?

— Paula, não tenho interesse nela! Nunca tive. Aconteceu algumas vezes, por um erro idiota da minha parte.

— Erro idiota? Isso custou sua família.

— Eu tenho uma família!

— Você também tinha uma família antes, Leo.

— Não importa o que tive antes… O importante é o presente.

— Olha… Por que me chamou para andar? Realmente não quero voltar nesse assunto.

— Queria saber qual é sua situação com Vitor. Vamos ter que conviver e é bom que façamos isso da melhor forma.

— Não se preocupe comigo. Não vou tocar nesse assunto com ninguém, não fiz isso antes e não farei agora. Então podemos conversar e conviver como dois adultos maduros. Eu não espero mais sua amizade, Leo. Não depois de tudo. Da forma grosseira que você lidou quando eu te procurei para exigir que você contasse para Tatianna o que estava fazendo. Você me humilhou, me jogou para escanteio como se eu nunca tivesse existido na sua vida. Nunca fui só amiga do Vitor. Eu realmente me apaixonei por ele e nossa história tomou outro rumo. Mas eu era sua amiga! E me doeu ver e viver tudo que houve…

— Você ficou do lado dela na separação.

— Você errou. Eu sabia do seu erro. Ela também era e é uma pessoa querida por mim, mas eu fui leal a você desde que descobri o seu caso com a Marília. O mínimo que eu poderia fazer quando vi a Tatianna sofrer, era ficar ao lado dela. Você reconstruiu sua vida muito rápido… E fico feliz por estar em um novo casamento, fico feliz por ser pai novamente. Carol é linda, educada e espero de coração que você a mereça. Mas não venha me punir por prestar meu apoio a Tatianna… Antes dela eu prestei meu apoio a você e o que você fez? Me humilhou. Eu fui desleal a ela, porque poderia ter chego nela e contado tudo que a Marília me procurou pra contar, mas nunca fiz isso.

— Ok! Agradeço sua lealdade.

— Não venha com essa, por favor.

— A dupla voltou, Paula. Eu e Vitor vamos conviver mais do que estávamos convivendo. Nossa relação como irmãos vai balançar novamente, já está. Não quero que essa situação entre nós seja mais um fator para que Vitor se afaste.

— É até ofensivo você dizer isso a mim.

— Não, não leve para esse lado! Mas até agora ele não me contou que vocês estão juntos, então imaginei que você tivesse contado tudo a ele.

— Não contamos pra ninguém, Leo. Somente as crianças sabem e nossas mães. Estamos indo com calma.

— Vou voltar te seguir no instagram, para que quando vocês assumirem publicamente ninguém levante nenhuma dúvida sobre nossa relação. Vamos sempre estar juntos e vamos sorrir para as fotos, vamos conversar sobre tudo… Pelo Vitor, vamos fazer isso ser normal na medida do possível. Eu não falo de você pra ele e você não fala de mim.

— E você tem algo para falar de mim?

— Só estou explicando como podemos fazer para que tudo fique bem e ninguém tenha que lidar com nosso problema.

— Quando eu fizer algo na minha casa, você precisa ir. Com sua família. Nada de inventar desculpas ou se fazer de desentendido.

— Não teremos problemas com isso.

— Até Vitor perceber que essa interação é combinada, não teremos. E se um dia ele perceber e se sentir enganado por mim, você assuma a responsabilidade, pelo menos uma vez na vida!

— Fica tranquila!

— Vou voltar! — começa retornar pra casa de Marisa.

— Um dia, quem sabe, conseguiremos retomar a nossa amizade como era antes.

— Preciso me curar primeiro do que você fez comigo e então podemos tentar isso. Até lá, seremos civilizados. Tudo bem?

— Tudo bem! — a acompanha no retorno.

Vitor os aguardava na porta, inquieto. Paula sorri ao vê-lo e comenta que ela e Leo fizeram uma caminhada tranquila, que as casas do condomínio são bonitas e que a noite está boa para andar. Leo concorda e brinca que poderiam tranquilamente morar ali também.

— Paula me contou! Fico feliz por vocês. — sorri. Contem comigo pro casamento, pros filhos que virão. Eu só faço meninos… Mas Vitor consegue fazer meninas. Quem sabe não teremos mais uma? — sorri.

— Muito cedo para tudo isso! Mas, agradecemos. — Paula pondera, sorrindo.

— Cedo nada! Vocês já esperaram demais. Não demorem para anunciar para todos… — sorri e se retira.

— O que foi isso?

— O que?

— Depois conversamos! — escuta Marisa chamá-los.

Terminam a noite de forma agradável e Paula sai da casa da sogra com um potinho de lasanha. No caminho, Vitor a percebe dispersa, observando a estrada pela janela.

— O que conversaram?

— Oi? — não entende.

— O que você e Leo conversaram? Aquilo foi… Muito estranho!

— Nada de mais.

— Paula, por favor! Não teria razão nenhuma pra ele te chamar para caminhar, do nada. Se fosse um assunto normal, conversariam lá na mesa… onde estavam!

— Vitor… — respira fundo. Para que essa conversa? Eu e Leo conversamos coisas banais.

— Você vai continuar mentindo?

— Você está se desgastando por uma coisa a toa.

— Não, não estou! Eu quero saber o que conversaram. Ele foi grosseiro com você?

— Não, não foi grosseiro!

— Você está escondendo algo de mim!

— Vitor… — perde a paciência. Para com isso!

Chegam na fazenda em silêncio e em silêncio permanecem por toda noite. Na manhã seguinte, Paula acorda e não o encontra. Ao procura-lo é informada por Hilca que ele saiu para pescar. Toma seu café sozinha e depois vai para o quarto e aproveita para responder umas mensagens, telefonar para mãe e contar que está tudo bem, que tem se divertido, mesmo que nada do que tenha falado seja 100% verdade.

Aguarda Vitor por um tempo, mas fica inquieta pela demora.

— Hilca, tem alguma bicicleta por aqui?

— Sim! Está na dispensa da garagem. Vou pegar para você.

— Não! Por favor. Eu mesmo pego, não se preocupe. — sorri.

Paula vai até a garagem e encontra a bicicleta de Vitor pendurada. A pega e sai andando pela fazenda, enquanto escuta uma playlist que ele a indicou. Para no orquidário da fazenda, entre os coqueiros. Fotógrafa tudo e manda para mãe.

Na sede da fazenda, Vitor chega.

— Paula acordou? — retira as botas na porta da cozinha.

— Sim! E saiu por aí… de bicicleta. — ri.

— Ok! — sorri.

Toma um banho e retorna a cozinha, tomando um café enquanto conversa com Hilca sobre a fazenda. Não demora muito e Paula chega.

— Bom dia! — sorri.

— Oi, bom dia… — a vê.

— Vou tomar um banho! — vai para o quarto e percebe ele vindo atrás.

— Você não dormiu bem essa noite.

— É… Estava meio inquieta! — entra no quarto.

— Por que?

— Não sei! — ri. Nada de mais! — mente.

— Não sei porque, mas acho que tem a ver com o Leo.

— Não! Não tem nada ver. Por favor, para com isso! Vou tomar meu banho. — entra no banheiro.

Uma chuva invade Uberlândia e eles aproveitam para passar o resto do dia dentro de casa, vendo documentário. Paula retorna a Belo Horizonte alguns dias depois e ele permanece em Uberlândia para os ensaios da nova turnê.