Antigo novo amor
4 Capítulo 04 - Fazenda Hortense
Notas iniciais
Paula o observa sair do quarto, ainda paralisada com o momento que passou. Se levanta e anda de um lado pro outro quarto, respirando fundo para retomar o mínimo de consciência que lhe restava e não fazer nada imbecil que fosse se arrepender no dia seguinte. Mas, é em vão. Abre a porta e sai rumo ao quarto dele. Bate delicadamente para não acabar acordando ninguém e ele abre, usando um roupão, com o cabelo molhado. Ela entra sem pedir licença e ele fecha a porta atrás de si.
— Você não pode jogar tudo aquilo em mim e sair me pedindo para esquecer o que falou. Você já fez isso uma vez na minha vida e não vai fazer de novo!
— Paula…
— Não! Me escuta! — ergue a mão para ele. Não sei como reagir a você. Eu já te falei todos meus receios de você achar que estou dando em cima de você. Não estou. Mas, minha cabeça fica a mil… Eu também fico confusa, também fico sem reação. Também penso o que não deveria e nem tenho coragem de falar o que eu penso. Mas, sou controlada. Estou me controlando desde que pisei aqui. Acontece que foge do meu controle, quando vejo já estou rindo ou sorrindo com tudo que você fala ou faz, feito uma idiota. Você me faz me sentir confortável e ao mesmo tempo tensa. Não quero pensar nisso desde que cheguei aqui. E aí você vem e despeja tudo aquilo em mim… E não, não é só você que está achando que está maluco, eu também estou achando que estou maluca. Queria poder dizer que isso tudo é só porque estamos solteiros, carentes, ou não… Eu não sei. — encara ele. Eu tô perdida. E juro para você que não era minha intenção nada disso. Que eu vim para cá também acreditando que éramos maduros e que deixamos nossa história onde deveria.
— O que você quer fazer com tudo isso?
— Queria muito te beijar! — fala impensadamente.
— Certo… — se aproxima. Que bom que é isso que você quer… Porque eu estou pensando nisso há muito tempo e você ia destruir meu coração se falasse outra coisa. — coloca as mãos sobre o rosto dela, segurando. Jurei para mim que já tinha resolvido você em mim... Mas eu não fazia ideia do quanto eu queria provar tudo de novo. Mas, preciso que você entenda que, se eu te beijar, não vou parar… A gente vai ser uma coisa totalmente diferente do que está sendo até aqui.
— Então é melhor a gente ter certeza do que quer ser! — afasta as mãos dele.
— Pulinha… — diz desapontado.
— Boa noite! — sai do quarto.
Vitor encara a porta por um tempo e então respira fundo, tentando entender o que houve.
Paula entra no quarto e não controla o choro, uma mistura de raiva, incerteza e ao mesmo tempo de paz, desejo e amor. Ela queria ele e queria mais do que o beijo. Mas e depois? Não dava mais para agir como adolescente. Se ela seguisse adiante, iria se martirizar por cada segundo depois do prazer que poderia viver. O que de fato eles estavam fazendo? Onde aquilo iria parar? Não dava para arriscar tanto assim na primeira oportunidade. Ela sabia disso, só o coração que não.
Na manhã seguinte, ela se levanta antes que todos. Prepara um café e sobe até o quarto das crianças, encontrando Vitor penteando o cabelo de João.
— Oi tia Paula! — ele sorri ao vê-la.
— Oi, bom dia! — sorri. Fiz café…
— Obrigado! — olha pra ela. Não precisava se incomodar… André já acordou?
— Não sei… Vim ver se as crianças estavam acordadas pra dar café da manhã pra elas.
— Maria está no banho ainda.
— Tá… João, vamos descer e comer alguma coisa?
— Vamos!
Minutos mais tarde, depois de tomarem um café rápido, já estão na estrada. Chegam em Uberlândia perto das 12h da manhã, deixam André em sua casa e seguem para a fazenda.
— Meu Deus… — observa. Está ainda mais bonita! — sorri, com os olhos brilhando.
— Você já veio aqui?
— Há muito tempo! — ri.
— Você disse que anda de cavalo… Pode me levar para andar?
— Vamos almoçar e depois vocês levam a Paula pra ver e fazer tudo!
São recepcionados pelo caseiro e a esposa que preparou um almoço para eles. Se entretém com as crianças e evitam conversar sobre o que ocorreu na noite passada, mas ao cair da noite, não veem outra alternativa.
Depois do banho, ela retorna a sala e ele está sentado, ouvindo um vinil de blues enquanto bebe um vinho.
— Quer? — a vê.
— Sim! — senta-se no mesmo sofá que ele.
— Aqui! — entrega.
— Obrigada!
— Não está cansada? Acordou cedo, passamos horas na estrada e as crianças não te deixaram em paz.
— Eu gostei de não me deixarem em paz… — ri — acho que é quando mais sinto paz!
— As programações deles para você amanhã são intensas.
— Mal posso esperar! — sorri. Você tem amado vinho, né?
— Sim! Mais do que o comum até. — riem. Tenho comprado alguns para experimentar…
— Precisa ir para Portugal, beber os de lá… Os da Suíça são bons também.
— Vou anotar! Quer queijo?
— Quero!
— Você viaja bastante… — corta um pedaço e entrega para ela.
— Eu adoro viajar, conhecer lugares novos… O mundo é muito bonito.
— Sim!
Ficam em um completo silêncio, lutando contra si mesmos para ver quem começaria falar sobre a noite passada.
— Do que você acha que precisamos ter certeza?
— Como assim?
— Ontem você falou que precisávamos ter certeza do que queríamos ser. Por que?
— Ah… — coloca a taça sobre o apoio central. Para mim não é simples só beijar você e tchau. Não é simples não pensar nisso no dia seguinte. Eu passei anos pensando na gente… Escrevendo sobre a gente. Sobre tudo que eu senti quando você me beijava ou quando me tocava. Fiquei presa nas lembranças. Para te beijar de novo e despertar tudo isso, preciso ter certeza do que queremos ser. Como vai ser depois do beijo? Cada um pro seu lado e nada aconteceu? Ou vamos repetir a dose? Não estou falando de namorar, casar, nada…
— E porque não? — a interrompe.
— Vitor…
— Você acha que não podemos fazer isso? Namorar, casar…
— Eu e você?
— Eu com você, você comigo. Por que não podemos dar um passo de cada vez? Aproveitar os momentos e construir algo. As lembranças não prenderam só você, Paula. Eu também descrevi cada uma delas, também pensei em cada uma delas. Também te desejei mesmo distante, lembrando de tudo que vivemos juntos.
— E você vai querer casar comigo? — ri.
— Por que você acha que eu não iria?
— Você já se casou duas vezes e com pessoas que você não teve um passado complicado.
— Nosso passado não foi complicado, pelo menos para mim não. Para você foi?
— O término foi…
— Doloroso, não complicado. — bebe o vinho.
— É… — pega sua taça e faz o mesmo. No fundo eu só não quero perder esses momentos… Estarmos conversando, bebendo um vinho, comendo queijo, falando da vida… Se a gente se envolver e estragar tudo? Você é importante pra mim, nunca deixou de ser. E estarmos nos aproximando também é importante. Você tem seus amigos, se reúne sempre com eles… Eu queria fazer parte disso. Mas… — coloca a taça novamente no apoio — acho que já desviamos do caminho antes de começarmos qualquer coisa. Você não tem que se preocupar comigo e nem precisa dizer essas coisas para que eu não me sinta mal — sorri. Estou bem, estamos resolvidos.
— Paula… Por que você está pensando assim? Juro que eu não entendo porque você acha que eu não iria querer nada com você ou porque acha que eu estaria falando sobre isso só para não te deixar mal. Desde que nos envolvemos da primeira vez você sempre soube o que eu queria viver com você…
— Mas nós não vivemos e também mudamos. Ontem você falou tudo aquilo para mim e me mandou esquecer depois… Que garantia eu tenho que vamos transar e você não vai me mandar esquecer depois?
— Eu não sabia que você poderia sentir o mesmo! Como queria que eu adivinhasse? Eu até desconfiava, mas você ficou quieta enquanto eu falava, não disse absolutamente nada. Mas, tudo bem… Me desculpa. Como deixamos isso agora? Assim…?
— O que?
— Essa situação. Talvez realmente não deveríamos ter falado nada, estaria melhor sem saber. Vou me deitar!
— É isso que estou falando… Era isso que eu estava temendo!
— O que você quer? Eu me abri para você, você se abriu para mim. Eu digo que quero dar um passo com você e você coloca freios e mais freios em tudo isso. Como quer que eu reaja? Sinto muito. Como voltamos a fita? Não se volta a fita, né? Imagina nós dois amigos… Como vai funcionar quando você conhecer alguém? Ou quando eu então decidir que vou conhecer alguém? A gente vai fingir que está tudo bem? Vai se convidar pros casamentos? Não me mantive longe de você durante seu relacionamento por desdém. Me mantive longe por mim, por você… Você estava seguindo sua vida e eu estava seguindo a minha. Mas para conseguirmos manter isso, precisamos ficar longe um do outro.
— Por que convidou ele para o estúdio?
— Porque eu queria que você ficasse bem… E porque eu já sabia que você não estava com ele, mas você não quis me contar e quando aceitou que ele fosse, imaginei que tivessem voltado. Só que quando você pisou na minha casa e começou a se enrolar, eu soube que não, mas também não consegui entender porque estava mentindo.
— Achei que você poderia ter alguém. Não queria estragar.
— É engraçado o quanto queremos bem um pro outro de uma forma errada! Desculpa… Mas, se lá no passado eu não soube ser seu amigo estando namorando, porque agora conseguiria fazer isso? Sinto muito, muito mesmo. Sempre que precisar de mim, pode me ligar. Vou estar lá. Mas convivermos pessoalmente não dá, Paula. Manter uma amizade quando se gosta de alguém, na teoria é bonito… mas na prática é um martírio e eu realmente não estou a fim de passar por isso e nem de fazer você passar. Se de longe eu já me culpei, não dá para fazer isso olhando para você toda vez que nos encontrarmos. Você não é uma amiga como minhas amigas. Nunca vou olhar para elas e imaginar o que poderíamos fazer sozinhos… — se levanta. Boa noite! — sai.
Ela permanece na sala, imóvel. Sabia que ele tinha razão. Querer ser amiga dele depois de tudo que falaram, era uma baita de uma loucura, só não imaginava que ele concordaria com isso. Sempre acreditou que ele se mantinha longe porque não se interessava, mas o fato é que ele se mantinha longe por segurança, por ela e por ele. Pega a garrafa de vinho e bebe o restante direto do bico. Com o celular em mãos, manda uma mensagem para a Bia.
“Bia… eu estou enrascada. Eu quero muito, mas eu também tenho medo de me jogar tanto assim. O penhasco é alto e eu já me ferrei demais. Mas eu queria tanto… ”
Deita no sofá mesmo e chora por tudo que não podem viver e por tudo que podem viver. No quarto Vitor coloca a cabeça no travesseiro com o coração pesando mais do que o costume. Mas, sabe que fez o certo. Ou ele encerrava aquilo ali ou se faziam sofrer atoa. O modo amigos para os dois já não funcionava mais depois que descobriram que tinha muito sentimento ainda no meio.
Dorme mal. Acordando a todo instante. Quando o celular desperta ás 06 da manhã, sequer se assusta com o barulho. Se arruma para andar de cavalo pela fazenda, confere se os filhos ainda estão dormindo e sai, se deparando com Paula no sofá da sala. Olhando para ela tenta cogitar fazer a amizade dar certo, mas sabe que vão se ferir se continuarem com isso e aí assim se machucariam para valer. Ver ela com alguém não era simples e sabia que para ela ver ele com alguém também não era. Mas, enquanto estivessem no agora, não tinham outra solução.
— Paula! — se abaixa. Paula… — toca nela, a balançando.
— Oi! — acorda assustada.
— Tá tudo bem! Vai para o quarto… Você dormiu na sala! — levanta.
— Onde você vai? — se senta.
— Eu gosto de andar de cavalo bem cedo… Dar uma olhada na fazenda.
— Ah… — pensa se deveria pedir para ir junto.
— Quer vir?
— E as crianças?
— Eu não te deixaria de babá deles, né? — ri. Só acordam depois das 09 da manhã quando estão aqui. Estão dormindo e bem.
— Tá bom… — levanta — Já volto!
Ele prepara um café enquanto aguarda ela se arrumar. Não demora muito e eles seguem até o estábulo.
— Vai com ela! — passa a mão na égua, depois de prepará-la.
— Ok! — monta.
Ele monta em seu cavalo e eles seguem. Andam por quilômetros e ele vai mostrando partes da fazenda que ela não conhecia. O sol vai surgindo e ela para pra ver, se emocionando por estar ali, sentindo algo que não sentia há muito tempo. E se desse muito certo? E se fosse essa paz que ela pudesse sentir? Por que achava que não daria certo? Só porque estava bem? Quando foi que ela começou achar que não poderia mais se sentir bem e leve dessa forma?
— Tudo bem aí? — chega perto.
— Oi… — enxuga as lágrimas.
— Vamos mais ali… — aponta. É mais bonito de lá! — segue.
Ela vai até ele e desce da égua, ainda emocionada com a vista. Ele faz o mesmo e se senta no chão.
— Posso perguntar uma coisa? — senta-se.
— Pode!
— Você quer ter mais filhos?
— Filhos não dependem da gente querer. Não podem depender. Tem que ser um conjunto de fatores. Maria e João não foram planejadas… Mas foram as melhores coisas da minha vida. Ainda assim, é desafiador ter eles com a mãe deles, ainda mais depois de tudo. Então, não tenho nada contra ter filhos, eles são incríveis e muda nossa vida para sempre. Mas precisamos saber com quem devemos tê-los, porque não vou negar… educar é muito difícil, ainda mais se a outra pessoa tem valores diferentes do seu.
— Então você teria?
— Depende da mãe. — riem. Mas sim, teria… Por que não? Se eu acreditar que posso dar a melhor educação para eles juntamente com a mãe, teria sim. Por que você não teve? Se quiser responder…
— Seria até injusto eu não responder depois de ter te bombardeado com isso! — riem. Eu queria ter e ele sabia. A idade limite estava chegando e eu estava me preparando psicologicamente para esse momento. Obviamente que eu precisaria estar estruturada em um relacionamento e quando ele me chamou para morar com ele foi quando pensei: excelente, ele pode ser o pai — sorri pensando — Na minha cabeça estava tudo certo — olha para Vitor — o meu tempo, o meu financeiro, o relacionamento evoluindo… até que ele disse que não queria filhos. Foi um banho de água fria… E naquele momento eu não me toquei… Ele tinha filhos, só não queria filhos comigo — ri. Fui ingênua demais achar que ele me chamar para morar com ele era alguma evolução. Ele não queria se casar, não queria ter filhos. Então só dividíamos o espaço e para ele estava cômodo, eu estava disponível sempre que ele quisesse, sem que ele precisasse fazer qualquer esforço. Foi quando decidi congelar os óvulos… Quando fiz isso eu comecei a ter certeza que eu não tinha certeza sobre aquele relacionamento e que enfim… que fosse bom enquanto durasse, né? Meus óvulos estariam congelados e eu poderia viver isso depois.
Vitor a encara por um momento. Cai a ficha do porquê da pergunta e principalmente do porquê da insegurança. Ela acreditou que alguém queria viver tudo com ela e essa pessoa deixou que ela acreditasse nisso para depois acabar com todos os desejos dela em prol de si mesmo. Alguém havia usado ela, os sentimentos dela, as expectativas dela. Como que ela poderia não ter medo? Quando se relacionaram, ambos queriam casamento e filhos, mas sabiam estar cedo. Eram as pessoas certas no momento errado. Só que agora não… Ela estava no momento certo, no tempo certo, mas com a pessoa errada e percebia o quanto isso destruiu ela. Paula era realizada profissionalmente, financeiramente, mas estava fadada a não ser realizada pessoalmente dentro de um relacionamento em que os desejos dela não eram válidos. Agora entendia o porquê dela dizer que ele a fez perder anos da sua vida.
— Vem aqui… — vai mais próximo dela e abraça de lado e ela ri.
— Obrigada! Estou bem. — sorri. Mas o abraço é bom…- deita no ombro dele.
— Eu teria filhos com você… — encosta a cabeça na cabeça dela. Se você os quisesse comigo. Podemos tentar Paula… Eu não sou a melhor pessoa nesse mundo e nem a melhor pessoa para você porque sempre vou acreditar que você mereça o melhor… Mas, acho que devemos isso a nós mesmos e também acho que enquanto a gente não tentar…
Ela o interrompe, com um beijo. Vitor se afasta e a olha, sorrindo. Toma-a nos braços novamente e a beija, invadindo não só a boca, mas a alma dela por completo, intensamente. Paula se encaixa no colo dele que a segura ali, cada vez junto do seu corpo, fazendo a sentir o quanto ele a desejava.
— Você não quer fazer nossos filhos aqui, né?
— Eu não me importaria! — sorri, nos lábios dele.
— Mas eu sim! — riem. Por mais que eu te queira tanto, vamos fazer isso do jeito certo…
— Posso falar uma coisa? — ele balança a cabeça que sim — Não quero nossos filhos agora… Quero primeiro que a gente viva tudo que não pudemos viver naquela época. Que façamos pelo menos uma viagem com e sem as crianças. Quero beber muito vinho com você e não me preocupar de amanhecer nua na sua cama. E quero que por enquanto a gente viva isso só eu e você… Pelo menos por uma semana. Não quero dividir a atenção disso aqui não ninguém…
— Acordo fechado! — sorri. Principalmente o amanhecer na minha cama… — riem.
Beijam-se novamente, trocando carinhos por mãos que vagam os corpos e sentindo o corpo e a alma corresponder a tudo aquilo. Ao perceberem que o clarão já inundava tudo, se levantam e retornam à sede da fazenda, onde Maria e João estão na sala, vendo televisão.
— Vocês já acordaram?
— Sim! — levanta do sofá. O galo cantou na minha janela e eu me assustei.
— Um galo? — riem.
— É! — aparece — e ele veio me acordar! Já dei café para ele.
— Ok filha, obrigado! Vou tomar um banho… Assistam TV!
Paula pega seu celular e se depara com ligações de Dulce e alguma mensagens da Bia.
“Que??? Penhasco??? Onde você está franga?”
“Paulaaaaaaaaaaaaaaa o que está acontecendo?”
“Franga, me responde pelo amor de Deus! O que você quer????”
Ri sozinha e então resolve telefonar para ela.
— Oi…
— Meu Deus, Franga! O que está havendo? Onde você está?
— Eu bebi um pouco demais ontem — ri. Estou bem!
— Ah não Paula… Você me manda uma mensagem dessa e depois me diz que está tudo bem, que foi só bebida. Eu quero é saber a razão de você pular de um penhasco!
— Eu literalmente pulei — deita na cama.
— Do que você está falando? Está me deixando nervosa!
— Temos que conversar, mas pessoalmente. Mas, fica tranquila… Eu estou muito bem!
— Onde você está?
— Há poucas horas de casa…
— Então você chega hoje?
— Não! Talvez só amanhã ou depois. Estou passando uns dias em um lugar muito bonito, depois te mando fotos.
— Com quem você está?
— Com pessoas especiais! — sorri.
— Paula… Você está com Rony?
— Eu disse pessoas especiais! — ri. Obviamente que não é ele! — riem. Não precisa se preocupar, assim que chegar em BH eu te procuro.
— Só queria entender o papo do penhasco!
— Precisava tomar uma decisão importante… E tinha acabado de beber vinho.
— Tomou uma decisão bêbada?
— Não! — ri. Fica tranquila.
— Preciso desligar, tenho aula! Fica bem, ok? E por favor, vá me mandando notícias.
Após a ligação para Beatriz, liga para Dulce e informa que estará em casa amanhã ou depois, mas que está bem e que conversam quando ela chegar.
Retorna a sala e encontra as crianças tomando café com Vitor e se junta a eles. A tarde passa sem que eles percebam, ela desenha novamente com Maria e João, andam pela fazenda a cavalo, tiram fotos e pescam. No final da tarde, Vitor convida Paula para fazerem uma caminhada pela fazenda com as crianças.
— Olhem o que tem ali! — aponta rindo.
— Ôh meu Deus… Um tatu! — riem.
— Tem como pegar ele?
— Não filho! Vamos devagar pra vocês verem…
Se aproximam do buraco que o tatu estava fazendo e fotografam. Retornam caminhar e encontram Edvaldo vindo de encontra a eles.
— Boa tarde! — sorri — Vítor, sua mãe está chegando com um pessoal… Vieram pegar algumas mudas da horta.
— Minha mãe?
— Sim!
— Ah… Ok! Obrigado por avisar. — agradece Edvaldo e o espera sair. Pensei que ela iria para BH passar o feriado.
— Tudo bem…
— Não sei quem são as visitas…
— Vitor, está tudo bem! Sou uma visita também… — ri.
— Precisamos pensar no que faremos nos próximos dias… — observa as crianças correrem na frente — Já que por enquanto você não quer que a gente conte.
— Preciso ir para BH… Já estou ficando sem roupas. — riem. Mas, ainda não moro sozinha…
— Vamos para Campinas. Ficamos em casa…
— Certo! E hoje…? O que falaremos para sua mãe?
— Fica tranquila! Vamos.
Encontram Marisa com um grupo de amigas. Quando ela vê Paula, não esconde a surpresa.
— Que surpresa boa! — a abraça.
— Tudo bem? — sorri. Pois é…
— Tudo bem mãe? — a abraça.
Cumprimentam as amigas de Marisa e ela explica que foram buscar umas mudas na horta para que uma das amigas levasse para Belo Horizonte. Elas seguem para a horta e eles a observam.
— Marisa, não queríamos incomodar… Será que ele não vai ficar bravo? Acabamos atrapalhando.
— Imagina! Eu avisei que viríamos — mente.
João e Maria seguem a avó e as amigas dela. Enquanto uma das amigas de Marisa está concentrada em puxar uma muda de cebolinha, ela chama a neta em um canto.
— Você está bem, meu amor?
— Sim, vó.
— A amiga do papai veio com vocês?
— A tia Paula?
— Sim…
— Veio sim. — sorri — ela estava na casa dele, preparou o café para gente lá, desenhou com a gente e tudo.
— Ah… — sorri. O papai está dormindo no quarto dele?
— Sim.
— E a tia Paula?
— No seu quarto.
— Certo… Tá bom! — sorri.
Na sede, Paula observa Vitor pensativo.
— Está tudo bem?
— Oi? — a vê se aproximar.
— Perguntei se está bem… — senta-se ao lado dele.
— Estou! — ri.
— Arrependido?
— Do que? — pega um pouco de café.
— De ter me trago para sua vida de novo?
— Algum dia você foi embora? — sorri.
— Você não deixa nunca de ser galanteador, né? — riem.
— Pelo visto não funciona com você!
— Por mais que eu já saiba de todos seus dotes, ainda caio… — sorri.
— Não estou arrependido, jamais estaria.
— Por que está tão quieto?
— Pensando… Quando estiver pronta para contarmos, precisamos falar com as crianças primeiro.
— Sim. Creio que eles precisam saber primeiro. Você acha que a Poliana pode achar ruim? Você já apresentou alguém?
— Nunca apresentei alguém, não sei como ela vai reagir e também não importa, não se preocupe.
As crianças chegam e interrompem a conversa. Novamente ocupam Paula, pedindo para ver as fotos dos bichinhos da chácara dela. Marisa retorna à sede e se despede deles, convidando Paula para voltar mais vezes, quando ela puder receber em sua casa. A noite vai chegando e ela resolve preparar um macarrão com a ajuda de Vitor e jantam ouvindo ele contar lorotas. Resolvem ver um filme e antes da metade as crianças já dormem. Ele as leva para o quarto delas e retorna a sala, abre um vinho e retornam assistir.
— O tanto de massagem que vou ter que fazer para tirar todo esse vinho do meu corpo… — se serve mais uma vez.
— Não se preocupe, continua linda! Vamos mudar o filme? — pega o controle. Não dá para ficarmos vendo desenho… Já assistiu Outlander?
— Como assim se eu já assisti? Eu amo! Estou na última temporada!
— Qual episódio você está?
— Creio que no… — pega o celular — vou confirmar… — abre a Netflix e vê — parei no 02, Armas de Guerra!
— Eu parei no 04, mas vamos do 02 para você ver… — coloca.
— Só tem 08 episódios essa temporada, eu odiei isso! — riem. Não me dá spoilers!
— Vem aqui… — se aconchega no sofá e a chama para deitar em seu colo.
— Você gostou dos episódios? — se aconchega nele.
— Gostei! Mas eu ainda prefiro a temporada 03…
— Sim, eu amo a 1 e a 3. — bebe o vinho.
Se concentram na televisão por um bom tempo, ainda estranhos ao contato que estavam tendo. Nada tinha passado do beijo naquela manhã até então e não sabiam quando poderiam avançar para outra coisa, ainda que internamente quisessem muito aquilo. Vitor não queria dar o primeiro passo com medo de ultrapassar uma linha ainda tão cedo. Paula pensava que não deveria partir dela a primeira ação, ainda que de manhã tivesse demonstrado que queria isso ali mesmo, naquele instante.
Fale com o autor