Antigo novo amor

5 Capítulo 05 - Uma surpresa


Notas iniciais
… de um amor que terminou e não teve fim.

Se concentram na televisão por um bom tempo, ainda estranhos ao contato que estavam tendo. Nada tinha passado do beijo naquela manhã até então e não sabiam quando poderiam avançar para outra coisa, ainda que internamente quisessem muito aquilo. Vitor não queria dar o primeiro passo com medo de ultrapassar uma linha ainda tão cedo. Paula pensava que não deveria partir dela a primeira ação, ainda que de manhã tivesse demonstrado que queria isso ali mesmo, naquele instante.

— É estanho, não é? — resolve puxar o assunto.

— O que?

— Nós dois, aqui…

— Você quer trocar de série? Pode trocar.

— Pulinha…

— O que foi? — se levanta do colo, o olhando.

— Não quero trocar de série… — sorri. Só não sei bem o que está havendo…

— Como assim? — se preocupa.

— Estamos sozinhos! — sorri maliciosamente.

— Estamos… — ri.

— E eu não queria me sentir um adolescente! — riem.

— Estamos sendo adolescentes?

— Não sei… Talvez! — sorri, acariciando o rosto dela. Ou sendo adultos demais… Quando deveríamos não ser tanto assim.

— Não seja por isso… — se aproxima mais dele. Tudo isso a gente pode resolver, aos poucos…- segura a mão dele sobre seu rosto e beija. É muito estranho como as coisas se desenrolaram… — senta no colo dele, com as pernas envolvendo o quadril.

— Estranho? — apoia as mãos na cintura dela.

— Eu só vim gravar umas músicas… — olha-o — e agora estou aqui, prestes a me perder para sempre por você de novo.

— E você está com medo de se perder em mim? — desce as mãos pelas pernas dela, acariciando.

— Não! — sorri, satisfeita. É o que mais quero! É o que mais quis durante anos, é o que eu mais quero agora…

— Então vamos começar essa viagem…

Leva aos mãos à nuca dela e puxa-a para um beijo e ali, literalmente, começam a se perder. Paula puxa a camiseta dele e interrompem o beijo para despi-lo, retomando em seguida a saudade dos gostos, do quão quentes e viciantes poderiam ser. Vitor vira-se e coloca Paula sobre o sofá, levando aos mãos sobre a calça do pijama dela, puxando ao chão. Ela ajuda ele a desabotoar sua camisa, exibindo seu sutiã.

— Quer ir para o quarto? — encosta a cabeça na dela.

— Por mim, está tudo bem ficarmos aqui… — segura o rosto dele com as mãos. As crianças não acordam?

— Não…- sorri e volta beija-lá.

Retira seu shorts e joga de lado. Envolve Paula com as mãos e a coloca sobre si novamente e desabotoa seu sutiã, retirando-o lentamente. Observa-a e sorri. Acaricia os seios dela, a fazendo suspirar, segurando-se nele.

— Você é linda… — olha-a nos olhos, sorrindo. E eu lembro de cada marca de você! — se aproxima dela e beija seu pescoço, inalando seu cheiro.

Paula aproveita cada beijo, cada escorregada que ele dá com os lábios, deslizando até seus seios, apoiando suas mãos sobre as costas dela. É entorpecida por ele e se recorda porque sempre lembrou desse momento com ele, da troca de intimidade que conseguia equilibrar a delicadeza com a ferocidade. Se acomoda sobre o colo dele, sente-o latejar para ter ela e o acaricia. Seguem os carinhos, os sussurros e quando Vitor avança para retirar a única peça que ainda vestia ela, o celular começa tocar. Ele olha e vê que é Nilmar.

— É o seu… — olha para ela, ofegante.

— Pode deixar tocar!

— É seu irmão, Pulinha… Não quer ver?

— Meu irmão? — liga o alerta. Só um minuto…- sai do colo dele e atende. Oi Nilmar!

— Oi Paulinha, estou incomodando?

— Não! — mente. O que houve? — pega a camiseta de Vitor e cobre os seios.

— A mamãe não passou bem hoje, desde de manhã está passando mal e agora noite Ildo me telefonou que a trouxe ao hospital. Achei melhor te avisar!

— Como assim passou mal? — levanta-se e começa procurar suas roupas. Que hospital vocês foram? Você está aí?

— Sim, estou aqui! Ele trouxe para o Mater Dei.

— Ela já se consultou? O médico já falou algo?

— Ainda não… Está passando por alguns exames.

— Estou indo para casa! Vou te ligar para me buscar no aeroporto, fica com o celular, por favor!

— Te aguardo!

Desliga o celular e começa colocar a roupa.

— Desculpa! — se volta para Vítor, que já colocou o shorts e segura a camisa dela. Minha mãe não está bem! — enche os olhos de lágrima.

— Está tudo bem, pequena! — vai até ela. Organiza suas coisas que vou te levar ao aeroporto! — a abraça. Ela vai ficar bem! — beija-a.

Enquanto ela vai para o quarto se organizar, ele confere o horário do próximo voo e vê que será em breve. Vai até ela e pede os documentos dela para reservar a passagem e ela não se preocupar quando estiver no aero. Retorna a sala, liga para Hilca e pede para ficar com os filhos enquanto ele leva Paula. Senta na mesa, pega um caderno e começa escrever…

“Minha Pulinha…

Fazia tanto tempo que essas duas palavrinhas não saiam de mim, mas ainda assim sinto como se fizessem parte do meu cotidiano, talvez porque fazem parte de quem sou. Você não tem ideia do quanto minha alma está feliz com sua presença. Ela já era feliz pela sua existência, mas com você aqui, não há palavras que expliquem sua emoção.

Estou escrevendo essa carta para brindar aos velhos tempos, assim como foram nossos últimos beijos e toques. Gravei seu corpo, sua alma, seu ser em mim e ter você aqui é padecer no paraíso.

Retomamos nossa história no momento certo para ser. Ver sua interação com meus filhos antes mesmo de nos abrirmos um para o outro, foi uma das coisas mais lindas que já vivi e isso invadiu meu coração em cheio, assim como você, quando abri a porta da minha casa naquela terça-feira. Também achei que só íamos gravar umas músicas… E no fim, estava gravando você em mim novamente.

Você me perguntou se eu me arrependi de ter te trago para minha vida e novamente eu te respondo: você nunca saiu e esses dias só me provaram isso, principalmente a cada vez que você sorria e ria.

Me perdoe pelo tempo perdido, mas no fundo não me arrependo. Eu precisava te merecer!

Eu te amo, Paula Fernandes de Souza.

Desde o dia que você entrou naquela van com seu sorriso tímido e sua inocência transcendental, eu soube que estava enrascado!

Obrigado por ter aceitado voltar para minha vida, com carinho… Vitu! ♥️

Ps.: Essa carta jamais será queimada rsrs. Em breve nos encontraremos novamente e você vai ter que cumprir aquela promessa de mais cedo — amanhecer nua na minha cama (eu vou cobrar).

Beijos, minha pequena!”

Dobra a carta e vai até o quarto em que ela está.

— Estou terminando! Conseguiu o voo?

— Sim! Sairá daqui 2 horas, precisamos sair o quanto antes…

— E as crianças?

— Hilca está vindo ficar com eles enquanto irei te levar! Vou colocar uma calça e nós vamos, ok?

— Ok! — sorri.

— Quando chegar em BH, leia! — coloca a carta na bolsa dela e sai.

Alguns minutos depois saem da fazenda rumo ao aeroporto. No caminho Paula volta a falar com o irmão que a informa que Dulce teve que repetir o exame por ter dado uma alteração. Chegam no aeroporto faltando algum tempo para o embarque. Ela faz o check-in e eles aguardam.

— Falei com o corretor ontem! — segura a mão dela que está batucando, inquieta. Fica no apartamento o tempo que precisar!

— Obrigada! — beija a mão dele. Vou ser uma boa inquilina… Vou te pagar o aluguel certinho! — riem.

— Não quero aluguel! — pisca.

— O que você quer então?

— Um outro tipo de pagamento… — riem.

— Vai ser difícil explicar isso para o corretor, mas dou um jeito! — sorri. Vou ficar com saudades… Mal tivemos tempo!

— Temos a vida inteira pela frente…! — se vira para ela. Nilmar falou algo mais?

— Não… — olha o celular. Minha mãe se cuida muito bem, para ter ido ao hospital algo de grave aconteceu.

— Imagino que ela deva estar te questionando muito…

— É… — olha pra ele — Acabei não contando que iria na sua casa gravar as canções.

— Entendo! — sorri. Façamos o seguinte, conte a ela sobre nós. Por mim; tudo bem.

— Vou pensar… Porque realmente quero viver no mínimo uma semana só nós dois, sem ter que explicar nada! Vou ter que explicar sobre as bolsas e isso já vai me consumir novamente.

— Entendo! — aperta a mão dela. E confesso que estou receoso de como ela vai receber essa informação…

— Ela vai morrer de raiva!

— Muita raiva? — se preocupa.

— Com certeza… Mas vai ser inevitável não contar.

— É… Ainda mais se realmente pretendemos ter filhos, não vai dar para esconder.

— Do que você está falando? — ri.

— Da sua mãe com raiva por você contar que estamos juntos de novo!

— Vitor! — ri. Eu estava falando sobre as bolsas! Sobre contar pra ela o que Rony fez… E não sobre contar a ela sobre a gente. — sorri. É óbvio que ela não ficará com raiva sobre nós dois, não fique receoso! — guarda o celular na bolsa.

— Já estava preocupado… — ri.

— Não fique! — sorri. Como você fará com as crianças?

— Sobre nós? — ela concorda — Não sei. Pensei em um jantar… O que você acha?

— Legal! — sorri.

— Mas, temos tempo! Hoje ainda vou retornar para Campinas, Poliana quer que leve eles para ver o pai dela.

— Ele está bem?

— Não sei, Pulinha. Não pergunto nada a ela que não seja sobre as crianças.

— E quando é aniversário deles, você vai na festa?

— Não! Nunca fui a nenhuma festa do João e em nenhuma da Maria Vitória depois da separação… Faço sempre a comemoração para eles separado da dela, por conta da minha família. Ela não os aceita e não desrespeito isso, mas não me sinto confortável porque sei que ela me convida apenas porque as crianças falam também.

— Entendi… Bom, o importante é eles estarem bem com isso e pelo que vi são resolvidos.

— São! Nunca questionaram nada e na única vez que falei sobre eles terem duas casas, eles não questionaram nada também.

— Acho que você precisa conversar com eles sobre a gente sem mim para que você possa ter espaço e tempo para ver como será a reação deles e decidir se quer isso ou não.

— De novo esse assunto sobre saber o que quero? Pensei que já tínhamos definido isso.

— Já definimos! Mas, quero que você saiba qual será a reação dos seus filhos e dependendo do que for, que você analise se vale a pena ou não. Eu não quero e eu não vou ser o motivo de desavença entre você e seus filhos, Vitor.

— Eles são crianças, Paula. Não fique se preocupando com isso! — respira fundo.

O embarque é anunciado e eles se despedem. Vitor a aguarda sumir pelo saguão para então retornar para fazenda. No caminho martela as palavras dela, sobre falar com as crianças sozinho, observar a reação e então decidir se quer continuar com ela. Isso não havia passado por sua cabeça, mas agora estava… E se as crianças não gostarem? E se não quiserem mais ver ele? E se ele não conseguir contornar a situação? O que não era uma preocupação, passa a ser a pior de todas elas.

Ao chegar na fazenda, agradece Hilca e a observa ir para sua casa. Retorna para dentro, toma um banho e vai até o quarto dos filhos, resolvendo dormir ali mesmo. Pela manhã é acordado por João.

— Pai, porque dormiu aqui? — ri, subindo nele.

— Bom dia! — abre os olhos com muito custo. Não está muito cedo para você acordar?

— Não! Vitória… — vai até a cama da irmã. Levanta! Vamos chamar a tia Paula para ir nos cavalos.

— João… — senta-se. Tia Paula foi embora!

— Como assim? — Maria escuta e se senta na cama. E não se despediu da gente? Eu tinha combinado com ela umas coisas hoje.

— Sim, filha… Infelizmente a mãe dela passou mal e então ela precisou ir. — levanta. Vamos molecada… Todo mundo levantando, tomando um banho que vamos pegar a estrada também.

— A gente vai embora também?

— Sim! O avô de vocês quer ver vocês.

Organiza as malas enquanto Hilca prepara um café rápido para tomarem e pouco tempo depois pegam estrada rumo à Campinas.

Em Belo Horizonte, Paula chega ao hospital em que a mãe está.

— Oi… — se aproxima ao vê-la acordar.

— Paulinha! — sorri. Você chegou!

— Sim! — segura a mão dela. Eu vim assim que eu soube!

— Não tinha que se incomodar, filha. Eu estou bem! — tenta sentar.

— Cuidado, mãe! — a ajuda. Precisa ir com calma.

— Estou bem, foi uma crise de labirintite!

— Não foi uma crise qualquer, não seja teimosa! Você mal conseguiu andar.

— Mas já estou bem, medicada e bem. Quem te avisou sobre mim?

— Nilmar.

— Não precisava interromper seus compromissos.

— Não me interrompeu nada… — lembra de Vitor e sente sua falta. Você quer alguma coisa? Uma água?

— Não, estou bem.

— Certo! — senta e pega seu celular.

“ — Oi, já cheguei… Minha mãe teve uma forte crise de labirintite, mas já está melhor. Quando chegar em Campinas me avisa! Estou com saudades. Bjssssss”

Encaminha a mensagem e percebe que Dulce a encara.

— Tudo bem?

— Você está?

— Mãe… — ri — claro que estou, sabendo que você está bem, eu fico bem.

Algumas horas mais tarde Dulce recebe alta e já estão na chácara. Paula toma um banho e é avisada por Nilmar que o corretor telefonou dizendo que o apartamento estava disponível para ela.

— Só estou achando estranho não terem falado de contrato!

— Já falei com o proprietário. Ele não vai vender por enquanto, mas disse que posso ficar no imóvel. Então resolvi ir para lá até meu apartamento estar desocupado e aí não precisamos pagar uma multa desnecessária. Você pode cuidar da mudança para mim?

— Você já quer ir?

— Sim, essa semana se possível. Tenho muita coisa em malas ainda…

— Tá bom! Vou organizar tudo.

Já em Campinas, Vitor deixa as crianças com Poliana e segue para casa. Coloca o celular para carregar e se organiza, conferindo-o depois.

“Oi, Pulinha! Cheguei a pouco em Campinas, fiquei sem bateria. Fico feliz que sua mãe esteja melhor, também estou com saudades. Me liga assim que puder!”

Enquanto toma um chá na cozinha, Paula é surpreendida pela mãe e aproveita para conversar com ela que irá para um apartamento.

— Você não precisa fazer isso!

— Mãe, você cuida dessa chácara há 04 anos… Eu vou viver aqui, mas preciso de um espaço só para mim. — sorri.

— Tudo bem, respeito sua decisão. Mas venha aqui sempre!

— Eu não vou sair daqui! — riem.

— Você quer me contar onde estava? Sei que não tenho nada ver com sua vida mais, mas sempre fomos tão ligadas…

— Estava em Campinas! — pega a mão dela.

— Em Campinas?

— Fui gravar umas músicas, como que te falei… No mês passado troquei algumas ideias com Vitor e comentei com ele sobre algumas músicas minhas que não foram aceitas e pedi que ele desse uma olhada, foi então que ele me convidou pra ir gravar algumas músicas com ele.

— Você se divertiu?

— Muito! — sorri. Nunca mais tinha me sentido assim, com tanto prazer em cantar! As músicas ficaram lindas, depois vou te mostrar.

— Fico feliz! — sorri. E como Vitor está? Bonito como sempre né…

— Pois é! — riem. Está muito bonito… E eu vi os filhos dele.

— Sério?

— Olha… — mostra fotos.

— Meu Deus… Ela é a cara dele! — ri.

— Sim! E é um doce de criança, mãe. Cuida muito do irmão e são independentes! E quando estávamos lá aconteceu algo que foi a razão deu ter ficado mais tempo…

Paula conta sobre as malas e Dulce se revolta. Mas, ela a tranquiliza de que o pior já passou e vai recuperar tudo que perdeu.

— Por isso não vim antes e não quis dizer nada para você por telefone!

— Não consigo imaginar o seu desespero! Ele é um fdp…

— É… Mas, já passou! — sorri.

— Admiro você estar assim… Eu estou com muita raiva ainda.

— Eu também estou com raiva… Mas, aconteceu uma outra coisa…

— O que mais?

— Não é uma coisa ruim! Só não sei como você vai reagir…

— Fala logo, Paula.

— Na noite que tudo aconteceu e Vitor não me deixou vir embora, ele me convidou para ir para fazenda junto com as crianças. Antes da viagem, todos já tinham ido dormir e nós ficamos conversando e então ele se abriu para mim.

— Se abriu?

— Mãe, eu sai de casa rumo a casa dele tendo plena convicção de que estávamos muito bem resolvidos em todos os quesitos.

— Então saiu na inocência, né Paula?

— Juro para você que estava tudo bem… — pensa — não sei dizer. Enfim… Acontece que não estava… Nem para mim, nem para ele.

— E ele te falou isso?

— Com todas as letras…

Conta tudo que houve na noite em que Vitor falou sobre o que sentiam. Fala sobre a conversa sobre filhos, os dias na fazenda e que não irão contar para ninguém por um tempo, mas que ele havia pedido que ela contasse para ela.

— Vou sempre torcer por você! — sorri. E é claro que estou muito feliz por vocês terem dado uma chance para viver o que sentem há tantos anos e insistiam que não. Espero poder receber ele em breve!

— Sim! Mas, antes vamos viver um tempo só nós dois… Eu estou te contando porque quero que saiba que jamais deixaria de falar nada da minha vida para você, mas eu precisava de um tempo.

— Eu entendo! Os filhos dele já sabem?

— Não! E eu pedi que ele conte pra eles, sem mim por perto. E dependendo da reação, ele decida o que quer fazer… Se quer continuar ou interrompermos isso enquanto há tempo de ninguém se ferir demais.

— E você acha que as crianças podem não gostar?

— Não faço ideia, mãe. Eles são uns amores, nos divertimos muito. Mas fui apresentada como amiga do pai… Não sei se será da mesma forma se eu for apresentada como outra coisa.

Conversam mais um tempo e então Dulce decide entrar e se deitar um pouco. Paula segue para seu quarto e lê a carta que estava na mala. Ao final, telefona para Vitor.

— Oi, pequena! — atende sorrindo.

— Oi, você chegou bem?

— Cheguei sim! Fiquei sem bateria na estrada.

— Eu contei para minha mãe sobre nós…

— Tudo bem! E foi tudo bem?

— Claro que foi… E assim que você quiser, podemos marcar algo. Por falar nisso… Não vou conseguir ir para Campinas essa semana, tudo bem? Não quero sair da cidade enquanto ela não tiver 100%.

— Claro que está tudo bem, não fique se preocupando, logo nos veremos. E o apartamento?

— Vou aproveitar para levar as minhas coisas. Já está todo mobiliado praticamente; então…

— O proprietário fez detalhe por detalhe daquele apartamento.

— Eu amo esse proprietário, um pouco mais! — riem. E por falar em amar ele, eu fico impressionada em como ele consegue ser tão incrível com as palavras. Estou neste momento com um pedaço de papel em mãos que vai virar uma das lembranças mais lindas da minha vida.

Conversam mais um tempo e então encerram a ligação. Dois dias passam e Paula consegue ir organizando o apartamento aos poucos. Enquanto organiza uma gaveta de pijamas, escuta o celular tocar.

— Chamada de vídeo! — o vê. Que lindo! Onde vai?

— Oi! — sorri. Abre a porta, por favor…

— Você está brincando? — corre até a entrada e abre a porta.

— Não estou! — desliga o celular e a olha.

— Nem consigo acreditar! — pula no colo dele.

Beijam-se no hall de entrada mesmo e ao se darem conta disso, riem. Entram no apartamento e Paula ainda não consegue crer que ele veio para Belo Horizonte sem avisa-la.