Antigo novo amor
28 Capítulo 28 - O pijama
No capítulo anterior…
Paula ficou olhando o teto por alguns segundos. Depois desistiu. Levantou devagar para não fazer barulho e saiu do quarto, fechando a porta sem deixar que a maçaneta estalasse.
Continuação…
O corredor da casa estava quase todo escuro. Apenas a luz da varanda iluminava parte da sala. Quando abriu a porta, o barulho da chuva ficou mais forte. O ar estava mais fresco agora, carregado com o cheiro da terra molhada.
Foi então que o viu. Vitor estava sentado à mesa de madeira da varanda, olhando para o quintal escuro enquanto a água caía pesada além da varanda coberta.
Um copo e uma garrafa estavam sobre a mesa. Ele levantou os olhos quando percebeu o movimento.
— Você também não conseguiu dormir?
A voz dele saiu baixa. Ela soltou um pequeno meio sorriso cansado.
— Acho que a casa inteira está com insônia hoje.
Paula caminhou até a mesa e puxou uma cadeira. Sentou de frente para ele. Por alguns segundos nenhum dos dois falou nada. A chuva fazia o trabalho de preencher o silêncio.
— Aquele quarto foi uma péssima ideia.
Vitor soltou um riso baixo.
— Eu imaginei que você ia dizer isso.
Ela levantou uma sobrancelha.
— Você sabia que ainda tinha o meu biquíni lá.
— Sabia.
— Então você também sabia que eu ia naquele quarto.
Ele deu de ombros, quase divertido.
— Talvez.
Paula balançou a cabeça devagar.
— Você continua impossível!
Ele levantou o copo e tomou um gole.
— E você subiu mesmo assim.
Ela estreitou os olhos.
— Porque você falou que estava lá.
— Eu falei.
— Você podia ter mandado embora junto com o resto das minhas coisas.
Ele ficou olhando para ela por um segundo.
— Podia.
Paula sustentou o olhar.
— Mas não mandou.
Ele desviou os olhos para a chuva.
— Não mandei.
O silêncio voltou. Mais denso agora. Vitor pegou a garrafa sobre a mesa.
— Quer vinho?
Paula hesitou um segundo. Depois assentiu.
— Quero.
Ele pegou outro copo, serviu e empurrou na direção dela. Paula segurou e tomou um pequeno gole.
Os dois ficaram olhando a chuva por alguns segundos.
— Essa chuva não vai parar tão cedo — ela comentou.
— Não.
Ela girou o vinho no copo.
— Essa casa continua igual.
Ele inclinou a cabeça.
— Continua.
Ela soltou um pequeno riso pelo nariz.
— Eu tinha esquecido o quanto tudo aqui guarda memória.
Vitor olhou para ela.
— Algumas coisas ficam.
Paula assentiu devagar.
— Ficam mesmo.
E naquele silêncio que voltou depois, os dois sabiam exatamente do que estavam falando.
Sem precisar dizer.
A água da chuva escorria pelas telhas e formava pequenas correntes no chão de terra além da varanda.
Paula girava o vinho no copo enquanto observava aquilo.
— Lembra daquela vez que a gente ficou preso aqui por causa da chuva também?
Vitor levantou uma sobrancelha.
— Qual delas?
Ela soltou um pequeno riso.
— Aquela que você tentou fazer churrasco mesmo com a tempestade.
Ele riu também.
— Eu não tentei. Eu fiz.
— Você queimou metade da carne.
— Era defumado.
— Era carvão.
Ele balançou a cabeça.
— Você comeu mesmo assim.
— Porque eu estava com fome.
— Mentira.
Paula levantou os olhos.
— Mentira por quê?
Ele deu um pequeno sorriso.
— Porque você sempre gostou de implicar enquanto comia.
Ela segurou o riso.
— Eu ainda gosto.
Por alguns segundos os dois ficaram ali, rindo baixo. Era estranho como aquilo parecia natural. Como se em algum momento entre o jantar, a chuva e o vinho, a tensão tivesse cedido espaço para algo mais familiar. Mais perigoso. Foi quando uma gota caiu sobre a mesa. Paula olhou para cima. Outra. Depois mais uma.
— Tem uma goteira aqui.
Vitor levantou os olhos também.
— Sempre teve.
— Você nunca consertou?
— Nunca me incomodou.
Outra gota caiu. Quase no braço dela.
— Agora está me incomodando.
Ela pegou o copo e levantou da cadeira.
— Senta aqui! — ele disse, puxando a cadeira do lado dele um pouco para trás.
Paula contornou a mesa e se sentou ao lado dele. Agora estavam mais próximos. Muito mais próximos.
O cheiro dele voltou primeiro. Misturado ao vinho. À chuva. Ao ar fresco da noite. Ela tomou mais um gole do vinho.
— Você continua não consertando nada nessa casa.
Ele riu baixo.
— Algumas coisas eu prefiro deixar como estão.
Paula virou o rosto para responder. Mas parou. Porque agora o rosto dele estava muito perto. Mais perto do que em qualquer outro momento daquele dia inteiro.
Os dois ficaram imóveis por um segundo. O som da chuva preenchia tudo ao redor.
— Isso é uma péssima ideia.
Ele respondeu quase no mesmo tom.
— Eu sei.
Nenhum dos dois parecia disposto a quebrar aquele instante primeiro. A chuva seguia batendo forte no telhado da varanda, o som constante preenchendo o silêncio entre eles. A luz amarelada acima da mesa desenhava sombras suaves no rosto de Vitor e fazia o vinho na taça de Paula brilhar levemente quando ela a girava sem perceber.
Vitor respirou fundo. Os olhos ainda presos nos dela.
— Eu sei que a gente não devia estar aqui assim.
A voz saiu baixa. Calma.
— Mas eu não consigo sair daqui.
Paula sustentou o olhar dele por mais um segundo. Depois colocou a taça sobre a mesa. Levantou devagar. Vitor não se moveu. Apenas acompanhou o movimento com os olhos.
Ela deu dois passos curtos até parar bem na frente dele. Agora era ele quem precisava levantar um pouco o rosto para continuar olhando para ela.
O silêncio ficou ainda mais denso. Sem desviar os olhos dos dela, Vitor recuou um pouco na cadeira, abrindo espaço.
Paula entendeu. Sem pressa. Sem teatralidade. Sentou no colo dele.
Os dois ainda não tinham se tocado de verdade. Apenas a proximidade. O calor do corpo. A respiração um pouco mais lenta agora. Vitor soltou um pequeno riso pelo nariz. Ainda olhando para ela.
— Isso é covardia.
Paula arqueou uma sobrancelha.
— O quê?
Ele fez um pequeno gesto com o queixo na direção da roupa dela.
— Esse pijama.
Ela olhou para baixo por um segundo. Camiseta leve. Short de algodão. Nada elaborado. Nada planejado. Quando levantou os olhos de volta para ele, perguntou com um pequeno desafio no olhar:
— O que tem ele?
Vitor soltou uma risada curta. Jogou a cabeça para trás por um instante, respirando fundo, como se tentasse recuperar algum tipo de consciência antes de voltar a olhar para ela.
— Você está falando sério?
— Estou.
Ela inclinou um pouco o rosto.
— O que tem de tão indecente no meu pijama?
Ele voltou os olhos para ela. Mas dessa vez eles não pararam no rosto. Desceram. Lentamente. Pararam por um segundo no contorno da camiseta fina, que marcava os seios dela de forma involuntária sob a luz suave da varanda. Vitor respirou fundo outra vez.
— O pijama pode ser o mais simples possível.
A voz saiu um pouco mais rouca agora.
— Mas no seu corpo…
Ele ergueu os olhos de volta para os dela.
— Ele atiça todos os meus sentidos.
Paula sustentou o olhar dele. Sem se mover. Sem responder. Apenas deixando que aquele silêncio carregado dissesse tudo o que os dois estavam tentando não dizer desde que ela tinha atravessado a varanda.
Ela sentiu primeiro. O corpo dele reagindo. O calor que subia entre eles enquanto ela ainda estava sentada em seu colo, próxima demais para que qualquer movimento passasse despercebido.
Por um segundo ela prendeu a respiração. Mas não se afastou. Vitor levou uma das mãos ao rosto dela, segurando com cuidado, o polegar tocando de leve a linha do maxilar. A outra mão desceu pela lateral do corpo dela até envolver sua cintura. Os dedos encontraram o caminho natural por baixo da camiseta leve.
A pele dela estava quente. Macia. Ele passou a mão devagar pelas costas dela, como se redescobrisse um território que conhecia de memória.
Paula soltou o ar devagar. A respiração começando a perder o ritmo. Os olhos ainda presos nos dele.
Vitor se inclinou um pouco mais. O rosto agora muito perto. Ele encostou o nariz no pescoço dela, respirando fundo, sentindo o cheiro da pele molhada do banho misturado ao perfume leve que ela sempre usava.
Fechou os olhos por um segundo. Subiu devagar pelo pescoço. Parou perto da orelha. Sentiu o corpo dela reagir imediatamente.
Paula se mexeu no colo dele, involuntariamente, os dedos apertando de leve o tecido da camisa dele. A respiração dela agora saía curta. Entre um suspiro e outro. Totalmente entregue àquele contato.
Vitor sabia. Sabia que aquilo era uma péssima ideia. Sabia que nada ali mudava a realidade. Paula ainda carregava mágoas dele e tinha deixado isso claro o dia inteiro. Em cada provocação, em cada frase que lembrava que tinha sido ele quem escolheu ir embora. Ele sabia disso. Mas naquele momento… ele não conseguia parar.
Precisava daquilo. Precisava dela. Desde que tinham se separado, ele não tinha conseguido sequer olhar para outra mulher da mesma forma.
Nada parecia fazer sentido. Nenhuma conversa.
Nenhuma tentativa de seguir em frente. Porque tudo voltava sempre ao mesmo lugar. Ao beijo dela. À forma como ela ria perto dele.
Ao jeito que o corpo dela se encaixava no dele quando se abraçavam. Ao silêncio confortável que existia entre os dois. E agora ela estava ali.
No colo dele. Respirando daquele jeito. Como se o corpo dela lembrasse de tudo também.
Vitor abriu os olhos devagar. E encostou a testa na dela. A voz saiu quase num sussurro rouco:
— Eu tentei… esquecer isso.
A mão na cintura dela apertou um pouco mais.
— Mas eu não consegui.
Paula não respondeu. Mas também não se afastou. E naquele instante os dois sabiam que aquela noite já tinha passado do ponto de volta.
Eles se olharam por mais um segundo. Um único segundo em que ainda existia a possibilidade de parar. Mas nenhum dos dois parou.
Vitor foi o primeiro a ceder. A mão que segurava o rosto dela deslizou para a nuca e ele puxou Paula para perto, encostando a boca na dela com uma urgência que não precisava mais ser contida.
O beijo veio profundo. Intenso. Como se as bocas e as línguas tivessem esperado tempo demais por aquele encontro.
Paula respondeu imediatamente. As mãos subiram para o cabelo dele, entrelaçando os dedos com força, puxando de leve como se precisasse ter certeza de que ele estava mesmo ali. Que aquilo não era só lembrança. Que ele era real.
Vitor soltou um pequeno som contra a boca dela, apertando a cintura de Paula com mais força. O corpo dela se moveu involuntariamente contra o dele, sentindo novamente o quanto ele a queria.
A chuva continuava caindo pesada ao redor da varanda. E então, de repente, ele se levantou. Ainda beijando ela.
As mãos firmes levantaram Paula do chão e ela envolveu as pernas na cintura dele sem pensar, acomodando-se no quadril dele como se o corpo soubesse exatamente o que fazer.
— Vitor… — ela murmurou contra a boca dele.
Mas não era um protesto. Era só o nome dele escapando. Ele não respondeu.
Apenas continuou caminhando. Saiu da varanda e entrou no quintal. A chuva os atingiu imediatamente. Fria. Pesada. Molhando os dois em segundos.
Paula soltou uma pequena risada quando sentiu a água gelada bater nas costas.
— Você ficou louco…
Mas continuava agarrada a ele. Beijando ele. Sabendo exatamente para onde estavam indo.
No fundo do quintal, um pequeno puxado da casa abrigava um quarto simples que servia de apoio para funcionários. Vitor atravessou a chuva até lá. Quando chegaram à porta, ele finalmente a colocou no chão.
Paula ainda estava rindo baixo, o cabelo agora completamente molhado caindo sobre os ombros.
Ele abriu a porta. Empurrou devagar. E deixou que ela entrasse primeiro.
O quarto era simples. Uma cama. Um armário pequeno. Uma janela que deixava entrar o som da chuva lá fora.
Paula parou logo depois da porta. Virou-se para ele. O pijama agora estava completamente encharcado. O tecido fino grudava na pele, desenhando cada curva do corpo dela, deixando os seios ainda mais evidentes sob a camiseta molhada.
Vitor parou na porta por um segundo. Observando. Hipnotizado. Como se nunca tivesse visto aquilo antes. Como se estivesse tentando gravar cada detalhe daquele momento. A respiração dele ficou mais pesada.
A porta se fechou atrás dele. O som da chuva ficou um pouco mais abafado, mas ainda presente, preenchendo o silêncio do pequeno quarto.
Por um instante, Vitor apenas ficou ali. Sorriu. Um sorriso curto, quase incrédulo. Como se não acreditasse que tinham realmente atravessado a chuva para chegar até aquele ponto. Sorriu para ela. Sorriu para si mesmo. E por um momento, só por um momento, deixou de pensar em tudo que aquilo significava. Esqueceu que, de alguma forma, aquela noite também carregava o peso de ser a última vez.
Começou a desabotoar a camisa. Devagar. Os dedos ainda um pouco trêmulos, a pele fria da água da chuva. Paula observava cada movimento. Sem desviar os olhos.
Quando ele chegou a mais um botão, ela se aproximou. Parou bem diante dele e colocou a mão sobre a dele, que ainda tentava desfazer o próximo botão.
A mão dele tremia levemente, um misto de frio, ansiedade e da tensão que ainda percorria todo o corpo.
Paula assumiu o gesto. Os dedos dela passaram a abrir os botões da camisa, um a um, com calma.
Enquanto isso, Vitor levou as mãos até a barra da camiseta molhada dela. Ergueu o olhar por um segundo. Ela não disse nada. Mas também não se afastou. Foi o suficiente. Ele puxou a blusa para cima. O tecido molhado deslizou pela pele antes de sair completamente. Paula ficou ali diante dele, nua.
Ele terminou de abrir os últimos botões que ainda restavam e retirou a própria camisa, deixando-a cair no chão sem se preocupar.
Por um segundo apenas a observou. Então deu um passo à frente. Levou as mãos até o rosto dela, segurando com cuidado. E a beijou novamente. Um beijo profundo. Mais lento agora.
Como se estivesse tentando recuperar, naquele instante, todo o tempo que tinham passado sem se tocar.
Ele a conduziu devagar até a cama. Sem pressa.
Sem soltar as mãos dela. Paula recuou um passo, depois outro, até sentir a borda do colchão atrás de si. Subiu primeiro, caminhando sobre a cama de frente para ele, ainda sem tirar os olhos dos dele. A luz fraca do quarto desenhava o corpo dela de forma suave.
Ela parou diante dele. Levantou as mãos até a cintura dele. Os dedos encontraram o cinto. Paula puxou devagar, retirando-o enquanto ainda sustentava aquele olhar que parecia prender Vitor no lugar.
O couro deslizou pelos passadores da calça. Ela o soltou de lado. Depois abriu o botão. O zíper. Vitor soltou um pequeno suspiro, ajudando a empurrar a peça para baixo antes de se livrar completamente dela.
Subiu para a cama logo em seguida. Ficou de joelhos diante dela. Paula ainda no meio do colchão. Os dois próximos outra vez. A respiração dos dois já pesada. Ele levou as mãos até o corpo dela. Com cuidado. Retirou o que ainda restava de roupa que a vestia, deixando-a completamente nua diante dele.
E por um instante apenas a observou. Como se estivesse reverenciando algo precioso. Algo que tinha passado tempo demais longe. Então se inclinou. Os lábios encontraram a pele dela. Primeiro no ombro. Depois descendo lentamente.
Beijos demorados. Calmos. Como se cada parte do corpo dela merecesse ser lembrada outra vez. Paula arqueou levemente as costas quando ele deslizou mais abaixo.
A respiração ficando cada vez mais irregular. Vitor continuou descendo. Até encontrar a intimidade dela. As mãos dela apertaram o lençol imediatamente.
Os dedos buscando algo para segurar. Ele a fez vibrar ali, o corpo reagindo ao toque que conhecia tão bem.
Paula levou as mãos ao colchão, prendendo os dedos no tecido enquanto a respiração escapava entrecortada. O corpo inteiro respondendo à presença dele. Como se também tivesse esperado tempo demais por aquilo.
Enquanto ele a tocava, enquanto oferecia a ela cada sensação que o corpo dela parecia reconhecer imediatamente, a mente de Paula começou a vagar.
Entre um suspiro e outro, entre o corpo reagindo ao dele, uma pergunta atravessou tudo aquilo. Ela levou a mão até o cabelo dele, puxando de leve para que ele a olhasse.
— O que a gente está fazendo, Vitor?
Ele parou por um instante. Ergueu o rosto. O silêncio entre os dois voltou por um segundo. Então ele subiu pelo corpo dela, deixando beijos pelo caminho, no ventre, no peito, no pescoço, até chegar novamente ao rosto dela.
A voz saiu baixa, rouca. Sincera.
— Não sei…
Ele encostou a testa na dela.
— Não sei o que a gente está fazendo.
Vitor se afastou só o suficiente para olhar para ela. Tentando entender se aquilo era um limite ou um pedido para parar.
Paula sustentou o olhar dele por um segundo que pareceu longo demais. Então envolveu as pernas no quadril dele, puxando-o para perto, pressionando o corpo contra o dela.
A mão subiu até a nuca dele e ela o beijou. Com intensidade. Sem dúvida. E aquilo foi a resposta.
Vitor soltou o ar que nem sabia que estava segurando. Virou-se e se deitou de costas no colchão, puxando Paula com ele.
Ela ficou sobre ele. O cabelo molhado caindo sobre os ombros enquanto os olhos percorriam o corpo dele. As mãos dela começaram a explorá-lo devagar, com uma calma que contrastava com a pressa que tinham tido até ali.
Dessa vez era ela quem conduzia e ele fechou os olhos por um instante quando sentiu o toque dela percorrendo seu corpo.
Paula deslizou as mãos pela cintura dele, retirando a última peça de roupa que ainda o cobria. Os dedos passaram por sua intimidade, despertando nele uma reação imediata.
Ele soltou um suspiro mais profundo, mas logo segurou as mãos dela. Havia algo que ele queria mais, então ele a puxou novamente para perto.
— Eu quero você… — murmurou contra os lábios dela.
Não era apenas desejo. Era necessidade. Era querer viver aquilo inteiro. Completamente. Pela última vez.
Vitor a virou novamente no colchão. A boca dele desceu pelo corpo dela outra vez, os beijos mais urgentes agora.
A língua deslizou pela pele quente até encontrar os seios dela, arrancando um novo suspiro.
Então ele voltou ao rosto dela e se uniu a ela.
Completamente. Paula soltou um gemido baixo ao sentir o movimento.
As mãos subiram imediatamente pelas costas dele, puxando-o ainda mais para perto. Os corpos começaram a encontrar um ritmo. Primeiro lento. Depois mais intenso.
A cama rangia sob o movimento. Os dois riam entre um beijo e outro, entre respirações descompassadas, entre mãos que escorregavam pela pele ainda úmida da chuva e do calor que agora tomava conta do quarto.
Tudo parecia urgente. Familiar. Como se o corpo dos dois lembrasse exatamente o caminho.
Paula chegou primeiro. O corpo arqueando sob ele, os dedos apertando as costas dele enquanto o nome dele escapava em meio ao prazer.
Vitor observou aquele instante com um brilho quase reverente nos olhos. E não demorou muito para que ele também se entregasse. Enterrando o rosto no pescoço dela enquanto o corpo finalmente cedia.
Os dois ficaram ali por alguns segundos. Respirando juntos. Com os corpos ainda colados enquanto a chuva continuava caindo lá fora.
Por alguns minutos nenhum dos dois falou nada.
A respiração ainda descompassada aos poucos foi se acalmando enquanto permaneciam deitados, os corpos ainda próximos, o calor entre eles contrastando com o ar mais fresco que entrava pela janela.
Paula já estava com a cabeça apoiada no peito dele. Vitor passava os dedos devagar pelos cabelos dela, num gesto distraído, quase automático. Como se o corpo dele ainda lembrasse exatamente como fazer aquilo.
A chuva continuava caindo lá fora, mais calma agora. Depois de um tempo ele falou.
— Obrigado por ter vindo hoje.
Paula levantou um pouco o rosto para olhar para ele.
— Não precisa agradecer.
— Preciso, sim.
Ele passou o polegar de leve pelo braço dela.
— Foi importante pra Maria.
Paula sorriu de leve.
— Para mim também foi.
— Ela ficou feliz de verdade.
— Eu também fiquei feliz de ver ela.
Vitor respirou fundo.
— E você ajudou muito lá… com o bolo, com os doces… com tudo.
Ela deu de ombros, simples.
— Não foi nada de mais… Fiz o mais simples.
Ele balançou a cabeça, olhando para o teto por um segundo.
— Não. Você fez mais que isso.
Paula apoiou o queixo no peito dele.
— Você está tentando dizer que eu salvei o aniversário da sua filha então?
Vitor riu baixo.
— Não exagera.
— Então fala direito.
Ele olhou para ela de novo.
— Eu estou dizendo que foi bom você estar aqui.
O olhar ficou ali por um momento. Paula quebrou primeiro.
— Ela escolheu bem o primeiro pedaço do bolo.
Vitor soltou um pequeno riso.
— Ela sempre escolhe.
— Mas hoje você ficou mais emocionado.
— Eu não fiquei.
— Ficou.
— Foi só porque ela empurrou o bolo na minha cara.
Paula riu.
— Aquilo foi maravilhoso.
Ele riu também. O silêncio voltou por alguns segundos. Paula desenhava círculos distraídos no peito dele com a ponta dos dedos. Vitor observava.
— Você ficou bem hoje.
Ela levantou o olhar.
— Bem como?
— Bem… ali…
— Ali… ali ajudando?
Ele balançou a cabeça.
— Não foi isso que eu quis dizer.
Ela estreitou os olhos.
— Então explica.
Ele pensou por um segundo.
— Você ficou bem.
— Isso continua não explicando nada.
Vitor soltou um suspiro leve.
— Você estava… me distraindo.
Paula levantou uma sobrancelha.
— Distraindo?
— É.
— Do quê?
Ele passou a mão pela nuca dela, aproximando um pouco mais o rosto dos dois.
— De tudo.
O olhar dele ficou preso no dela por um segundo mais longo.
— De todo mundo.
Paula segurou aquele olhar.
— Eu não estava fazendo nada.
Ele deu um pequeno sorriso.
— Esse é exatamente o problema.
Ela tentou responder alguma coisa, mas ele a puxou um pouco mais para cima sobre ele. A boca encontrou a dela novamente. Dessa vez mais lento. Mais profundo.
Paula correspondeu imediatamente, as mãos voltando para o cabelo dele enquanto o corpo se acomodava outra vez contra o dele.
O beijo foi se tornando mais intenso. Mais urgente. Como se aquela conversa tivesse apenas reacendido algo que ainda não tinha terminado.
Vitor deslizou as mãos pelas costas dela, puxando-a ainda mais para perto. Paula soltou um pequeno suspiro contra a boca dele.
E em poucos instantes os dois estavam outra vez perdidos um no outro, como se o corpo ainda não tivesse terminado de dizer tudo o que precisava naquela noite.
O tempo passou sem medida dentro daquele pequeno quarto.
Quando finalmente o movimento cessou, os dois permaneceram deitados lado a lado, os corpos ainda quentes, a respiração ofegante tentando voltar ao ritmo normal.
Por alguns instantes não houve palavra alguma. Apenas o som da chuva mais fraca lá fora. E o eco silencioso do que tinha acabado de acontecer entre eles.
Vitor virou o rosto para ela. Os cabelos de Paula estavam espalhados pelo travesseiro, a pele ainda úmida, o peito subindo e descendo devagar.
Ele levou a mão até o rosto dela, afastando uma mecha de cabelo que grudava na testa.
— Você está bem?
A voz saiu baixa. Quase rouca. Paula virou o rosto um pouco para ele. Havia cansaço ali, mas também aquela suavidade que sempre aparecia depois que os dois se encontravam daquela forma.
— Estou.
Ele se inclinou e a beijou outra vez. Um beijo mais calmo. Demorado. Sem urgência. Como se quisesse guardar aquele momento. Quando se afastou, ficou observando o rosto dela por alguns segundos. Mas aos poucos o olhar dele começou a se perder.
Não nela. Mas em algum lugar dentro de si. Porque naquele instante, deitado ao lado dela, Vitor desejou algo que sabia que não existia.
Uma realidade em que eles não precisassem sair daquele quarto. Em que não houvesse decisões já tomadas. Em que não houvesse o peso das escolhas que ele mesmo tinha feito.
Uma realidade em que simplesmente pudessem ficar ali. Sem pensar no amanhã. Mas ele sabia. Aquilo não existia.
Vitor voltou o olhar para Paula. Ela tinha fechado os olhos por um instante, soltando um suspiro leve de cansaço. Ele conhecia aquele sinal. Conhecia bem demais. Depois que faziam amor, Paula sempre adormecia profundamente. Era algo que sempre o fazia sorrir. Mas agora aquele mesmo detalhe trouxe outra coisa.
Consciência. Ele respirou fundo. Passou a mão pelo rosto.
— Acho melhor a gente voltar para os quartos — disse, com cuidado. — Você vai descansar melhor lá.
A frase caiu no silêncio do quarto. Paula abriu os olhos devagar. Por dentro, ela já sabia. Desde o primeiro instante em que tinham se encontrado naquela varanda. Desde antes mesmo de atravessar aquele quintal sob a chuva.
Ela sabia que aquela noite não mudaria nada. Mas em algum lugar muito silencioso dentro dela… ainda tinha existido uma pequena esperança. E naquele momento essa esperança se dissolveu. Como se algo pesado tivesse sido colocado sobre suas costas.
Paula não disse nada. Apenas assentiu levemente. Prática. Como sempre era. Sentou na cama e começou a vestir a própria roupa.
Sem pressa. Sem drama. Sem olhar para ele por alguns segundos. Por dentro, no entanto, algo doía com uma força que ela não permitiria que aparecesse.
Vitor também se levantou. Terminou de se vestir.
Os dois saíram do quarto juntos. A chuva já tinha diminuído bastante. O ar da madrugada estava fresco quando caminharam pelo quintal de volta para a casa. Em silêncio.
Quando chegaram à varanda, Vitor parou. Virou-se para ela.
— Eu já organizei um carro para levar você e a Isabella ao aeroporto amanhã.
A voz dele era baixa.
— A hora que vocês quiserem sair, ele leva vocês. Assim vocês não precisam se preocupar com isso.
Paula assentiu.
— Obrigada.
Então os dois ficaram ali. Parados um diante do outro. Por alguns segundos que pareceram mais longos do que realmente foram. Foi nesse instante que Paula percebeu.
A mente dele estava em guerra. Os olhos dele voltavam para ela e depois se afastavam. Como se algo dentro dele quisesse dizer alguma coisa… mas não conseguisse atravessar a barreira da própria decisão.
Vitor respirou fundo. Baixou o olhar por um momento. E então disse, quase como um sussurro:
— Me desculpa.
Paula não respondeu. Não porque não tivesse nada a dizer. Mas porque sabia que qualquer palavra naquele momento abriria algo que ela não estava disposta a implorar para consertar.
Vitor levantou os olhos uma última vez.
— Boa noite, Paula.
E então se virou. Entrou na casa. Deixando ela ali na varanda, com o som da chuva fraca e o peso silencioso daquela noite que nenhum dos dois esqueceria.
Ela permaneceu alguns segundos parada na varanda depois que ele entrou.
A chuva caía fina agora, quase silenciosa, como se também estivesse cansada depois de toda a tempestade.
Paula respirou fundo antes de entrar na casa. O corredor estava escuro e quieto. Todos dormiam. O som distante da chuva e o ranger suave da madeira sob seus passos eram as únicas coisas que quebravam o silêncio da madrugada.
Quando chegou ao quarto, fechou a porta devagar. Por alguns segundos ficou apenas encostada nela.
O peito apertado. O corpo ainda quente. A pele ainda carregando cada toque dele.
Ela caminhou até o banheiro sem acender a luz principal, deixando apenas a claridade fraca do abajur do quarto iluminar o espaço.
Abriu o chuveiro. A água demorou alguns segundos para esquentar. Quando finalmente entrou debaixo dela, Paula fechou os olhos.
A água escorria pelos cabelos, pelo rosto, pelos ombros. Levando embora a chuva da madrugada. Mas não o que tinha acontecido. Pelo contrário. Cada sensação parecia ainda mais viva agora.
Ela encostou as mãos na parede do box. Respirou fundo. O corpo ainda lembrava perfeitamente o peso dele sobre o seu. As mãos dele. A boca dele. A forma como ele ainda sabia exatamente onde tocar.
E isso doía. Porque Paula sabia de uma coisa com uma clareza cruel. Ela não viveria aquilo com outra pessoa. Não daquele jeito. Não com aquela entrega que só existia entre os dois. E o pensamento seguinte veio como um golpe silencioso: Ela também não viveria aquilo com ele. Porque ele não permitiria. Porque ele tinha decidido ir embora.
A água quente continuava caindo sobre os ombros dela. Paula passou a mão pelo rosto, tentando afastar a sensação que apertava o peito. Havia saudade ali. Mas também havia algo mais. Uma raiva quieta.bNão pela noite. Não pelo que tinha acontecido. Mas pelo fato de ele ainda ser a única pessoa com quem aquilo fazia sentido. E, ao mesmo tempo, a única pessoa que tinha escolhido não ficar.
Do outro lado da casa, Vitor entrou no banheiro do quarto das crianças. Fechou a porta devagar para não acordá-las. Acendeu apenas a luz do espelho. Por alguns segundos ficou parado diante da pia, olhando o próprio reflexo.
Os cabelos ainda molhados da chuva. A expressão cansada. Passou as mãos pelo rosto. Respirou fundo. Depois abriu o chuveiro também.
Quando a água caiu sobre ele, Vitor apoiou as mãos na parede e abaixou a cabeça.
A água quente escorria pelas costas, mas não levava embora a sensação que se espalhava pelo peito. Culpa. Porque, no fundo, ele sabia. Sabia que tinha deixado aquele momento acontecer.
Sabia que não tinha tentado impedir. Sabia que, quando ela se aproximou na varanda, ele poderia ter se levantado. Poderia ter ido embora. Mas não foi. Porque também precisava dela. Porque também sentia falta dela. Porque ainda a desejava com uma intensidade que nunca tinha desaparecido.
Ele fechou os olhos com força. O maior medo que agora se instalava não era o próprio desejo. Era outra coisa: O medo de que Paula se sentisse usada. O medo de que ela acreditasse que aquela madrugada tinha sido apenas isso para ele. Uma recaída. Um momento de fraqueza.
Quando, na verdade, tinha sido muito mais perigoso do que isso. Porque cada segundo com ela fazia a decisão de ir embora parecer mais difícil de sustentar.
Vitor respirou fundo debaixo da água. Sabendo que, quando o sol nascesse, precisaria continuar sendo o homem que tinha escolhido ser. Mesmo que isso significasse continuar vivendo com a ausência dela.
A manhã chegou silenciosa na fazenda. A tempestade da madrugada tinha ido embora, deixando no lugar um céu claro e um calor úmido que já começava a voltar ao ar de Uberlândia.
Paula acordou antes de Isabella. Ficou alguns segundos deitada, olhando para o teto do quarto.
A cama ainda carregava o cheiro dele. Aquilo fez o peito dela apertar de novo.
Ela se levantou devagar para não acordar a amiga e foi até o banheiro. Tomou um banho rápido, tentando organizar os pensamentos enquanto a água caía sobre os ombros. Não adiantou muito.
Quando voltou ao quarto, Isabella já estava sentada na cama, o cabelo bagunçado, claramente ainda meio perdida entre o sono e a realidade.
— Que horas são? — perguntou, esfregando os olhos.
— Cedinho ainda.
Isabella olhou em volta, como quem tenta lembrar onde estava.
— Meu Deus… a gente realmente dormiu aqui.
Paula deu um pequeno sorriso cansado.
— Dormimos.
Isabella levantou, tomou um banho, se arrumou e já começou a fazer o que sempre fazia: cuidar da logística da vida de Paula.
Abriu a mala sobre a cama, começou a separar as roupas, dobrar algumas peças que tinham ficado sobre a cadeira, organizando tudo com a naturalidade de quem já fazia aquilo havia anos.
— Vou deixar tudo pronto porque daqui a pouco essa casa acorda — comentou distraída.
Pegou o vestido que Paula tinha usado no dia anterior. Dobrou. Depois pegou outra peça. Quando se abaixou para pegar algo perto da poltrona, parou.
— Ué.
Isabella levantou o pijama. Ele ainda estava úmido. Não apenas um pouco. Claramente molhado de chuva. Ela virou o tecido nas mãos. Depois olhou para Paula.
— Por que seu pijama está molhado?
Paula estava terminando de fechar a bolsa. Levantou os olhos. Por um segundo ficou em silêncio.
Isabella a encarou.
— Paula…
Paula deu de ombros, com uma calma quase irritante.
— Choveu.
Isabella ficou olhando para ela. Depois para o pijama. Depois de volta para ela. Os olhos estreitaram devagar.
— Ah.
O entendimento veio inteiro naquele pequeno som. Ela soltou um riso baixo, quase incrédulo.
— Eu não acredito.
Paula não comentou. Apenas voltou a mexer na bolsa. Isabella balançou a cabeça, ainda sorrindo sozinha, e começou a dobrar o pijama para colocar dentro da mala.
— Meu Deus do céu…
Foi quando Paula falou, simples:
— Não.
Isabella parou.
— Não o quê?
Paula fez um gesto leve com a cabeça.
— Deixa ele.
— Aqui?
— Uhum.
Isabella franziu a testa.
— Paula… você vai esquecer.
— Não vou.
A assessora ficou alguns segundos olhando para ela, tentando entender.
— Por quê?
Paula fechou o zíper da bolsa. Endireitou a postura. Os olhos foram até o pijama nas mãos de Isabella por um breve instante. A voz saiu tranquila.
— Porque eu quero que ele encontre.
Isabella levantou uma sobrancelha. Paula completou, sem qualquer dramatização:
— E lembre.
O silêncio pairou por um segundo. Então Isabella soltou um pequeno riso.
— Você é perigosa.
Paula pegou a bolsa.
— Nem um pouco.
Caminhou até a porta. Antes de sair, Isabella ainda olhou uma última vez para o pijama abandonado sobre a cama e murmurou:
— Não sei o que rolou… Mas acho que isso vai atormentar ele.
Paula abriu a porta. Sem olhar para trás, respondeu apenas:
— Eu sei.
A manhã chegou calma à fazenda. A chuva da madrugada tinha limpado o ar e deixado o quintal brilhando sob o sol que agora começava a subir. Da cozinha vinha o cheiro de pão aquecido e o barulho suave das panelas que Hilca movimentava.
Paula e Isabella saíram do quarto já com as malas. A casa ainda estava despertando.
Quando entraram na cozinha, Marisa já estava à mesa.
— Bom dia, querida — disse, levantando-se para abraçar Paula.
— Bom dia, Marisa.
— Dormiram bem apesar da confusão da chuva?
Isabella respondeu antes que Paula precisasse:
— Eu dormi feito uma princesa naquela cama maravilhosa.
Paula não conseguiu evitar o riso baixo que escapou.
— Dormiu mesmo.
Marisa sorriu.
— Ainda bem.
Antes que a conversa seguisse, passos pequenos cruzaram o corredor.
— Paula!
Maria apareceu correndo e se lançou contra ela. Paula riu, abraçando a menina.
— Bom dia, Maria.
— Você já vai embora?
— Vou, sim.
— Já?
Paula assentiu.
— Já.
Maria fez uma pequena careta de desapontamento.
— Mas foi legal você vir.
Paula beijou o topo da cabeça dela.
— Eu também gostei muito.
Foi nesse momento que Vitor entrou na cozinha. Ele parou ao vê-la. Paula levantou os olhos. O olhar dos dois se encontrou por um instante. Curto. Mas pesado demais para uma manhã comum.
Vitor desviou primeiro.
— Bom dia.
— Bom dia — Paula respondeu.
Ele se aproximou da mesa. Antes mesmo de se sentar, falou em direção à cozinha:
— Hilca, faz um chá pra Paula, por favor.
— Já estou fazendo — respondeu a mulher do fogão.
Paula não comentou. Mas percebeu. Ele ainda lembrava. Sentaram-se à mesa.
As crianças falavam sobre a chuva da noite anterior, João tentando convencer Maria de que tinha ouvido um trovão enorme.
Leo apareceu logo depois, comentando que ainda bem que ninguém tinha tentado pegar estrada naquele temporal.
Paula participava das conversas com naturalidade. Ria. Respondia. Mas em alguns momentos seus olhos encontravam os de Vitor. E sempre havia um pequeno silêncio ali.
Hilca colocou a xícara de chá diante dela.
— Obrigada.
Marisa observava tudo discretamente. Quando terminaram, Isabella pegou a mala.
— Acho que precisamos ir.
Paula assentiu. Levantou-se. Abraçou Marisa.
— Obrigada por tudo.
— Volte sempre, querida.
Ela se despediu das crianças. Maria abraçou ela forte.
— Da próxima vez você vem antes.
— Eu prometo tentar.
Isabella já caminhava em direção à porta quando Vitor falou:
— Eu levo vocês até o carro.
Isabella olhou rapidamente para Paula. Depois para ele.
— Vou colocar as malas.
E saiu na frente. O ar da manhã estava fresco quando chegaram à varanda.
O carro já estava parado perto da casa. Isabella abriu o porta-malas e começou a organizar as malas, deixando espaço para eles.
Vitor parou diante de Paula. Por alguns segundos nenhum dos dois falou. Então ele deu um passo à frente e a abraçou.
O abraço foi firme. Demorado. Quando se afastou, ainda segurava levemente os braços dela. Os olhos dele estavam sérios.
— Paula…
Ele respirou fundo.
— Eu não quero que você pense que o que aconteceu ontem não significou nada pra mim.
Ela levantou a mão, interrompendo antes que ele continuasse.
— Vitor…
A voz dela era calma.
— Eu quis aquilo.
Ele tentou responder.
— Eu sei, mas…
Ela continuou:
— Eu sou adulta.
Silêncio.
— Eu sabia exatamente o que estava fazendo.
Os olhos dele permaneciam fixos nos dela. Ela respirou fundo antes de concluir.
— E sobre não significar nada… você não precisa se preocupar com isso.
Vitor franziu levemente a testa. Então ela disse, sem elevar a voz:
— Eu sabia desde o começo que você não teria coragem suficiente para mudar de decisão.
As palavras ficaram suspensas entre eles. Ele não respondeu. Isabella fechou o porta-malas.
— Pronto.
Paula deu um último olhar para Vitor. Depois entrou no carro. O veículo começou a se afastar pela estrada de terra.
Vitor ficou parado na varanda até que o carro desaparecesse na curva. Só então voltou para dentro da casa. Caminhou até o quarto. Empurrou a porta e parou.
Sobre a cama estava o pijama. Ainda levemente úmido. Ele pegou o tecido nas mãos. Por um instante apenas ficou olhando para ele. Sabendo perfeitamente que aquilo não tinha sido esquecido ali por acaso.
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