Antigo novo amor

13 Capítulo 13 - Verdades que assustam


Embarcam no jato e Paula conhece os seguranças deles, cumprimentando-os. Em pouco tempo já estão em Uberlândia, se despedem do Leo e os seguranças e Vitor pega seu carro no hangar, seguindo direto para fazenda.


— A confraternização com minha mãe é hoje?

— Sim! A tarde, acho que será um coquetel com almoço, café da tarde… — olha no celular.

— Sério? Pensei que seria amanhã. Vou ter que segurar minha saudade até você voltar então.

— Sua saudade está enorme, né? — ri.

— Super! — coloca a mão na perna dela rindo. A sua não? Estamos há quase 20 dias sem nos vermos.

— Estava no voo imaginando como seria se estivéssemos só nós dois…

— Eu já falei que nossos pensamentos ficam em sintonia? — riem. Não vou mentir que sinto falta do sexo, mas o principal, eu sinto falta disso… — olha para ela. De conversar, de rir…

— Estou aqui! Não temos mais razões para ter saudade nesse momento. Ah… quero te contar uma coisa que aconteceu em um show!



Ela começa falar sobre uma situação inusitada nos bastidores de um show e conversando eles se entretém e nem percebem quando chegam a fazenda. Vitor leva as malas para dentro e mostra que colocou um porta retrato com uma foto dela no quarto. Paula se organiza e segue para o banho, já que sairia com a sogra em breve, enquanto ele providencia algo para comer.


— Oi Hilca, boa tarde!

— Oi, boa tarde! — sorri. Acabei de fazer o café!

— Obrigado. Paula veio comigo, como eu havia avisado… Mas, ela vai sair com minha mãe para uma confraternização então não precisa se preocupar com o almoço.

— Ok!

— Você pode preparar um suco para ela? De laranja mesmo, sem açúcar.

— Claro! Vou fazer.


A funcionária prepara o suco de Paula e conta ao Vitor as novidades da fazenda. Ao terminar, ele resolve levar á ela e a encontra experimentando um vestido em frente ao espelho.


— Já ia te chamar! — sorri. O que acha?

— O que eu acho? — coloca o suco sobre a cômoda. Tem algum outro para eu ver? — se escora no móvel e a observa.

— Tem, aquele amarelo! — aponta.

— Experimenta ele para eu decidir…

— Ok… — retira o vestido que estava, exibindo o corpo ainda nu. Eu sou muito inocente… — ri.


Quando Paula olha para Vitor ele está a encarando, sorrindo. Se dirige até a porta e a tranca, retornando até ela desabotoando a camisa.


— Sua mãe chega daqui a pouco… — sorri.

— Ela espera! — retira a camisa. Você é linda! — a segura, fazendo-a dar uma volta.

— Como eu posso ser tão inocente?

— Também não sei… — sorri. Mas, eu amei o fato de você ter tirado. — encara os seios dela.

— Vitor, se sua mãe…

— Pulinha! — a interrompe. Se minha mãe chegar, ela vai esperar!


Coloca as mãos sobre a cintura dela, trazendo-a para mais próximo dele. Encosta sua testa na dela e olha-a, como se pudesse acessar o mais profundo da sua alma. Ela sorri e a partir dali ele se perde, tomando a boca dela para ele.


— Vi… — geme ao sentir ele avançar sobre seu pescoço. Eu preciso ainda me arrumar! — acaricia os braços dele que a seguram próximo a seu corpo.

— Quanto mais você reclamar, mais eu vou demorar! — segura um dos seios dela a fazendo arfar.

— Então vou continuar reclamando... Porque isso está maravilhoso! — sorri.


Ele caminha até a cama levando-a consigo. Enquanto desabotoa a calça, Paula o observa, sedenta pelo momento, por tudo que estava vendo.


— Ainda preciso me maquiar… — sorri, maliciosamente. Não demora!

— Você é tão linda… — a observa. Eu senti tanto sua falta esses dias todos… — sobe na cama.

— Eu também… — coloca as mãos sobre o rosto dele, beijando-o.


Escorrega as mãos sobre o corpo dela, deitando-a. Retira sua peça íntima e a observa se entregar a ele a cada minuto que passava. Aproxima-se dela e a beija novamente.


— Eu comprei tantas camisolas… — ri, com ele beijando seu corpo. Tantas lingeries… E estou aqui…

— Que cor? — encara ela.

— Pretas. Todas. Como você sempre gostou!

— Você lembra… — desce a mão para a intimidade dela.

— Lembro! — fecha os olhos, deliciando-se com as carícias dele.


Vitor avança sobre ela e eles se fundem entre carícias, beijos, gemidos, palavras proibidas se serem ditas fora daquele quarto. Paula toma as rédeas do momento, causando nele sensações que ele não tinha há tempos. O cavalga de todas as formas possíveis, atingindo o clímax com o corpo grudado ao suor dele, servindo de abrigo para que ele sinta o mesmo.


Na cidade, Marisa resolve telefonar para Vitor, para confirmar que chegaram se estavam na fazenda e avisar que buscaria Paula.


— Oi filho! — sorri.

— Oi mãe, como está? — se levanta da cama, rumo ao banheiro atrás de Paula.

— Estou bem. Já chegaram em Uberlândia?

— Sim!

— Que bom… Vou até aí buscar Paula então.

— Posso levar ela até sua casa. Enquanto isso fico aí e aguardo vocês.

— Maravilha então! O que estão fazendo? Pensei que poderíamos jantar juntos hoje.

— Estamos tomando banho!


Nesse momento Paula desliga a ducha e o encara, extremamente constrangida. Consegue ouvir Marisa rir do outro lado do telefone.


— Desculpa incomodar… — ri.

— Está tudo certo! — riem. Sobre o jantar, vamos ver… Paula já ficará fora com você a tarde toda e eu preciso fazer algumas coisas com ela mais tarde aqui na fazenda. Mas, conversamos depois.

— Tudo bem… Mais tarde conversamos então sobre isso. Aguardo vocês aqui! Beijos.

— Tchau, mãe! — desliga.

— Vitor você é maluco? Eu não acho que você deva bater bem da cabeça. — coloca um roupão.

— Por que? — começa se lavar.

— Com que cara vou olhar para sua mãe?

— Com a que você tem… — sorri.

— Não! Vou ficar constrangida pelo que você falou.

— Você acha que minha mãe pensa que eu te trago aqui para jogarmos xadrez? A gente fazia isso escondido da sua quando você ainda era menor… Imagina agora com a idade que temos! — ri.

— Nem vou te responder! — segue para o quarto.


Ele termina seu banho enquanto ela se arruma para acompanhar a sogra. Resolve prender o cabelo em um coque, com alguns cachos caindo sobre o rosto, já que havia o bagunçado o suficiente há alguns minutos atrás. Faz uma maquiagem clean, por se tratar de uma almoço, e escolhe um vestido longo colorido, com um decote mais profundo, mas sem ser vulgar. Escolhe algumas joias da sua caixinha, uma sandália anabela e uma clutch de palha somente para carregar o celular e um gloss. Vitor se arruma e a aguarda na cama, observando ela se organizar.


— Estou pronta!

— Colocou sutiã? — se levanta. Quero ver a cor…

— HAHAHA… muito engraçadinho! — abre a porta do quarto.

— Vou te aguardar na minha mãe e depois voltamos para cá.

— Ela não queria jantar conosco?

— Ah não, Pulinha! Precisamos ficar sozinhos. Em Campinas ficaremos com as crianças já.

— Ok! — ri.


Paula cumprimenta Hilca e eles seguem para a cidade.


— Tatianna estará?

— Parece que sim.

— E Carol?

— Sua mãe não comentou…

— Hum…

— Elas se dão bem?

— Quem?

— Tati e Carol.

— Nem mal, nem bem. Normal. Se tratam com respeito pelas crianças.

— Será que consigo isso com Poliana?

— Não gostaria que você tentasse. Poliana é um caso sério, Paula.

— Tudo bem. Mas e se ela falar algo de mim para as crianças?

— Sua convivência com eles é que contará! Você acha que ela fala bem de mim? Ou da minha família? Ela nos odeia!

— Isso é horrível…

— Sim, é. Mas não me importo mais… Ás vezes torço para as crianças crescerem logo para que a gente não precise ter nenhum contato.

— Sim.


Seguem conversando sobre as relações familiares e Vitor sente que deve contar a ela sobre Amanda, mas desiste, sentindo-se um covarde por isso. Chegam na casa de Marisa e ela os recepciona já na porta.


— Você está linda! — sorri.

— Obrigada! Fiquei preocupada se estaria no traje correto.

— Está mais que linda, não se preocupe.

— Oi mãe! — a abraça.

— Olá! Você vai ficar na minha casa?

— Sim!

— Não faça bagunça! — vai entrando. Tem comida no forno, esquentei para você.


Paula olha para ele e ri, recebendo uma carranca de volta. Enquanto Marisa sai para o quarto para buscar alguma coisa, ela aproveita o momento.


— Você é um mimadinho! — ri. E realmente um bagunceiro… para meu terror!

— Para sua informação, você também é uma mimadinha pela mamãe. Então somos dois minadinhos.

— Mentira sua! — diz brava. Minha mãe não me mima como a sua.

— Sei! — ri. Sobre a bagunça, isso é a perspectiva de vocês.

— Vitor, do jeito que você tira a roupa, ela fica.

— E o que tem? Eu a pego depois na mesma posição que deixei, normal. — entra na cozinha.

— Cabeça dura!


Marisa retorna e elas se despedem dele, rumo a confraternização. No caminho Paula fica sem jeito, não sabia ao certo o que conversar e começa perguntar sobre o condomínio, sobre a casa da sogra, sobre os gostos dela com os móveis e justifica as perguntas pelo fato de ter se mudado recentemente e estar comprando móveis.


— Você e Vitor ainda não conversaram sobre morar juntos?

— Ah… — é pega de surpresa. Já falamos a respeito, mas está um pouco cedo.

— Ele me falou que vocês conversaram sobre filhos.

— Sim! Conversamos. Quero ser mãe… Ao menos por enquanto eu quero. Então precisava que ele soubesse disso para ter certeza se quer estar comigo. Por mais que eu o ame, não posso mais abrir mão do que quero por ninguém.

— Você está corretíssima! — sorri. Quando eu soube que ele poderia estar se envolvendo com Amanda, eu confesso que me preocupei muito. — nesse instante Paula congela — Ainda mais por ela ser irmã de Carol e ficar uma situação complicada na família, mas principalmente pela idade dela e vidas totalmente opostas. Já sabia que aquilo não daria certo bem antes de começar e de fato não deu. Ele nem deve saber que sei e eu só sei porque Leo contou. Ele te falou a respeito, certo? — Marisa se toca que ela poderia não saber e fica receosa.

— Falou! — mente, percebendo que a sogra não fez por mal.

— Menos mal! Então… Sabia que nada sairia dali, Paula. E quando vi você na fazenda aquele dia, eu sabia que estava acontecendo algo. Não entendo muito essa história de vocês dois, mas os admiro muito. Vitor realmente fica mais leve, se permite mais estando com você. Eu confesso que tenho enchido ele com o assunto de filhos… quero muito que vocês tenham um bebê.

— É… — não sabe o que responder. Pois é! Acho que no momento certo vai acontecer… Nos organizamos para ser quando Maria tiver ao menos 10 anos e João 9, para conseguirem aproveitar melhor. E também precisamos nos preparar fisicamente, profissionalmente, emocionalmente… Vitor ainda precisa fazer a reversão da cirurgia.

— Cirurgia? — ri.

— Da vasectomia!

— Mas, Vitor nunca fez vasectomia! Ele te falou isso? — se assusta. Não é possível… Ele não falou isso, né?

— Que? — congela novamente. Não, não… — fica perdida. Ele nunca me falou, eu que… Eu que deduzi!

— Paula… Vitor nunca fez cirurgia! A não ser que tenha feito escondido de mim.

— Santo Deus… — fica preocupada. Você tem certeza? — fala sem pensar.

— Claro, querida! — ri.

— Meu Deus! — olha pela janela perdida. Preciso abrir aqui um pouco! — abre a janela e coloca a cabeça para fora.

— Está tudo bem? — se preocupa.

— Si…Sim… — volta a cabeça para dentro.

— Você achou que ele tinha cirurgia?

— Estou achando esse tempo todo! — ri de nervoso. Não é cômico isso? Eu poderia simplesmente ter perguntado a ele, mas não… Eu deduzi que ele tinha porque desde que começamos a transar não falamos de nenhum método contraceptivo. Caramba! — coça a testa. Eu parei de me prevenir desde o último relacionamento. Sempre fui muito, muito regrada com isso, nunca fiz um teste de gravidez na minha vida!

— Talvez ele tenha achado que você usa um Diu.

— Meu Deus! Não uso. Não uso nada. Nem DIU, nem CHIP, nem medicamento.

— Como se prevenia?

— Tabela! Sempre fiz assim e sempre deu certo, mas eu simplesmente deixei de fazer desde que me separei e confiei na minha dedução de que Vitor tinha cirurgia, porque ele não falou nada sobre prevenção quando mencionei que não queria filho agora.

— Entendo… Mas, se acalma…

— Estou calma! Só estou me sentindo uma tonta! — riem. Mas, está tudo bem… Não estou grávida e acho difícil engravidar assim, naturalmente com a minha idade. Preciso procurar um médico urgente. Farei isso assim que voltar pra BH! — pega o celular e manda mensagem para Isabella pedindo que agende uma consulta. Vitor vai rir da minha cara quando eu contar!

— Está tudo bem! Se não quiser contar, eu jamais direi, fique tranquila.

— Ah não… Eu vou contar! — ri. Ele vai se divertir com isso… Eu nem acredito que falei da nossa intimidade com você! Hoje quando ele disse que estávamos tomando banho eu quase morri… E agora to aqui dizendo que não me previno!

— Paula! — Marisa ri. Fique tranquila! Eu sou bem grandinha para saber que vocês não ficam jogando xadrez.

— Ele falou exatamente isso! — riem.

— E além do mais, eu quero poder ter um contato mais próximo com você, que você se sinta confortável em me mostrar, falar o que quiser.

— Obrigada! Isso é importante pra mim. Ser acolhida e entendida dessa forma… Ter alguém que faça questão de ter contato comigo.

— E você não imagina o quanto é importante pra mim! — sorri.



Chegam na casa de Simone, uma amiga de Marisa. Ela as recepciona e fica encantada pelo fato de Paula Fernandes estar na casa dela. A tarde passa muito tranquila e Tatianna infelizmente não vai à recepção, mas ao saber que Paula estava, envia uma mensagem para ela para que possam marcar algo e conversarem. Ninguém é indelicado a ponto de perguntar sobre Paula e Vitor, mas todos deduzem já que Marisa informou no grupo que iria com a nora. Quase no fim da tarde, deixam o local após muitas risadas e com Paula se sentindo acolhida após se divertir com as mulheres e suas conversas aleatórias sobre casa, homens e a vida. No caminho para casa de Marisa, ela telefona para Vitor informando que passarão em um supermercado e assim fazem. Marisa compra o que precisa e elas vão para a casa.



— Demoraram! — sorri ao vê-las.

— O tempo foi passando e nem percebemos! — tira as sacolas do carro. Me ajuda aqui! — estende as sacolas pra ele.

— Olha o que comprei para você! — mostra um chocolate rindo.

— Eu amo! — sorri.

— Vocês já irão embora amanhã?

— Temos que ir, mãe! As crianças ficam comigo a partir de terça.

— Entendi. Que pena… Queria que pudéssemos aproveitar mais!

— Ficarei com eles terça e quarta. Na quinta estamos querendo ir para BH. Vem com a gente!

— Seria ótimo, Marisa! Podemos fazer algo bacana e reunir todo mundo.

— Aceito!

— Vou deixar sua passagem comprada daqui para lá. Eu e Paula vamos de Campinas, ok?

— Ta bom, filho!



Se despedem e retomam a estrada para a fazenda. Paula vai pensativa. Foram muitas informações para um só dia. Primeiro era Amanda, começou se perguntar se valeria a pena tocar nesse assunto. Mas decide que é essencial que toque, afinal, ela vai ter que encarar essa mulher em toda festa da família. Segundo, a vasectomia. Onde estava com a cabeça quando deduziu isso? Se pergunta se ele pensaria que ela não se preveniu de propósito e ao mesmo tempo liga o foda-se para o que ele vai pensar, afinal, ela não é mais uma menina.


— Precisamos conversar! — olha para ele.

— Sabia que tinha algo… Você está muito calada. Você não é muito calada.

— Bom… a primeira coisa é que… — pensa em como falar — você tem vasectomia?

— Que? — ri.

— Você fez vasectomia?

— Não! Nunca fiz. Por que? — continua rindo. O que você e minha mãe conversaram?

— Nem queira saber! — arruma o cabelo. Enfim… Nunca usei DIU, nem Chip, nem medicamento. Sempre fiz tabela e sempre deu certo. Depois que terminei com Rony, eu parei de fazer, não estava transando mais. Quando começamos a nos relacionar e falamos de filhos, você não falou nada sobre métodos contraceptivos e eu interpretei que você tinha feito a cirurgia.

— Paula…

— É… Uma loucura! Só quero deixar claro que realmente deduzi isso do nada. Mas, não estou grávida e já agendei uma consulta com um médico em BH. Vou ver o que faço… Se coloco algo, se recalculo a tabela. Vou dar um jeito.

— Está tudo bem! — ri. Mas, o que isso significa? Vamos ficar sem transar? Até você voltar ao médico?

— Vamos.- mente.

— Tem médicos aqui em Uberlândia. A gente pode ver amanhã. E já transamos hoje.

— Deixa de ser safado! — encara ele. Está tudo bem! Não devo estar no período fértil e também não vou engravidar facilmente assim.

— Você estava preocupada com isso?

— Estava! Quase caí para trás quando sua mãe falou.

— Por que minha mãe falou isso?

— Não vem ao caso!

— Depois você vai me explicar. Qual é a segunda coisa?

— É… essa é mais delicada. Você me levou para um jantar na casa da Carol e do Leo tendo saído com a irmã dela.

— Pulinha… — engole seco.

— Você não é obrigado a me falar das mulheres que já saiu. Não sou esse tipo de pessoa que exige esse tipo de coisa e que tem interesse em saber. Mas, essa em específico eu gostaria de saber.

— Eu ia te contar, hoje.

— Ah… Sério? — debocha.

— Estou falando sério! Só descobri ontem que Leo sabia. Foi uma situação que ninguém soube, não foi explanado para ninguém, ao menos essa era a intenção. Não tínhamos um relacionamento, apenas saímos algumas vezes e não se transformou em algo. Não vi necessidade de falar pra minha família, mas eles descobriram.

— Talvez porque ela falou… Talvez porque para ela não foi o que você tá pensando.

— Foi! Ela é uma pessoa adulta. Conversamos sobre isso, não teria sentido ela pensar outra coisa.

— Isso é o que você acha! Vocês transaram?

— Paula… — respira fundo.

— Não foi só algo passageiro! Você compartilhou sua intimidade com ela. Caramba, Vitor! — respira fundo. Eu não me importo com quantas mulheres você já se deitou. Mas, você tinha que ter me falado dessa em específico!

— Éramos duas pessoas solteiras. Ela estava lendo um mesmo livro que eu, comecei a falar a respeito, evoluiu para uma conversa, para um encontro e depois outros… a coisa aconteceu, mas sabíamos desde a primeira vez que isso não ia dar certo. A ideia de não compartilhar foi dela, então se ela compartilhou, ela quebrou a própria ideia que teve. Leo e Carol estavam por trás disso. Eles fizeram uma ponte e eu mal sabia! Não foi para frente, não virou algo sério, segui minha vida e estava ciente de que ela seguiria a dela e deve ter seguido. Eu te levei no Leo porque para mim estava tudo, tudo certo.

— Por isso ele ficou bravo quando desconfiou que tínhamos algo além da amizade…

— Não, Pulinha! Não coloca coisa na cabeça. Antes de chegarmos a BH eu e Leo tivemos uma conversa. Ele me pediu desculpas por essa situação com Amanda. Isso não era pra ser um problema.

— Você já falou com Carol desde que ela soube?

— Eu não sei quando eles descobriram e não quero saber. Isso não é parte da minha vida mais.

— Ok. Compreendo seu pensamento. Realmente eram pessoas adultas, solteiras. Não deu certo. Ok. Mas, como vai ser agora? Será que Carol vai me olhar da mesma forma agora que eu sou a sua namorada e não a irmã dela?

— Se ela não te tratar bem estaria sendo uma babaca. Você não tem absolutamente nada ver com minha falta de química e amor com a irmã dela. Isso é bizarro, Paula! Eu só ia te falar porque queria que soubesse por mim, já que Leo já estava sabendo e pelo visto minha mãe também. Mas, não aconteceu nada de que eu me arrependa ou me envergonhe. Não deu certo e pronto, a diferença é que vamos ter que cruzar com ela algumas vezes e por favor, não se sinta estranha.

— É impossível, Vitor!

— Tudo bem… Mas, não deixa isso atrapalhar a gente, por favor.

— Mas, posso te garantir uma coisa — olha para ele — se ela contou isso para a irmã é porque para ela não foi uma coisa qualquer, ela deve ter algum sentimento...

— Meu amor, nunca houve promessas, nem falsas esperanças, nem planos. Nunca falamos sobre relacionamento sério. Eu errei em ter deixado me levar sendo ela quem é. Mas, não me arrependo de ter deixado para trás algo que para mim não fazia o menor sentido e te garanto que nossa conversa foi franca e saímos disso bem. Não entendo a razão dessa confusão só agora.

— Faz quanto tempo que isso aconteceu?

— Não sei ao certo, acho que 3, 4 meses.

— Pouco tempo antes de ficarmos juntos.

— Sim!

— Eu não sei o que pensar!

— Me desculpe!



Seguem o restante do caminho em silêncio. Ao chegarem na fazenda, Paula vai direto para o quarto, toma um banho demorado, aproveitando para pensar em tudo e chegando a conclusão que não permitiria que isso estragasse seu momento. Era uma pessoa adulta se relacionando com outra pessoa adulta e ambas com um passado complexo. Só dependia dos dois para isso dar certo. Veste-se com uma das camisolas novas que levou, coloca o robe por cima e sai pela casa, atrás de Vitor.


— O que está fazendo? – o encontra na cozinha.

— Está com fome? — pergunta, sem erguer a cabeça, concentrado em cortar uma cenoura.

— Não muita! Comi bem lá. — ela se aproxima mais, ficando de frente para ele na bancada.

— Estou fazendo um filé de salmão assado com purê de cenoura! — olha-a e não consegue deixar de sorrir. Você está linda!

— Obrigada! — sorri.

— Vem aqui… — lava as mãos.

— O que quer? Ajuda? — vai até ele.

— Não… — seca as mãos. Já está tudo encaminhado! — joga o pano sobre a bancada. Quero só te ver melhor. — vai até ela.

— Hum… — observa ele desamarrar seu robe.

— Está brava comigo? — olha-a nos olhos, retirando o robe e exibindo a camisola preta curta, toda rendada, com transparência exibindo os seios e a calcinha na mesma renda.

— Acho que com a situação toda!

— De onde é essa? Caso eu queira lembrar para te dar uma de presente…

— Jogê. Eles tem um site e uma aba chama Red Lounge… Você vai gostar.

— Tenho certeza que sim! — sorri, aproximando-se da boca dela.

— Você está cozinhando… — segura-se nos bíceps dele.

— Com as mãos e não com a boca! — segura-a pela cintura com uma mão e a outra concentra na nuca dela para garantir que ela não escaparia. Amo você, Paula Fernandes de Souza!


—————

POV: PAULA


Minha cabeça estava confusa com tudo que estava havendo. A situação me deixou angustiada, mas quando cheguei na cozinha e o observei tão compenetrado cortando uma simples cenoura, meu coração pareceu derreter. Ele parece tão sereno, como se as coisas fossem tão simples… Mas, eu sei que não são. Ao menos não com ele. Um ariano que faz jus ao seu signo e ainda assim eu sou incapaz de deixar de amar. A sua confusão me enlouquece, me estremece e por outro lado a sua serenidade no meio da tempestade acalma minha alma, desarma meus traumas. Não dá para explicar.


Sua voz baixa e mansa me chama para perto. Sei que ele não quer ajuda, mas ainda assim pergunto. Suas mãos se aproximam do meu corpo e parece que, novamente, tudo isso é novo, mesmo sem ser.


Ele desamarra meu robe e por mim, se ele quisesse me jogar naquela bancada e me virar do avesso ali mesmo, eu deixaria. Ele tem um poder sobre meu corpo que eu já deixei de querer compreender. É como se fosse um ímã e quando menos penso, já estou próxima dele, desejando que ele esteja em mim.


A conversa toda sobre a camisola, a forma como ele me devora com os olhos, me excita ainda mais. Me seguro em seus ombros e não pude deixar de perceber que a rotina com um personal desde a volta aos palcos tem surtido efeito. Ele está mais forte, mais definido.


Suas mãos são possessivas sobre mim. Ele me pressiona com força sobre o corpo dele e eu me perco. Sou eu que me enfio em sua boca e me pressiono ainda mais perto quando sinto sua mão deslizar para minha bunda, me fazendo sentir que seu corpo reage a mim tanto quanto o meu reage a ele.


É impossível resistir a ele. Solto um gemido quando ele passa o polegar pela minha garganta, percorrendo os dedos até meus seios.

Eu achava improvável a gente estar aqui sentindo tudo isso depois de tantos anos. Pois bem. Estamos. Somos dois improváveis que queimam.


— Você está com fome? — pergunto, inebriada pelos toques.

— Um pouco! Mas, acho que estou com mais fome de você. — ele ri e eu me desmancho nos seus beijos.

— Desliga o forno, preciso te ajudar… — acaricio sua intimidade e ele reage, gemendo.

— Pulinha…- me olha profundamente e eu sigo, desabotoando sua calça.


Observo ele se distanciar de mim e desligar o forno para que o peixe não queime. Quando retorna, seu olhar é ansioso e ao mesmo tempo feroz, me instigando sobre os próximos passos. Estendo a mão para ele e ele segura, não se importando para onde quer que eu o leve, apenas confiando em mim. O conduzo até o sofá e o empurro para que se sente de frente para mim. Retiro sua calça e ele me encara, como se questionasse se ele deveria se livrar do resto ou eu faria isso por ele.


— Eu ia te mandar as fotos hoje! — me ajoelho entre suas pernas e ele me observa atento, como se eu fosse bomba prestar a explodir.

— Por que não mandou? — acaricia meu rosto.

— Ia te ver pessoalmente… — sorri. Achei que seria mais interessante! — seguro a barra da boxer e a puxo lentamente.

— Paula! — sua voz é grave e eu coloco minha atenção em seu rosto — Você não tem que fazer isso! — coloca as mãos sobre as minhas.

— Eu sei que não! — me preocupo. Mas, eu quero! Você não quer? — pergunto, desapontada.

— Quero… Muito! — posso ouvir sua respiração ofegante. Só que, nenhuma namorada já fez isso.

— Que bom! — fico surpresa. Que bom que estou sendo sua primeira namora a te dar isso! — retiro a boxer dele e mesmo que eu já tenha o visto inúmeras vezes, ainda me surpreendo.


Ele me encara tão sedento quanto sua masculinidade, esperando para que eu avance e eu o satisfaço, avançando e provando a ele e dele o quanto eu também estava sedenta por senti-lo de todas as formas possíveis. Sinto ele se tensionar sobre o sofá enquanto geme palavras que nunca imaginei saírem da boca dele, mas saíram. E eram para mim. Para o que estávamos fazendo, para o que estávamos sendo, para o que estávamos avançando no nosso relacionamento complexo e ao mesmo tempo sereno.


Quando sinto que ele já não aguentaria mais — e ele faz questão de deixar claro isso quando agarra meu cabelo — eu me levanto e me estendo pelo seu corpo ainda quente e latejando. Como mágica ele me encaixa a ele, com uma facilidade assustadora e dessa vez sou eu quem desabo e me tensiono sobre ele.


Ele me segura com tanta força, controlando meu quadril sobre seu membro, que tenho certeza que uma mancha roxa está se formando aqui. Quando relaxa um pouco, suas mãos estão subindo sobre o tecido da minha camisola, ou brincando com meus seios, ou deslizando da minha nuca para o pescoço.


Estamos os dois, vestidos parcialmente ainda, se amando como não imaginávamos que poderíamos. Todas as vezes com ele foram maravilhosas, mas essa noite… essa noite estávamos fora do comum. Talvez fosse a saudade, a tensão, o estresse pelo dia cheio de informações. Não sei. Mas, somos nós emaranhados e suados. Ele não tira os olhos dos meus enquanto eu faço questão de deixar claro a ele, em alto e bom som, o quanto ele também era lindo, gostoso e um tanto mais de palavras que também não achei que teria coragem de pronunciar a ele, ainda que eu já tenha imaginado.


Eu desabo sobre ele, com uma corrente elétrica descarregando sobre todo meu corpo e gentilmente ele me segura, pedindo que eu aguente só por mais um tempo até que ele me encontre no planeta que vim parar. E assim ele vem. Gemendo meu nome, desabando sobre o sofá e me levando com ele.


————


Vitor encara o teto. A luz da lua entrando pela claraboia e deixando ele mais confuso sobre o que tinha acabado de acontecer. Pressiona Paula sobre seu corpo e consegue sentir ela gemer, sorri com isso.


— Tudo bem?

— Onde fomos parar? — coloca a mão debaixo da camisa dele.

— Achei que você sabia!

— Você amou tanto minha camisola que nem tirou! — se endireita sobre o colo dele, de forma a vê-lo, e dessa vez fazendo ele gemer. Desculpa! — ri.

— Eu amo você. Amo seus seios — encara-os — Amor sua boca — passa o polegar pelos lábios dela. Amo principalmente quando ela está em mim… Mais precisamente lá para baixo! — riem.

— Eu fiquei preocupada — acaricia ele — de você não gostar… A primeira vez que tentei, você me interrompeu antes que eu terminasse.

— Pulinha… — se ajeita e coloca ela mais próximo. Eu tinha medo de você fazer isso para me agradar sem querer fazer, sem se sentir confortável. E sobre ser a primeira namorada a fazer, é verdade… Não vou mentir que nunca me fizeram, mas foram casos de uma noite. Agora ter isso em casa e de quem eu amo, é quase padecer no paraíso! — ri.

— Você é lindo! — o observa rir. Parece uma pintura ás vezes… — acaricia o rosto dele. Uma pela macia… — se aproxima mais dele e o beija.

— Podemos começar tudo de novo… — sorri entre o beijo.

— Pode ser depois do jantar…? Porque agora estou com fome! — sorri.

— Vou terminar para comermos! — ri.



Ele se veste sobre os olhares atentos dela. Paula se deita no sofá enquanto ele retorna para a cozinha e acende o forno novamente.


— Preciso de um banho… Quer vir?

— Não! Se eu for, já sei que não tomaremos banho e eu realmente estou com fome, preciso que termine esse jantar.

— Prometo que será só o banho! — ri. Se você continuar deitada vai acabar dormindo. Vem… — a pega no colo. Vamos!


Eles tomam banho e retornam à cozinha. Paula auxilia ele e finalizam o jantar, sentando na mesa principal para comerem.


— Que horas sairemos amanhã?

— Vamos de jato!

— Não íamos de carro?

— Estou cansado para dirigir, então vamos de jato.

— Chique! — ri. Obrigada por ter mandado um motorista de manhã.

— De nada. Não queria que se preocupasse onde colocar o carro ou que incomodasse alguém para te levar.

— Se vamos de jato, poderíamos levar sua mãe! — ri quando ele a encara.

— Já teremos duas crianças por lá. Você está com medo de ficar sozinha comigo? Porque não é possível…

— Tudo bem! — ri. Posso te perguntar uma coisa? E não quero que pareça interesse, é só curiosidade.

— Pode! — dá uma garfada no salmão.

— Quanto vocês tem cobrado por show?

— Por que eu ia achar que isso é interesse? — ri.

— Não sei! — ri. Só quis me certificar que você não vai me achar um interesseira.

— Ah… — limpa a boca — eu vou super te achar uma interesseira, Paula Fernandes. — riem. Depende muito o show e a logística para estarmos na cidade. Se ficar por nossa conta a despesa com pessoal, cobramos em média 700 mil. Se não ficar, cobramos 450 a 500. Estamos com 50 pessoas na estrada.

— É muita gente…

— Sim.

— E como funciona o investidores?

— Aí que está… Tivemos um problema com eles e agora assumimos a gestão da turnê. Então além da multa que estamos negociando, a gente arca com todo o resto.

— É coisa para caramba!

— É… Muita coisa! Mas, tem dado certo.

— Tem sócios? Empresários que vocês tenham que dividir o lucro?

— Dos shows em si, não mais. Só eu e Leo. Mas, tem a empresa que gerencia e lá tem, só que eu não faço parte.

— Da empresa?

— Sim. Uma das. Eu não sou sócio, só Leo e um amigo dele.

— E como funciona isso?

— Quando voltamos a cantar juntos, Leo já tinha esse sócio no Grupo Chaves. Eu tinha minhas próprias empresas… Até então não vi necessidade de pedir para fazer parte da do Leo. Estamos seguindo bem.

— Que bom! — sorri.

— E você? Como funciona as coisas?

— Da mesma forma. Tem um valor diferente quando arcamos com o pessoal. Mas, tenho empresários, então há divisão do lucro. Eu não vivo do dinheiro de shows e se vivesse eu estaria ferrada. As coisas não tem sido tão fáceis… Mas, já me estabilizei financeiramente. Se quiser parar de cantar, posso parar e meu padrão de vida não vai mudar. Mas, eu gosto de fazer isso, de me sentir útil de alguma forma.

— Isso é que importa! Por que tem empresários ainda?

— Não sei se tenho equipe suficiente e treinada para não ter mais. Não sei se quero tomar as rédeas de tudo sozinha. Eu estou bem cansada e só quero ir lá, fazer os shows, fazer minhas músicas e pronto. A burocracia não me agrada, ainda que eu saiba que se eu encarar a burocracia posso lucrar muito mais.

— Ás vezes lucrar mais não vale perder a paz.

— É isso que penso… Sobre o jato, é de vocês?

— Não! Alugamos. A turnê tinha prazo para acabar, não tinha sentido comprar um. Só que agora vai se estender, então estamos negociando. Mas, eu e Leo podemos usar para viagens particulares, desde que cada um arque com as despesas daí.

— Que não são poucas…

— Não! — ri. Mas, tudo bem. Podemos viajar mais confortáveis.

— Você ajuda sua mãe ainda?

— Sim! Ela, minha irmã, meu pai e uma tia.

— Que bom! — sorri.

— E você?

— Minha mãe e meu irmão cuidam da Jeito da Mato, cada um tem seu salário. Tenho uma empresa de imóveis, Nilmar ajuda a administrar. Já meu pai… É um caso sério.

— Ainda?

— Sim! — diz triste. Mas, não faço mais questão de procurar. Ele que me abandonou e se afastou.

— Entendo! Sinto muito por isso.

— Está tudo bem! Preciso te falar uma coisa… Eu comprei um apartamento, em Nova Lima. Está reformando.

— Paula, te falei que não precisava se incomodar com isso agora.

— Eu já estava vendo um, resolvi comprar lá. Bem de cara para as montanhas!

— Imagino que deve ser lindo!

— E é! — sorri. Quando formos pra BH, vou te levar lá para ver.

— O que você e minha mãe conversaram?

— Ela queria saber se já tínhamos conversado sobre morarmos juntos e que você disse que falamos sobre filhos, por isso entrou na conversa da vasectomia! — ri ao lembrar.

— Ela está me enchendo com isso…

— Ela falou! — ri. A minha também, me perguntou quando o bebê vai vir.

— Ela estão com medo de não termos?

— Acho que minha mãe está com pressa para ter um neto. Garanti a ela que mesmo que você largue de mim, vou pedir para me fazer um filho antes.

— Paula! — encara ela.

— O que? — ri. Estou falando sério… Faça um filho comigo antes de querer me largar.

— Conversa boba! — pega a taça de vinho. Você pode me largar, sabia? Aliás, você já me largou uma vez.

— Não te larguei! — pensa. Enfim…

— Não fica brava! — ri.

— Não estou! Mudando de assunto… Trouxe um presente pro bebê do Leo. Vou deixar com você e você entrega a ele.

— Que bom que você tocou nesse assunto… Leo me contou o que aconteceu entre vocês e do trato de vocês.

— Que? — fica perplexa.

— Pois é! Quantos anos vocês acharam que eu tinha? — ri. Claro que eu sabia desde o início que vocês estavam apenas se suportando.


Ele conta a conversa que teve com Leo e eles seguem jantando, falando da vida, de si mesmos e sobre coisas que gostariam que ocorresse quando tiverem um bebê, a educação, a criação, o uso de telas e até a alimentação. Organizam a cozinha e seguem para dormir, deixando a exaustão tomar conta.


Logo pela manhã, Paula se levanta primeiro, toma um banho demorado e ao terminar encontra ele acordado, sentado na cama.


— Bom dia! — sorri. O que está fazendo?

— Estava meditando!

— Já tentei muitas vezes, mas não consigo… Esse negócio de ficar um tempão em silêncio tentando me achar em alguma dimensão não é comigo. Prefiro viajar pelas dimensões de outra forma! — pisca para ele, que ri. Te trouxe um presente! — abre a mala e retira o embrulho de Vitor.

— Sério? — vai até ela. O que é?

— Abre! — se levanta e entrega a ele o embrulho.



Paula havia comprado dois discos de vinil do B.b King, um cantor de blues que ele ama ouvir. Quando ele vê do que se trata, olha incrédulo para ela.


— Eu amei! — sorri, emocionado.

— Eu vi que você não tinha esses dois…

— Vou ficar com vergonha de entregar meu presente a você…

— Você vai me dar um presente? — sorri.

— Está em Campinas o seu. Muito obrigado, pequena… — acaricia o rosto dela. Vou ouvir hoje ainda! — envolve as mãos na cintura dela, trazendo-a para mais perto. Amo você! — beija-a. Agora vou tomar um banho e depois tomamos café, ok?

— Te espero, mas não demora. Estou com fome!


O dia passa tranquilo na fazenda. Acompanham o trato dos cavalos, passeiam de bicicleta pelos pés de Ipê, atendem uma ligação de Maria, almoçam e logo pela tarde se organizam para pegar o voo. Edvaldo deixa eles no hangar e em poucas horas já estão em Campinas.