Anti-Heróis
29 Só Gostar Não Faz Feliz
Notas iniciais
Bella Swan
Não conseguia entender como Edward conseguia ser tão burro. Depois de tanto tempo, de um livro escrito que se tornou um sucesso, ele ainda conseguia dizer uma frase apenas com merdas que acabaram com o nosso encontro — ou o que quer que fosse aquilo em que estávamos metidos naquele restaurante. Ele com certeza não tinham noção alguma de que aquilo soaria como uma grande babaquice.
— Esse homem precisa de terapia. — Resmunguei.
— O que disse? — Tanya perguntou.
Eu havia enviado uma mensagem para a minha amiga, pedindo para ir até a sua casa para poder sair daquele encontro o mais rápido possível. Fui até lá e começava a perceber que passava mais tempo ali do que na minha própria casa.
— Nada. — Suspirei, esfregando o rosto e deitando a cabeça no encosto do sofá.
— Não quer mais pizza? — Voltou a perguntar, pegando mais um pedaço da pizza.
— Não. — Resmunguei e me deitei em sua perna, tocando o seu joelho e fechando os olhos. — Não derruba gordura no meu cabelo.
— Acredite, seu cabelo não tem como piorar. — Brincou e eu dei um tapa em sua pernas.
— Esse tanto de spray está acabando com o meu cabelo. — Reclamei.
— Quer que eu faça uma hidratação? — Perguntou, acariciando os meus fios com a mão limpa.
— Quero. — Fiz um pequeno bico e a olhei, vendo a mulher rir.
— OK. Deixa eu terminar minha pizza. — Pediu, bebendo um gole do seu refrigerante.
— Tudo bem. — Fingi reclamar e ela riu. — Ei, quer ir ao set de filmagens comigo amanhã?
— Eu... Posso? — Franziu o cenho.
— Claro. Não é nenhum segredo e você é minha melhor amiga. — Dei de ombros.
— Mas o seu chefe não é insuportável?
— Sim, mas ele está mais próximo agora. — Sorri e me levantei, sentando no sofá.
Não contei para Tanya sobre o aniversário que ele havia dado para mim, muito menos todo o resto. Ainda preferia continuar guardando o meu passado para mim e Zafrina. E sabia muito bem como Tanya levaria aquele gesto de modo errado.
— Oh! Talvez já possamos sugerir um ménage. — Tanya ergueu as sobrancelhas algumas vezes e eu joguei uma almofada nela. — Ei!
— Safada. — Me levantei e caminhei até a cozinha.
— Você adora! — Ela gritou e eu revirei os olhos.
Era verdade. Ser safada era um dos adjetivos que eu mais gostava na minha amiga.
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— Meu Deus do céu! Como? Como? — Eu gritei assim que entrei no meu camarim, sendo acompanhada por Tanya, que ria.
— Como o quê? Você ficou doida? O gostosão te elogiou. — Ela disse, se sentando no sofá.
— Exatamente! — Bufei, me sentando ao seu lado. — Como ele consegue?
— Ser tão gostoso? Também não s... Ai! Por que me beliscou? Está com ciúmes? — Ela ergueu as sobrancelhas sugestivamente.
— Sim. — Falei, vendo seus olhos se arregalarem em surpresa. — De você. — Pisquei e ela gargalhou, jogando a cabeça para trás.
Eu adorava provocar a minha amiga e sabia que ela também gostava. Me sentei no colo dela e passei a distribuir beijos por sua mandíbula, sentindo suas mãos em minha cintura enquanto ela ainda ria.
— Alguém pode entrar por aquela porta e nos pegar. — Alertou, apertando a minha bunda.
— Nossa, tomara. — Falei, mordiscando o lóbulo da sua orelha e ouvindo sua risada.
— Que safada. — Disse antes de procurar os meus lábios para um beijo sensual.
Não fazia muito tempo que havíamos transando e eu sabia dos perigos de tornar aquilo um hábito, mas não queria me conter. Nós tínhamos um combinado de sermos sempre amigas, como eu tinha com James — apesar de não transar mais com ele como fazia com Tanya. Eu poderia conversar com ela depois, no momento eu só queria curtir.
As mãos da loira passeavam por meu corpo e eu sorria entre o beijo, aprovando o gesto enquanto embrenhava meus dedos nos seus cabelos, meu quadril inquieto em suas coxas. Tanya passou a beijar o meu pescoço, levando os beijos pelo colo dos meus seios enquanto acariciava minhas coxas por dentro do vestido branco, percorrendo os dedos por minha pele em provocação.
— Não deixa nenhuma marca. — Pedi e ela sorriu com malícia. — Estou falando sério.
— Tudo bem, eu sei. — Resmungou.
Suas mãos abaixaram as alças do meu vestido e ela logo libertou o meus seios, apertando e acariciando os mamilos de maneira habilidosa. Seus lábios capturaram um deles, sugando longamente antes de passar a língua, circulando a auréola e voltando a sugar. Eu já me sentia completamente úmida e procurava pelo alívio através da fricção em seu colo. Quando ela passou a sugar o outro seio, uma de suas mãos foi para entre minhas pernas e tocou a minha buceta sobre a calcinha, fazendo com que eu soltasse um gemido baixo.
A loira começou a brincar com a língua em meu mamilo enquanto aplicava pressão no meu clítoris e me olhava sob os cílios. Choraminguei, inquieta e querendo que ela afastasse aquela calcinha de uma vez por todas, colocasse seus dedos em mim, que me fodesse como eu gostava, como ela sabia que eu gostava de ser fodida.
— Não vou me prolongar. — Falou, sugando cada um dos meus mamilos mais uma vez. — Você precisa relaxar.
— Obrigada. — Selei os nossos lábios.
Tanya subiu o meu vestido e abaixou a minha calcinha o máximo que conseguiu, tocando o meu clítoris duro e me fazendo gemer. Rebolei em seus dedos, procurando pelo alívio e ele nunca vinha. Eu precisava de mais, queria mais e ela sabia disso, por isso escorregou o dedo anelar e médio para dentro da minha buceta, que a recebeu sem problemas.
— Você está tão molhada. — Falou, mordiscando o meu mamilo.
— Você já transou consigo mesma, sabe que faz maravilhas. — Comentei e ela riu, me fazendo sorrir.
— Eu sou mesmo incrível.
— Agora me fode, mulher incrível. — Pedi, passando a me movimentar em seus dedos.
Com a mão livre, Tanya segurou o meu quadril para que eu ficasse parada e passou a movimentar os dedos dentro da minha buceta com rapidez. Eu tive que ser forte para não gemer alto e tomei os seus lábios nos meus, sentindo o seu polegar se movimentando em meu clítoris enquanto eu rebolava em seus dedos, que agora haviam diminuído da velocidade.
Me concentrei em beijá-la, saboreando os seus lábios, acariciando o seu rosto e sentindo os seus movimentos me deixando cada vez mais úmida. Quando seus dedos se curvaram dentro de mim e ela voltou se movimentar rapidamente, eu gemi contra os seus lábios, mordiscando o seu lábio por instinto e sentindo o seu sorriso em meio ao nosso beijo. Aquela mulher quase me matava de tanto tesão.
— Eu estou tão perto. — Anunciei em meio aos gemidos.
Tanya sorriu com malícia e voltou a abocanhar um dos meus seios, continuando a movimentar os dedos. Sua mão livre apertava e batia na minha bunda, fazendo com que o meu tesão crescesse. Queria ter os seus lábios nos meus, mas apenas mordi o lábio inferior com força para conter o gemido alto que queria escapar enquanto eu gozava em seus dedos.
Me segurei no encosto do sofá e na parede enquanto me recuperava. Estava ofegante e aliviada. Tanya sabia como me satisfazer. Olhei para ela, que ainda sugou os meus mamilos uma última vez antes de tirar os dedos de mim completamente, passando por entre os lábios da minha buceta antes de levar à sua boca.
— Eu quero. — Fiz um pequeno bico.
— Vem pegar. — Falou, tomando minha nuca na sua mão e me puxando para um beijo.
Ri entre o beijo, mas continuei beijando a mulher enquanto sentia meu gosto em seus lábios, o que era sensual para caralho.
Ouvimos um barulho na porta e nos viramos, vendo ela se entreabrir. Me levantei rapidamente, recolocando a minha roupa e indo checar se alguém estava ali, mas o corredor estava vazio. Fechei a porta, sentindo que conseguia respirar novamente e vendo a mulher tão assustada quanto eu.
— Isso foi assustador. — Soprou e eu assenti. — Acha que...
— Não vamos pensar nisso. — Engoli em seco e me aproximei da mesa onde ficavam comidas, pegando um pouco de água para nós duas. — Merda, acabei de ficar relaxada e já estou tensa de novo. — Murmurei, bebendo a água de uma só vez. — Não se tem um minuto de paz sendo Isabella Swan.
Tanya riu e balançou a cabeça em negação.
— Eu acho que foi só o vento. — Deu de ombros. — Têm mais alguma cena agora?
— Tenho mais uma e depois estou livre. Quer me esperar aqui? — Perguntei, checando a minha aparência.
— Tudo bem. — Assentiu. — Estou mesmo cansada. — Resmungou, me abraçando e deitando a cabeça em minhas costas.
— Acho que vou chamar Royal para dar um jeito em mim.
— O que tem eu? — Royal irrompeu pela porta e eu me virei com Tanya, completamente assustada.
— Você quer nos matar? — Perguntei, ofegante.
— O que estavam fazendo de errado, safadinhas? — Ele sorriu com malícia.
— Depende do que você entende por errado. — Tanya ergueu as sobrancelhas algumas vezes.
— Tanya! — Ralhei. — Nós estávamos conversando.
— Claro, Bella. Eu acredito. — Piscou para mim. — Agora sente aqui para que eu conserte a merda que Tanya fez em você.
A minha amiga gargalhou e eu revirei os olhos, me sentando na cadeira enquanto ela ia para o sofá com uma tigela de biscoitos. Não dava para esconder que havíamos acabado de transar: os meus lábios estavam inchados, eu estava corada e suada. Estava claro o que havia acontecido.
Não havia problema que Royal soubesse sobre nós, certo?
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Edward voltou a ser um babaca. Nada estava bom para ele durante aquela cena e nós tivemos que refazer pelo menos trinta vezes antes de Aro dar o dia por finalizado, percebendo o cansaço de todos. O escritor não tentou impedir e eu estava feliz por isso.
Pedi para que Tanya me deixasse em minha casa. Só queria dormir e não falar com ninguém, cansada das atitudes infantis que Edward vinha tendo. O que eu havia feito de errado além de trazê-lo para a minha vida?
Quando a minha amiga estacionou em frente à minha casa, eu soltei um longo suspiro e a vi me olhando. Engoli em seco e abaixei o volume do rádio, sabendo que deveria conversar com ela. Talvez aquele não fosse o momento perfeito, mas eu precisava saber se ainda éramos as mesmas de sempre.
— Está tudo bem?
Tanya franziu o cenho.
— Sobre?
— Nós... Ainda vale aquilo tudo sobre ser casual? — Mordi o lábio inferior.
Ela riu e apoiou as duas mãos no volante, olhando para a rua.
— Sim, Bella. Não se preocupe, eu não vou me apaixonar por você. — Seus olhos voltaram a encontrar os meus. — É só casual.
Fiquei olhando para ela, procurando algum vestígio de que estivesse mentindo, mas Tanya era uma atriz boa demais. Se estivesse mentindo, eu não saberia.
— Promete? — Pedi em um sussurro.
Tanya sorriu e se esticou, beijando o meu rosto.
— Boa noite, Bella. Obrigada pelo dia de hoje.
Olhei para ela por um momento, vendo a minha amiga aumentar o volume do rádio e então saí do carro. A nossa conversa estava finalizada, mas eu só estava me sentindo pior. Não queria perder a amizade dela, não queria que ela confundisse as coisas. Acima de James, ela era a minha única família, a pessoa em quem eu mais confiava — depois de Zafrina.
O seu carro sumiu pela rua enquanto eu olhava tudo apreensiva. E se eu estivesse estragado a nossa amizade? E se nunca mais pudéssemos ser as mesmas? Eu e minha maldita carência, me apegando à minha amiga para tentar voltar à superfície. Tanya não merecia isso.
Entrei em minha casa, sentindo vontade de chorar e gritar, com medo de perder Tanya. Será que eu deveria ceder? Será que eu deveria namorar com Tanya mesmo sem amá-la? Não, ela não merecia isso.
Eu sempre havia sido clara com ela sobre os meus sentimentos, mas sabia que as constantes transas e carinho que tínhamos uma pela outra poderia confundi-la. Deveria ter parado enquanto ainda era irreversível.
Mal percebi quando estava deitada no chão frio da sala, discando o número de Zafrina. Eu precisava se ajuda antes que meus pensamentos me sufocassem.
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