Anti-Heróis

28 Acostumado A Não Te Ter De Volta


Notas iniciais
Olá Crepusculetes! Queria começar agradecendo à Rayane Martins por ter favoritado a fic. Todas as interações são muito importantes para mim! O que estão achando da mudança do Edward, hm? Acham que essa relação passada pode ter futuro? Bom, vamos ao capítulo de hoje!

Edward Cullen

Irina ainda não havia voltado com os papéis e aquilo estava me deixando irado, porque eu queria resolver tudo o quanto antes. Mesmo meu advogado pressionando, parecia que ela estava fazendo de tudo para atrasar a minha vida. Maldita carência que me fez cair nos braços dessa megera uma segunda vez.

Estava decidido a conversar com Isabella. O clima entre nós estava mais calmo e aquilo me deixava mais confiante para pedir por uma conversa, para acertar nosso passado, presente e futuro.

Não sabia se aquilo significaria uma volta, principalmente por não saber se estava pronto para aquilo, não depois de tudo o que havia acontecido entre nós. No entanto estava claro o quanto eu sempre estaria ligado à ela quando eu a abracei em seu aniversário e quis ficar preso ali por horas. Mesmo depois de tudo o que ela havia feito para mim, eu ainda me sentia daquele jeito pela mulher.

Respirei fundo e esfreguei o rosto, decidido a me levantar e pegar um copo d'água. Seria mais um longo dia de gravações e Bella estaria lá, para a minha sorte. Lahote conseguia ser bem insuportável quando queria, mas a presença da mulher amenizava a minha vontade de estrangulá-lo a cada vez que queria mudar um traço do personagem que eu havia criado.

— Bom dia, filho. — Minha mãe apareceu na cozinha, tocou as minhas costas e beijou os meus cabelos. — Quase não o vejo mais.

— Mãe, eu moro aqui. Você me vê dormindo. — Pontuei, olhando para ela.

— Não é a mesma coisa. — Ela fez uma pequeno bico. — Já vai sair?

— Sim, vou comer na rua, não se preocupe.

— Tudo bem. — Suspirou longamente. — Serei apenas eu.

— E Alice? — Franzi o cenho.

— Passou a noite na casa de uma amiga depois de uma festa. — Contou.

— Amiga, sei... — Resmunguei.

— Edward...

— Só espero que esteja se prevenindo. — Me levantei.

— Cuide da sua vida, Edward. Você já tem problemas demais para querer cuidar dos problemas da sua irmã também. — Minha mãe disse com seriedade e eu arregalei os olhos na sua direção. — Bom trabalho. — Ficou na ponta dos pés e beijou o meu rosto. — E deixe sua irmã em paz.

Revirei os olhos e saí dali, decidido a ir trabalhar.

xxx

— Eu já disse para ele procurar um terapeuta. — Jasper comentou durante o almoço.

Nós havíamos decidido almoçar juntos e minha mãe achou que seria uma excelente ideia se juntar à nós com a minha irmã. Também convidei Royal, mas ele já tinha planos com Isabella, de quem ele tinha se aproximado muito desde que começaram a trabalhar juntos. Isso só provava que ela continuava a mesma mulher cativante que sempre foi.

— Você também. Quem aguenta aquela Maria? — Fiz uma careta.

Alice gargalhou e mamãe me repreendeu com o olhar. Elas também não gostavam de Maria justamente porque ela me afastava do meu melhor amigo.

— Não tem nada a ver uma coisa com a outra. — Jasper resmungou.

— Se até agora ele não matou Isabella, acho que está tudo bem. — Alice disse, bebendo um gole d'água.

— Eu não quero matá-la. Nunca quis. — Murmurei, fazendo desenhos desconexos na toalha da mesa.

— Não, você quer... Beijá-la. — Jasper brincou e eu o fuzilei, ouvindo minha irmã gargalhar.

— Eu sei o que você queria falar! — Ela apontou para o meu melhor amigo.

— Alice! — Esme arregalou os olhos para nós, então começamos a rir juntos. — Vocês são impossíveis!

— De qualquer modo, um terapeuta está fora de cogitação. — Falei, bebendo um gole do refrigerante.

— E o que pretende fazer? Por que trouxe Isabella de volta para as nossas vidas? — Minha irmã perguntou.

Eu a olhei por um momento, tentando achar uma resposta, mas apenas suspirando profundamente antes de dizer o que repetia para mim dia e noite:

— Quero acertar o nosso passado, só isso.

Todos me olharam, divididos entre a tensão e ansiedade. Entendia que estavam querendo saber meus próximos passos, mas nem eu mesmo sabia o que faria a partir dali.

— Irina assinou os papéis? — Minha mãe perguntou, mudando um pouco o assunto.

— Não. Não sei o que ela quer. — Fiz uma careta.

— Você deveria ter denunciado essa mulher por agressão.

— Alice, não comece. — Disse, revirando os olhos.

— É sério. Ela é maluca. Não sei do que ela é capaz. — Minha irmã se recostou na cadeira e cruzou os braços. — Jasper, diga ao seu amigo que ele casou com uma maluca.

Jasper se virou para mim e tocou o meu ombro.

— Você casou com uma mulher mais doida do que a Maria.

Alice riu do outro lado da mesa e minha mãe a acompanhou em um tom mais baixo.

— Alice, pare de rir tão alto. — Minha mãe a repreendeu. — Jasper, querido, pare de falar mal da sua namorada.

— Desculpe, senhora Cullen. Eu amo a Maria, mas ela mesma sabe que é doida. — Ele piscou para a minha mãe.

Minha irmã consertou a postura e pigarreou, parecendo incomodada. Eu sabia que ela gostava de Jasper, sempre esteve claro, mas minha irmã jamais atrapalharia o relacionamento do meu melhor amigo.

— Tudo bem, preciso ir. — Avisei, me levantando.

— Não vai ficar para a sobremesa? — Alice perguntou, me olhando com um pequeno bico.

— Não. — Coloquei uma nota de cem dólares em cima da mesa. — Obrigado por terem vindo.

Beijei o rosto da minha mãe e irmã, e apertei a mão de Jasper.

— Sem problemas. Da próxima vez nos convide para conhecer o as filmagens de Monstros. — Meu amigo sugeriu.

— E vocês me envergonharem?

— Edward! — Minha mãe ralhou.

— O quê? Qual a primeira coisa que fariam? — Ergui uma sobrancelha, cruzando os braços. — Exatamente, iam falar com Isabella. E sabe-se lá quais seriam suas reações!

— Ele tem um ponto. — Alice apontou na minha direção.

— Obrigado. Agora vou indo, estou atrasado. — Acenei e saí, deixando que eles falassem mal de mim durante o almoço que eu mesmo havia sugerido.

xxx

— Ótima gravação, pessoal! Por hoje é só! — Aro anunciou, se levantando.

— Tão cedo? — Perguntei, olhando o horário em meu celular.

— Estamos adiantados, garoto. — Marcus deu dois tapas em meu ombro e eu o fuzilei. — Você nos fez trabalhar o bastante para diminuir pelo menos meio mês de gravações.

— De nada. — Debochei e me levantei.

— Vá se divertir um pouco. A vida é muito curta para trabalhar tanto. — Aro piscou para mim.

Respirei fundo e me espreguicei, sentindo meus ossos estralando.

— Tudo bem, até amanhã.

Caminhei na direção dos camarins, decidido a descansar um pouco antes de voltar para casa. Talvez eu até mandasse uma mensagem para Jasper na esperança de que ele quisesse beber algo comigo, mas me vi parado em frente à porta de Isabella.

Será que aquele era o momento certo para convidá-la para conversar? Será que era agora que eu a chamava para uma conversa franca? E se eu nunca fizesse? Não conseguiria me imaginar com a dúvida do que poderia ter acontecido, por isso dei três toques na porta de maneira e esperei que ela abrisse.

Quando Isabella abriu a porta e colocou os olhos em mim, pareceu surpresa e segurou o roupão contra si com mais força, tentando tapar a pele do seu colo e se escondendo atrás da porta. Eu abri um pequeno sorriso e me recostei no batente da porta, cruzando os braços em frente ao corpo.

— Acho que eu já vi o que tem aí. — Sussurrei.

Ela arregalou os olhos, colocou a cabeça para fora, checando para saber se alguém ouvia a nossa conversa. Tocou a minha mão e me puxou para dentro do seu camarim, me pegando de surpresa ao trancar a porta. A mulher ainda continuava de costas enquanto amarrava a o seu roupão mais apertado e então se virou para mim, voltando a cruzar os braços em frente ao corpo.

— O que aconteceu? Vou ter mais alguma cena? — Perguntou.

— O quê? Ah, não. — Franzi o cenho e passei a mão pelos cabelos. — Queria saber se você quer tomar um drinque, conversar...

— Tudo bem. Quem vai? — Aceitou de pronto e eu arregalei os olhos, impressionado com a agilidade.

— Eu e você... — Soprei, engolindo em seco, vendo a confusão da mulher. — Escuta Isabella, eu quero conversar, acertar tudo entre nós, então se você tiver disposta...

— Tudo bem. — Me interrompeu, passando as mãos pelos cabelos. — Eu estarei pronta daqui a pouco.

— OK. Me encontra no meu carro? — Perguntei e ela assentiu. — Segundo subsolo.

Isabella assentiu e destrancou a porta, deixando que eu passasse para fora.

— Até daqui a pouco. — Disse antes de fechar a porta.

O que estava acontecendo? Eu sentia vontade de vomitar pela ansiedade. Tudo estava acontecendo como eu queria. Poderia me reconciliar com Isabella, talvez algum dia recomeçar com ela. OK, talvez eu estivesse me precipitando.

Respirei fundo e caminhei até o meu camarim, disposto a me acalmar antes de encontrá-la em meu carro.

xxx

Isabella não demorou a me encontrar, vestida em suas roupas casuais e com os cabelos soltos. Não usava mais do que um batom e eu não podia negar que ela estava muito bonita. O meu coração se acelerou lembrando dos tempos em que a via constantemente sem maquiagem.

Durante todo o caminho nós fomos apenas conversando sobre as músicas que tocavam na rádio e vez ou outra ela ficava mexendo no celular. Não demoramos a chegar no restaurante e eu pedi uma mesa onde pudéssemos ter alguma privacidade. Tanto eu quanto ela poderíamos ser reconhecidos e eu não queria nos trazer problemas.

O maître nos acompanhou pelo restaurante, nos levando até uma outra parte mais intimista. Ali tinham tendas, algumas já com cortinas fechadas, e nós poderíamos ter alguma privacidade. Entramos em uma delas, que abrigavam dois sofás, um de cada lado da mesa, com almofadas aconchegantes. A luz era baixa, mas nós poderíamos nos ver sem problema algum. Pequenas velas completavam o cenário em cima da mesa.

Nós nos sentamos um de cada lado da mesa e pegamos os cardápios que nos foram entregues. As cortinas da tenda foram fechadas enquanto nós começávamos a ver o cardápio.

— Já veio aqui? — Ela perguntou e eu a olhei, vendo que estava me olhando.

Engoli em seco e me recostei no sofá, sorrindo sem graça.

— Não. Pedi indicação para Jasper antes de você aparecer no carro. — Confessei.

— Oh. — Isabella ergueu as sobrancelhas e sorriu. — Como ele está?

— Está bem. — Assenti, deixando o cardápio de lado. — Agora ele mora com Maria, sua antiga chefe. Lembra?

— Claro! — Ela apontou para mim e arregalou os olhos. — Nossa, jamais poderia imaginar.

— Nem eu. — Eu ri e assenti.

Um garçom voltou, questionando sobre nossos pedidos e eu fui rápido, pedindo uma tábua de queijos e duas taças de vinho. Nossos cardápios foram recolhidos e eu vi a mulher me olhando com um sorriso no rosto.

— O que foi?

— Você sabia se eu queria isso? — Questionou, erguendo uma sobrancelha.

Senti meu estômago se revirar e o nervosismo tomar conta de mim.

— Me desculpe, eu...

Isabella tocou a minha mão por cima da mesa antes de falar:

— Tudo bem, eu não ligo. — Ela recolheu a mão e entrelaçou os dedos. — Na verdade, foi ótimo você ter escolhido porque eu estava com dúvidas cruéis.

— Que bom então. — Sorri e suspirei, olhando para a mulher enquanto ela analisava tudo dentro da tenda. — Vamos...

Ela me olhou e percebeu o que eu queria. Soltou um longo suspiro antes de dizer:

— Eu queria pedir desculpas, Edward. Por ter ido embora, por ter sido grosseira, por não querer ficar e resolver as coisas. — Bella passou as mãos pelos cabelos e se recostou no sofá. — Por ter escondido que estava com um olheiro no meu pé, por ter soltado todos os meus problemas em você e por ter sido imatura. Sei que tudo poderia ter sido tudo diferente se eu tivesse ficado, mas nós nos encontramos de qualquer modo. — Deu de ombros. — Acho que existe algo que precisamos resolver ainda nesta vida que não foi resolvido antes.

Fiquei olhando para ela e engoli em seco. Não poderia perder a oportunidade de continuar aquela conversa e não queria parecer idiota. Nossa tábua de queijos chegou junto com nossos vinhos e águas, e eu respirei fundo quando o garçom se foi.

— Também queria pedir desculpas por ter sido infantil e insensível na época. Principalmente por ter dado ouvidos ao babaca do meu pai. Eu devia tê-lo mandado à merda. — Eu ri e ela me acompanhou, bebericando do seu vinho em seguida. — Eu queria ter ficado e quem sabe não tivesse te perdido.

— "E se" são muito dolorosos, Edward. — Ela me interrompeu e eu vi que tinha os olhos marejados como os meus. — Nós seguimos nossas vidas, temos que lidar com as consequências das nossas decisões.

— É impossível não pensar no "e se". Aquele momento definiu as nossas vidas nos últimos anos. — Murmurei, bebericando da minha taça de vinho.

— Aprendi a controlar a dor da dúvida na terapia. — Contou e eu a olhei sob os cílios. — Você também faz terapia?

— Não. — Balancei a cabeça em negação. — Mas muita gente que eu conheço faz e gosta muito. Inclusive, me indicam sempre.

— Você devia fazer. — Bella sorriu e assentiu. — Acho que isso evitou muitos episódios de dor na minha vida.

— Vou procurar mais sobre isso. — Prometi.

Ficamos em silêncio por um momento, apenas comendo os queijos e bebendo nossos vinhos.

— Então... Acho que isso é uma trégua? — Perguntei.

— Por mim sim. E por você? — Me olhou sob os cílios.

— Claro. — Sorri. — Também queria pedir desculpar pelo modo como a tratei nos primeiros dias de gravação. Não faz ideia de como me senti culpado.

— Por que fazia aquilo? Quer dizer, você quis me escalar para o filme, certo?

— Quis. — Assenti e mordi o lábio inferior. — Era difícil. Uma coisa de ego ferido, sabe?

Bella assentiu.

— E o que mudou? Você vêm me tratando melhor nos últimos dias. — Franziu o cenho.

Eu ri e bebi um gole do meu vinho.

— É uma história engraçada. — Apontei para ela e peguei um pedaço do queijo. — Aro e Marcus ameaçaram acabar com o filme caso eu não me desse bem com você. Então eu decidi me resolver, porque eu queria mesmo fazer esse filme acontecer.

Ela arregalou os olhos e ergueu as sobrancelhas.

— Uau. — Assentiu e bebeu o resto do seu vinho.

Bella pegou o celular e digitou rapidamente, o silêncio prevalecendo na mesa por um momento.

— Escuta, eu preciso ir. — Disse, se levantando. — Nos vemos amanhã?

— O quê? Mas nós nem conversamos direito...

— Acho que foi uma ótima conversa. — Ela saiu da tenda e me deixou ali, sozinho e confuso.

Eu havia dito algo errado?

Notas finais
Hmmm Edward acerta e faz burrada no mesmo capítulo: entenda o caso. HAHAHHAHAHAHA E aí? O que estão achando? Não esqueçam de deixar seu comentário e até amanhã! ♥