Anti-Heróis

34 Tô Cuidando De Você


Notas iniciais
Olá, Crepusculete! Queria começar agradecendo à giovanna d que fez uma recomendação LINDA que me deixou apaixonada. Muito obrigada por esse carinho no coração! Além disso, obrigada à Fernanda Oliveira por marcar que está acompanhando a fic. Agora vamos ao capítulo! ♥

Edward Cullen

Eu já estava morando com Bella há uma semana e era menos complicado do que eu me lembrava. Agora éramos adultos formados, vividos e maduros então a convivência se tornava mais fácil.

Decidimos não contar que estávamos cometendo essa loucura ou poderíamos ouvir opiniões que não queríamos e que não estávamos preparados para ouvir. Nem mesmo minha mãe sabia onde eu estava, apenas a enrolei dizendo que estava pagando aluguel perto da Volturi Produções para que tivesse mais tempo de descanso.

Agora íamos trabalhar juntos já que não fazia sentido que ambos gastassem gasolina, mas também éramos discretos ao entrar e sair do carro, nunca o fazendo ao mesmo tempo ou quando havia alguém na garagem.

O clima entre nós melhorou muito e eu estava adorando. Bella se sentia confortável em falar sobre Tanya, mesmo que chorasse vez ou outra pela falta que a amiga fazia. Eu tentava distraí-la na maior parte do tempo, mas não de um jeito sexual. Pelo contrário, não havíamos voltado a nos beijar ou sequer mencionar o beijo e era melhor assim.

Não queria que Bella pensasse que eu estava ao seu lado para ajudá-la com segundas intenções, porque não estava. Eu queria que ela ficasse bem, queria garantir que ela estava bem, que estava se cuidando e foi um alívio saber que ela tinha uma terapeuta com quem poderia se consultar a hora que quisesse.

Eu a ajudava ao máximo, mas quando sabia que estava no limite, que não cabia mais a minha atuação, deixava que ela fosse à um cômodo da casa sozinha conversar com Zafrina. Quando voltava, recebia a mulher de rosto inchado pelo choro com chá e torradas.

Não havia recebido nenhum retorno sobre o meu divórcio, mas sabia que meu advogado ligaria a qualquer problema. Eu havia assinado os papéis e não tinha dúvidas de que Irina também assinaria, já que fora a mulher que pedira por aquilo.

Já estávamos nos fins das gravações daquela sexta-feira e eu fui até Bella quando sua cena terminou, vendo a mulher me receber com um sorriso.

— Você foi muito bem hoje. Parabéns! — Elogiei.

— Obrigada. — Sorriu. — O pessoal vai sair para tomar alguma coisa. Vamos?

Olhei para eles, todos felizes e animados, e voltei o meu olhar para Bella.

— Eu não sei... — Fiz uma careta.

— Por quê? Vamos, por favor. — Pediu com manha no tom de voz. — Vai ser divertido.

— OK. — Murmurei e a vi comemorar. — Preciso mesmo ficar de olho em você.

— Não venha regular minha bebida, Edward Cullen. — Apontou o indicador na minha direção.

— Não quero a estrela do meu filme de ressaca. — Falei, a acompanhando até o corredor dos camarins.

— Eu nunca fico de ressaca. — Ela disse e parou na porta do seu camarim, vendo que eu tinha os olhos semicerrados na sua direção. — É sério.

Eu ri.

— Vou parar de encher o seu saco. Até daqui a pouco? — Perguntei e ela assentiu.

— Me espere no seu carro. — Pediu e entrou no camarim, fechando a porta atrás de si.

Fui até o meu próprio camarim e peguei uma garrafa d'água no frigobar, sabendo que aquela noite poderia mudar tudo ou não acontecer nada. Mas eu estava com medo de que pudéssemos estragar tudo em qualquer cenário

Bebi toda a água e deixei a garrafa de água de lado. Eu tinha que manter o controle e não magoar Bella, porque apreciava a presença da garota, mesmo que fosse apenas como uma amiga. Tudo o que eu menos precisava naquele momento era afastá-la de mim.

O meu medo era completamente racional, nós já havíamos testado no passado e não funcionávamos bem em relacionamentos monogâmicos. Apesar de tantos anos se passarem, temia que não tivéssemos amadurecido o bastante para levar um relacionamento adiante.

Talvez eu estivesse me precipitando. Era melhor eu me acalmar e apenas me divertir com o pessoal. Tudo ficaria bem, certo?

xxx

Nós havíamos pego o camarote em uma balada que não ficava longe da Volturi Produções. Um dos câmeras havia indicado e parecia ser boa, mas não tão divertida. A verdade é que eu não gostava tanto de músicas eletrônicas e, depois da terceira garrafa d'água, começava a ficar com dor de cabeça.

— Edward! — Ouvi Royal me chamar. — Vamos nos divertir! Venha! — Ele chamou, esticando as mãos na minha direção.

— Estou bem. — Sorri, bebendo o resto da minha água. — Vou ao banheiro.

— Quando voltar, quero você dançando conosco! — Falou, me seguindo. — Não é porque escolheu ser o motorista que tem que ser chato.

Revirei os olhos e ri, entrando no banheiro e indo até uma das cabines.

Eu havia escolhido ser o motorista justamente porque queria cuidar de Bella, que já estava na segunda taça de gim-tônica. Mesmo que estivesse dividindo com Royal, ainda me preocupava com a saúde de Bella.

Talvez eu devesse parar de ser chato e deixar a garota se divertir um pouco.

Saí do banheiro logo depois de higienizar as mãos e fui até o grupo animado. Todos dançavam e cantavam uma música pop que havia sido colocada em meio à batida eletrônica. Tentei ignorar uma movimentação no canto esquerdo, mas podia jurar que havia visto cocaína circulando entre alguns. Bella não estava entre eles para o meu alívio.

— Edward, você precisa provar essa gim-tônica! — Ela disse, me entregando a taça.

— Não posso. Vou dirigir, lembra? — Devolvi a taça e ela fez um pequeno bico extremamente tentador. — Vai experimentar todos os gim-tônica do cardápio? — Provoquei.

Bella revirou os olhos e eu ri.

— Quer parar de ser chato?

— Não consigo. — Disse, ainda rindo, e ela me empurrou com o ombro.

Royal pegou a taça da mão da garota e ela começou a dançar com ele. Um dos atores secundários me chamou para uma conversa e eu me distraí por um momento enquanto falava com ele.

Quando a conversa chegou ao fim e eu alcancei outra garrafa d'água, me virei para procurar por Bella e encontrei uma cena que não gostei nada de ver: Paul estava analisando Bella e comentando com alguns outros garotos que faziam parte da produção do filme. Não demorou meio segundo para ele se aproximar da garota e a segurar pela cintura, esfregando o seu quadril na bunda dela.

Eu estava em alerta, mas não fazia ideia sobre o quanto ela aprovaria aquele gesto. Como eu esperava, Bella se virou para ele furiosa e apontou o indicador na sua direção. Ele voltou a colocar as mãos na cintura dela, mas a mulher se afastou mais um passo, tirando as mãos do homem de si. Eu me aproximei, incapaz de continuar assistindo àquilo quieto.

— Está tudo bem por aqui? — Perguntei, olhando de um para o outro.

— Tudo ótimo, senhor Cullen. — Paul disse, abrindo um sorriso malicioso enquanto ainda mantinha os olhos sobre a morena. — Nos vemos por aí, Bella. Obrigado pela dança. — Piscou antes de se afastar.

Bella rosnou e colocou as mãos no rosto.

— Babaca. — Royal falou atrás de nós.

— Quer ir pra casa? — Perguntei para Bella, tocando o seu braço na altura do seu ombro e procurando o seu olhar. — Bella?

Ela ergueu o rosto e vi seus olhos marejados.

— Vamos embora. — Pedi e ela engoliu em seco antes de assentir.

Entreguei à Bella a garrafa de água que tinha em mãos e me virei para Royal.

— Vou levá-la embora. — Peguei a carteira no bolso da calça e tirar uma nota de cem dólares. — Para vocês voltarem para casa de táxi.

— Edward, não...

— Só aceita. Eu prometi que os levaria para casa e estou quebrando a promessa, nada mais justo. — Estiquei a nota na sua direção e, depois de pensar por um momento, ele aceitou a nota de bom grado.

— Obrigado, Edward. Cuide bem dela. — Pediu e eu assenti.

— Cuidarei. — Garanti e olhei para Bella. — Vamos?

Ela assentiu e pegou a sua bolsa. Nós saímos dali sem nos despedirmos de ninguém além de Royal. Não queríamos chamar a atenção, principalmente porque não queríamos explicar sobre o porquê estávamos indo para casa tão cedo.

Nos mantivemos próximos do caixa assim que pagamos pelo que consumimos enquanto esperávamos pelo carro do manobrista. Sabia que, por estarmos com famosos ali dentro, as notícias corriam e deveriam ter alguns paparazzis esperando por nós do lado de fora.

Não fazia ideia se Bella queria ser abraçada, se ela queria o toque de um homem depois de ser assediada, por isso me mantive a uma distância segura enquanto a observava mexer no celular, digitando freneticamente o que parecia ser uma mensagem — talvez para James ou Tanya.

— Senhor Cullen? — Um dos seguranças da balada me chamou. — O carro está pronto para vocês.

— E a imprensa? — Perguntei.

— Controlada. A senhorita Swan pode ir na frente, estamos preparados.

— OK. — Assenti e me virei para ela. — Nos vemos no carro.

Ela concordou e se encolheu nos braços do enorme segurança. Eu pude ouvir pessoas gritando o seu nome e perguntas, querendo chegar perto da mulher. As câmeras a fotografavam sem parar e eu não imaginava como deveria estar sendo uma merda toda aquela situação para ela.

Quando começou a entrar no carro, foi a minha vez de correr para lá, ouvindo o meu nome, que estava popular pelo sucesso do livro e do filme, ser gritado e fotos sendo tiradas enquanto eu me abaixava, tentando esconder o meu rosto. Entrei no banco do motorista, sendo ajudado pelos seguranças, e tendo dificuldade para avançar enquanto acelerava na direção dos paparazzi.

— Inferno! — Buzinei e voltei a avançar, conseguindo espaço e cantando pneus pelas ruas de Nova York.

Tentei prestar a atenção no que fazia enquanto fugia dos paparazzis que nos seguiam nos seus carros. Para a nossa sorte, Bella não morava muito longe dali e estávamos seguros quando entramos no condomínio, deixando a imprensa para trás.

Quando estacionei o carro na sua garagem, precisei de um minuto para respirar, esperando a adrenalina baixar. Me virei para Bella quando me senti mais calmo e vi o seu olhar atento sobre mim.

— Você está bem? — Perguntei.

— Sim. — Assentiu. — E você? Tudo bem?

— Tudo bem. Vamos entrar? Vou fazer um chá para ficarmos mais calmos.

Bella concordou e nós saímos do carro, caminhando para dentro da casa e indo até a cozinha. Enquanto eu colocava a água para ferver, ela pegava os saquinhos de chá prontos e os colocava dentro das xícaras. Nós nos sentamos nas cadeiras da bancada, ela apoiando os cotovelos ali e o rosto nas mãos enquanto eu a olhava, esperando a água ferver na chaleira.

— Bella? — Chamei e ela me olhou. — Vou demitir o Paul.

— Edward, não. — Bella endireitou o corpo de imediato e arregalou os olhos na minha direção. — Se isso é pelo assédio, eu...

— Claro que é pelo assédio, Isabella. — Falei com seriedade e ela se calou. — Ele acha que vai fazer isso e sair ileso?

— Edward, nós já estamos quase na metade do filme, está tudo bem...

— Não está tudo bem, Bella. — A interrompi. — Eu não vou permitir que homem nenhum te toque sem a sua permissão.

Ela choramingou e respirou fundo.

— Eu estou me sentindo um lixo, só quero tomar um banho e tirar a sensação das mãos dele em meu corpo. — Seu rosto se afundou em suas mãos e eu a abracei para mim, beijando os seus cabelos. — Eu entendo e acho que você tem toda a razão, mas isso vai estragar tudo.

— Bella, eu não me importo de atrasar gravações, quebrar contratos, fazer Aro perder a paciência. — Segurei o seu rosto entre minhas mãos e olhei em seus olhos. — Eu não vou deixar mais esse homem perto de você.

— Edward, todos eles são assim. — Ela soprou e eu vi seus olhos marejarem. Imaginei com quantos babacas ela teria contracenado nesses cinco anos e quis socar o rosto de cada um deles. — Puna ele de algum modo. Abaixe o salário, seja rude como ele como você era comigo no início, mas não tome uma medida tão drástica.

Por que ela deixou de ser tão egoísta? Eu não me lembrava de Bella pensar tanto nela mesma. Para mim, só existia a Bella que me deixou sem pensar duas vezes. Mas ela era diferente, sempre se colocando em segundo plano e pensando no bem estar daqueles de quem gostava. Era algo dela e imaginava o quanto doía quando fazia o contrário.

Ficamos nos olhando por um momento, nossos rostos próximos e o silêncio prevalecendo entre nós, apenas o som das nossas respirações preenchendo o ambiente. Seus olhos foram para os meus lábios e os meus, traidores, fizeram o mesmo caminho até os delas antes de voltar aos seus olhos, vendo os castanhos chocolate brilharem em excitação na minha direção.

— Você é tão teimosa. — Eu sussurrei.

— Eu sei. — Soprou meio segundo antes de beijar os meus lábios.

Notas finais
Eita hahahahha E aí? O que acharam? Não esqueçam de deixar o seu comentário e até sexta ;)