Antes que o Verão Acabe
1 Meu nome é Rosie Crawford
Notas iniciais
— Mas Rosie... Flor do dia.. papai bajulou
— Pai! Para com isso, eu não sou mais aquela menininha de Woodstock. Não sou mais criança, tá bom? berrei, eu já não aguento mais ele me tratando feito uma criancinha de sete anos. Eu vou nessa festa e ponto. Nada que você fale vai mudar isso. E se me trancar, eu fujo. Não aguento mais um minuto nessa casa com vocês dois! fiz cara de nojo ao me direcionar a Katie, a nova namorada de meu pai. Eu nunca vou aceitar vê-lo com mais ninguém. E se essa mulher pensa que vai substituir minha mãe, ela tá muito enganada. Ouvi a buzina do carro de Margo lá fora e peguei a bolsa que eu mesma joguei no chão em algum dos muitos momentos de raiva que passei nos últimos minutos. Meu pai tentava me prender em casa. Pra que? Eu realmente não sei. Depois que mamãe morreu verão passado, essa era a única forma que eu tinha de esquecer tudo. Vou a todas as festas que posso. Bebo além da conta. Às vezes paro na delegacia, mas não por alguma coisa tão séria. E tenho todos os garotos que eu quero, e quando quero. Mas a atenção de meu pai que antes era toda minha, isso eu só consigo quando tenho todas essas outras coisas. Depois que ele conheceu Katie no trabalho, sinto que tenho que competir pela atenção dele, e se ele não presta atenção em mim pelas coisas boas que eu faço, como ser a melhor aluna da classe, ele tem que prestar pelas ruins, festas, baladas, bebedeiras, garotos, polícia, com tudo isso eu tenho toda atenção que quero. Mas cada vez mais meu pai se apaixona por Katie, e cada vez mais fica difícil de competir com ela, as coisas que eu ando aprontando já não estão sendo o bastante, o que quer dizer que devo aumentar a dose. Antes que meu pai falasse mais alguma coisa, sai pela porta e bati a mesma com força. Pulei no banco carona do maserati sem nem mesmo abrir a porta, liguei o som bem auto e quando vi que meu pai e Katie me olhavam da varanda de casa, joguei um beijinho e dei tchau, como se fosse um sinal, Margo acelerou e saiu dali cantando pneus.
— Finalmente livre daquele inferno. eu disse e Margo riu.
— Você ainda vai deixar seu pai doido!
— Essa é a intenção dei um sorriso maldoso. Margo mais do que ninguém entendia a minha situação, é a minha melhor amiga desde o primeiro ano. Quando minha mãe morreu, era a única que fazia as piadas mais idiotas para tentar me fazer rir. E o mais importante, ela sempre me ajudava a aprontar contra Katie. Foda-se aquela vadia! Nova York é nossa! gritei deixando a música me levar e levantei as mãos sentindo o vento quente. A noite estava ótima pra fazer tudo o que eu quisesse. Peguei as identidades falsas e descemos do carro para comprar bebidas. A moça olhou pra mim, depois pra Margo, depois chegou as identidades duas vezes, e só quando fiz uma cara ruim ela passou o cartão de crédito na maldita máquina. Assim que colocamos os pés pra fora dali, caímos na gargalhada.
— Ei!!! ouvi alguém gritar atrás de nós.
— Puta que pariu! falei ao olhar pra moça do caixa que vinha em passos largos atrás de nós, olhei pra Margo e saímos correndo pelo estacionamento com a moça e agora um segurança atrás de nós. Pulamos por cima das portas do carro ainda fechadas e joguei a sacola com as bebidas no banco de trás. Os dois estavam bem perto. E então quando Margo finalmente ligou o carro mostrei os dois dedos do meio pra eles, e comecei a rir, saímos dali as pressas e quando já estávamos na avenida dei um "bate aqui" com Margo e começamos a rir muito, muito mesmo.
— E ai? Que vidas vamos destruir hoje? falei com um tanto de maldade entoado quando chegamos a porta da casa de Elliot, meu melhor amigo, tão malvado quanto eu. Margo riu e inclinou a cabeça para Julian e Emma, Julian já tinha dado em cima de mim muitas vezes, e mesmo depois de começar a namorar Emma, eu notava seus olhares maldosos quando me via pelos corredores da escola.
— Boa, Julian não é de se jogar fora eu disse ao reparar em seus cabelos negros arrumados em um topete meio bagunçado, os olhos azuis o deixavam mais ainda atraente, mas o que realmente chamava atenção nele, eram seus músculos bem definidos. Avistei Elliot sentado em uma das poltronas. Olhe e aprenda. falei tentando ser mais alta que a música eletrônica que tocava na festa. Puxei o vestido preto colado mais para cima, joguei o cabelo pro lado deixando meu pescoço a mostra e passei pelo casal bem lentamente. Me sentei no colo de Elliot bem devagar e cruzei as pernas.
— Você não vale nada! ele disse rindo Emma quase te derrubou com os olhos, assim como Julian, mas ele, você sabe, foi de uma forma diferente.
— Meus valores foram enterrados junto com minha mãe baby. Meu pai não desgruda daquela vaca! Não tenho mais a quem dever respeito. E não venha me dizer que isso tudo é só pra chamar atenção, por favor! ele riu e me lançou um olhar de "eu sei que to certo" Olhei para os lados e nada de Margo, provavelmente ela já estava com alguém por ai. Me levantei e fui até a mesa do Dj, pedi que tocasse uma música e mesmo tendo pouca gente dançando, fui para o meio da pista e dei o meu show. Em poucos minutos todo mundo já tinha se juntado a mim, uns dançavam, outros comentavam, e outros apenas admiravam. Elliot se encostou na parede e balançou a cabeça pros lados com um sorriso no rosto. Fui até ele e o puxei pra pista, afinal o dono da festa não podia ficar de fora. Notei que Julian me olhava de cima a baixo. Em poucos minutos Margo estava no meio da bagunça também, dançando grudada em um dos garotos do time de basebol. Ótimo. A festa estava bombando, e tudo graças a mim, mais uma vez claro. Só faltava uma coisa... Vi Emma indo em direção ao ponche e caminhei até Julian devagar, sempre esperando o momento certo. E então quando ela finalmente se virou, me pegou no maior beijo com o namoradinho perfeito que ela achava que tinha. Me desgrudei de Julian e comecei a rir. A bebida com certeza já tinha me afetado. Olhei para Margo que bateu palmas e fez uma pequena referência. Elliot, que estava agarrado com uma líder de torcida, começou a rir e então vi Emma vindo em minha direção.
— Eu não acredito que você fez isso! Sua vadia! senti o rosto arder do tapa que ela me deu e notei o silêncio que se fazia desde então. Julian deu uma risada bem alta, se achando por ter sido o motivo disso. Derramei o resto da minha bebida nela e sai dali, eu mereci o tapa, mas Julian merecia mais que isso. Uma coisa é certa: Isso não vai ficar assim. Peguei um dos abridores de garrafas de perto de Margo e fiz sinal para que ela me acompanhasse. Avistei o carro de Julian de longe. E em poucos minutos ele estava com um "canalha" enorme estampado no capô. Peguei um guardanapo e escrevi de batom vermelho: "Isso é pra você aprender, idiota." Voltei pra festa e fiquei tão bêbada que só vi algo com nitidez quando as sirenes da polícia estavam bem perto. Festa com menores bebendo. Todo mundo tava ferrado. Mas no final, só Elliot, Margo e eu fomos parar na delegacia, por sermos os "idealizadores"
Levamos algumas broncas da polícia, e só fomos todos liberados para esperar nossos pais em uma sala depois de algumas ligações, nós três juntos rimos muito da situação. Eu não me arrependia de nada mesmo. Margo foi embora primeiro, depois Elliot e eu fiquei esperando por horas. Recebi uma mensagem de texto de meu pai explicando que ele havia ido deixar Katie em casa primeiro, já que a casa dela era no caminho e que ele não queria que ela me visse desse jeito. Mais uma vez, um a zero pra ela. Já eram quatro da manhã quando meu pai resolveu aparecer. A essa altura eu já estava bem descabelada, com o vestido mais curto do que realmente é e os saltos altos na mão.
— Não quero falar sobre isso. Por favor. balbuciei ainda bêbada ao bater a porta do carro.
— Eu não vou dizer mais nada! meu pai berrou ao dar partida no carro Eu te dou tudo! Tudo o que você quer Rosie! O que mais eu vou precisar fazer?
— Talvez me dar atenção ao invés de fazer tudo o que a maldita Katie quer, fosse uma boa não é mesmo? gritei, acabei ficando tonta, e antes de ouvir o que ele tinha pra dizer, tudo apagou.
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