Antes dos Dezenove Anos depois

24 Capítulo 24- Vida em família.


Notas iniciais
Obrigado de coração as 11 pessoas lindas da minha vida: John, Sonhadora, Ree, Gah, Polly, Clarinha (a capinha da outra fic ficou perfeita), Ju, Jooy, Giovanna, Melzita, e jaque, vocês são demais... Apreciem e comentem, tá acabando, só mais um e o epílogo... Prestem atenção nesse capítulo, se eu resolver fazer uma continuação, ele será importante...

Pov. Ginna

Eu sempre me surpreendia quando entrava no quarto de Tiago, e o via dormindo tranqüilo sobre o peito do pai, eles eram tão parecidos, tirando os olhos é claro, meu pequenino herdara essa característica de mim, talvez a única revelada por enquanto, seus grossos cabelos eram pretos e abundantes, a pele era idêntica a de Harry, nem uma mínima sardinha dos Weasleys dava o ar da graça naquele rostinho perfeito, ele era nossa alegria agora.

Sua integração com o pai era algo prazeroso de se ver, ele raramente dispensava o colo de meu marido, a não ser é claro, quando a fome e a manha, falavam mais alto, se não fosse por isso eu podia jurar que ele sobreviveria tranquilamente só com o pai, sem precisar de mim, e ao contrário do que outras pessoas possam pensar, eu não me incomodo com isso, eu acho incrível.

Todas as vezes que Tiago chora a noite é Harry quem vai buscá-lo para mim, ele vem almoçar todos os dias, pra poder aproveitar cada instante livre com nosso menino, ele faz questão de chegar todo dia de tarde e dar o banho, ele que o nina a noite antes dele pegar no sono, ele que o sustenta nos braços nos sábados e domingos, que como ele diz são meus dias de folga, ele me surpreende cada dia mais, eu esperava que ele fosse um pai presente, mas ele estava me saindo melhor que encomenda.

Tiago o adora, ele com seus 11 meses, parece ter gravado em seu relógio biológico todos os horários do pai, e quando ele se atrasa, é um Deus nos acuda, ele fica enjoadinho e resmungão, Harry se diverti,.... Diz que ele parece o Monstro quando começa a choramingar, têm dias que a situação é até irritante, quando ele se atrasa e Tiago começa, eu vou com ele para o jardim, para esperar Harry, e quando ele o vê, sem paciência nenhuma ele abre as mãozinhas e estica os bracinhos, para que meu marido o pegue, às vezes nem temos tempo de dizer um “oi”, um, para o outro.

Meu pai fica meio enciumado, pois segundo ele seu primeiro neto homem, nem faz questão dele, mamãe é como eu, não se importa, só quem presenciou todo sofrimento de Harry na vida, poderia entender, que ele mais que ninguém merece isso.

Aproximei calmamente deles e tentei retirar Tiago de seus braços, ele instintivamente prendeu mais nosso filho ao peito e abriu os olhos ofegantes...

_ É você Gin..., que susto.

Voltei a estender as mãos para meu pequeno e o peguei nos braços, colocando-o no berço.

_ Vamos para o quarto você precisa descansar....

Ele olhou mais uma vez para o berço, tirou a varinha do bolso e como faz todas as noites e lançou um feitiço de proteção sobre ele, eu não precisava perguntar para saber que aquilo era só mais um gesto protetor de um pai, não,... Na verdade aquilo era mais uma medida de segurança, se algo acontece a nós, nosso filho estaria seguro, exatamente como aconteceu com ele, quando se olha de fora pode parecer paranóico, mas quando se olha pelo lado de que Tiago seria um alvo fácil, para se pegar o melhor auror do ministério, prevenir era sempre melhor que remediar.

Entrei com ele no quarto e já fui levando-o para o banheiro, fui tirando sua gravata e desabotoando sua camisa, ele estava tenso, o cansaço da semana era evidente em seus músculos dos ombros.

_ Temos um almoço de família amanhã...

Ele suspirou...

_ Eu achei que agente ia descansar.

_ Ah Harry não faz essa cara,... Você ficou mofando o dia todo hoje e amanhã é domingo,... Você sabe tradição de família.

Ele tirou o restante de suas roupas sozinho e entrou no chuveiro.

_ Desfaz esse bico, tá parecendo o Tiago, eu não quero brigar.

Ele fechou os olhos e enfiou a cabeça debaixo d’água, aproveitei sua distração, me desfiz de minhas roupas e entrei também no chuveiro, me pus a suas costas e deslizei minhas mãos sobre seus ombros, se eu queria conseguir alguma coisa dele, essa era a hora.

_ Vai amor,... É importante, você sabe, meu pai faz questão,...

Ele tombou a cabeça para trás se aproveitando da minha massagem.

_ Tiago vai ficar cansado...

Eu apertei um pouco mais nos ombros, o fazendo gemer...

_ Ora seu Potter covarde, não use seu filho.

Ele esboçou um sorriso pequeno.

_ Tá bom deixe-me reformular a minha desculpa. O pai do Tiago vai ficar cansado...

Voltei a tocá-lo com carinho...

_ A mãe do Tiago promete, descansar o papai depois...

Ele virou-se abruptamente e me segurou pela cintura.

_ Porque será senhora Potter que eu não consigo acreditar nessas suas palavras, e desde quando você me descansa? Muito pelo contrário, você me deixa prazerosamente exausto.

Eu não tive tempo nem de retrucar meu marido, minha boca foi invadida pela dele, e logo eu já estava aninhada em nossa cama, e uma certeza eu tinha, Harry acordaria, bem pior do que adormeceria.

Pov. Harry

O choro alto e forte de meu filho no quarto ao lado me despertou naquela manhã, tentei saí de fininho para não acordar e Gina, e assim que me filho me viu, as coisas só pioraram, ele fez um biquinho de luxo, e dobrou a intensidade do choro.

_ Ei filho, onde é o incêndio? Eu já estou aqui, você pode parar de fazer manha agora.

Peguei-o no colo e ele ainda soltou uns soluços, mas logo que entrei com ele no banheiro ele se calou, se tinha uma coisa que acalmava Tiago e o fazia esquecer momentaneamente que Gina era melhor do que eu, era um bom banho, todas as vezes que eu me via em apuros com ele, era isso que eu fazia, corria pro chuveiro.

Depois de acalmá-lo, fui com ele para cozinha, sentei-o em sua cadeirinha e preparei para nós um belo café da manha, Gina não tinha o costume de tomar leite, mas eu tinha, e claro ensinei para meu filho, com 11 meses de vida Tiago comia praticamente de tudo, já conseguia balbuciar algumas palavras e já dava seus passinhos desajeitados, apesar de que essa parte estava mais lenta, e eu acho que devido ao trauma,... Ah sim,... O trauma,... Estávamos sentados no jardim dos Weasleys numa tarde de domingo e Jorge me fez o favor de pegar meu filho de mim, e ensiná-lo a andar, no começo foi até bem, mas depois,... Meu cunhado sem juízo soltou-lhe as mãozinhas, e ele caiu batendo e testa no chão, meu pequeno se assustou tanto, nunca tivemos tanto trabalho para acalmá-lo e depois desse dia ele regrediu, se recusava a ir para o chão, e nem engatinhar queria mais.

Com muita paciência Gina foi o convencendo, e agora ele já está dando uns passinhos sozinho.

Eu tento ser um pai presente, mas não sei se estou me saindo bem, meu filho me adora isso é verdade, mas eu acho que isso é natural de filho. Todas as noites quando coloco Tiago para dormir, meu coração se aperta, ele é tão pequeno, tão frágil, eu tento do jeito que posso afastá-lo de todo perigo, mas eu sei que é impossível, a primeira vez que vi o rostinho dele com apenas alguns dias de vida estampado na primeira página do Profeta Diário, eu quis matar Rita Skeet, ela estava expondo-o para quem quisesse ver, e nós temos consciência de que ainda existem bruxos das trevas, que dariam de um tudo para colocar suas mãos em meu filho.

Então eu tento o que posso para mantê-lo seguro.

_ Bom dia...

Mãos pequenas e quentes repousaram em meu peito.

_ Mama...

O som da mamadeira sendo jogada ao chão, de tanta empolgação, fez se ouvir na cozinha.

_ Obrigado pela consideração em filho, eu te dou banho, te preparo o leite, e você faz festa é pra ela.

_ Ah Harry! Ciúmes há essa hora, não tá.

_ Você fala isso por que não foi você quem foi acordada pela nona sinfonia de Beethoven.

Minha esposa gargalhou em meu ombro, e foi ao encontro de meu filho.

_ Vem com a mamãe bebê, o papai tá muito rabugento hoje.

Dei uma espiada básica em Gina, o vestido branco que ela teimava em usar, parecia um pouco mais justo hoje, ela estava tentadoramente bonita.

_ Vá se vestir, eu quero chegar cedo e ajudar mamãe, você sabe muito bem que as noras dela não fazem isso, tirando Hermione é claro, se não fosse eu e ela, mamãe estaria enrolada.

Virei às costas e já no meio das escadas gritei para ela.

_ Eu ainda não disse que vou...

_ Ah vai sim. Você não vai estragar a surpresa.

Parei e olhei para ela.

_ Que surpresa?

Ela riu da minha cara.

_ Se eu te contar não vai ser surpresa, e a propósito serão duas surpresas... Ande logo, estou esperando.

Como em minha casa é “manda quem pode e obedece quem tem juízo”, em menos de cinco minutos já estávamos no carro, descendo a colina, rumo à casa de meus sogros, comprar um carro foi mais uma precisão, do que um capricho, nós não podíamos aparatar com Tiago, e as viagens com Pó de Flu, nunca foram as minhas favoritas, então o carro foi à solução.

Estacionei a frente da casa, e assim que descemos meu filho, já esticou os bracinhos para mim.

_ Papa...

Peguei-o e aconcheguei Gina ao meu lado com minha outra mão.

Fomos recebidos por uma sogra eufórica.

_ Que bom que chegaram. Hum! Cadê o netinho lindo da vovó?

Tiago riu e mostrou as covinhas para minha sogra, mas quando ela estendeu os braços para pegá-lo, ele fez que não com a cabeça, riu, e apertou as mãozinhas em meu pescoço.

_ O bichinho do mato chegou?

_ Jorge!

Bem feito, levou um tapa da mãe e um da irmã.

_ Entre meus filhos, como vocês têm passado?

Artur nos cumprimentou, e já nos levou direto ao jardim, onde a mesa do almoço já estava colocada.

_ Vou ajudar a mamãe tá? Cuide dele, qualquer coisa, grita.

Minha Gina era uma piada. Dei-lhe eu selinho, e a vi se afastar, me deliciando com o deslizar de suas pernocas de fora.

_ Ei! Pare de encarar minha irmã, como se ela fosse um pedaço de carne.

Jorge cutucou meu braço e eu não segurei a risada.

_ Mas ela é um pedaço de carne, e que carne, Jorge.

Ele bufou ao meu lado, e nós demos início a nossas conversas fúteis de fim de semana, quadribol, trabalho, novas apreensões do ministério, novas criações de Jorge.

Logo Ronny chegou e se junto a nós, ele parecia diferente, mais feliz, eu não sei por que, mas ele não estava normal. Tiago de novo fez hora com a cara de todos eles, se recusando a ir com qualquer um que fosse.

_ Seu filho é muito mimado Harry.

Sempre que Percy começava, eu contava até 10, minha paciência com ele não era muita, mas eu me controlava, só não sei até quando.

Era mais ou menos meio dia, quando o almoço foi servido e Gina sentou ao meu lado nós já íamos começar a nos servir, quando Ronny bateu no copo, e pediu para que nós esperássemos que ele e Hermione tinham uma novidade para contar.

_ Bem já que estamos todos aqui reunidos, eu e Ronny gostaríamos de dizer a vocês que...

Hermione parou no meio da frase, todos estavam olhando pra ela, e o tom de vermelho em seu rosto denunciava a sua timidez. Nesse momento de distração nosso Tiago agarrou o garfo em cima da mesa e começou a bater impaciente no prato...

_ É melhor eu falar Hermione, parece que tem gente com fome aqui.

Todos olharam para meu filho em meu colo e riram da sua atitude.

_ Eu e Hermione gostaríamos que soubessem que nós não somos únicos mais, que desde 3 meses atrás, nós somos três, não contamos antes, porque só descobrimos agora, nós não temos muito controle sobre isso.

Todos gargalharam deles. E conversa voltou a ficar empolgada naquela mesa.

_ Você fica dormindo no ponto, te alcancei, bobão.

Ronny fez questão de tirar uma com a minha cara e Tiago entendeu o tom irônico do tio, pois se irritou e começou a chorar.

Saí da mesa bufando, ou eu estava muito impaciente, ou eles tinham tirado o dia pra me tirar do sério.

Caminhei com meu filho, até que ele se acalmou e começou a bocejar, aninhei-o direito em meus braços, ele como eu disse que seria, já estava cansado.

_ Ele se acalmou?

Gina abraçou minhas costas e descansou a cabeça em meus ombros.

_ Ele só está com sono, pergunte pra sua mãe se podemos colocá-lo no seu antigo quarto.

_ Vem.

Ela segurou minha mão e me levou até lá.

_ Vamos almoçar?

_ Pode ir, eu vou ficar aqui com ele até o sono se firmar.

Pov. Gina

Porque será, que ser a única mulher da família era tão difícil, mesmo quando já se é casada e se tem um filho.

Hoje era um dia daqueles que eu devia ter ficado em casa, meus irmãos estavam um saco, e eu sabia que Harry estava se segurando pra não perder a paciência.

Quando Tiago começou a chorar e Harry saiu da mesa, eu tinha certeza de tinha acontecido alguma coisa, e quando Ronny me contou que fez uma brincadeirinha sem graça, eu nem pensei duas vezes, levantei e fui atrás do meu marido.

Encontrei-os no jardim, meu filho já dormia nos braços do pai, levei-os para meu quarto e repousei meu pequeno na minha antiga cama.

Harry não queria almoçar, e eu tinha que reverter essa situação.

_ Tiago não vai acordar agora querido, vamos almoçar comigo.

_ Eu estou sem fome Gin..., me deixe aqui, depois que tudo estiver arrumado você me chama e agente vai pra casa.

Por Merlin! Ele estava irredutível, então o jeito era estragar a surpresa, que seria só mais tarde.

Eu já estava de pé e ele continuava sentado na cama, me aproximei, peguei suas mãos e coloquei por cima da minha barriga.

_ Ronny não vai te alcançar amor,mas eu acho melhor você descer e me alimentar, pois só você sabe o quanto eu fico uma grávida mal- humorada.

Ele me encarou, e a ternura tomou conta de seu semblante.

_ De novo?

Ele me acariciou.

_ Desde quando?

Senti meus olhos marejados.

_ Desde duas semanas atrás, agora vamos descer, nós estamos famintos.

Apontei com o dedo, para uma barriga completamente a lisa.

Ele se levantou e me abraçou carinhosamente, beijando meus cabelos.

_ Eu já te disse que te amo hoje?

_ Não você não disse.

_ Eu te amei ontem, te amo hoje, vou te amar amanhã e vou te amar pra sempre.

Naquele dia não contamos a ninguém sobre a nossa novidade, o momento era de Ronny e Hermione, mas assim que voltamos para a mesa, todos notaram que tinha alguma coisa diferente no ar, o sorriso de meu lindo marido, denunciava tudo...

Notas finais
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