Antes do nascer do sol.

19 Teresa - mas por você vale a pena


Junho de 2018

— Professora, posso falar com você sobre a minha prova? — Lucas me aborda no corredor, na hora da saída. Ele tem a mais recente prova nas mãos e um olhar de súplica. Esse garoto é bastante insistente, no entanto sei que não posso negar um pedido aparentemente inocente como esse.

— Por que, Lucas? Você foi bem na prova.

— Porque tenho algumas dúvidas.

Hesito por alguns segundos, sei que ele está mentindo.

— Tudo bem, venha comigo — Volto nos meus próprios passos, direto para a sala dos professores, já vazia, a essa hora.

Entramos, fecho a porta, puxo uma cadeira, ele se senta muito próximo a mim, tanto que me afasto um pouco. Não posso cair em tentação, não posso me deixar envolver por esse garoto bonito.

— E quais são as suas dúvidas? — pergunto de modo objetivo.

— A relação entre a independência americana e a revolução francesa.

Dou um longo suspiro.

— Você já leu o livro?

— Sim, mas não entendi — Ele me dá um olhar tristonho.

Esse garoto pensa que é mais esperto do que eu, sei que está tentando me manipular, cativar minha atenção, mas ele não sabe com quem está lidando. De um jeito direto, começo a explicar os fatos da história, fingindo não notar que ele não desvia seus olhos de mim.

— Alguém já disse que você é muito bonita, professora? — ele me fala de um modo doce. Eu me empertigo, lanço um olhar aborrecido.

— Lucas, não faça isso! — eu o recrimino em um tom duro.

— Eu não fiz nada, só porque estou dizendo que você é bonita? — Ele é audacioso.

— Eu sou sua professora,

— Eu sei — Ele dá de ombros.

— Quantos anos você tem?

— Vou fazer dezoito em duas semanas, mas as pessoas dizem que pareço mais velho.

Não, você não se parece mais velho, e é uma tentação, uma delícia proibida.

— As aparências não importam, o importante é a realidade. O fato é que você é meu aluno e tem dezessete anos.

— Mas, daqui alguns meses, eu terei 18 e não serei mais seu aluno.

— Muitas coisas podem acontecer em alguns meses, por enquanto, se foque nos estudos, se interesse por alguém da sua idade, há um monte de meninas bonitas nessa escola — digo, ele me dá um sorrisinho travesso.

— Eu gosto de mulheres mais velhas.

— Por hoje, chega. Até semana que vem, Lucas — determino, junto meus papéis e me levanto, vou até a porta e espero ele sair, percebo o ar de decepção no seu rosto.

Juro que eu tentei, muitas vezes, me interessar por alguém da minha idade, contudo, ninguém me cativou de verdade. Então aconteceu naquela viagem de férias, com outras professoras, para um hotel na praia. Havíamos planejado por um bom tempo e seríamos em quatro, dividiríamos o quarto, só eu era jovem, os outras eram mais velhas: duas divorciadas e uma celibatária.

Foi nessa viagem que, sem esperar, conheci aquele rapaz, que despertou algo dentro de mim. Ele trabalhava no bar do hotel onde estávamos hospedadas, mal tinha completado 19 anos, soube disso tudo depois. Na noite onde tudo começou, jogávamos cartas até tarde, em uma das mesas do lugar, quando uma a uma, minhas companheiras se recolheram, me deixando sozinha, entediada e insone. Assim, sem testemunhas, resolvi beber algo mais forte, o que evitava fazer na presença das minhas colegas. Sentei-me no banco alto, junto ao balcão, no lugar praticamente vazio, pedindo um Mojito, ele sorriu para mim.

— Está sem sono? — perguntou, enquanto preparava a minha bebida, eu o achei impertinente.

— Sim, eu estou — respondo, dando de ombros.

— Alguém bonita e jovem como você deveria sair para se divertir, ir dançar – recomendou colocando, na minha frente, o longo copo com o fundo cheio de pedaços de limões.

— Minhas amigas não gostam muito de ficar acordadas até tarde — respondo, tomando um gole da refrescante bebida.

— Porque elas são mais velhas.

— São minhas colegas de trabalho, somos professoras e estamos de férias — Tomando mais um gole do meu Mojito.

Não há mais ninguém ali no balcão, as outras pessoas presentes estão sonolentas nas mesas, o rapaz não desvia os olhos em fogo de mim, eu não devia, mas estou gostando disso, de ser desejada, aperto minhas coxas, umedeço meus lábios, levo o copo a boca lentamente. Ele dá uma olhada em volta. Sinto meu rosto quente.

— Está calor aqui — Eu me abano com as mãos, depois, seguro os cabelos e prendo com as mãos, deixando a minha nuca nua, provocante, tomo mais um gole, já começo a sentir o efeito da bebida.

— Lá fora está mais fresco — ele sugere.

— Mas, não há ninguém.

— Vou tirar um intervalo — Ele me sorri de modo malicioso.

Eu me assusto, o que ele pretende? O que eu pretendo?

Observo quando ele sai, o caminho que segue. Por poucos segundos, fico indecisa, mas estou curiosa, meu corpo me impulsiona a segui-lo pelo corredor lateral, na penumbra, em uma bifurcação não sei para onde vou, no entanto, uma mão me puxa de lado, em um piscar de olhos, estou encurralada contra a parede, o corpo dele grudado no meu, sua boca quente e possessiva na minha, a mão dele vai por baixo da minha roupa, não protesto, quando seu dedo entra em mim, gemo de prazer, enquanto ele me toca. Eu o sinto enrijecido, estou receosa, porém muito excitada, quando ele entra em mim, tirar meus pés do chão envolvo o seu pescoço, comprimida de encontro a parede, tento não fazer muito barulho enquanto ele se move rápido dentro de mim. Meu ventre se contrai, perco as forças, ele se sustenta quando quase desfaleço nos seus braços. De olhos fechados só respiro, meus pés tocam o chão.

Abro os olhos e vejo aquele rosto desconhecido, jovem e bonito, sorrindo diante de mim.

— Obrigada — balbuciou, arrumando minha roupa.

— De nada — Ele acha graça.

— Qual é o seu nome?

— Robson.

— O meu é Teresa.

— Teresa, preciso voltar.

— Pode ir, eu já vou.

Alguns minutos depois, retorno para o meu lugar no balcão e para a minha bebida esquecida, encontro Robson trabalhando, lavando e enxugando copos, ele me dá um olhar ladino e eu gosto disso, quero mais.

— Você está sozinha no quarto? — ele me pergunta em voz baixa, hesito entre o desejo e razão.

— Não, estou com uma colega.

— Eu saio daqui a 15 minutos, podemos nos encontrar na praia, não há ninguém lá a essa hora — ele percebe o meu receio. — Não se preocupe, eu estou me arriscando, posso perder o emprego por me envolver com uma hóspede, mas por você vale a pena.

Nós nos encontramos na praia e transamos de novo sobre a areia, debaixo do céu estrelado e repetimos esse ato todas as madrugadas da minha estada. Na véspera de partir, ele me deu o número do seu telefone pediu para eu ligar, mas, jamais liguei, joguei fora junto com os folhetos da viagem.