Antes do fim
8 Clube dos cinco
Uma semana já havia se passado daqueles dias corriqueiros e confusos juntos ao calor de Dezembro. Apesar de todos os acontecimentos, Baixa Estação continuava a ter um público maior devido aos feriados de Natal e Ano Novo onde as famílias permaneciam unidas para comemorarem a felicidade de mais um ano em suas vidas. No último dia de confinamento, Ana havia decidido de que iria aproveitar a companhia de todas as pessoas que estavam ao seu redor: primeiro a dos seus pais, já que havia se divertido bastante nos últimos dias, em segundo, o seu amigo e amado Pedro, em terceiro estavam Clara, Bruno e Guto.
É comum que em cidades pequenas todo mundo se conheça, o que não era diferente onde os meninos moravam. Clara, Bruno e Guto conheceram Pedro e Ana na segunda etapa do ensino fundamental quando eles se mudaram para a cidade e Bruno saiu da escola pública para uma escola particular a fim de melhorar o seu comportamento meio rebelde. Os meninos faziam um típico clube dos cinco, onde suas vidas virariam uma série adolescente aclamada de tantas histórias e sentimentos que eles entregavam.
O dia se passou com outro alerta da prefeitura sinalizando a permissão de veiculação pela cidade no dia posterior, informando de que todo o local já havia sido averiguado e poderiam viver tranquilamente sem que se preocupassem com nada e pudessem seguir a vida normalmente. Pedro estava louco para voltar as aulas de guitarra, ele queria terminar a música que estava escrevendo e com todo aquele sentimento guardado, queria falar para a menina de uma maneira não tão direta que a amava.
O menino se perguntava se Ana havia descoberto alguma coisa ou talvez suspeitasse de algo, mas a menina estava tão normal em suas conversas que ele preferiu afastar sua ansiedade e acreditar que ela já havia esquecido do que ele iria falar quando estavam no carro antes do episódio, para que não se sentisse pressionado e pudesse colocar tudo para fora no momento certo.
***
O dia amanheceu um pouco nublado, mas tudo estava funcionando perfeitamente e a rotina dos moradores seguia tranquila. As sete da manhã, Ana acordou e se pôs de pé, aproveitou para arrumar a casa e buscou alguma atividade divertida para que juntasse todos os amigos ao fim do dia, já que estava louca para vê-los. Pedro acordou meio cansado já que havia dormido um pouco tarde, mas nada o impediria de levantar da cama e correr para a aula que ele tanto esperava, e por sorte, o professor havia confirmado de que o cronograma seguiria normalmente como estipulado em seu período de férias.
As horas se passaram e os amigos acabaram combinando de se encontrarem por volta das cinco da tarde, para verem o pôr do sol na quadra da escola, que era um dos pontos mais bonitos para assistir o espetáculo já que a mesma ficava na parte mais alta da cidade. Após ter chegado em casa, Pedro olhava incrédulo para a letra que havia escrito com a ajuda do seu professor. Apesar de ter pouco conhecimento, o menino era ótimo e bastante criativo com as palavras, precisava apenas enquadrar as notas certas e praticar a sintonia com o ritmo correto.
Com o entardecer pintando o céu de rosa, Ana estava empurrando sua bicicleta onde era possível enxergar algumas flores desenhadas em seu quadro. Indo em direção a Pedro, a menina o encarava falando para si mesma o quanto se impressionavam ao pensar que o menino não poderia ficar mais bonito. Ela havia sentido falta dele, principalmente do toque, do abraço, do olhar tímido...ele estava sorrindo para ela enquanto segurava a sua bicicleta preta que era tão equipada que mais parecia um modelo de uma moto futurística que ainda não havia sido lançada.
— Podemos ir? — Ele perguntou enquanto observava a menina sobre a luz fraca do sol. Ela estava linda, usando shorts jeans e uma blusa preta justa, dando foque a cor dos seus olhos que Pedro tanto adorava.
— Podemos. — Ana respondeu. — Você viu os meninos?
— Encontramos eles no caminho. — Pedro rebateu. — Vamos indo.
As ruas de Baixa Estação estavam um pouco movimentadas devido ao horário já que o comércio se encerrava e todo mundo voltada para casa a fim de descansar do dia de trabalho. As folhas secas das grandes árvores que rodeavam a cidade estavam espalhadas pelo chão dançando com o vento e a chegada de uma brisa fria que apaziguada a sensação térmica naquele momento. Ana pôde vislumbrar Clara, Guto e Bruno os esperando um quarteirão a frente, todos eles com um sorriso de uma ponta a outra. Bruno estava com uma blusa grande, bermuda jeans e um nike bem trajado em seus pés. Clara estava com seus cabelos presos e usava uma mini saia de academia junto a uma blusa justa e decotada, já Guto, estava com uma bermuda curta e uma blusa regata para se sentir mais confortável enquanto todos eles andavam de bicicleta.
Subindo o morro da cidade que dava caminho ao destino que iriam, os meninos seguiam em fileira um atrás do outro falando sobre como estavam assustados, mas bem, devido a tudo que estava acontecendo ultimamente. Guto comentou que o mesmo havia acontecido no México , precisamente em fevereiro, que não deveriam se preocupar de fato, era algo comum, mas Bruno continuava dizendo que existiam aliens e que eles estavam mandando sinais de que estavam se aproximando. Clara encarava Ana e ria das suposições que os amigos faziam.
Na medida em que o sol se comprimia e sumia diante as suas vistas, os meninos pararam suas bicicletas próximo ao grande muro pintado de branco e se ajudaram para que pulassem e entrassem escondidos já que não teriam aula durante o resto do mês e a escola provavelmente estivesse fechada. Cada um deles pulou sorrateiramente e subiram mais uma vez uma pequena ladeira para chegar ao acesso da quadra. Observando o céu em silêncio, os amigos se entreolhavam e entregavam alguns sorrisos de considerações, agradecendo de maneira silenciosa pelo momento e a amizade que tanto prezavam.
Ana observava a cidade se acender com suas luzes brilhantes enquanto o sol a sua frente deixava a escuridão guiar o caminho que cobria todo o local. A época de natal era a mais bonita de todo o ano, já que tudo ao redor ficava enfeitado e a vista da quadra onde estavam davam uma vista privilegiada de como Baixa Estação era bonita. Nos últimos segundos da despedida do fim da tarde, os amigos se abraçaram e começaram a rir da melancolia que pairou no momento.
E diante a tamanha alegria, eles deduziram que tudo ficaria bem, sem saber que suas vidas mudariam em tão pouco tempo.
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