Antes das Chamas - Suécia, 1872
6 Contratempos
Luci não contou sobre o encontro para Karin, talvez devesse, mas ela não queria que a amiga se preocupasse. De qualquer maneira, ele logo iria embora e não haveria com o que se preocupar. E não havia nada para se preocupar no presente.
– Luci!
Exceto, talvez, com a senhorita Müller.
– Sim, senhorita Müller?
– Luci, Greta pediu sua presença no quarto dela e aproveitando a sua ida, leve para ela essa cesta que Hugo deixou – ela falou isso dando um sorrisinho, algo bastante estranho vindo do nada.
A garota subiu até o quarto de Greta e bateu na porta antes de entrar. Ao entrar no quarto, Luci viu Greta deitada na cama com o rosto vermelha e um pouco inchada, a garota parecia ter chorado bastante.
– Luci! – Greta chamou em meio à um gemido enquanto afundava ainda mais em meio aos lençóis.
A criada correu para ajudar a amiga que estava com uma péssima aparência.
– O que houve? A senhorita parecias tão bem ontem.
A garota tentou formular uma frase, mas, mesmo Luci estando próxima, não conseguiu entender uma palavra sequer.
– Greta, conte-me o que aconteceu – a criada pediu enquanto tentava consolar a garota de alguma forma.
O silêncio permaneceu por alguns instantes enquanto Greta respirava fundo algumas vezes, se acalmando, e parando de chorar.
– Contarei, mas antes preciso que você prometa fazer um favor para mim assim que sair daqui.
– O que a senhorita quiser.
– Quero que vá até Oliver, diga para ele que eu preciso vê-lo esta noite e venha preciso que organize tudo para que eu o veja.
– Tudo bem, farei isso.
– Obrigada, Luci – Greta sorria, ela parecia um pouco melhor – e o motivo de eu estar completamente triste é o fato de meu pai ter me prometido como noiva de Hugo.
– Noiva? – Luci se assustou – ele não pode fazer isso.
– Aparentemente, ele crê que pode, talvez por isso ele esteja fazendo tantas festas, ele já está planejando isso há bastante tempo e Hugo acredita que estou completamente de acordo, minha família está falindo, ele é rico, meu pai acha que essa pode ser a solução, que poderá pedir algum dinheiro, eu não quero isso...
– E Oliver? Ele já sabe?
– Eu não sei, por isso preciso vê-lo – Greta sentou na beirada da cama, se aproximando de Luci, e olhou bem em seus olhos ao dizer: — eu não posso me casar, Luci, eu tentei falar com meu pai, mas você o conhece... – lágrimas voltavam a se formar nos olhos da garota.
– Greta, não se preocupe, nós daremos um jeito, pensaremos em algo.
– Eu o amo, Luci — as lágrimas desciam em seu rosto enquanto dizia aquilo – eu o amo muito.
– Não se preocupe, tudo vai dar certo.
Com essas palavras e um abraço, Luci saiu do quarto.
Foi andando devagar, como se nada tivesse acontecido, passando pelos corredores e descendo as escadas devagar. Greta pedia que a garota fosse discreta e não fosse diretamente para Oliver, pois alguém poderia achar estranho que ela saísse tantas vezes do quarto da garota correndo diretamente para ele.
A garota percorreu diversos corredores do palácio como se estivesse procurando ou averiguando algo, passou por outros andares e quando finalmente ia procurar Oliver, a senhorita Müller a avistou e ela não estava sozinha.
– Luci, o que faz aqui? – Müller perguntou – achei que ainda estivesse com Greta.
– Não, senhorita – falou devagar enquanto a mente da garota pensava em uma desculpa – Greta pediu que eu... Pegasse um livro para ela na biblioteca.
– Ah, claro, Greta adora ler, o senhor deveria indicar alguns livros para ela, senhor Briel – a governanta falou.
– Claro, se quiser eu posso ir com a criada até a biblioteca.
– Seria excelente — a governanta sorriu – eu realmente preciso ir o escritório de Christer, a criada irá lhe fazer companhia enquanto isso e logo me juntarei à vocês.
– Tudo bem, Helena, estarei lhe esperando.
O sorriso de Müller aumentou e ela saiu quase saltitante.
– Helena? – Luci perguntou quando Müller já havia desaparecido.
– Você disse que eu precisava lidar com ela, bem, estou lidando – ele sorriu.
– Talvez você tenha razão.
Os dois começaram a andar rumo à biblioteca.
– Então, o que a senhorita irá pegar emprestado dessa vez?
– Na verdade, eu não tinha a intenção de ir até a biblioteca.
– Não?
– Não, eu só queria que Müller me deixasse ir... Sem muitas perguntas
– Garota esperta.
Os dois riram.
– E onde você gostaria de ir? – ela não respondeu – Ok, mas me acompanha até a biblioteca?
– Claro – ela sorriu.
Eles percorreram o caminho até a biblioteca sem trocar muitas palavras, porém Cameron sempre estava olhando para Luci, o que incomodou a garota de início, mas ela logo se acostumou com a ideia de ser observada por ele.
Os dois logo chegaram e ela logo se arrependeu de ter andando um pouco rápido demais.
– Acho que você tem que ir – ele disse quando estavam na porta da biblioteca, os olhos ainda nos dela.
– Eu posso ficar um pouco se o senhor quiser...
– Não quero atrapalhar a missão importante que você tem de fazer.
– Obrigada pela compreensão, senhor – ela brincou.
– De nada, senhorita.
– Eu tenho que ir.
– Adeus – ele falou dramaticamente e depois pegou a mão da criada para beijar o dorso – espero vê-la logo, talvez esta noite?
– Perdoe-me, mas não poderei, talvez o senhor esteja disponível amanhã?
– Amanhã minha noite será toda sua.
Luci saiu do palácio e se dirigiu ao estábulo, o lugar mais provável de se encontrar Oliver.
– Oliver – Luci chamou, assim que chegou no local e o viu escovando um cavalo.
– Não, Roland – o garoto virou-se e sorriu – olá, Luci.
– Oi, Roland, você viu Oliver?
– Bom ver você também – ele riu.
– Roland, eu preci-
– Precisa falar comigo? – Oliver disse ao sair de uma das baias.
Oliver era o tipo de garoto que qualquer garota que reparasse nele mais de uma vez se apaixonaria, era gentil e atencioso, além de ser bonito, tinha o cabelo castanho e os olhos negros, era um pouco forte, provavelmente pelos diversos trabalhos que fazia.
– Sim – Luci respondeu e, em seguida, olhou para Roland – em particular.
– Tudo bem, casal, estou indo levar a Enny aqui para um passeio – ele deu um tapinha na égua — não vou incomodá-los.
Roland montou no cavalo e saiu.
– É sobre Greta? – Oliver perguntou.
– Sim, ela precisa muito falar com você esta noite.
– Esta noite? – ele estranhou – Há algo errado?
– Greta poderá explicar melhor tudo para você.
– Tudo bem, esta noite.
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