Antes Dele E O Fim Do Mundo
1 Capítulo I
Notas iniciais
Espero que gostem do primeiro capítulo e mandem reviews para eu saber que a fic está sendo lida! Beijos.
Tudo começou quando tínhamos onze. Eu costumava ser uma criança normal. Brincava com os meus amigos, estudava, me envolvia em algumas brigas. Nada fora do comum. Tudo era perfeito. Até ele aparecer.
Ainda me lembro da primeira vez que vi Grimmjow. Ele era maior do que os outros garotos e tinha aqueles olhos azuis que pareciam enxergar além de tudo. Seus cabelos ainda eram pretos, antes dele querer parecer diferente e pintá-los de azul. Como se ele precisasse disso para se destacar. Eu não acredito em amor a primeira vista, mas no momento em que eu coloquei meus olhos nele, senti que havia algo diferente. Era como se todo o meu interior se revirasse, milhares de borboletas fazendo a festa no meu estômago, eu sentia que podia vomitar a qualquer momento. Talvez fosse amor, mas como era horário do recreio, preferi pensar que era fome.
Os dias se passaram e viraram semanas. Grimmjow sempre andava sozinho. De vez em quando vinha alguém do grupo esquisito de pessoas com quem ninguém se metia falar com ele. Ele nunca passava muito tempo com nenhuma delas. Sempre muito legal, o garoto da escola com mais estilo que a idade permitia ter. Ele era acima de tudo e todos ali.
Eu me tornei fissurado nele. Observava cada passo que ele dava. Como estudávamos em salas diferentes, não podia ver como ele se comportava na sala, se anotava tudo que a professora escrevia ou se dormia na aula. Eu imaginava como seria a expressão que ele fazia dormindo. Eu estava obcecado. Louco. Eu não me importava quantas vezes a minha amiga Orihime sorria para mim e corava. Eu simplesmente não gostava dela. Nem de qualquer outra garota. Eu sempre soube. Mas tudo pareceu ficar mais intenso quando ele apareceu em minha vida.
Ainda me lembro quando o meu pai veio me perguntar por que eu andava tão bobo, tão distraído. Eu não ia respondê-lo: “Pai, estou apaixonado por um garoto da minha escola, acho que é por isso.” Seria ridículo. Então eu disse que ele estava imaginando coisas, como sempre. Ele me deu um conselho. “Ichigo, se você está gostando de alguma menina da sua escola, se declare para ela... Algum outro menino pode se aproximar dela primeiro então tudo será mais difícil.” Coitado. Mal imaginava ele o quanto aquilo já era difícil. “Se não quer se declarar assim logo, então apenas se aproxime dela. Tente fazer amizade!”. Eu apenas disse para ele me deixar em paz e me tranquei em meu quarto. Pensando. Pensando. Será? Maldita hora em que eu escutei aquele velho idiota.
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Tudo começou quando tínhamos onze. Eu costumava ser um garoto quase normal. Nunca conheci minha mãe, nem meu pai. Fui adotado por um homem chamado Aizen quando tinha cinco. Éramos muitos naquela casa enorme: Nnoitra, Neliel, Starrk, Tier, Ulquiorra, Szayel e mais alguns sem tanta importância para a continuidade da história. Eu não sabia ao certo se aquele homem era só solitário demais ou se ele planejava algo errado. Acho que hoje tenho mais noção disso. Fomos colocados na mesma escola de qualidade. Eu não socializava com nenhum deles. Só por que eu não estava afim.
Eu não sabia quando as coisas passaram a caminhar para aquele lado. Eu fico pensando no menino de cabelos cor laranja e do modo como ele corria atrás de mim, feito um idiota, só para perguntar se eu tinha tido uma boa noite de sono. Eu sabia que não era só isso. Aquele moleque queria algo mais.
No primeiro dia em que veio falar comigo ele parecia estar nervoso. Muito nervoso. Tremia e não conseguia disfarçar suas bochechas coradas. Até qualquer imbecil podia dizer que aquele menino era gay. Super gay. Eu estava sentado ao pé de uma árvore bebendo um suco. De morango. Assim como o nome daquele idiota. Ele se aproximou de mim, com um sorriso tímido e eu ergui meus olhos entediados para ele. Eu desejei nunca tê-lo feito. Ele parecia com algo que eu nunca tinha visto na vida. Seus cabelos laranja, seu rosto infantil e corado, seus olhos castanhos. Eu sabia que eu não conseguiria esquecê-los assim tão fácil.
- O-o-o-oi. – Ele disse nervoso. – Posso me sentar ao seu lado? – E perguntou todo polido e com timidez. Eu queria dizer agora que eu consegui negar e mandá-lo para bem longe de mim. Só que eu autorizei, balançando a cabeça.
- O que você quer? – Perguntei ainda com a minha voz infantil, tentando parecer assustador o suficiente. Só que ele riu. Filho da puta.
- Eu queria te conhecer. – Foi sincero e eu fiquei surpreso, afinal, ninguém naquele lugar gostava de mim mesmo. Não que eu me importasse. – Sempre te vejo sozinho e pensei que talvez você gostasse de companhia para lanchar. Meu nome é Ichigo Kurosaki, tenho onze anos! – Ele disse todo sorridente e eu só pensava em quebrar todos aqueles dentes.
- Não estou interessado. – Respondi seco terminando a minha caixinha de suco.
- Ma-a-a-ais eu... – Ele tentou dizer desolado.
- Não quero saber, cai fora! – Eu olhava para o outro lado. Evitando os olhos gentis dele.
- Tudo bem. Se quiser conversar pode me chamar! – Ele disse para logo depois se levantar e sair de cabeça baixa.
Aquela foi à primeira vez em que eu parti o coração dele. O que foi? Pensando que foi só uma? Não. Tiveram várias, diversas vezes, mas que se eu contar agora não vai seguir a linha de raciocínio da história.
Ele não parou depois daquela vez. Não me deixou em paz simplesmente. No dia seguinte, ele veio falar comigo. Sempre me seguindo, todo lugar que eu ia ele queria ir junto. E eu pouco me importava. Apenas o ignorava. Quando eu fazia algo errado (quase toda semana), ele sempre procurava fazer também. Dizia que era para eu não ficar na detenção sozinho.
Eu estava enlouquecendo. A presença dele me sufocava. Em qualquer lugar que eu fosse, ele estava lá. Com aqueles cabelos laranja e aquele sorriso no rosto. Eu não conseguia, eu não digeria a forma como ele sempre procurava me agradar, mesmo depois de eu dizer a ele que tudo que ele fazia era irritante. Ele insistia em fazer.
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Meus amigos começaram a achar que tinha algo de errado comigo. Rukia, a baixinha mais baixinha de todas, disse que ia me socar se eu não parasse de correr atrás do Grimmjow. “O que você quer com aquele menino estranho, Ichigo? Ele não parece ser nada legal!”. Renji, meu melhor amigo com seus cabelos vermelhos chamativos, dizia que era ridículo o que eu estava fazendo, que eu não precisava de um delinquente qualquer. “Você tem a nós, Ichigo! Porque quer andar com aquele garoto?”. Desde cedo, Renji já era controlador, mas eu não percebi naquela época.
- Ele sempre anda sozinho, pensei que talvez ele precisasse de algum amigo. – Disse tímido, aquela mentira. Eu não me importava se ele andava sozinho ou não. Pelo contrário, quanto mais sozinho ele andasse melhor. Eu não queria ninguém, nem homem ou mulher perto dele. Ele tinha que ser exclusivamente meu.
- Uau, Kurosaki-kun! Você é muito legal! Se você quiser eu posso te ajudar! Ele com certeza vai ser nosso amigo! – Orihime foi a única que me apoiou. E mesmo assim eu queria gritar na cabeça dela que eu não queria que ninguém fosse amigo dele. Ninguém. Ele era só meu.
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Teve um dia. Um dia em que eu matava aula. Não que isso fosse raro, mas naquele dia eu particularmente não estava a fim de assistir nenhuma aula. Fui para a parte de trás do colégio, onde eu costumava ficar sentando em um muro sem fazer absolutamente nada. Só que daquela vez foi diferente.
Eu escutei umas risadas e um choro. A minha curiosidade sempre me atrapalhando e me impulsionando a fazer coisas que eu não fazia. E lá estava eu, procurando saber o que estava acontecendo.
Eu vi Ichigo encolhido no chão enquanto alguns garotos maiores batiam nele. Um deles era Nnoitra. Nnoitra vivia comigo, com os outros e com Aizen. Era uma das crianças abandonadas. Acho que no caso dele, os pais o deram sem nenhuma relutância. Ele parecia ter algum tipo de demônio no corpo, o tempo todo. Ele era mais alto do que eu, já naquela idade. Tinha cabelos negros, não tão compridos naquela época e usava um tapa-olho. Eu não sabia a história daquele olho, e também não me interessava.
A única coisa que eu sabia é que naquele momento senti raiva.
- O que pensam que estão fazendo? – Eu gritei e todos pararam de bater no menino para me olhar.
- Grimmjow! – Nnoitra disse com um sorriso nojento nos lábios. Desde cedo ele sempre foi ruim. – Veio brincar também, irmãozinho?
- Eu não sou seu irmão, seu imbecil. Saia daqui agora! Todos vocês! – Eu gritei, com raiva. Não sabia por que eu me senti tão incomodado com aqueles garotos batendo no Ichigo. É que se fosse qualquer outro, eu não daria a mínima.
- É claro que eu não vou! Se quiser defender o moranguinho vai ter que bater em mim primeiro! – E eu fiz. Primeiro foi ele, depois outro menor, e assim os outros correram se borrando de medo. Bando de babacas.
- Isso não vai ficar assim! – Nnoitra disse enquanto segurava seu nariz que provavelmente eu tinha quebrado. Logo depois saiu também.
Eu olhei para Ichigo. Ele chorava todo encolhido em um canto. Idiota.
- Grimm... Grimmjow. – Disse com uma voz de choro.
- Você tá legal? – Perguntei tentando parecer não preocupado.
- S-s-s-im... O-o-obrigado. – Ele disse agora sem chorar.
- Não vou mais ficar te defendendo, ouviu? Trate de aprender a bater também! – Disse irritado.
- E-e-e-eu não sei. – Ele gaguejava. Acho que por conta da minha presença. – Você pode me ensinar! – Os olhos dele brilharam em esperança e eu só quis arrancá-los naquele momento.
- Claro que não! Você já me perturba sem ter nem motivo, imagina com mais isso! Não quero mais você me seguindo, ouviu bem? Não quero ser seu amigo! – Disse sem nem um pouco de piedade. Vi que o queixo dele começou a tremer, como se ele fosse começar a chorar novamente. Eu já ia me preparar para sair quando escutei aquilo que ia mudar tudo definitivamente.
- Eu também não! – Ele gritou, tentando deixar a voz firme. Inutilmente, é claro. Eu me virei para olhá-lo com curiosidade. – Eu não quero a sua amizade, Grimmjow! Eu te amo! – Ele gritou fechando os olhos. E eu arregalei os meus. – Eu sei que não pode parecer certo porque somos meninos e meninos têm que gostar de meninas, mas desde que eu ti pela primeira vez não consigo pensar em outra coisa! Eu te amo, não importa o que você disser, Grimmjow! Eu estou apaixonado por você! – E voltou a chorar.
A minha cabeça começou a rodar e eu me perguntava como aquele garoto conseguia dizer aquilo. De onde ele havia tirado um motivo para gostar de mim? Aquilo era inútil porque ele eu nunca iria me rebaixar a tanto. Acho que até ele sabia disso.
- Você é louco! Se você andar atrás de mim de novo eu vou fazer muito pior do que eles fizeram, ouviu? Nunca mais se aproxime de mim! Eu nunca vou te amar, seu idiota! Na verdade, quando você fica falando sem parar no meu ouvido, só me faz te odiar mais ainda! – Eu estava irritado. E disse tudo que veio na minha cabeça. Sai dali sem nem ao menos olhar para trás. Eu sabia que ele ia chorar a semana inteira. Ou talvez até mais que isso. A minha esperança era que ele ouvisse o que eu tinha dito e que parasse de idolatrar como se eu fosse algum tipo de santo. Eu não conseguia suportar o peso do sentimento dele.
Essa foi à segunda vez em que eu parti o coração dele. Acho que depois dessa eu parei de contar. Por que sim, vieram mais vezes, bem piores que essa. Mas eu acho que foi dessa vez em que o meu pesadelo começou. Ou talvez tenha começado antes sem eu nem perceber.
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