Another Way
5 V. Finding Out Some More
Notas iniciais
Os três concordaram em se separar para conversar com as viúvas, marcaram o ponto de encontro, uma lanchonete conhecida pelo cachorro-quente mais gostoso do estado da Georgia. Dean havia sugerido o lugar.
Aurora não tinha tido muita sorte, a Sra. Perkins não sabia muito do marido, a típica mulher submissa que não questiona as ações do marido. Tinham dois filhos, o marido tinha acabado de ser promovido na empresa, mas a casa deles era um tanto quanto longe do local do assassinato, o que significava que ele teve que ser atraído até lá. Só precisa descobrir por que ou por quem.
Estava caminhando em direção a lanchonete quando ouviu um barulho atrás de si, continuou caminhando, sabendo que aquilo era barulho de um anjo. Quando sentiu o toque no seu ombro se desviou rápido com uma faca já apontada para o peito de Castiel; ele não reagiu e ela abaixou a arma lentamente.
– Como você me achou? — perguntou enquanto guardava a faca e olhava em volta procurando testemunhas, mas não encontrou ninguém que tivesse notado sua reação ou a aparição do anjo.
– Eu liguei para o Sam e ele me passou o endereço.
– Entendi. O que você quer? — ela continuou seu caminho e Castiel a seguiu.
– Vim te avisar que muitos demônios estão te procurando, eles encontraram uma maneira de te encontrar, logo você começará a enxergar o mundo como ele realmente é. Depois que a proteção de sua mãe acabou, os dons dela foram passados a você e os seus olhos vão ser os primeiros a dar sinal disso.
– Então é por isso que eu não to conseguindo enxergar direito? — não olhava para ele enquanto conversavam, o anjo parecia reluzir.
– Sim, sua visão de humana está tentando se adaptar aos olhos de anjo. Em breve você poderá enxergar as almas dos demônios e dos anjos.
– Agora eu entendi porque você está brilhando feito uma fadinha. — caçoou e virou para rir dele, mas não tinha mais ninguém atrás dela. Não que ela estivesse mesmo impressionada, esse era o estilo do Castiel.
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Quando se aproximava do ponto de encontro, Sam pode ver Aurora apoiada na parede da lanchonete. Ele percebeu a concentração dela, olhando fixamente para um casal sentado em um banco perto do lugar; eles estavam com um pequeno livro na mão, pareciam ler. Quando chegou perto dela e estava pronto para perguntar o que era, ela o posicionou na sua frente, aparentemente impedindo que o casal pudesse olhar para ela.
– Eles são demônios. — Aurora não precisou dizer mais nada, Sam não olhou para trás, mas não estava certo do que eles eram.
– Como você sabe disso? Não parecem ser demônios.
– Eu posso ver o rosto deles. O rosto de verdade, é por isso que minha visão não tem funcionado direito ultimamente. Castiel disse que eles estavam me rastreando. Até agora eu não tinha entendido como, até que eu vi o casalzinho com o meu diário de caça na mão. — ficaram em silêncio por um tempo, Sam pensava em um plano para saírem logo dali, mas quando foi se virar para observar o casal, a sentiu segurar sua mão o mantendo de frente para ela, quando procurou pelos olhos castanhos, os encontrou olhando preocupados para ele. — Eles não conhecem o meu rosto, os demônios que me viram nós matamos e pra não terem vindo até aqui em quanto eu estava sozinha o que eles estão usando não funciona tão bem, mas eles conhecem seu rosto e do Dean.
– Precisamos despistar. — Sam entendeu onde ela queria chegar.
– Precisamos não, Eu preciso. Eles não me conhecem lembra?
– Você não vai sair por ai sozinha com dois demônios atrás de você.
– Eu sempre estive sozinha, acho que consigo me virar bem. — dessa vez foi ela quem tentou sair dali e Sam a segurou onde estava. Aurora revirou os olhos, sem muita paciência. — Eu saio na frente e você segue os dois quando eles saírem daqui. Espero que você esteja com aquela faca.
Sam empurrou o blazer para o lado, mostrando o cabo marrom da faca presa na cintura; ela sorriu, ficou na ponta dos pés e beijou sua bochecha o empurrando para frente, o tirando de seu caminho. Ele riu e ficou observando quando o suposto casal levantou, um pouco mais agitados e mais sérios, prontos para ir atrás da nova pista dela.
Os dois viraram em uma esquina e quando Sam se aproximou viu um beco sem saída, os dois pareciam confusos por não encontrarem ninguém e ele não perdeu tempo. Acertou um soco em um deles e quando a moça se aproximou para atacá-lo, acertou a faca em cheio em seu peito, mas antes que pudesse ficar contente por ter um a menos, o outro já o atacava pelas costas, pulando em cima de Sam, fazendo a faca cair mais longe. Sentiu seu corpo sendo virado para frente e recebeu três socos no rosto, tentou esticar o braço para alcançar a faca, porém não teve tempo de alcançá-la; o demônio estava tentando sufocá-lo e suas mãos ficaram focadas em aliviar o aperto.
– Ei — Sam pôde sentir as mãos afrouxarem quando a atenção da criatura se voltou para alguém atrás deles. Aurora estava de pé logo atrás dele, com a faca na mão e não perdeu tempo para enfiá-la em sua garganta; em poucos segundos o demônios caiu morto por cima de Sam que o empurrou para o lado, sentiu o ar voltar para o pulmão como fisgadas, ainda um pouco zonzo.
– Tudo bem? — perguntou enquanto estendia o braço, o ajudando a levantar.
Sam aceitou a ajuda, mas ainda sentia a dor no pulmão, tentando controlar a respiração; encostou a ponta dos dedos no nariz, sentindo o sangue quente. Encostou seu corpo na parede e apoiou as mãos nos joelhos, retomando o fôlego.
– Acho que isso responde minha pergunta. Senta ali — apontou para um caixote de madeira grande próximo aos dois. Ele não reagiu e ela se irritou — Anda logo. Daqui a pouco alguém aparece e encontra a gente com esses dois corpos. — o empurrou até que ele se sentasse.
– Eu estou bem. — ignorou a afirmação dele, tirou um pequeno lenço azulado de seu bolso; se inclinou para frente e segurou seu queixo, mantendo seu rosto levantado para que pudesse limpar. Quando encostou o tecido levemente no machucado o ouviu resmungar baixinho e, por reflexo, tentou virar o rosto, mas ela segurou com ainda mais firmeza e terminou de tirar o sangue.
– Isso é por ter me ajudado com o meu machucado — se explicou enquanto limpava o machucado. Quando terminou fez ele olhar seus olhos e sorriu.
Voltaram para a lanchonete e Dean já havia chegado, esperava os dois em uma das mesas e assim que eles sentaram, começaram a explicar. Aurora contou da visita rápida de Castiel e Sam sobre os demônios.
– Cara, isso me preocupa. Quanto tempo vai demorar pra que os anjos comecem a procurar a gente? — Aurora ainda não tinha pensado nisso, mas agora que Dean havia citado, isso não sairia da sua cabeça.
– Enquanto eles não conhecerem o rosto dela.
– E quanto tempo vocês acham que isso vai levar? Vocês tem os rostos mais conhecidos que eu já vi. — Aurora resmungou enquanto mordia seu cachorro-quente.
Os três não falaram mais nada enquanto comiam, todos pensando em como seria dali pra frente; como fugir da situação se algo assim acontecesse.
– Depois que terminarmos o caso, acho que seria interessante visitar o Chuck. Saber o que ele tem de informações sobre isso. — Dean assentiu e Aurora não respondeu a proposta de Sam.
– Então voltando ao caso. O que você descobriu? — a garota tentava mudar de assunto.
– A esposa dele estava grávida, mas pensando em pedir o divórcio porque sabia que o marido estava frequentando uma casa de show por causa de uma garota. Aparentemente ele não sabia fazer as coisas na encolha, falava muito alto no telefone. — Dean caçoou, mas nenhum dos dois riu — Enfim, ela encontrou um bilhete marcando um ponto de encontro e adivinhem?
– Coincide com o lugar do assassinato.
– Exatamente.
– Então acho que podemos afirmar que foi a garota dos engomadinhos. — Aurora concluiu. — Eu não tive tanta sorte, ele era mais esperto, mas como o amigo dele havia contado, a garota se interessou por ele.
– No meu caso também não tive tanta sorte, mas consegui um número de telefone dentro do jaleco de trabalho.
– Acha que telefonar vai ajudar? — Dean questionou, mas já imaginava a resposta, que veio de Aurora.
– Mesmo que o telefone seja da assassina, ela teria que ser muito idiota pra não ter sumido com o celular.
– Acho que o melhor agora é ir conversar com as pessoas que trabalham no bar.
– Eu preciso de mais dinheiro, tive uma ideia. — os irmãos olharam para a garota desconfiados, mas não questionaram, sabiam que se ela não tinha explicado é porque não tinha intenção de fazê-lo. — Vocês vão conversar com o pessoal e eu vou colocar em prática.
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Quando estacionaram o Impala na frente do endereço perceberam que não eram exatamente uma casa de shows, parecia muito mais uma casa de strip. Sam olhou para o irmão e percebeu que ele sorria abertamente, mostrando sua ansiedade em estar ali.
– Eu adoro quando o universo fica do nosso lado. — Sam riu e caminhou até a entrada sendo seguido pelo irmão mais velho.
Bateram na porta de vidro e quando a cortina se levantou mostraram os distintivos para o homem que parecia ser o segurança. Ele deu passagem para que os dois entrassem, mas não pareciam entender o porque da presença dos federais e até fazia sentido a confusão, os assassinatos não tinham sido perto do local.
– Em que posso ajudar? — os dois olharam para o homem de voz extremamente fina, achando muito estranho.
– Acho que deve saber dos três assassinatos que aconteceram na cidade. — ele assentiu e Dean continuou — Nós temos provas de que o seu estabelecimento pode estar envolvido, mais especificamente uma das suas funcionárias.
– Gostaríamos de interrogá-las.
– Eu sinto muito, mas elas não trabalham hoje. Aproveitam o dia de folga para descansarem pro grande show. Só estarão aqui amanhã de noite.
Se despediram e saíram do lugar, voltando para o motel, não demoraria para que o dia escurecesse.
– Tomara que ela já tenha voltado.
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Quando chegaram perto da porta ouviram a garota reclamando com alguém, mas não existia a voz de mais ninguém. Puxaram as armas pronto pra um embate se fosse necessário, mas era só Castiel
– Você precisa começar seu treinamento. Amanhã eu volto para te buscar e levar para um lugar seguro onde possamos começar. — e sem que houvesse tempo para discussão, o anjo desapareceu.
– Merda — Aurora resmungou e chutou o pé da cama. Provavelmente a conversa não tinha sido muito animadora. — conseguiram descobrir alguma coisa?
– Não, as garotas só trabalham amanhã. — Sam respondeu, indo até o banheiro para que pudesse trocar de roupa.
– Ótimo, não consegui achar tudo que eu preciso, até amanhã deve dar tempo.
– E qual é o seu plano. — Dean quis saber enquanto sentava no sofá.
– Ainda não é a hora de vocês saberem. Amanhã vocês descobrem.
Não houve mais conversas, cada um se acomodou em seu canto e se distraiu com o que tinha. Dean foi o primeiro a cair no sono e logo os outros dois decidiram deitar também, provavelmente o dia seguinte seria muito cheio.
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Dean não conseguia parar de se mexer no sofá-cama, não era confortável e muito difícil de se ajustar, depois de ter dormido mais ou menos umas três horas e alguns cochilos decidiu desistir de dormir e só descansar os olhos. Foi em uma dessas viradas tentando se ajustar melhor que viu a cama da garota imaginar que ela só havia saído pra uma volta de madrugada, mas não pôde ignorar o fato de que ela poderia ter fugido enquanto eles dormiam.
Levantou pronto para chamar o irmão, mas parou quando viu a mochila de Aurora com as coisas dela ali. Olhou para a porta do quarto e a percebeu entreaberta; era possível enxergar a sombra da garota pela fresta. Pensou em ir lá e mandá-la entrar rápido, mas pensou no que Sam tinha lhe dito sobre ser mais gentil com ela, talvez esse fosse um bom momento para tentar isso.
Abriu a porta tetando não fazer muito barulho, não queria acordar o irmão e nem assustá-la. No entanto, notou que ela estava muito distante para prestar atenção na presença dele. Aurora observava a lua, mas não parecia estar olhando realmente para ela.
– Não quis te assustar — se desculpou ao vê-la se assustar por ter notado a chegada dele.
– Tudo bem. Eu que estava distraída demais, se fosse um monstro já teria me matado.
– Então ainda bem que eu não sou. — Dean sorriu sem jeito, mas não teve resposta, ela nem sequer o olhou. — Você ta bem?
– Não precisa se preocupar, eu vou ficar.
– Não tem problema se sentir assustada com o que ta acontecendo, é muita responsabilidade e..
– Não se trata de ficar assustada — agora ela o olhou e ele pode ver os olhos castanhos marejados, o tom dela não era raivoso, seu rosto parecia cansado e irritado — não tem a ver com ter medo e nem com responsabilidade.
Os dois ficaram em silêncio por um tempo e Dean podia imaginar como ela se sentia, não queria forçá-la a falar; quando se preparou para levantar e deixá-la ali ela finalmente disse algo.
– Eu não sei como reagir. Eu nunca tive nada e agora eu tenho que salvar tudo. Não me entenda mal, vou ficar do lado desses malditos anjos corruptos e nem desses demônios nojentos, mas as pessoas não são exatamente maravilhosas. Nós cometemos erros, somos muito corruptos, somos cruéis uns com os outros. — ele não soube o que dizer, porque concordava com ela — E mesmo que a gente ganhe essa porcaria de guerra.. Não acabaríamos com todos os monstros e nem todos os demônios. Eles sempre vão estar ai pra ferrar com a gente. Quer dizer.. sempre vai existir algo horrível pra ser combatido.
– Não tenho certeza se isso vai te ajudar com algo, mas eu penso que enquanto existir dez maças boas na árvore e todas forem podres, não vale a pena derrubá-la. E sobre os monstros, você ainda é muito nova. Tem chance de desistir dessa vida e tentar algo melhor.
– Tipo o que? Uma faculdade? Um namorado? Uma família?
– É, talvez. — Aurora voltou a olhar para a lua e Dean sabia que tinha chegado no ponto.
– Sabe que o Bobby não é meu motivo pra ter me tornado uma caçadora né? — como não teve resposta, ela imaginou que não — Eu fiz tudo errado naquela noite e quase matei nós dois. Um tempo depois eu fugi do orfanato, mas certas coisas nunca mais saem da sua lembrança. Era um lobisomem e ele matou duas das minhas colegas de quarto. Quando eu consegui sair de lá.. Eu achei alguém e tentei seguir em frente.. — ela se encolheu e ele temeu que ela caísse nas lágrimas, mas respirou fundo e retomou o controle. — eu engravidei e a família dele me acolheu. Eu devia ter 18 anos quando aconteceu.. Um demônio me possuiu e me fez matar a família toda e quando ele percebeu que eu saberia o que fazer pra tirar ele de mim caso eu tomasse o controle...
Ele não estava olhando o rosto dela e só depois de um tempo sem dizer nada ele soube que ela não estava bem e quando se virou, viu os olhos castanhos fechados e pequenas lágrimas escorrerem de seus olhos. Deu um passo em sua direção e colocou a mão em seu ombro, Aurora o olhou e não conteve a vontade de abraçá-lo. Ele a sentiu soluçar baixo e em menos de dois minutos sua respiração tinha voltado ao normal.
– Ele matou meu filho dentro de mim.. meu corpo foi destruído por dentro e todas as chances de construir uma família acabaram pra mim. Eu não sei se seria capaz de me aproximar assim de alguém de novo. Essas coisas sempre voltam.
Assim que voltou ao normal se afastou de Dean, mas não houve constrangimento, os dois sabiam que ela precisava disso e dali em diante ele não poderia mais vê-la da mesma maneira. Não era mais uma garota inconveniente.
– Sabe, não deve ser tão ruim assim não ter pais.. eu sei que o meu era um saco. — antes que pudesse rir, Aurora tinha lhe dado um leve empurrão, não tinha intenção de machucá-lo, só deixar claro de que não tinha gostado do comentário.
– Vocês vivem reclamando do pai de vocês, mesmo das maneiras mais sutis possíveis, mas isso me irrita demais. Ele pode ter sido uma porcaria de pai, mas pelo menos vocês tiveram um. Ele cometeu erros, ok, mas todos nós cometemos também. Não preciso citar o de vocês dois não é mesmo? E mesmo que não tivessem tido um pai.. vocês tem o Bobby. — ela riu sem humor e entrou no quarto.
Ali, Dean soube que as coisas voltariam ao normal. Ou quase.
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