Another Day in Paradise
24 Puzzle
Notas iniciais
Escola Ooo (Quarta – 07:13 da manhã)
Dizem que tudo que é bom passa rápido, e foi exatamente o que ocorreu com a turma do primeiro ano da Escola de Ooo: Os dias no acampamento passaram voando. Mas, dizer que não aproveitaram nada, isso é uma total mentira.
Além de mergulhos nos lagos e piscinas de lá, também fizeram passeios em trilhas, fizeram piqueniques, sentiram a natureza. E repousaram bastante, tanto fisicamente quanto psicologicamente, e o dia de terça-feira de repente surgiu no calendário. O dia de ir embora.
Finn e sua turma foram se despedir do coordenador, já que conseguiram sua amizade depois do dia na caverna, não foi triste como o pequeno imaginava, afinal, com as redes sociais e outros aplicativos, o mundo ficou pequeno. E o lobisomem pediu o facebook de todos, mas, estranhamente, pediu somente o número do celular de Finn em um momento em que todos já caminhavam para o ônibus.
É claro que Finn nunca notara durante todos aqueles dias o coração do lobo. Inocente.
Ele dormiu a viagem toda de volta no ombro de Marshall Lee, que escutava música enquanto assistia o mundo pela janela. Marceline e Jujuba conversaram durante todas as horas no ônibus e comeram bastante coisa que a vampira trouxe.
Uma coisa muito boa que o pequeno agradeceria eternamente para o acampamento é que os dias em que Marshall e Chiclete permaneceram juntos todas as noites fizeram os dois pararem de se odiar, o vampiro era agora capaz de se juntar a Finn para comer os deliciosos pratos que o rosado fazia. E eles conversavam, mesmo que não tanto quanto Finn, mas falavam um com o outro! O loiro imaginava se um dia não poderiam ser amigos. Para ele, Chiclete estava sendo muito gentil, não é nada que o vampiro falava dele quando começara seus dias na escola. É claro que se lembrava da conversa que tivera com Chiclete na festa da Caroço, o rosado gostava.... Não, amava o pequeno também. E estava esperando uma resposta de Finn. Mas o pequeno tinha medo do que Marshall Lee poderia fazer com o rosado se descobrisse isso, por isso o loiro, por própria segurança do amigo, não tentava descobrir se corresponderia seu amor com ele ou não. Mas... Sentia um carinho muito especial por ele, isso nunca poderia mentir.
Era a manhã de quarta, Finn inspirou o ar quando saiu do ônibus, não era tão gostosa igual ao da natureza, mas a Escola Ooo era especial para o pequeno, era praticamente sua segunda casa, e estava com muita saudade dela. Não pelas aulas e as outras coisas chatas, mas pelo resto. E principalmente...
–Dona Tromba! – Finn gritou feliz, correndo para atrás do balcão que ela estava.
–Oi, meu lindinho. – Ela sorriu amorosamente. – Como foi de viagem?
–Muito bem!
–Fico muito feliz... – Ela ria quando percebia que os olhos do garoto encaravam os salgados e os doces que estavam expostos para os alunos comprarem.
–Dona Tromba, antes de começar a aula, quero matar a minha saudade de seus salgados de frango.
–Claro meu amor. – Ela disse, pegando um. – Cinquenta centavos
–O que? – Perguntou Finn, assustado. – Aqui está dizendo que é um e cinquenta.
–Não estou aqui para ganhar dinheiro, Finn. – Falou com a voz mais doce do mundo. – Meu objetivo é alimentar vocês.
–Tá bom, né. – Falou o loiro, dando dois reais para a elefanta.
–Mas o que? Eu...
–Gorjeta! – Gritou o loiro, correndo para a escola.
A senhora riu, guardando o dinheiro.
–Esses jovens de hoje em dia...
O pequeno correu, encontrando Marshall Lee e as meninas.
–Já está comendo?! – Perguntou Marceline, surpreendida.
–E é tão magro... – Murmurou Jujuba.
–Estava com saudade da comida da Dona Tromba. – Se desculpou o loiro.
–Você tomou café hoje? – Perguntou a morena.
–Sim, comi duas panquecas, ovos com bacon, pão com geleia de morango e...
–Já entendemos! Você come demais! – Riu a vampira. – Estou com dó do Marshall Lee quando for morar com você.
–Morar comigo? – Perguntou o loiro, confuso.
–É... Se der tudo certo. – Falou o moreno, colocando seu braço nos ombros do pequeno, o puxando para si. – Poderemos nos casar.
–C-Casar? – Perguntou Finn, vermelho de tanta vergonha.
–Sim, igual eu e a Jujuba. – Falou a morena. – Iremos nos casar no futuro.
–Ai gente, já falando de casamentos! – Sorriu a rosada, balançando a cabeça em negação. – Temos apenas 15 anos!
–Eu tenho mais idade que vocês, se não se lembram. – Murmurou o maior.
–Mas você tem que esperar Finn alcançar a maioridade.
–Bem, o que é esperar alguns anos? Já esperei tantos séculos... – Comentou, beijando a testa do pequeno.
–O que aconteceu com meu irmão?! – Perguntou Marceline, surpresa, mas com um sorriso sacana no rosto – Desde quando você adoçou tanto assim, Marshall?
–Desde que conheci o Finn. – Falou ele, rindo.
De repente, o sinal tocou. Por sorte, bem na hora o pequeno estava no seu último pedaço, engolindo-o de uma vez e jogando o papel no lixo mais próximo.
–Estamos na metade do primeiro bimestre... – Murmurou Marshall Lee, arqueando a cabeça para cima, desanimado.
–Qual é o problema? – Perguntou Finn.
–Provas. – Todos falaram em uníssono.
–Estou ferrada! – Gritou Marceline.
–Também. – Murmurou Marshall Lee.
–Vamos, não sejam tão negativos! – Falou Jujuba, tentando animá-los.
–Diz isso por que você tira dez em todas! – Murmurou o moreno.
–Bem, sorte minha. – Riu Marceline, abraçando a rosada pelos ombros. – Eu consigo estudar com ela.
–E pegar cola também. – Provocou o irmão, ganhando um tapa no braço da irmã.
–Calado! Ninguém pode ouvir. – Riu a morena.
Finn estava um pouco nervoso, afinal, seu maior medo estava chegando cada vez mais: As provas. Prometera a si mesmo que tiraria notas melhores nesse ano, acreditava que podia conseguir isso, mas a sua insegurança era grande.
Assim que todos foram para seus lugares na sala.
E a primeira coisa que passaram para eles, como se seus amigos soubessem ler o futuro, era os dias das provas.
–Que beleza... – Sussurrou Finn, olhando para o papel.
Era uma por dia, mas duraria duas semanas. Felizmente, começaria na próxima semana, assim teriam esta para estudarem.
–Sabia que todos esses dias no acampamento seriam para que em seguida viesse isso. – Falou Jujuba, fazendo Finn e os outros virarem para ela.
–Era muita coisa boa para ser verdade. – Respondeu a morena, sentada atrás dela.
–Cara, vai ter três dias seguidos em que terá química, biologia e física! – Murmurou Marshall.
–Você não é bom nessas matérias? – Perguntou o loiro, surpreendido.
–Nem um pouco. – Respondeu. – Foi por causa de biologia que eu repeti.
–Eu posso ajudá-lo se quiser.
–Você é bom nessas áreas, Finn? – Perguntou Jujuba.
–Eu quero ser médico quando crescer e ajudar as pessoas. – Respondeu Finn. – E pude ver que esse sonho meu se tornará realidade quando vi que era bom nessas áreas.
–Uau! – Sorriu a rosada, orgulhosa.
–Boa sorte. – Falou a morena. – Ser médico é uma batalha bem grande, principalmente na hora que você conseguir entrar em uma faculdade.
–Verdade, mas... Mas eu conseguirei! – Afirmou o pequeno, com muita determinação.
–Assim que se fala. – Sorriu o moreno, dando tapinhas nas costas do loiro.
Mas infelizmente, não conseguiram falar por muito tempo, a professora começou a dar sua aula. E agora sabendo que teriam prova, os alunos prestavam mais atenção do que qualquer outra coisa.
Jardins de Ooo (Mesmo dia – 9:37 da manhã)
Todos se encontraram com seus lanches nas mãos. E Finn ria muito com o que Marceline dizia, pena que estava fora de alcance dele, queria muito ouvir.
Chiclete estava novamente na sala de aula, olhando todos na janela, isso já se tornou diário para ele. Não comia no recreio, mesmo que tentasse pela promessa feita com o moreno, não tinha fome.
–Chiclete. – Chamou a loira, fechando a porta em seguida.
O rosado se virou, vendo Fionna olhar seriamente para ele.
–Como está o caso entre você e Finn? – Perguntou, cruzando os braços.
Droga. Esquecera completamente disso.
–Está normal. – Falou firme, não queria se rebaixar perto de Fionna. – Já disse que não quero forçá-lo a nada, mas, ainda sim, estou cada vez mais amigo dele.
–Ótimo, parabéns. – Falou irônica, caminhando brava para ele. – Mas a cada dia também, Marshall e Finn ficam mais íntimos, e por consequência, se apaixonam cada vez mais!
Chiclete se irritou.
–Escuta aqui Fionna, eu...
–Escuta aqui você! – Gritou Fionna, apontando para o rosto do garoto. – Você está sendo um completo imbecíl, Chiclete. Saiba que logo, logo não poderá nunca mais separar eles. Já estão poucos meses juntos e já estão assim, imagina se deixar um, dois anos passarem! O tempo corre como um instalar de dedos, e você está bobeando demais para meu gosto. Eu prometi para você que não falaria da Coca-Cola para ele...
–Espera! O que você está querendo dizer com isso?
–Se você não conseguir fazer nada... Eu vou ter que me movimentar sozinha! – Ameaçou.
–Sabe o quanto vai machucá-lo se fizer isso?! – Gritou ele, furioso.
–Eu quero o Marshall Lee. – Falou firme. – E vou fazer de tudo para ter ele.
Chiclete mordeu o lábio inferior, vendo ela caminhar em direção a porta. Até que, por reflexo, disse:
–Por todos esses anos, não sei se você não se tocou ainda. Mas olha para a janela: Marshall Lee é gay. Nunca gostará de garotas.
A loira parou, se virando para o rosado, sorrindo.
–Eu sei das aventuras dele, Chiclete. Mas lembra que um dia ele ficou comigo?
O coração do rosado doeu.
–É... Ele gosta de garotas também. – Sorriu vitoriosa, saindo da sala e fechando a porta.
O garoto apoiou seu corpo na parede da sala, massageando sua cabeça cansada com a mão direita. Se contasse para ela o porquê ele fez aquilo, com certeza entregaria o namoro que ele teve com o moreno.
Devemos sempre pensar em nossas atitudes, Marshall Lee, além de machucá-lo naquele dia, ainda fez com que a loira gostasse dele, e ela sofreria futuramente, mesmo não tendo nada a ver com a história.
De repente, a porta se abriu novamente. O rosado caminhou seus olhos na direção desta, encontrando o vampiro com um lanche nas mãos.
–Você me prometeu que comeria. – Falou.
–Eu já tentei, mas não estou com fome.
–Então vai se forçar e engolir um pouco. – Disse, entregando o lanche em suas mãos, olhando fixamente em seus olhos.
O rosado encarou o lanche de ótima aparência que o maior comprara para ele, fechou os olhos, prometera para ele naquele dia, e sem falar que seu médico dizia que ele estava abaixo de seu peso, e que era perigoso para ele pegar alguma doença.
Assim que os abriu novamente, viu que o vampiro não sairia dali até ele terminar de comer aquilo. Não teria mesmo outra alternativa.
Desembalou o lanche e deu sua primeira mordida, o sabor era realmente incrível, mas sua falta de fome dificultava em tudo. Fazendo-o engolir com dificuldade.
Enquanto comia, o maior observava pela janela, vendo o loiro rolar no chão de tanto rir com as conversas das garotas, elas estavam contando piadas suas, do que aprontava quando era menino. Já passara por cada uma tão vergonhosa, e agora ele estava sabendo de tudo.
–Escuta Chiclete... Por que você fica aqui na sala no recreio?
O rosado engoliu a comida de sua boca, limpando-a em seguida com o guardanapo que viera junto.
–Por que a pergunta?
–Assim, você não fica com o Lorde ou com a Fionna?
Aquele último nome fez seu coração doer um pouco, principalmente por causa da conversa que tiveram a uns minutos atrás.
–Gosto de ficar aqui. — Disse simplesmente, o que não era mentira.
–E por quê?
Chiclete engoliu saliva, olhando para o chão. Ele o acharia um perdedor se falasse o porquê.
–Nada de importante. — Respondeu, dando uma pequena mordida no lanche.
–Sei... — Falou desconfiado, sabia muito bem quanto Chiclete mentia para ele. — Antes você ficava com eles, mas depois não mais, eles fizeram alguma coisa com você?
–Já disse, nada de importante. — Falou emburrado.
–O Lorde e a Fionna brigaram com você?
–O Lorde nunca fez nada comigo! — Gritou ferozmente, assustando um pouco o vampiro.
Lorde sempre foi seu melhor amigo, sempre quis seu bem, e ele o considera seu irmão. Nunca deixaria que falassem mal dele.
–Então por que ele não vem ficar com você? — Perguntou confuso.
–Ele tem que dividir seu tempo comigo e com a namorada, a Cake. — Falou, olhando para o chão enquanto conversava com Marshall.
–Então recreio é o tempo da Cake. — Concluiu. — E a Fionna? Já que a Cake fica com ele, ela não fica sozinha? Devia ficar com você.
–Ela fica com a Caroço e as outras.
–E você tem algum problema com elas?
–Não.
Marshall só podia tirar uma conclusão: Fionna que era o problema.
–A Fionna fez algo com você?
–Por favor Marshall Lee, já foram perguntas demais.
Toda vez que ele tentava fugir do assunto, era por que havia acertado em cheio.
–Vocês se davam tão bem antes, o que houve?
–Para Marshall. — Falou firme, mas por dentro, seu coração doía.
–Ela brigou com você?
–Marshall Lee! — Gritou bravo.
–Te magoou?
Desta vez, o rosado ficou calado, olhando para o lado contrário de Marshall Lee, comendo o lanche apenas para ocupar seu tempo, mesmo que estivesse quase passando mal. A verdade era que Fionna mudou muito depois de conhecer a Caroço, antes ela era bem legal e gente fina, mas depois que conheceu a outra garota, começou a se dar uma de "menininha gostosa", assim que parou de falar com o rosado e as vezes até o insultava por ser gay. E sem falar que... Foi justo com ela que Marshall Lee se vingou dele, como não odiar a questão dela ter aceitado? Mesmo ela não sabendo dessa história... Foi muita, muita mancada.
Marshall Lee deduzia a questão dele com a Fionna. Não era idiota.
–Já conversei com ela que eu não queria nada fazendo aquilo. E sabe muito bem que o que eu fiz naquele dia foi um erro, estava com raiva, e aconteceu.
–Não quero falar sobre esse assunto agora, Marshall Lee. — Falou emburrado, ainda não olhava para o moreno, a tristeza havia se transformado em raiva.
De repente, sentiu Marshall Lee segurar em sua mão, fazendo o rosado olhar para ele, surpreso.
–Me desculpa. — Pediu, com toda a sinceridade do mundo. — Eu fiz muita bosta, e eu sei que eu sou um completo mané.
Chiclete respirou fundo.
–Eu entendo o porque você fez aquilo. — Disse simplesmente.
Quando terminou de falar aquilo, ouviu a porta abrir novamente, em milésimos de segundo Chiclete puxou sua mão de Marshall Lee. Mas, a presença do pequeno era o que os dois mais queriam.
–Nossa, vocês ficaram realmente bons amigos! — Falou feliz.
–Estamos apenas conversando. — Falou Chiclete, deixando o moreno um pouco chateado, mas, sabia que ele só queria disfarçar.
–Então... — Falou o loiro, chegando perto dos dois, olhando com um sorriso estampado no rosto. — Chiclete, já que você e o Marshall não são mais rivais, por que não vem lanchar com a gente?
O moreno sorriu interiormente, era o que ele iria propor. Amava o pequeno.
–O que? Não, não. — Falou, terminando de comer o lanche. — Eu estou bem aqui.
–Qual é! Aqui é muito solitário! E além do mais, vou poder ficar mais com você! A Marceline e a Jujuba também querem te conhecer.
–Mas...
–Você não tem nada a perder! Se quiser, pode até ficar no meu grupo se quiser! Seremos ótimos amigos!
Chiclete expirou, nervoso. Aquilo era muita coisa.
–Vamos... — Pediu Finn, segurando na mão do rosado.
Marshall Lee estava muito surpreso, Finn era a insistência em pessoa. E era disso que precisava com o rosado, era isso que faltava nele.
O rosado olhou para o pequeno, respirando fundo.
–Vou tentar.
Faltou somente o loiro pular de alegria e já o moreno estava muito surpreso interiormente: Nunca na vida dele que ele conseguiria fazer o rosado dizer uma coisa dessas.
O pequeno pegou o rosado pelo pulso, levando-o às pressas para fora da sala, enquanto o coitado do Chiclete andava entre os tropeços, e atrás dele, Marshall Lee sorria, andando com a mão nos bolsos.
As coisas estavam dando certo, e uma ideia surgia em sua mente.
Quadra de Ooo (Mesmo dia — 15:36 da tarde)
Chiclete acreditava que não iria dar muito certo a questão de fazer amizade com as meninas, mas elas eram bacanas e gente fina. Jujuba não via muito problema com ele, já a Marceline, que sempre acreditava nas palavras de seu irmão, desconfiava interiormente, mas, percebeu ao longo das conversas que Finn tinha razão, o rosado era bem legal. E quando o recreio acabou, as duas ficaram pensando no motivo de Marshall ter dito todas aquelas besteiras do rosado. Bem, as vezes não vamos com a cara de algumas pessoas, ficando com o pé atrás, e isso é normal, acontece com todos. Talvez isso que aconteceu com o vampiro.
Quando Finn deu a notícia para elas, as garotas imediatamente o acolheram, deixando até mesmo o próprio Chiclete um pouco sem graça, já que sempre se acostumou a ficar sozinho.
Quem sabe desse certo.
Agora estavam tendo aula de educação física, enquanto os garotos davam tiros de corrida, as garotas jogavam futebol. Para Marceline, aquilo era fácil demais, já que, bruta de natureza, costumava assustar a goleira, que preferia sua vida do que perder a bola, marcando vários pontos.
Eram três times, assim que o da vampira foi para a arquibancada, enquanto o outro time que antes estava sentado, ia jogar com o time perdedor.
–Você é uma monstra. — Falou Jujuba, rindo, enxugando o suor de seu pescoço com a toalha que carregava.
Estava de cabelo preso, em um perfeito rabo de cavalo, usava shorts e camiseta esportiva rosa. Já a outra, estava também com o cabelo preso, mas um pouco descabelada devido a sua selvageria, usava uma bermuda preta, já que costumava cair enquanto jogava e não queria joelhos ralados; uma camiseta esportiva branca, pois num calor daqueles, ninguém merecia usar preto.
–Por que tal adjetivo para mim? — Perguntou a outra sorrindo, tomando um gole de sua garrafinha de água.
–Sabe muito bem porquê. — Falou, sentando-se.
A outra sentou-se do lado dela.
–Parece que só eu que levo o esporte a sério, por isso que costumo ganhar.
–Você parece um animal correndo atrás de sua presa... Olha só a situação do seu cabelo! Deixa eu arrumar.
A outra sentou em uma escada abaixo de Jujuba, ficando de frente para quadra e de costas para as pernas da outra, que tirava o elástico do cabelo da outra e a arrumava.
–Sabe o Chiclete? — Perguntou Marceline.
–Hum? — Perguntou a outra, segurando o elástico na boca.
–Então, percebi que tem algo de estranho com ele.
–Como assim? — Pegou o elástico de sua boca, prendendo os cabelos negros.
–Ele está meio abatido.
Aquelas palavras chocaram a Jujuba, mas nunca desconfiava das palavras da morena, ela tinha um dom de enxergar os outros. E sempre, sempre acertava.
–O que você quer dizer com isso, Marcy?
–Conheço ele há muito tempo, sei como ele era antes. Tipo, de boa. Depois eu me afastei um pouco dele porque meu irmão me contou que ele era um péssimo caminho, mas agora, que eles se deram bem de novo, percebi que algo mudou nele.
–Como assim " se deram bem de novo"? — Perguntou a garota, terminando de prender o cabelo.
A vampira se virou, ficando de frente com a rosada.
–Eles conversavam antes, acho que eram amigos.
–Sempre achei que eram rivais...
–Não, é que eu fico mais com meu irmão, então via que ele conversava bastante com ele.
–E por que brigaram assim tão feio?
–Sei lá, coisa de garoto. — Murmurou, sentando-se do lado da outra.
–Sinto que tem alguma peça faltando. — A rosada murmurava, afinal, não é qualquer briga que faz com que duas pessoas fiquem tanto tempo assim sem se ver.
–E outra coisa, acho que Chiclete é gay.
–Como?! — Perguntou a rosada, fingindo surpresa, já que soubera disso com o loiro.
–O jeito tímido dele, sem falar do jeito que ele olha para Finn e Marshall. — Sorriu a morena de canto.
–P-Para o Marshall?!
–Ué, por que não ficou surpresa com o Finn?
Desta vez, a rosada se calou.
–Você já sabia, não é? — Perguntou a morena, aborrecida.
–Desculpe, o Finn me fez prometer que eu não contaria.
A morena respirou fundo.
–Tudo bem, quando tem promessa na parada até entendo.
–Mas Marcy, o Marshall?
–Assim, ele olhava bastante para os dois, mas do que para nós duas que somos meninas, então dava para deduzir. E sobre o seu olhar, para o Finn era um carinhoso, agora para meu irmão... Sei lá, meio confuso.
–Você consegue descobrir muitas verdades com esse dom que você tem, Marceline. O do Finn, é que ele o ama, já para Marshall, talvez seja porque acha estranho estarem andando juntos assim de repente.
–Exato. — Falou, sorrindo em seguida, olhando para o chão. — Sabe, foi assim que vi que você iria retribuir meu amor.
Jujuba olhou para ela amorosamente, depositando um beijo em sua bochecha. E no final, resultou da morena abraçando a rosada, enquanto esta estava com a cabeça deitada em seu ombro.
–Ei Marceline...
–Oi?
–O que será que mudou no Chiclete? E o principal: O que fez ele mudar desse jeito?
–Isso eu não sei dizer... Nem ao menos deduzir.
Jujuba estava pensativa, afinal, o quebra-cabeça dessa história não estava incompleto por que as peças não se encaixavam, e sim, por que faltavam peças.
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