Notas iniciais
Eu sempre dono dos melhores títulos ♥

Narrador P.O.V

Do outro lado da Inglaterra, em uma cidadezinha afastada, um jovem de longos cabelos loiros chamado Killer vivia. Sua principal característica era o fato de sempre utilizar uma máscara, mas o motivo por trás disso era um tanto quanto estranho. Ele a colocava para soldar carros, mas acabava esquecendo de retirá-la e por isso, vivia com ela.

Neste exato momento, um outro jovem chamado Eustass Kid havia acabado de chegar na oficina do amigo. Os dois se davam indiscutivelmente bem, tanto é que costumavam matar o trabalho para frequentemente irem beber e sempre trocavam assuntos variados. Se conheciam desde a infância, então o laço deles era bem forte.

– Yo, Killer. – O ruivo chega e o cumprimenta com uma batida de mãos. – O que mandas de bom?

– E aí, Eustass. – E o outro retribui, do mesmo jeito. – Cara, cê não vai acreditar, eu acho que a torneira da minha pia quebrou. Tô achando que não tem conserto...

– É sério? Essa foi a grande "emergência" que você inventou pra me trazer até aqui?

– É um assunto bem emergencial.

– Tsc... você tem sorte que o Law não costuma perguntar o motivo de eu vir pra cá.

– Eu aposto que ele também não sabe consertar torneiras.

O ruivo bufou, mas acabou cedendo pelo problema do loiro e foi até a casa dele, que se tratava somente de um chalé de madeira em cima de um pequeno morrinho, mas que era bem confortável. Assim que chegaram ao destino, foram direito para a cozinha onde Eustass constatou que o problema era somente um algodão que estava preso na torneira, causando entupimento.

– Jura? Um algodão?

– Nossa, eu nem tinha reparado!

– Também esqueceu de tirar a máscara?

– Eu, ahn– Antes que Killer pudesse responder, Eustass usa suas mãos para retirar a máscara do loiro e puxa sua nuca, dando-lhe um beijo de língua, que foi logo correspondido. Ao se separarem, o loiro pôde voltar a falar. – Eu sou esquecido...

– Você só é péssimo em inventar desculpas. Se quiser me arrastar pra esse sítio desgraçado, pelo menos diz logo.

– Ótimo então. – Ele puxa o rosto do ruivo e volta a beijá-lo, usando mais língua dessa vez, até Eustass pressionar sua cintura e o arrastar para trás, segurando suas pernas e o obrigando a sentar na mesa da pia. – Eu vou melhorar as minhas desculpas se você dormir aqui hoje.

– Eu não posso fazer isso, idiota. – Dá uma série de mordidas no pescoço do outro, desabotoando sua camisa preta com bolinhas brancas. – Eu sou casado.

– Quando você vai largar esse cara pra ficar comigo? – Pergunta, retirando a camiseta verde que Kid vestia, puxando seus cabelos vermelhos.

– Nunca. – Volta a beijá-lo nos lábios, tirando seu cinto e puxando suas calças junto com a cueca, dando arranhões em seu corpo. – E se você continuar me pedindo isso, eu não vou voltar aqui.

– Mas custa dormir aqui? Amanhã é domingo, diz que uma vaca foi atropelada e as estradas fecharam.

– Tsc, você precisa fazer um curso de aprender a dar boas desculpas...

– Então me ensina. – Killer enfia a mão no bolso de Kid, apalpando-o propositalmente, e retira seu celular, mostrando para ele. – Vai, liga pro Law e termina logo com isso.

– Como você é irritante. – Eustass acaba caindo na tentação e telefona para seu marido.

(...)

Trafalgar P.O.V

Poderia ser um dia normal, poderia ser com outra pessoa em outra situação. Eu não sei exatamente porque não me afastei quando tive a chance, deveria ter pensado nas inúmeras probabilidades de ações que eu poderia fazer para salvá-lo, sem ser com essa maldita respiração. Mesmo assim...

Centenas de pessoas ao nosso redor, algumas que já foram embora, outras que adoram uma novela mexicana na vida real. Rosinante puxou meus cabelos e me beijou. Na verdade, está me beijando. Nossos lábios não se afastaram, o choque de realidade que eu sinto me impede de realizar qualquer ação, mesmo eu sabendo muito bem qual seria o certo a se fazer, até que no separamos naturalmente.

– Ahn...

– Ahn?

– Hãn....

– ... Oi.

– Oi?

– ... o quê?

– O quê... o quê?

– Nah, é..

– É... que...

– Tipo... C-Chega disso!

– D-D-De-desculpa! E-E-Eu achei que era... outra pessoa...

– Sério?

– N-Não...

– ...

Levantei-me rapidamente, todas as pessoas foram saindo, o que me deixou um pouco mais tranquilo. Limpei meus lábios com toda a força, virando de costas para esse sujeito estranho afim de não querer encará-lo nesse momento. Eu não sabia muito bem o que havia acontecido, como havia acontecido... não sei direito o que pensar sobre essa atitude, é tudo muito confuso e...

[Som de celular tocando]

– Puta merda, fudeu. – O Kid me ligou e eu atendi. – E-Eustass, eu juro que não fui eu, é tudo um engano! É um clone! Olha, eu posso explicar, eu sou uma vítima, m-mas também não precisa culpá-lo. A culpa não é de ninguém! Se você quiser culpar alguém, culpa a porra do pato, mas por favor não mata ninguém que eu sei que você é–

"E-Ei, ei, ei, de que merda você tá falando? Que pato?!"

– V-Você não sabe..?

"Sei do quê?"

– Q-Que eu te amo.

"Ahn... você tá bem?"

– Tô ótimo! É que eu tô na feira de medicina e acabei ingerindo... coisas.

"Sério..?"

– Sério.

"Eu devo me preocupar?"

– Nah, tá de boa.

"Então tá. Eu liguei porque aquela merda do Killer quase explodiu a porra da oficina, então eu vou precisar dormir aqui."

– Boa sorte aí então, cuidado pra não se implodir.

"Brigado e... não ingira coisas."

– T-Tá, beijos. – Desliguei o celular.

Soltei um suspiro de alívio pois eu estava momentaneamente salvo de sofrer alguma possível tentativa de homicídio e tomei coragem para virar para trás, na direção onde eu tinha certeza que Rosinante ainda estava deitado no chão e, de fato, eu estava certo. Ele suava frio e eu fiquei o encarando, acho que de forma nada amigável.

– Me desculpa. – Ele se levantou, de um jeito totalmente descuidado. – E-Eu... é que você tava perto, aí...

– Você tava se afogando, eu sou médico. É claro que eu ia estar perto, não acha?

– Eu sei, é que... eu sou um idiota.

– Disso eu já sei.

– Desculpa. – Ele apoiou sua mão em minha bochecha, me obrigando a encará-lo. – Eu quero te pedir desculpas desde aquele dia, eu sinto muito por tudo aquilo, mas desde que nós saímos eu não consigo parar de pensar em você, aí... quando eu abri os olhos e te vi tão perto... eu achei que era um sonho.

Fiquei o encarando sem palavras, sem saber o que dizer, até porque nós paramos de nos falar graças a mensagem que o Eustass enviou a ele, fingindo ser eu. Acho que sou eu quem devo um real pedido de desculpas aqui, mas antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ele se virou e foi embora.

– Espera... – Mas eu o puxei pelo braço. – Rosinante.

– Hm?

– Quer ir lá pra casa?

– Hein? – Não sei porquê, mas ele fez uma careta muito estranha e começou a balbuciar. – S-S-Sé... sé-sério?! T-Tipo... eu, ér... não... é que... bom, eu... mas....

– Isso é um sim ou um não...?

– N-Não, q-quer dizer, s-sim, mas... é... que... por quê?

– Porque nossas duas roupas estão encharcadas e eu tenho medo de você pegar um resfriado. Além disso, eu acho que precisamos conversar.

– Ah... verdade... as roupas estão molhadas... – Ele fica pensando por alguns minutos, mas logo volta à realidade. – Caramba, as roupas estão molhadas, essa roupa aqui é do Doffy! E-Ele vai me matar!

– Tá com as roupas do seu irmão..?

– É que... tem o cheiro dele...

– ...

– N-Não pensa besteira, por favor...

– Você vem ou não?

– V-Vou.

(...)

Pegamos um táxi e fomos até onde eu morava, conforme o combinado. Não cheguei a mostrar a casa direito, só o guiei até o banheiro onde peguei uma toalha para mim e disse que ele podia tomar banho, colocar as roupas molhadas no cesto que eu levaria para secar. Após todas as instruções dadas, deixei ele sozinho no chuveiro.

E fui trocar de roupa, separando uma camiseta branca e uma calça jeans minha para ele usar. Voltei a ficar no sofá, um pouco preocupado se existiria probabilidade dele escorregar no sabonete ou algo assim, mas felizmente não ouvi nenhum barulho estranho então fiquei mais calmo. Um tempo depois que ele saíra, já tinha deixado as roupas no banheiro, então ele estava vestido.

– Brigado pelo banho, acho que eu tô te atrapalhando muito.

– Senta aqui. – Apontei para um lugar no sofá ao meu lado. – Acho que a gente precisa conversar.

– Olha, eu não quero te causar problemas, nem te separar do seu marido e nem nada disso, eu juro que eu não sou um aproveitador destruidor de famílias nem nada do gênero! E-Eu sou uma boa pessoa, eu era pelo menos...

– Rosinante...

– ... Mas é aquilo, eu acordei com você tão perto de mim e... n-não, eu não tô tentando transferir a culpa pra você! A culpa é minha! V-Você tentou me salvar e eu agradeço por isso, mas é que eu–

– ROSINANTE.

– Oi.

– Não fui eu quem te mandei a mensagem dizendo pra você parar de me procurar.

– Não?

– Não. Isso ficou na minha cabeça o tempo todo, eu me senti culpado, mas a verdade é que o Eustass bloqueou e excluiu seu número. Eu tentei pegar na sua ficha médica, mas ele me ameaçou dizendo que olharia as câmeras do hospital.

– Nossa, aquela noite foi tão ruim assim?

– N-Não, foi ótima! É que ele é um pouco ciumento.

– "Um pouco"?

– Eu nunca tinha saído com ninguém antes, eu sou mais do tipo que fica em casa. Aí ele me viu com um estranho, bêbado na rua de madrugada, e ficou preocupado. É natural.

– É... eu acho...

– Enfim, eu queria te pedir desculpas pelo mau entendido, eu acho que te magoei. Não foi a minha intenção...

– Bom, eu fico aliviado de não ter sido você, mas mesmo assim... desculpa por hoje.

– Não precisa pedir desculpas toda hora.

– Preciso sim! O que eu fiz foi imperdoável, eu sou um idiota, desculpa.

– Tá tudo bem, vamos deixar isso como só um acidente, o importante é que você tá vivo.

– Ótimo, é melhor assim, eu não quero que você fique chateado comigo. Então é melhor eu ir agora, certo? Antes que o seu marido volte.

– Ah, ele vai dormir fora hoje, não se preocupa.

– Tem câmeras aqui?

– Não que eu saiba.

– Então eu posso ficar?!

– Você quer tanto assim ficar?

– T-Tá óbvio demais..?

– Sim... enfim, é até melhor porque aí você já leva suas roupas quando elas secarem.

– E o que a gente pode fazer agora?

– Quer ver um filme? Eu faço pipoca.

– Quero!

Coloquei o Pieceflix na televisão para ele escolher um filme e fui para cozinha, fazer a nossa pipoca. Fiquei me perguntando se ele teria coragem de colocar algo envolvendo gatinhos ou filhotinhos fofos, pois caso ele tivesse a ousadia de colocar uma porcaria dessas, acho que eu não me responsabilizaria por meus atos. Enfim, voltei para o sofá quando a pipoca ficou pronta.

– E aí, qual filme você escolheu?

– Dom Quixote de la Mancha, é o filme preferido do meu irmão.

– Nossa é um clássico, me surpreendeu.

– Você achou que eu iria botar algo do tipo "My Little Poney"?

– Sim, achei. Mas fala aí, você gosta tanto assim do seu irmão? Eu não consigo esquecer o fato dele ter te abandonado no hospital.

– Ah, o Doffy é uma boa pessoa, ele só não demonstra, mas eu gosto muito dele. Eu vou voltar pra França daqui há quatro dias, aliás.

– Sério?

– É, por isso que eu não queria ficar brigado contigo, eu vou ficar pouco tempo.

– É-É melhor vermos o filme e deixarmos esse assunto de lado...

As luzes já estavam apagadas e colocamos o filme. Já era finalzinho de tarde, eu não conseguia deixar de pensar em como o dia foi tão maluco e no fato de no final eu ter trago esse homem, que já causou tantos problemas mesmo sem intenções, pra minha própria casa. Será que isso tudo que eu fiz foi besteira?

Quer dizer, não devemos julgar as pessoas idiotas pelas idiotices que elas fazem, afinal, eu posso até ter aberto sua cabeça durante a cirurgia, mas não dava para ver se ele tinha alguma doença mental que o possibilitava cair por qualquer coisa. Ele era simplesmente desastrado, como se fosse um charme próprio.

Sério, com tanta coisa na cabeça nem dá pra prestar atenção no filme, então é melhor eu parar com os pensamentos pra ele não pensar que eu sou um complexado com a vida. Havia colocado um pote de pipoca no meio de nós dois e pegávamos o conteúdo praticamente juntos, chegando até a encostar nossas mãos, mas não é como se isso fosse relevante de alguma forma.

Q-Quer dizer... até não seria, se não fosse pelo fato único e exclusivo de que quando nossas mãos se encontravam no pote, eu sentia uma espécie de calor sobre-humano correr por uma de minhas veias e hesitava sempre em tirar, como se eu quisesse continuar ali. Não era pelo gesto banal e clichê, era pela aura que ele exaltava. Não sou muito de acreditar nessas coisas, mas a presença desse homem causa em mim um impacto tão grande. Um impacto de... proteção.

E o meu pobre cérebro frágil já havia sido completamente tomado por tamanho relumbre. Sua pessoa tinha em mim um choque tão forte que sua aura parecia reluzir, como se fosse um monte de barras de ouro escondidas no túnel subterrâneo mais escuro e solitário. Minha mão foi ficando parada, eu olhava fixamente para a televisão, até sentir e perceber que elas se juntaram e combinaram tão perfeitamente bem que o gesto nem foi estranho. Ele ficou acariciando minha mão com seu dedão, e...

– Droga! – Puxei minha mão para fora imediatamente, largando a dele em um susto.

– O que houve? E-Eu fiz alguma coisa errada?!

– Caralho, isso não tá acontecendo... – Levantei do sofá em um pulo.

– Huh? Isso o quê? É sobre o filme? O que houve?!

– A-Ali na janela... eu acabei de ver o carro do Eustass chegando!

– S-S-Sério?!

– S-Se esconde!

Caralho, que azar infernal! Se o Eustass vir essa pessoa aqui vai acontecer merda com toda certeza do mundo, então nem dá tempo de dar explicações. Levei Rosinante às pressas até a cozinha, me desculpando em modo de sussurro por tudo que estava fazendo e o deixei dentro de um armário que ficava embaixo da pia. Em seguida pulei no sofá, cruzei as pernas e fingi que nada havia acontecido, até a porta abrir.

– Yo, Eustass! Chegou ced–

– EU QUERO SABER... – Mas por algum motivo que eu não sabia, ele parecia quase explodir de tanta fúria e nem me deu oi, começou a gritar e correu na minha direção, puxando minha gola e me levantando. – EU QUERO SABER QUE PORRA É ESSA.

– D-D-Do que você tá falando? E-Ei, fica calmo!

– FICAR CALMO O CARALHO! – E me empurrou de volta no sofá, com tanta força que o móvel foi para trás e eu quase cai. – O QUE DEU NA SUA CABEÇA DE MERDA PRA FAZER ISSO?

– M-Mas do que você tá falando?! – E eu só ficava assustado, principalmente com os gritos. – S-Se acalma, toma uma água e me explica o que tá acontec–

– VOCÊ SABE MUITO BEM! Você sabe muito bem o que tá acontecendo, então para de mentir pra mim!

– O quê? O que eu sei?! E-Eu não faço ideia do que você esteja falando!

– EU TÔ FALANDO DISSO AQUI.

Ele pegou o celular do bolso e ficou esfregando o aparelho na minha cara, querendo que eu visse, mas estava tão agitado que minha visão estava toda embaralhada. Mesmo assim, peguei seu celular e... não... não... não... não.. não, não, não, não, não, NÃO! Que porra é essa? O que isso significa? Por quê?!

Em uma maldita postagem de uma das mais famosas redes sociais existentes, uma foto se sobressaia com um número de compartilhamentos tão grande que eu nem mesmo sei pronunciar. Seu conteúdo era, nada mais, nada menos que uma foto minha beijando o Rosinante no meio da praça com a legenda: "Manifestação de amor público é tão bonito *--* eles não são lindos, gente?? Compartilhe se você acha que toda forma de amor é valida! #CasalPerfeito"

– Eu... isso...

– Agora me diz. O que caralhos "isto" significa?

– Q-Que nós temos sorte de viver em um país tão mente aberta?

– QUE VOCÊ MENTIU PRA MIM! – Nem se importa de jogar o celular que se quebrou no chão, somente voltou a me pegar pela gola e me arrastou até uma parede, batendo minhas costas contra ela e praticamente cuspindo na minha cara. – EU DISSE PRA VOCÊ PARAR DE SE ENCONTRAR COM ESSE SUJEITO!

– N-Não, não é isso, é que– Eu tentava falar, mas ele me apertava tão forte que eu mal conseguia. Eu realmente deveria ter contado quando tive a chance... eu não deveria ter escondido isso, é óbvio que é traição!

– Desde quando, hein? – E ele me empurra cada vez mais. – DESDE QUANDO? – Nem sei se a parede tinha rachaduras agora. – TEM MAIS ALGUMA COISA QUE EU NÃO SAIBA? – Somente me preocupava... com o fato dele estar na cozinha... – HEIN?! – Ouvindo tudo...

– E-Eust... Eustass... – Tentava segurar os braços dele. – Não é nada disso... eu juro...

– COMO NÃO? Vai me dizer que é montagem agora?! – Ele finalmente me largou, mas me empurrou em seguida e eu acabei caindo no chão. – Eu tinha confiado em você, tanto é que eu nem pedi as filmagens do hospital, mas eu tenho certeza que você deu um jeito de vocês continuarem a se falar pelas minhas costas!

– Me ouve... – E eu me levantei, indo em direção a ele e tentando me manter o mais firme possível. – Não é nada disso, o Rosinante só... se afogou...

– Ah, e você como bom cidadão foi lá entregar seus lábios pra ele? Aposto que ele deve ter adorado...

– Kid... por favor... – Fui em sua direção. – Acredita em mim, eu nunca mais tinha falado com ele nem nada do tipo!

– Quando foi que tudo isso começou? – Mas ele me ignorou e continuou gritando. – Foi enquanto eu tava no Killer? Porque eu vou lá a trabalho, pra ajudar na oficina da MINHA família, não pra fazer essas patifaria nojenta como você faz!

– Eu sei, eu sei, a culpa de tudo isso é minha, mas você prec–

– ÓBVIO QUE A CULPA É SUA! – E veio na minha direção, serrando os punhos. – Sabe quantas pessoas viram esta merda? Amanhã o hospital inteiro vai ficar falando sobre isso!

– M-Mas nada disso é verdade, eu não tenho nenhuma ligação com esse cara!

– E como eu posso ter certeza disso? Eu perdi totalmente a confiança em você!

– Acredita em mim... por favor...

– Ótimo, então me dá o endereço de onde ele tá morando.

– Pra quê? O que você vai fazer?

– O que você acha que eu vou fazer? EU VOU ARREBENTAR A PORRA DESSE DESGRAÇADO APROVEITADOR!

– NÃO FAZ ISSO! – Dessa vez fui eu que acabei gritando, o que acabou deixando ele mais furioso ainda. – Não faz isso... por favor...

– NÃO LEVANTA A PORRA DA VOZ PRA MIM! – Ficou bufando em raiva e eu não consegui falar mais nada, até ele se acalmar momentaneamente. – Ótimo... você disse que a culpa era sua... então por que você protege ele?

– Porquê...

– Só me diz... foi ele quem te beijou ou foi você?

– Foi... – Congelei novamente. Caso eu dissesse que tinha sido Rosinante, eu não iria conseguir controlar o Eustass e ele certamente daria um jeito de fazer algo contra o loiro, que era tão frágil e que, com toda certeza, não aguentaria nada daquilo.

– RESPONDE!

E foi naquele momento que eu balbuciei a boca, olhando para baixo e ameaçando deixar as lágrimas caírem, mas simplesmente não podia dar outra resposta. Olhei nos olhos dele e gritei.

– FUI EU!

Agora estava tudo acabado. Ele veio na minha direção com ódio estourando sua cabeça. Andei um pouco para trás, totalmente assustado em vê-lo agir dessa maneira tão brusca, até que ele fez o que eu jamais pensei que faria. Elevou seu braço para trás, pegando impulso para disparar um soco na minha cara, pegando tanto a parte direita quanto uma boa fração do meu nariz. Foi um impacto tão forte que o sangue saiu na mesma hora e eu cai no chão, sem forças para fazer qualquer coisa.

Mesmo assim, ele não ficou parado como eu pensei que ficaria, veio andando em direção a mim e naquele momento eu pensei que minha vida estivesse acabada, que eu pagaria por todos os meus erros e que iria para o inferno, onde era o lugar dos mentirosos e traidores. Foi quando ele apareceu...

– O que você pensa que tá fazendo?

Notas finais
Caralho, hein... peguei pesado nesse end. Esse capítulo foi algo totalmente diferente de todos os outros, certo?