Annabelly

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Essa foi uma das fics mais belas e românticas que já escrevi. Espero que gostem, de verdade.

- Annabelly, acorde. Está na hora de trabalhar.
Fui acordada pela voz da minha mãe rente ao meu ouvido enquanto ela chacoalhava o meu braço para que eu despertasse. Abri os olhos e ajeitei o cabelo no costumeiro rabo de cavalo. Meus cabelos claros refletiam com o brilho da janela do ônibus. Meu ponto era o próximo e mais um dia cansativo iria começar.
- até mais tarde, mãe. – me despedi dela e puxei a cordinha, para o ônibus parasse.
- vá com Deus, minha filha.
Desci e vi minha mãe acenar da janela. O ônibus seguiu e eu também continuei meu caminho. A lanchonete ficava a algumas quadras dali e minhas solas já conheciam muito bem aquele caminho. Todo dia 20 minutos de caminhada, quando não estava chovendo como agora. Quando fazia aquele horrível tempo eu sabia que iria me atrasar mais uma vez.

Não demorou muito para que a chuva caísse de vez e eu ficasse completamente encharcada. Parei na banca de jornal que ficava pelo caminho e o seu Manoel, bondoso como sempre, me deixou entrar e esperar a chuva estiar.
- bom dia, senhor Manoel.
- bom dia, minha querida. Muita chuva né? E a senhorita novamente sem guarda-chuva.
- é... esqueci em casa. – fique sei graça de mentir mais uma vez. Na verdade, eu não tinha mais guarda-chuva desde que a última ventania o levou pra longe. O dinheiro era pouco e eu não podia desperdiçá-lo com coisas tão bobas...
Manoel era um português que há tempos morava em New York. Desde que me conheço por gente lembro de tê-lo visto naquela mesma banca de jornal, todos os dias do ano. Faça sol ou faça chuva.
- parece que o inverno vai ser bem rigoroso este ano. Você deveria estar mais agasalhada, está muito frio lá fora.
- eu não imaginei que fosse esfriar tanto. – depois de deixar à mostra um sorrisinho amarelo, percorri o olhar para a pilha de jornal que estava ao meu lado. Meus olhos viram algo na capa que me chamou a atenção.
- toma, leve um pra você. – ele tirou um jornal da pilha e me deu. – é a mesma notícia em todos eles. Ele está fazendo mesmo um grande sucesso, esse rapaz.

Com a folha nas mãos e o olhar naquela foto, meu coração bateu rápido. Era estranho, pois eu nunca o tinha visto antes, mas dentro de mim algo dizia que ele não era tão estranho assim.
- quem é ele? – perguntei afobada.
- é um daqueles milionários, um herdeiro da família Way. Agora ele resolveu se lançar como cantor, formou até uma banda e pelo que parece, tá fazendo muito sucesso por aí. – seu Manoel revirou o olhar e falou com aquele sotaque inconfundível. – Principalmente com as ‘raparigas’.
Deixei escapar um sorriso quando olhei novamente pra foto. Ele era realmente lindo.
Guardei o jornal na bolsa para que não molhasse e vesti meu capuz.
- tenho que ir, seu Manoel. Muito obrigada pelo jornal.
- mas ainda está chovendo, Anny! Vai ficar resfriada, menina!
- eu não posso esperar mais senão chego atrasada de novo e perco meu emprego! Até amanhã, seu Manoel!

Andei depressa na chuva sentindo meu corpo se molhar cada vez mais. O tênis AllStar estava ensopado e eu andava com as mãos dentro dos bolsos para tentar aquece-las um pouco mais e espantar todo aquele frio. Minhas pernas cansadas alcançaram a entrada da lanchonete quando o relógio marcava 9:16 da manhã. 16 minutos atrasada. 16 minutos que poderiam valer meu emprego.

- isso é hora de chegar, Annabelly? – Sra. Brigfield vinha em minha direção com as mãos na cintura e um movimento de negação na cabeça. A cara dela também não era uma das melhores...
- sra. Brigf...
- me acompanhe até minha sala. – ela fez um sinal com a mão para que eu a seguisse. Eu a segui, já sabendo qual seria o resultado daquela conversa...

*~*


Longe dali, na mansão da família Way...
- mamãe, eu já disse que temos um propósito! Eu formei a banda porque gosto de cantar, gosto de mostrar ao mundo o que sinto.
- mas Gerard, meu filho, você não pode encontrar uma noiva decente vivendo no meio dessas fãs ridículas e sem cultura.
- não fale assim dos meus fãs. A senhora não os conhece.
- você e seu irmão não podem passar tanto tempo fora de casa, vocês devem cuidar dos interesses da família. E pra isso, você precisa se casar com uma moça jovem, rica, e que ocupe um bom lugar na sociedade. O Mikey ainda é novo, mas você como primogênito deve ter mais responsabilidade.
- eu não vou me casar só porque a senhora quer. Eu ainda não encontrei a mulher ideal. – Gerard saiu da sala e subiu as escadas em direção ao seu quarto.
- mas você vai encontrar. Há se vai. – Donna dizia enquanto bebia seu vinho importado.
Se ela soubesse que isso não demoraria muito a acontecer...

*~*