Annabelly
2 Capítulo 2
*~*
Annabelly, ou simplesmente Anny, se via em maus lençóis dentro daquela sala apertada, onde a voz de sua chefe ecoava pelos quatro cantos.
- dona Brigfield, eu posso explicar.
- eu não quero mais ouvir as suas lamentações, Annabelly. Já cansei das mesmas desculpas. Quem está doente é seu pai e não você, portanto espero que esta tenha sido a última vez que tenha se atrasado e me feito perder meu precioso tempo aqui com você. Ou então não haverá próxima vez, pode ter certeza disso mocinha.
- eu prometo que não. – já ia me levantando da cadeira quando ouvi ela dizer uma última coisa.
- Annabelly...
- sim?
- também não quero mais ver aquele seu ex-namorado asqueroso aqui na lanchonete. Se eu vê-lo mais uma vez aqui, você está na rua. Na rua, me ouviu bem?
Apenas confirmei com a cabeça. O que mais eu poderia fazer??
Enfim, o sermão terminou e eu pude voltar ao meu trabalho. Um grande trabalho pra dizer a verdade. Garçonete. Devo me orgulhar? Claro que sim! Se não fosse isso, não haveria dinheiro suficiente em casa nem para comprar comida. Depois que meu pai ficou seriamente doente, eu me tornei a única forma de arrumar dinheiro em casa, já que minha mãe passava o dia inteiro trabalhando como assistente em um posto de saúde em troca de remédios para evitar que o câncer do meu pai se propagasse.
Vesti meu avental, peguei o bloco de anotações e fui à luta. Acabei esquecendo do motivo pelo qual realmente eu tinha me atrasado. O jornal.
Gerard estava no quarto, sentado em sua cama mexendo em seu laptop de última geração, quando seu irmão entrou no quarto pela janela de mãos dadas com uma menina.
- hey, o que faz aqui? – Mikey falou sussurrando, vermelho de vergonha ao ver que o irmão estava lá.
- eu que pergunto. Errou sua janela, irmãozinho?
- shiiiiiii!!! – Mikey pediu silêncio com o dedo. – mamãe não pode saber que estou em casa. Ela pensa que estou na casa do Fred, aquele chato que só pensa em jogar baseball.
- e por que entrou no meu quarto e não no seu?
- eu não sabia que estava em casa tão cedo. – ele ficou com vergonha. – e eu não posso deixar que mamãe me veja com a Danyelle, sabe como é...
- tudo bem. Podem ficar aqui escondidos. Eu tô precisando mesmo distrair um pouco.
Gerard fechou o laptop e saiu do quarto. Desceu as escadas e não viu seus pais.
- devem estar jogando golf... – pensou.
Tirou do bolso a chave da sua BMW, abriu o carro e entrou. Colocou uma música pesada pra tocar e ligou o carro. Desde que descobriu que tinha idade para dirigir, a primeira coisa que fez foi dispensar seu motorista particular e todos os seguranças. Ele não gostava de ser vigiado. Gostava de liberdade.
Pelo caminho, cantadas de fãs histéricas a espera de um simples aceno de mão. Gerard gostava daquilo, mas não o tempo todo. Apesar de rico e famoso, ele era um rapaz simples, de bom coração que sonhava em um dia encontrar seu verdadeiro amor.
Parou o carro em frente a uma lanchonete que ficava em uma rua próxima ao centro de NY. Resolveu que iria arriscar e fingir ser um cara normal. Nada mais do que um cara normal.
Ele desceu do carro e olhou pros lados. Caminho livre. Olhou em frente e sorriu. Ele sentia falta daquilo, do tempo em que seus pais não eram tão ricos e ele podia ser como uma criança comum. Tempos que não voltam mais...
Abriu a porta da lanchonete e entrou.
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