Notas iniciais
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Uma música cantada e ecoada por uma voz feminina começara a tomar conta de toda a praça, um sentimento de segurança, esperança, alegria e coragem invade o coração dos seres presentes no lugar. A fada mística volta para sua posição anterior, ela segura o orbe de cor roxa que estava posicionado no chão e o ergue com as mãos para o alto, um pouco acima de sua cabeça.

— Eu ofereço a este círculo, o orbe de mana essencial. Que sua energia mude e estimule a mana de seu reagente. — Ela recita em alto e bom som. O pequeno globo de cristal roxo, se ilumina e voa gracioso para o centro da área.

— Eu ofereço a este círculo — diz de um jeito sem emoções alguma, a fada sombria. Imitando exatamente os movimentos de sua colega fada — o orbe de mana amaldiçoada, que ele impulsione o caos e abrace os medos de seus reagentes. — O globo azul escuro sai de suas mãos e voa veloz para o centro, seguindo o orbe de mana místico e juntos, eles rotacionam, seguindo um ao outro freneticamente.

— Eu ofereço a este círculo o orbe de mana instintiva, que ele aflore os desejos mais íntimos de seus reagentes. — Diz a fada selvagem com sua voz infantil. O orbe verde dela repete a sequência dos outros dois, rodopiando no meio de tudo.

— Ofereço com toda minha fé e força de vontade, o orbe de mana divina. — A fada espiritual manifestou com sua grossa voz e jeito militar, o globo dourado brilha em suas mãos — Que ele restabeleça a esperança e conexão com os deuses celestiais e os deuses do submundo. — O orbe segue os outros três e dançam em círculos.

— Com a força e energia dos quatro elementos, — a fada elemental do fogo parecia emocionada e orgulhosa — ofereço-te círculo, o orbe elemental. Que as chamas que ardem em meu coração, aqueça seus reagentes, com a magia do fogo ancestral.

O globo vermelho que ela segurava, parecia uma bola de fogo, que se junta as quatro outras orbes no centro do círculo. Eles rotacionam sem parar e juntos geram uma aura visivelmente densa de energia mágica. As esferas brilhantes voltam aos pés das fadas, se posicionando na frente de suas respectivas donas. Uma cúpula se forma magicamente no centro de tudo, ela era puramente feita de energia. A cúpula mágica parecia ser feita de vidro, pedaços coloridos de vidro, como se o domo fosse um imenso vitral redondo e esculpido. Os cacos coloridos faziam desenhos em forma de flores, do sol, da lua e das estrelas.

Anna não segura sua emoção ao ver e sentir a magia de perto, arrepiada, ela deixa escorrer lágrimas por suas bochechas coradas. Mesmo sentindo e observando a magia de perto, ela tentara decorar com uma regrinha em sua mente, o nome de cada fada e cada mana reagente. A garota estava apreensiva tentando entender tudo que estava acontecendo e não queria perder nenhum detalhe. Ela repetia internamente, almejando decorar o que acabara de aprender.

“Fada mística reage a mana essência.

Fada sombria reage a mana amaldiçoada.

Fada selvagem reage a mana instintiva.

Fada espiritual reage a mana divina.

Fada elemental reage a mana elemental.”

— Estamos prontos. — Afirma a fada selvagem tremendo suas orelhinhas de urso.

Um casal de humanos adultos aproxima-se, arrastavam pelos braços um garoto jovem e rechonchudo, que parecia bastante incomodado.

— Parem de fazer isso! — Reclama o garoto que fora ignorado pelo casal.

— Quem se apresenta ao círculo? — Questiona a fada sombria de um jeito amedrontador, como se apresentar fosse algo ruim.

— Esse é nosso filho, — responde o homem relutante, observando desconfiado a fada que o encarava como se julgasse sua alma — o nome dele é Milo.

— Pode entrar no círculo Milo, não tenha medo. — A fada mística conforta o garoto amedrontado. — Quantos anos você tem querido?

O garoto olha em volta e repara todos aqueles olhares esperando uma resposta, as fadas e pessoas curiosas ao redor, além do olhar reprovativo de seus pais. Milo umedece os lábios, estala os dedos e finalmente consegue dizer.

— E-eu tenho dezesseis anos senhora.

— Você é bem jovem Milo. — Ela fala com um sorriso gentil — Agradecemos a sua coragem e não se preocupe isso não dói, eu prometo. — Ao ouvir as palavras maternais de Dayna, o garoto suspira aliviado.

— Você está pronto criança? — Pergunta a fada espiritual com sua voz impactante de general.

— A-acho que estou senhor.

As fadas do oráculo erguem suas mãos em direção ao Milo. Fecham os olhos e por alguns segundos ficam em silêncio. Todos ao redor estavam silenciosos, apreensivos e devotando total atenção.

— Milo! — Todas as fadas anunciam ao mesmo tempo, como se fossem uma só. — Garoto humano, dezesseis anos, nascido e criado em Platina, filho de Oilara e Finker. Você não é portador de nenhum tipo de mana. — Pode-se ouvir um pequeno burburinho de decepção e até chacota de algumas pessoas, que conversavam entre si.

“Eu sabia que não iria dar em nada.”

“A dez anos que não encontram um jovem com qualquer uma das cinco forças aqui, este nosso reino é esquecido pelos deuses.”

“Mas perca de tempo.”

“Na minha época, existiram vários jovens com poderes.”

— Calem-se! — Ordena irritada a fada elemental, gritando para que todos pudessem ouvir bem. — Desculpe Milo, isto não é culpa sua, você não precisa se sentir mal, obrigada por nos emprestar seu tão precioso tempo.

O garoto sai da cúpula mágica entristecido e cabisbaixo, seus pais o pegam irritados pelo braço e entre resmungos, saem de lá da mesma forma que entraram.

— Próximo. — Chama carismática a fada selvagem.

— Oi me chamo Louma. — Se apresenta uma jovem Ulliana de cabelos e olhos dourados e pele escura como caramelo. — Tenho Quinze anos e sou de Sirloom uma vila protegida por Platina.

— E daí? — Pergunta fada sombria parecendo entediada.

— Happy! Não fala assim com a garota. — Reclama a fada selvagem, cruzando seus curtos bracinhos, a fada sombria apenas revira os olhos. — Desculpe pela falta de educação da Happy, Louma.

— Tudo bem. — Diz a jovem com certa estranheza, as fadas erguem as mãos e fecham os olhos e logo elas falaram em conjunto.

— Louma, garota humana de quinze anos. Nascida em Platina, criada em Sirloom, filha de Gerlande e Routor. Você é portadora da mana do tipo comum.

Algumas pessoas aplaudiram, outras reclamaram em descontentamento. Louma sai do círculo com um sorriso conformado em seu rosto.

Anna, Norturno e a vassoura, observam o ritual da descoberta por algum tempo. Quase todos os adolescentes humanoides que entraram na cúpula não possuíam mana alguma. O número de pessoas ao redor, era inferior comparado a quantidade de antes.

— Acho que mais ninguém deve ter mana por aqui. — Reconhece Noturno. — Por que você não tenta Anna?

— Eu? — Anna franze a testa.

— Você deve ser usuária de mana comum, — conversa o gato deitado, apoiando a barriga no ombro da garota — só por diversão, isso não mudaria em nada nossa vida, você provavelmente não tem nenhuma das cinco forças.

— Não quero que as fadas percam tempo, como você disse, não mudaria nada em nossas vidas. — Anna olha um pouco pro céu e percebe que o sol já está em outra posição — Você não está com fome? Passamos bastante tempo por aqui.

— Ah você é uma estraga prazeres. — Mia o gato em desilusão.

— Vamos poder comer várias coisas gostosas, — Anna tenta gentilmente persuadir seu amigo com comida — claro que antes vamos ter que devolver essa vassoura pro Igory. — A vassoura balança para um lado e para o outro, como se estivesse negando a sugestão da garota. — Temos que te devolver, nem vem com gracinhas. — Reclama Anna autoritária e a vassoura curva a ponta de seu cabo para baixo, como uma criança triste.

— Comida? Finalmente. — Alegra-se Noturno. — Ainda vamos nos livrar dessa coisa, não vejo a hora.

— Abram espaço, — Alguns guardas vestidos por armaduras pesadas de metal verde, surpreende a todos e se aproximam do lugar. Eram incontáveis guardas acompanhados por três carruagens muito luxuosas. Trompetes começam a tocar e por fim, um guarda anuncia. — O príncipe Pietro de Platina D’Vloir Renturi XVI, irá fazer o ritual da descoberta este ano.

Rapidamente forma-se um tumulto de seres que se empurram e se espremem para ouvir e ver o príncipe. Não era comum que a realeza participasse do ritual da descoberta, além do príncipe Pietro, apenas seus dois irmãos mais velhos princesa Victória a dez anos atrás e Lazor a vinte, fizeram o ritual e descobriram que são portadores de uma das cinco forças. As pessoas estavam cochichando coisas sobre a família real por todos os lados. Alguns humanos próximos a Anna fofocaram e compartilharam tantas informações, que a garota já estava praticamente a par de todos os boatos que rodam no reino.

Pietro desse da carruagem, curtos cabelos lisos e loiros, olhos castanhos, sobrancelhas grossas e douradas, nariz pontudo e maxilar perfeitamente simétrico, seu queixo tinha um furinho no meio. Alto e corpo definido, mesmo por baixo de vestes com tecidos finos, era possível ver o quanto os músculos dos seus braços se contraiam com simples movimentos de acenos. O príncipe desfilou por um tapete verde que fora colocado por guardas, até a cúpula de vitral feito com a magia das fadas. Enquanto ele caminhava elegante entre os plebeus, eram ouvidos gritos de adoração, assobios e seres se abanando. Ele passa por Anna que o observa de perto, ela nota suor em sua testa e que ele segurava e esmagava o dedão de sua mão esquerda, com os dedos desta mesma mão.

“Ele não parece confortável...”

Pensa a garota, guardando sua opinião para si mesma.

— Ele é muito lindo. — Repara sem disfarçar uma garota humana ao lado de Anna.

— Deve ser um sonho se casar com ele. — Afirma outra entre sorrisos.

— Patéticas. — Comenta Noturno enjoado.

— Quem disse isso? — Pergunta uma delas e encaram um senhor próximo, que começam um leve bate boca.

Anna, porém, estava focada no quanto o rapaz estava nervoso.

— Quem se apresenta a este círculo? — Pergunta com sua forte presença a fada espiritual.

— Eu senhor. — A voz de Pietro saiu confiante, era uma voz de certa forma grave e doce. — Sou Pietro, tenho dezesseis anos e sou príncipe de Platina.

— É uma honra servir a coroa vossa alteza. — Reverencia a fada espiritual e todas as outras repetem o ato.

— A honra é toda minha. — Agradece o jovem príncipe também fazendo uma reverência as fadas.

As fadas erguem suas mãos e juntas elas enunciam em uníssono.

— Pietro, garoto de dezesseis anos, nascido e criado em Platina, filho de Rogah e Zilwe. — A fada espiritual tem os seus olhos tomados por uma luz dourada e suas asas antes escondidas, aparecem para que todos conseguissem ver. Duas enormes asas cheias de penas brilhantes se alastram atrás dela, então a fada espiritual sozinha entoa — Reconhecido por mim, Diluck, fada espiritual. Você é possuidor da mana divina.

Uma comemoração excessiva invade toda a praça de Platina, os gritos felizes das pessoas podiam ser ouvidos de qualquer lugar do reino. Os trompetes ressoaram por toda Platina e Pietro agora parecia feliz e aliviado.

— Pode avisar em todas as tavernas que a bebida hoje é por conta da família real! — Grita o príncipe e a comemoração agora era exagerada aos berros e música alta.

Anna tenta sair de fininho, esbarrando em pessoas em êxtase e tomadas por alegria excessiva. Depois de minutos que pareciam uma eternidade de seres que a empurraram, pisaram em seus pés e gritaram em seus ouvidos, ela finalmente conseguiu sair do meio da bagunça que tinha se tornado a praça central de Platina.

— Achei que nunca conseguiríamos sair de lá. — Admite a garota sentando-se no chão de uma calçada distante do tumulto. — Você está bem Noturno?

O silêncio que veio acompanhado a sua pergunta, fez a garota ter uma pequena parada cardíaca ao olhar seu ombro e não ver seu melhor amigo ali.

— Pelas deusas eu sou uma idiot...

— Está procurando por esse carinha?

A garota levanta sua cabeça, para distinguir quem estava falando com ela. Então é surpreendida pela cara do Noturno muito próxima de seu rosto, o felino estava sendo segurado pelo príncipe Pietro, que estava mostrando seus perfeitos dentes brancos num sorriso educado e gentil.

Notas finais
Até o próximo gente ♥ :D ♥