Anna e o Renascer dos Mortos-vivos
12 As fadas do oráculo
Notas iniciais
— Há alguns anos atrás, achei um livro muito interessante no laboratório da sua mãe, — Noturno fala baixinho no ouvido atento de Anna que franzia a testa concentrada na voz de seu amigo, ao mesmo tempo que observara as fadas — ele se chamava “Manassência”, o estudo da mana.
— Mana é a energia necessária para utilizar magia certo? — Pergunta Anna tentando acompanhar a explicação de Noturno.
— Exato. — Ele concorda olhando também para as fadas, a vassoura estava parada ao lado dos dois, como se estivesse compreendendo e supreendentemente interessada sobre o assunto. — Para seres mágicos, a mana é uma extensão de sua existência.
— Mamãe me contou que existem milhões de maneiras, tipos e níveis de mana. — Comenta Anna ainda buscando compreensão entre seu raso conhecimento — Ela por exemplo, usa a mana para amplificar ou ativar os efeitos de suas poções e que isso requer anos de estudos.
— Sua mãe é o que o livro chama de usuária de mana tipo comum, quase qualquer humano, ou ser humanoide, ou até mesmo algumas raças de animais conseguem acessar este tipo mana. — Explica o felino. — Não que eu esteja dizendo que é extremamente comum, supondo que a cada cem seres existentes no mundo, dez nascem com mana mágica comum em seu corpo. A maioria desses seres, passam a vida sem saber da existência dessa mana dentro de si. Alguns descobrem em momentos críticos na vida e outros nascem com uma certa facilidade de acessar esta fonte de energia.
— Eu sou uma usuária de mana comum? — Questiona a garota.
— Provavelmente, — corresponde o gato — dado o fato de você conseguir criar poções tão boas e poderosas quanto de sua mãe e sabendo que a maioria das receitas precisam de mana mágica para ser ativada. Você pode sim, ser usurária da mana tipo comum.
Ouvir seu amigo dizer isso faz Anna sorrir, quanto mais parecida com sua mãe, mais ela será uma boa poquissonea. Orgulhar seus pais está no topo da lista de sonhos dela.
— Mas, onde essa explicação de mana tem com essa tal corte das fadas? — Anna sussurra a pergunta olhando pro rostinho do Norturno muito próximo a sua cabeça.
— Agora que você entende que apesar da mana do tipo comum ser de certa forma rara, existem cinco tipos de mana que são extremamente raras.
— Cinco tipos?
— Sim, — responde Norturno ainda encarando as fadas a sua frente — na cidade centro, os maiores estudiosos da história a centenas de anos atrás, descobriram que além da mana comum, existiam outros cincos tipos de mana que são extremamente raros. Eles chamaram de, as cinco forças.
— O quão raras são essas cinco forças? — Pergunta a garota empolgada.
— Usando o mesmo tipo de explicação que dei para a mana comum, um entre mil seres no mundo, nascem com uma das cinco forças.
— Uau. — Anna fica arrepiada e então observa que ali tinha um grupo com cinco fadas. — Cada fada representa uma dessas forças?
— Exato! — Mia o felino feliz. — Mas nada foi tão simples como você pode estar começando a deduzir. Os estudiosos, nomearam cada uma das cinco forças. Eles descobriram que cada um desses tipos raríssimos de mana, eram completamente e definitivamente diferentes uma da outra. A manifestação de cada uma dessas forças, reagiam de forma única. Então, cada tipo recebeu um nome próprio, são conhecidos como mana divina, mana elemental, mana essência, mana instintiva e a mana amaldiçoada.
— Tantos tipos, — Anna coça a cabeça — queria ter estudado um pouco mais. — Rir a garota um pouco constrangida, porém, muito interessada na aula que seu amigo estava lhe dando.
— Os sábios antigos começaram a amplificar, educar, treinar e principalmente procurar usuários das cinco forças. E foi por meio destas práticas, que descobriram que algumas fadas são ligadas e extremamente reagentes a estes tão raros tipos de mana. Os seres de todo o continente Rimedriano, a exatos quinhentos e oitenta anos atrás, foram forçados a fazer um tratado de paz com a corte das fadas. — Ele pausa um pouco, como se estivesse organizando suas palavras, mas finalmente consegue continuar. — Naquela época, fadas eram caçadas, vendidas, negociadas, escravizadas, usadas em experimentos e até executadas por diversão.
— Nossa, que horror. — Anna pousa a mão sob o peito e lágrimas se formam em seus olhos azuis.
— Sim, é deveras um fato angustiante, — Noturno diz com uma certa neutralidade — como eu estava dizendo, depois do tratado de paz com a corte das fadas, a cidade centro criou uma lei com punições severas a qualquer ser pensante que fizesse algum tipo de mal, para qualquer fada. A lei enfatiza que as fadas devem ser respeitadas vivas ou mortas. Em troca desta grande oportunidade de proteção, as fadas reagentes das cinco forças, deveriam encontrar usuários destes tipos de mana e levá-los para cidade centro.
— Então é isso que elas estão fazendo agora? — Pergunta Anna redirecionando o foco para as fadas a sua frente.
— De certa forma sim. Depois de alguns anos recrutando pessoas, as próprias fadas em estudos, descobriram que elas podiam falhar com suas reagentes. Mas existe uma época do ano em que não existem erros. — Noturno adorava dar aulas e elucidar qualquer um com seus conhecimentos.
— A primavera... — Anna responde para si mesma, pensando alto.
— Você aprende rápido. — Afirma ele contente — Neste período, os poderes delas estão extremamente aflorados. Dito isto, são espalhados vários grupos com cinco fadas por todos os reinos e cidades nesta época do ano. Elas fazem o tão esperado e famoso ritual da descoberta.
— Então elas descobrem e revelam. — Reflete Anna — E quem possuir um dos cinco tipos de forças, são obrigados a viajar para a cidade centro?
— Praticamente, — reage Noturno com tranquilidade — é uma honra saber que possui uma das cinco forças. Literalmente reinos inteiros disputam ou invejam, seres com estes poderes mágicos.
— E o que acontece com esses seres que vão para a cidade centro?
— Para ser bem sincero eu não sei, — admite — o livro que tinha na biblioteca da Deborah era muito antigo e seus pais são muito desconectados do mundo fora das montanhas do vale. O que eu sei, é que cada uma dessas fadas, são de espécies diferentes.
— Uh? — Anna tenta prestar mais atenção nas fadas que agora estavam fazendo algum tipo de dança, movendo os braços para um lado e para o outro. — Achei que todas eram fadas da primavera.
— Essas que estão presentes, são chamadas de fadas do oráculo. Apesar de seus poderes se manifestarem massivamente na primavera, elas definitivamente não são fadas da primavera. Acrescentando que todas as cinco fadas a nossa frente, são de espécies diferentes.
— Hmm... — Anna assistia empolgada. As fadas agora faziam um círculo, dando espaço de um pouco mais de dois metros de uma para a outra. Elas deram a ordem para que as pessoas se afastassem, fazendo com que a roda de curiosos se alargasse um pouco. Cada uma delas pousaram no chão orbes coloridos que pareciam ser feitos de vidro. — Você me explicou, que individualmente, cada a uma delas, reagem a uma das cinco forças. Como identificar isso? Evidenciando que por serem de espécies diferentes, elas possuem características distintas.
— Meu coração alegrasse com sua fome de conhecimento. — Mia Noturno até um pouco alto demais, uma pessoa ao lado faz um chiado como numa biblioteca, pedindo silêncio. — Te falei que existem as cinco forçar, que são tipos de manas extremamente raras e que algumas fadas reagem a elas. — Ele cochichou — Está vendo essa fada a nossa frente?
A garota assente sem dizer qualquer palavra. A frente de Anna, do Noturno e da vassoura, encontrava-se uma fada alta. Ela media mais ou menos, um metro e oitenta centímetros de altura. Possuía um liso e fino cabelo no tom de roxo escuro, que caia como cachoeira por seus ombros até o tornozelo. Como estava de costas para eles, não sabiam como era o rosto da fada, vislumbravam apenas suas enormes asas. As asas dela, eram como se correntes finas de prata reluzente formassem as asas de uma borboleta, traços prateados e delicados sendo preenchidos por algum tipo de energia lilás, que parecia um tipo raro de seda quase transparente. A fada trajava um elegante vestido de noite longo na cor azul, nele pareciam que pequenas estrelas brilhavam e uma fenda descobria toda a perna direita.
— Pelas características, deve ser uma fada mística. Geralmente as fadas místicas usam vestidos refinados e de uma certa elegância. São sábias e maduras. Quando felizes, emanam uma aura de paixão e sedução. Essas fadas reagem a mana essência.
— Ela é realmente deslumbrante. — Comenta Anna com seus olhos brilhando. — E aquela, que ficou empolgada com o fato de você falar? — Ela aponta para uma fada mais a frente, do outro lado do círculo.
— Provavelmente, aquela é uma fada selvagem. — Ensina Noturno esticando seu pescocinho para ver através da fada mística.
A fada a que Anna se referia, era uma pequena garota de menos de um metro de altura. Seu cabelo dourado, armado e cacheado, lembravam um pouco, a juba de um leão. Ela tinha orelhinhas de urso marrom e parecia muito feliz e empolgada. Estava usando macacão do tipo jardineira nas cores verdes musgo e verde claro. Seu rosto era redondo, composto por grandes olhos alaranjados e focinho de urso. Suas asas eram tão pequenas que quase não davam para enxergar, de onde Anna e Noturno estavam, dava para ver apenas pequenas pontas cintilando em verde.
— Ela é muito fofinha. — Elogia Anna com um sorriso. — A qual tipo de mana ela é reagente? — Pergunta entusiasmada.
— Fadas selvagens, reagem a mana instintiva. — Responde sabiamente o gato — Elas realmente são fofas e muito ingênuas, possuem características animalescas diversas. Quando felizes que é quase sempre, elas emanam uma aura de aconchego e amizade.
A vassoura sacode seu cabo, batendo de leve no gato.
— Anna essa vassoura esquisita está me cutucando. — Ambos olham para o objeto, que aponta a ponta de seu cabo para uma das fadas do oráculo, um pouco para a direita deles.
— Acho que ela quer que você fale sobre aquela fada ali. — A garota do vale sorrir com certa estranheza, ao perceber que a vassoura realmente parecia curiosa.
— Aquela, — Noturno disse com certo receio — é uma fada sombria.
O nome realmente fazia jus a fada em questão. A fada usava uma maquiagem exagerada e sobrecarregada em preto e branco. Ela não parecia feliz, como se olhar para ela sugasse a alegria. Era como se a fada sombria tivesse saído de um rabisco, de alguma página de um livro de desenhos inacabados. Sua pele era pálida como uma folha de papel, batom preto e por cima de seus olhos, uma sombra escura com linhas retas brancas. Seus olhos sem pupilas, tão sem cor quanto sua pele. Ela estava usando um vestido de princesa gótica que brincava com detalhes alvinegro. Grandes asas de morcego saiam de suas costas e eram a única coisa que parecia ter vida. As estruturas externas das asas eram escuras, mas internamente, era tingido por um vivo vermelho vinho intenso.
— As fadas sombrias ficam adormecidas até que o dia do ritual da descoberta chegue. — Continua Noturno — Elas são reagentes da mana amaldiçoada. Utilizam de estilos de roupas e cores que reflitam as sombras de suas almas. Quando felizes, quase nunca, elas emanam uma aura de medo que pode causar arrepios a qualquer um que se aproxime. Claro que essa vassoura esquisita ficaria curiosa sobre a única fada que causa pavor. — Ele olha de canto para a vassoura parada ao lado de sua amiga.
A fada mística sai da frente de Anna e seus companheiros, e vai até o centro do círculo que faziam. Ao fazer isso, todos que estavam atrás dela, finalmente conseguiram presenciar a fada um pouco mais para a esquerda. Ela era radiante. Cabelos curtos arrepiados e vermelhos, pele alaranjada e estava vestindo um short de verão e uma camiseta sem mangas. Suas asas eram matizadas de amarelo para vermelho, passando por vivíssimos tons de laranja, como se uma borboleta fosse feita de fogo. Ela tinha um tamanho humanoide típico parecia uma garota adolescente, aparentava uma certa impaciência, com seus braços cruzados e tremedeira na perna esquerda, batendo pé no chão freneticamente.
— Bem, antes que pergunte. Aquela é uma fada elemental, reagente óbvia da mana elemental.
— Ela é tão linda! — Elogia Anna.
— Sim, ela é uma fada do fogo, existem vários tipos de fadas elementais. Praticamente, uma para cada elemento, exceto para o elemento terra, que possuem dois tipos, as terrosas e as plantaes. Todas elas emanam auras e energias diferentes, dependendo de seus elementos de nascimento.
— Queria que todos os tipos estivessem aqui, — reflete a garota conversando com seu amigo felino — elas são tão diferentes e tão deslumbrantes. Noturno.
— Pois não?
— E aquele grandalhão que nos deu uma bronca?
— Claro, por último e não menos importante, esta é uma fada espiritual, a reagente da mana divina. — Eles fitam rápido a fada masculina e musculosa. Ele estava trajando uma armadura constituída por um metal verde impactante, como se estivesse pronto para entrar em uma guerra. Estava tão coberto pelo fardamento, que era impossível ver seu rosto ou a cor de sua pele. Ele media quase três metros de altura.
— Ele me assustou um pouco. — Admite Anna tentando não olhar diretamente para ele.
— Apesar do jeito autoritário, a maioria das fadas espirituais possuem um bom coração e não admitem injustiças. Elas são reagentes da mana divina. Quando felizes, essas fadas emanam uma aura de sentimento de proteção, dando certo conforto para aqueles presentes. Elas só mostram suas asas quando se sentem ameaçadas, os livros as retratam como asas gigantes de pássaros cheias de luz.
— Bom dia, Platinianos! — A fada mística que fora ao centro do círculo se pronuncia de alto e bom som, chamando a atenção de todos em volta e trazendo um silêncio abrupto por toda praça, sua voz era madura e grave. — Me chamo Dayna Lifander, sou uma fada mística e pertenço ao sexagésimo terceiro grupo do oráculo. Fomos enviadas pela corte das fadas, para representar o reino de Platina no ritual da descoberta este ano.
Agora conseguindo observar o rosto de Dayna Lifander, o trio podia admirar o quanto a fada mística era bela. Orelhas pontudas como de um elfo, olhos lilás, pele rosa, não de um jeito caucasiano costumeiro, mas realmente rosa. Apesar de uma feição jovial delicada, a fada parecia ter uma maturidade inabalável.
— Que todos os Deuses presenciem este momento! — Ela grita — O ritual da descoberta está começando.
Todos os presentes batem palmas, alguns mais ousados assobiam e outros gritam felizes. O ritual da descoberta parecia realmente empolgar as pessoas. Anna não entendia o real motivo de tanta euforia, mas estava curiosamente empolgada.
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