Anna e o Renascer dos Mortos-vivos
15 Almoço e acaso
Anna olha em volta dando um certo rodopio, sem sair do lugar, existem vários restaurantes e barracas com diversas iguarias sendo preparadas, fragrâncias em fumaças saiam de panelas e fornos a lenhas por todo canto.
— Onde vamos comer? — Ela pergunta ao felino em seu colo.
— Eu quero comer alguma coisa que veio do mar. — Mia o gato tão contente que seu timbre saíra agudo, Anna sorrir com a empolgação de seu amigo.
— Alguma coisa do mar... — Ela franze a testa e aperta os olhos e dá mais uma rodopiada, agora mais lenta, se atentando a qualquer detalhe que indique culinária marinha. — Acho que aquele lugar parece uma boa opção. — Ela aponta para um estabelecimento.
Era uma pequena casa verde com várias flores em suas paredes. A entrada era facilitada por portas de balanços igualmente verdes, entalhadas a porta tinham conchas, o que fez Anna acreditar que o estabelecimento ofereceria iguarias vindas do mar. O trio caminhou até a casa e foram recebidos por um alto e aparentemente desnutrido garoto.
— Bom dia, bem-vinda a casa de frutos do mar do Chef Popoli. — Ele cumprimenta.
— Uh. — Anna se surpreende e rir para o garoto gentilmente — Bom dia, obrigada. Estamos procurando exatamente um lugar com iguarias que venham do mar.
— Oras, estas no lugar certo. — Diz simpático o rapaz — Me chamo Vânio, sou o garçom que acompanhará a senhorita e... — Ele faz uma certa feição de estranheza — A senhorita disse estamos?
— Sim. — Ela levanta Noturno — Meu melhor amigo também vai comer, e... — Ela se vira desconfiada e olha de canto para a vassoura — Por acaso você não come né? — Anna cochicha e recebe uma rápida balançada para os lados do objeto respondendo que “não”. — E a vassoura vai nos fazer companhia. — Ela mostra os dentes com um alargado sorriso.
— Bem, — o garçom dá um sorriso, enquanto franzia bastante a testa e parecia constrangido — não é comum que pessoas tragam animais para dentro dos estabelecimentos e lugar de objeto é no armário, mas vou ver o que posso fazer por vocês, com sua licença. — Ele faz uma rápida reverencia para que Anna e os demais aguardassem ali fora.
— Que rapaz educado. — Elogia Noturno. — Estou tão ansioso para sentarmos a mesa e nos deliciarmos com todas as comidas maravilhosas. — O felino tinha o péssimo hábito de esquecer que era um animal doméstico, estava tão habituado a comer com os Rampart’s a mesa desde que começara a falar, que simplesmente não entendia certas restrições.
— Tudo bem, se não pudermos entrar, podemos pedir comida de alguma dessas barracas. — Anna argumenta com seu amigo.
— Mas por que não poderíamos entrar? — Questiona o gato olhando para cima ainda nos braços da garota, a vassoura bateu a ponta de seu cabo na parede próxima a eles, como se batesse a testa na parede de forma incrédula. — O jovem Vânio foi procurar nosso lugar, só aguardar um pouquinho. — Ouve-se mais uma vez um “TOC” da vassoura rebatendo a ponta de seu cabo na estrutura.
— Olá de novo. — Vânio aparece saindo do estabelecimento. — Infelizmente estamos bem cheios aqui hoje devido ao festival. Mesmo assim você não poderia entrar com seu animal e seu objeto, — ele se aproxima um pouco do ouvido de Anna e cochicha — meu chefe achou deveras esquisito uma garota sentar a mesa com um gato e uma vassoura que se mexe.
— Tudo bem, — Anna responde se virando devagar para ir embora — eu agradeço por tentar.
— Oh, calma lá. — Ele movimenta ficando na frente da garota impedindo a passagem — Porém, ele disse que não vê problema algum em vocês comerem aqui fora. — O garçom abre as mãos num movimento demonstrativo e alegre.
— Aqui fora? — Anna reage um pouco sem graça, não havia nada além de uma calçada, vasos de plantas e a porta do estabelecimento.
— Sim! — Ele disse sorrindo — Permita-me. — Ele pede que o trio dê espaço, que obedecem com alguns passos para trás. Vânio retira um lenço azul turquesa de seu bolso e o sacode, como um mágico fazendo seus truques de mágicas. O lenço aumentara de tamanho em poucos segundos, ele joga o pano para cima que se abre e desliza pelo ar. Ao chegar em uma certa altura, parece esbarrar em alguma estrutura quadrada, que para a surpresa de Anna e os demais, era uma mesa.
— Uau. — Ela aplaude, a vassoura dá pequenos pulinhos e Noturno mia feliz. — Isso foi incrível Vânio. — Anna elogia.
— Ah, não a de quê. — Ele faz reverencias para as palmas recebidas e logo puxa cadeiras de madeiras de baixo da mesa mágica. — Fiquem a vontade. — Ele arrasta a cadeira para que Anna se sente, que faz de bom grado agradecendo com um gentil sorriso e uma piscadela de olhos. O garçom puxa uma outra cadeira para que Noturno também se sente a mesa e uma outra para a vassoura. — Aqui está o cardápio senhorita.
— Obrigada. — Ela segura a página composta por algum tipo de papel grosso e resistente.
— Se precisar de mim, basta tocar este sininho. — Ele põe um sino sob a mesa, o objeto é similar ao formato de uma concha espiralada e pontuda. — Anna volta a agradecer e então encara o cardápio, enquanto o garçom de distância da mesa.
— Vejamos, o que temos aqui. — Ela estuda o cardápio que é apenas uma única página.
*--Menu da casa de frutos do mar do Chef Popoli--*
— Sopa de mariscos
— Sopa de algas mumubini
— Peixe buri-buri grelhado
— Camarão roxo frito
— Moqueca especial Popoli
— Espuma doce verão
— Água de coco
— Vinho do porto
— Água
A garota leu o menu em voz alta, para que seu melhor amigo pudesse também escolher.
— Eu quero um peixe grelhado. — Saliva o gato colocando suas patinhas na mesa com sua empolgação. — Já até sinto o sabor em minha boca.
— Tudo bem. — Anna atenta-se as opções do menu com certa dúvida do que deseja comer. — Já sei. — Ela diz e encosta no incomum sino.
— Não acredito que já examinamos todos os jovens deste reino. — Ouve-se uma voz aguda e feminina entediada próxima a mesa. Anna se vira e vê as fadas do oráculo caminhando próximas ao estabelecimento.
— Não foi uma derrota total, teve o príncipe de Platina. — Argumenta Dayna.
— A gente já esperava que ele fosse um portador de alguma força. — A fada selvagem faz um biquinho. — Todos os membros de famílias reais, possuem alguma das forças, porque são praticamente herdados de seus pais.
— Mesmo assim, — argumenta Diluck — é o nosso primeiro ano como fadas do oráculo, é uma honra e privilégio representar Platina e ter um de seus sucessores como reagente.
— Tanto faz, — Debocha a fada sombria ociosa — vamos comer alguma coisa, estou faminta.
— Eu tenho que concordar com a Happy, passamos a manhã inteira examinando adolescentes precisamos nos alimentas. — Reconhece a fada elemental, que olha em volta e encontra os olhos de Anna observando de volta. — Hey! — Ela grita, a garota se vira rápido com muita vergonha praticamente enfiando o rosto no cardápio.
— O que aconteceu Flary? — Pergunta Dayna com sua educação formal e refinada.
— A comida daí é boa? — Pergunta ela alto para que Anna pudesse ouvir.
— Tá falando comigo? — Ela se vira ainda segurando o cardápio na frente do rosto, de onde as fadas estavam, apenas via-se os olhos, testa e cabelos dela.
— Sim, não se faz de sonsa eu vi você encarando a gente. — Diz a fada com seu jeito explosivo e direto.
— É aquela garota do gato falante. — Grita a fada selvagem correndo em direção a mesa deles. — Oi bebezinho lindinho, fofinho, olha como suas orelhinhas são lindas. — Ela se senta na cadeira colocando Noturno em seu colo e fazendo carinho em suas orelhas. O gato não pareceu constrangido, adorou a atenção. A aura que a fada emanava era extremamente agradável para os animais, lhes dando uma sensação quase extrema de bem-estar.
— Oras Meredith isso não são modos. — Reclama Dayna como uma mãe. — Nos perdoe senhorita, ela é um pouco impulsiva.
— Não há problemas. — Anna sorri vendo que seu gato estava adorando as caricias da fada sentada a mesa.
— Você ainda não respondeu a minha pergunta. — Indaga a fada de cabelos vermelhos.
— Uh. — Anna tira o cardápio da frente de seu rosto tímido — Eu ainda não sei se é boa. — Admitiu. — Acabamos de nos sentar aqui.
— Não vamos atrapalhar a senhorita — comanda Diluck — venha Meredith não devemos importunar os civis.
— Ah. Mas ele é tão perfeito — Meredith treme seu focinho de urso e faz uma carinha chorosa — não podemos ficar mais um pouco aqui?
— Eu adoraria que vocês se juntassem a mesa. — Anna oferece.
— Êba! — Gritam a pequena fada e o gato em seu colo felizes. Dayna e Diluck reviram os olhos e se entreolham, dão de ombros e então concordam.
— Por que não? — Sorri Dayna.
— Esse gato branco é realmente lindo. — Sorri Happy apenas arqueando sua boca, nada em seu rosto parecia mudar. Seus olhos continuavam sem vida e sua feição quase era neutra.
Vânio aparece poucos segundos depois, aumentando o tamanho da mesa e puxando magicamente mais cadeiras para que todos se acomodassem.
Dayna estava sentada a outra ponta de frente para Anna. Meredith estava sentada ao lado de Anna, ainda com Noturno em seus braços. Diluck e Happy dos lados de Dayna e Flary, estava sentada entre Anna e a vassoura.
— Você tem uma vassoura mágica, — diz Happy — amo o quanto elas não parecem ter vida. — Ela ficara sorrindo sozinha depois do comentário, como se contasse piadas internas apenas para si mesma em seus pensamentos. Todos na mesa se arrepiaram um pouco observando a estranheza da fada sombria.
— Então, — Diz Dayna tentando evitar mais constrangimento de sua amiga — Anna certo? — A garota assente. — O que você faz aqui no festival da primavera de Platina?
— Eu vim acompanhar meus pais, eles são vendedores. Para falar a verdade é a primeira vez que eu vim pro reino de Platina e para este festival.
— É a nossa primeira vez também. — Conta Meredith.
— E o que você está achando? — Continua Dayna.
— Tudo é tão lindo, tão colorido e perfumado. — Anna testemunha contente. — Mas o que mais me chamou atenção até agora, foi o ritual da descoberta que vocês fizeram, foi incrível. — As quatro fadas sorriem em agradecimento, excluindo Happy, que continuava a encarar a vassoura obcecadamente. — Deve ser muito trabalhoso e cansativo fazer tudo aquilo. — Argumenta a garota do campo.
— E realmente é. — Responde Diluck perdendo a pose de general que geralmente possui, parecendo agora mais um garoto empolgado — Nós treinamos arduamente para conseguir este feito.
— Vocês são extraordinários. — Elogia Anna.
— Você que é encantadora. — Retribui Dayna. — Aliás, mais uma vez obrigada por nos receber a sua mesa, você não tinha a obrigação de acompanhar estranhos em seu almoço e mesmo assim, aqui estamos.
Alguns minutos haviam se passado. Todos estavam tendo conversas amigáveis e sorrindo enquanto comiam as iguarias. Riram de momentos como quando Noturno praticamente engoliu o peixe inteiro. Ou quando a Happy também engoliu o peixe inteiro. Anna contou algumas coisas engraçadas ditas por animais e seus pais e as fadas retribuíram com histórias de suas rotinas. A única fada que não disse uma palavra desde que se sentou a mesa, fora a Flary. Ela não tocou na comida ou falou nada, apenas encarou Anna. As vezes a fada elemental tentava tirar os olhos da garota, mas por algum motivo ela não conseguia. Algo em Anna fazia Flary ficar inquieta.
— Anna — ela chamou a atenção da menina — quantos anos você tem?
— Quinze. — Ela responde colocando mais uma colherada de espuma doce verão na boca. As outras fadas ficam quietas e também encaram Anna. — O que foi gente? — Ela fica sem graça, deixando algumas bolhas da espuma escaparem pelo canto da boca.
— Por que você não fez o ritual da descoberta? — Pergunta Dayna. — Você tem a idade certa para isso.
— Eu sou portadora de mana do tipo comum, — explica Anna com certa naturalidade — nunca faria vocês perderem tempo comigo.
— De onde você é Anna? — Pergunta Flary ainda séria.
— Como eu disse, sou de Sirloom, um vilarejo distante protegido pelo reino de Platina. — Anna põe a colher de volta a tigela da sobremesa. — Vocês estão me assustando gente. — Sorrir Anna constrangida.
— Não isso. — Diz a fada elemental fitando a garota com seus orbes rubros — De onde você realmente é?
— Uh? — Anna faz cara de paisagem e depois de dúvida, um silêncio perdura por alguns minutos.
— Anna, — Dayna corrobora com a Flary — você nos permitiria fazer o ritual da descoberta com você?
— Gente, — Anna olha para cara uma das fadas presentes — não quero fazer vocês perderem tempo, agora sei que esse ritual é bem cansativo para vocês, realmente não precisa.
— A gente não se importa, — conforta Diluck carinhoso — você nos cativou e não seria problema algum fazer o ritual da descoberta com você.
— Digo em nome de todas, que seria um prazer. — Reconhece Meredith.
— E se por acaso você for apenas portadora de mana comum, — enfatiza Happy — ao menos você vai ter certeza.
— Então, o que você nos diz? — Flary oferece a mão para Anna, num gesto convidativo e cordial. Todos a mesa esperavam ansiosos a resposta da garota do vale, que relutava segurar a mão da fada elemental, com receio de fazer seus novos amigos perderem tempo.
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