Anjos Mortais
6 Inocente
– Está com uma cara ótima hoje. – Resmungou a mãe de Emilly assim que a mesma sentou se a mesa do café da manha. – Como foi à festa na casa do vizinho?
– Ótima! – Respondeu Emilly misturando o leite quente em sua xícara com chocolate em pó.
– E você e o vizinho se acertaram.
– Sim! – Respondeu Emilly sorrindo enquanto lembrava se da noite passada. –Ele até mesmo me mandou mensagens antes de dormir... Assim que acordei reli uma por uma para saber se não foi um sonho.
– Estão progredindo... Gosto de te ver feliz.
– Nossa mãe que frio que está essa manhã... – Interrompe Emilly passando as mãos sobre os braços doloridos.
– Pode colocar uma blusa por cima da blusa do uniforme... Sabe como é nossa cidade... Nunca se tem previsão do tempo.
– A senhora tem razão responde Emilly levantando se da cadeira.
– Só vai tomar isso? Chocolate quente não sustenta menina... – Reclama a mãe.
– Mãe eu estou sem fome! – Responde ela. – E fique tranqüila já tomei meus remédios todos certinhos em seus devidos horários.
– Mesmo assim Emilly tem que se alimentar.
– Prometo que no intervalo eu como algo no colégio.
– Promete?
– Prometo! – Responde Emilly subindo as escadas para seu quarto.
Emilly pegou seu casaco marrom vestiu rapidamente, colocou seus cadernos e apostilas dentro da bolsa, desceu novamente a cozinha se despediu da mãe e seguiu para o colégio.
– Bom dia Emi... – Saúda Karin.
– Bom... Dia. – Responde Emilly olhando Karin de mãos dadas com Edmundo.
– Está com uma cara ótima hoje! – Clama Karin.
– Por que esta todo mundo me dizendo isso?
– Vai ver Gabriel te faz bem! – Sussurrou Edmundo.
– Nem vou te responder Edmundo... Karin a Roberta ainda não chegou?
– A Roberta me ligou e disse que está meio gripada e não vai vir. – Respondeu Karin.
– Gripada...
– Isso... Mas não se preocupa não o Richard está cuidando dela. – Responde Edmundo.
– Cuidando dela na casa dela? – Pergunta Emilly atrapalhada.
– É Emi ele pediu ela em namoro ontem um pouco depois que você saiu foi muito lindo...
– Namoro?
– Sim... Por quê?
– Nada não. – Respondeu Emilly sorrindo com uma pontada de inveja da amiga.
Não demorou muito para que o sinal soasse.
– Todos sentados. – Disse o Professor ao entrar.
Emilly sentou se olhou para o lado e não encontrou Roberta.
– Desculpe meu atraso. – Pediu Gabriel entrando a sala.
– Que isso não se repita senhor Gabriel. – Responde o professor.
Emilly olhou rapidamente para Gabriel que sorriu com seus dentes perfeitamente brancos. O jovem sentou no lugar de Roberta que era bem ao lado de Emilly.
A jovem olhou para o professor rapidamente quando o mesmo começou a explicação de uma matéria nova quando inesperadamente ouviu um som de alerta de sms vindo de seu bolso seguido pelo vibrar do celular.
– Senhorita Spencer por favor desligue o celular. – Pediu o professor.
– Sim senhor. – Respondeu ela apenas passando o perfil para silencioso.
“- Bom dia!” – Dizia a mensagem.
“- Bom dia” – Responde ela.
“- Como você está?” – Perguntou ele.
“ – Bem! E você?”
“ – Melhor agora!”
“- Essa é velha!”
“– Só estou dizendo a verdade... Baixinha”
“ – Implicando novamente com a minha altura...”
“ – Não estou implicando... Gosto das baixinhas”
“- Preciso estudar.”
“ – Okay”
As aulas passaram se rápido Emilly fechou o caderno assim que ouviu o sinal do intervalo soar.
– Não vai tomar seu lanche Emi? – Pergunta Karin.
– Não... Tenho que estudar para prova de sexta estou meio perdida minhas notas estão despencando. Responde Emilly correndo a biblioteca.
Emilly correu a biblioteca jogou sua bolsa em uma mesa e começou a pegar os livros de biologia. Tudo que achava de interessante nos livros anotava em seu caderno.
– Não para de estudar não?
– Você deveria estudar também Gabriel. – Responde ela olhando o jovem ao seu lado.
– Posso me sentar? – Pergunta ele.
– Já se sentou.
– O que esta lendo? – Perguntou ele pegando o livro e checando as marcações.
– Biologia marinha... Vamos ter prova na sexta. – Respondeu ela sem olhar para Gabriel.
– Ainda é segunda! – Disse ele abismado.
– Estou com notas baixas preciso estudar.
– Posso te ajudar se precisar tenho uma grande biblioteca em casa.
– Obrigada, mas sempre conto com a Roberta.
– Entendo.
– Droga que dor chata! – Reclama Emilly.
– Dor de que?
– Na cabeça... Eu uso óculos para leitura e hoje eu o esqueci no banheiro acho que é isso.
– Não tem nenhum reserva?
– Não tenho dinheiro para dois óculos... Falando em dinheiro eu trouxe o guarda chuva que me emprestou ontem.
– Não te emprestei nada comprei para você.
– De maneira alguma... Ele está no meu armário vou buscar.
Emilly levantou se da cadeira quando viu tudo girar, suas pernas amoleceram já não tinha o controle de mais nada e tudo desapareceu. A jovem acordou na enfermaria com Gabriel sentado a seu lado.
– Você está bem? – Perguntou ele.
– Sim o que houve?
– Você desmaiou... Disseram que foi sua pressão... Tomei a liberdade para olhar a sua bolsa e encontrei...
– Por que olhou a minha bolsa... Isso é errado e...
– Por que toma tantos remédios?
– Isso não é da sua conta! – Responde Emilly se levantando irritada.
– Você precisa descansar teve uma queda de pressão muito grande. – Respondeu ele segurando a pelo braço.
– Gabriel eu estou bem... Apenas não tomei um café reforçado. – Respondeu a jovem puxando seu braço.
– Não seja por isso vamos agora mesmo ao Caffé. – Responde ele sorrindo.
– Jamais!... Respondeu ela cruzando os braços enquanto se encostava à parede. – Tenho que estudar para a semana de prova.
– Pare de ser insuportável... Odeio pessoas que não cuidam da vida que tem! – Responde ele segurando do à pelos ombros.
– Então por que você não pega esse seu ódio e não vai cuidar da própria vida e deixa que eu cuido da minha!- Respondeu ela com a língua afiada.
– Quanta arrogância senhorita... Não esperava isso de você! – Responde ele soltando a enquanto andava em direção a mochila da jovem.
– O que vai fazer? – Pergunta ela ao ver o mesmo puxar o zíper.
– Não vai me contar o porquê de tantos remédios vou pesquisar por mim mesmo. – Responde ele.
– Para com isso agora... – Grita a jovem apertando as mãos sobre Gabriel.
– Não paro mesmo... – Responde ele pegando algumas cartelas.
– Eu disse pra parar. – Gritou ela agora empurrando o rapaz com toda força que tinha.
Gabriel rapidamente largou a mochila e segurou Emilly a forçando contra parede segurando seu pescoço forçado a olhar em seus olhos azuis.
– Ninguém me trata assim! – Resmunga ele muito próximo a face da garota.
– Você precisa ser tratado assim... Seu ego tem que diminuir até você ver que não é Deus. – Respondeu ela deixando a raiva transparecer. – Nós nunca vamos nos acertar.
– Você tem razão eu preciso ser tratado assim... E não sou Deus, pois jamais criaria tamanha perfeição... Eu quero me acertar com você, mas não gosto de segredos nem mentiras...
– O que quer saber? Quer apenas que eu te conte que estou doente é isso? Quer que eu te conte que nasci assim... Pois bem Gabriel você venceu eu sou doente... Posso morrer agora mesmo... – Respondeu a garota desesperada.
– Qualquer pessoa pode morrer agora mesmo... Menos você... Porque está comigo... – Respondeu ele agora apertando ainda mais a garota na parede.
– Já disse que você não é Deus!
– Tem razão... Quem sabe um dia entenda o que eu te digo. – Respondeu ele levando a mão sobre o queixo da jovem.
– É melhor você ir embora! – Responde à jovem.
– Se for isso o que deseja eu irei agora mesmo...
– Sim eu quero isso agora mesmo... – Respondeu ela enraivecida.
Gabriel soltou a garota e caminhou até a porta sem olhar para trás.
Emilly procurou esquecer-se de tudo que havia acontecido naquele dia apagando Gabriel de sua vida para o seu e o bem dele.
Passaram se duas semanas desde o ocorrido, Emilly sonhara todas as noites com Gabriel enquanto o mesmo mandava milhares de torpedos para a jovem que os apagava antes de ler e quando passava por seu herói fingia não o conhecer.
Karin havia se dedicado cem por cento no novo namorado enquanto Roberta continuava doente sem receber as amigas mantendo contato apenas por mensagens provocando em Emilly uma profunda solidão.
Em duas semanas o colégio havia mudado muito, os Carmichael estavam cada vez mais populares. Gabriel sem escolha teve que aceitar o posto de representante de turma antigo cargo de Emilly que foi obrigada a entregar seu orgulho sem opção era apenas uma escolha de seus colegas.
– Olá mocinha! – Chama uma voz familiar.
– Lucas? O que faz aqui?. – Pergunta Emilly.
– Vim apenas trazer o atestado do senhor Richard que não pode vir durante esses dias. – Responde ele passando a mão na cabeça da jovem.
– Ele está bem? – Pergunta Emilly lembrando a ausência de Richard.
– Está sim... Apenas quer faltar por capricho à namorada não está passando muito bem e ele decidiu ficar ao lado dela até que tudo passe.
– Ele está apenas cuidando da Roberta?
– Isso mesmo... Quase não temos preocupação com ela não nos incomoda momento algum. – Deixa escapar Lucas.
– Como assim a Roberta está na casa de vocês?- Surta Emilly.
– Emilly eu não quis dizer isso...
– O que quis dizer então? Não sou boba Lucas, o que a Roberta esta fazendo na casa dos Carmichael? – Pergunta Emilly em alto e bom som.
– Fale mais baixo... Sim ela está com Richard... Mas não pode receber visitas.
– Como assim não pode receber visitas? Por que ela não atende minhas ligações?
– Emilly não complica... Deixa isto como está afinal em poucos dias ela estará com você.
– Ninguém vai me impedir de ver minha amiga Lucas...
Lucas segura Emilly pelos ombros fazendo a parar no corredor do colégio.
– Por favor, não vá até ela. – Pediu ele olhando fixamente para a jovem.
– Não me peça isso... É impossível... Ela faria o mesmo por mim, quero apenas saber como ela está.
– Você é nossa vizinha eu posso te manter por dentro de qualquer melhora no estado clinico da moça. – Respondeu ele carinhosamente.
– Lucas me perdoe, mas não posso...
– Emilly...
– Não Lucas. – Respondeu Emilly se soltando das mãos do jovem.
– Interrompo algo? – Se aproxima Gabriel com uma expressão fria.
– Senhor. – Cumprimenta Lucas.
– Achei que já havia terminado com seus afazeres aqui. – Alerta o jovem irritado provocando olhares em sua direção. – Acho que já pode ir embora.
– Sim senhor! – Responde o empregado começando a tomar seu caminho.
– Ele manda em você como se você fosse um animal. – Responde Emilly.
– E o que você tem a ver com isso chaveiro? – Pergunta Gabriel extremamente irritado.
Os alunos começaram a cochichar pelos corredores cruzados apenas olhando a cena do trio.
– Chaveiro é a sua Avó!
–Não se intrometa nisso Chaveiro... Você pode ficar nervosa e “Puff” caiu no chão... – Ataca Gabriel.
– Você é um completo idiota isso não tem graça. – Responde Emilly com o coração na mão com medo de Gabriel dar com a língua nos dentes sobre sua doença.
– Olha quem fala a senhorita perfeição... Vamos Lucas pode sair agora mesmo... Sua presença me irrita.
– Agora que ele não vai! – Responde Emilly puxando Lucas pelo braço.
– Ele vai sim... Não é mesmo Lucas? – Perguntou Gabriel cruzando os braços e sorrindo maliciosamente.
– Emilly... – Resmungou Lucas soltando a mão da garota.
– Por que os obedece cegamente? – Pergunta ela entristecida vendo o olhar do jovem.
– Por que somos nós que pagamos o salário dele Emilly. – Responde Gabriel olhando para Lucas.
– Sinto muito Emilly... Até logo... Espero. – Responde Lucas voltando a andar.
Emilly observa Lucas sumir de seu ponto de vista lentamente. Assim que seus olhos já não procuravam rastros de Lucas à mesma virou se e deu de cara com o peito de Gabriel.
– Me de licença, por favor? – Pede a jovem.
– Toda... – Responde o jovem estendendo a mão para a passagem da jovem.
Emilly passou lentamente por Gabriel sentindo o olhar raivoso do jovem sobre a mesma, quando der repente sentiu a mão de Gabriel envolver seu braço forçando seu corpo a virar se sendo surpreendida pelo entrelaçar dos dedos longos do jovem sobre sua nuca completado pelo encaixar perfeito e suave de seus lábios. Emilly quase não corresponde o beijo pelo susto, mas aos poucos a mesma amoleceu segurando os cabelos do jovem com uma força que nem ela sabia que tinha.
– Diga que me odeia... Diga que quer que eu me afaste... Diga tudo isso mais uma vez... Se realmente quer isso... – Resmungou ele ainda com os olhos fechados.
– Posso te dizer o contrario? Dizer que quero que fique aqui comigo... Que não se afaste nunca mais... Poderia fazer isso? – Perguntou ela libertando seus sentimentos.
Gabriel apertou os olhos ainda mais se afastando um pouco de Emilly.
– Eu sinto muito Emilly... – Respondeu ele passando ombro a ombro com a jovem.
– Por que você faz isso comigo? – Pergunta ela confusa.
O jovem nada respondeu apenas acenou um Tchau para a garota que desesperou se.
Emilly segurou suas lagrimas quando notou os olhos de todos no corredor.
A jovem retirou se do colégio o mais rápido que pode.
– Por que voltou mais cedo hoje? – Pergunta a Mãe olhando Emilly jogar se no sofá.
– Aquele idiota ele me confunde de tal forma que eu não sei mais o que fazer... – Respondeu Emilly sentando se para olhar a mãe.
– O que ele fez?
– Mãe eu e ele nem estamos nos falando mais... Eu não quero nenhum tipo de envolvimento com ele... Mas basta eu olhar para ele que já derreto... Mas ele não me da atenção só me humilha e depois que nos afastamos ele nem ao menos me da um bom dia e agora... Ele me beijou no corredor do colégio na frente de todo mundo e saiu como se nada tivesse acontecido apenas se desculpando isso me deixa louca... Não agüento mais!
– Esse garoto está mexendo mesmo com você... E ele me parece bem confuso assim como você...
– Confuso... Não nenhum pouco tenho certeza que ele sabe muito bem o que está fazendo comigo... Hoje praticamente me confessei e fui rejeitada... –Respondeu ela agora olhando para baixo tremendo ao respirar. – Estou acostumada com o contrario... Rejeição dói muito... Ele não é normal... Não é humano... Nem imagina como os sentimentos são importantes para mim.
– Por que não diz isso a ele?
– Como eu poderia ver meus sentimentos serem levados assim? Talvez seja melhor deixar tudo como esta.
– Sei uma coisa ótima para você se esquecer desse menino...
– E que mágica seria essa? – Pergunta Emilly.
– Me ajudando a arrumar a casa, fazendo o almoço e em seguida estudar a tarde toda a semana de prova está chegando e o que a senhorita fez foi muito errado então vai estudar em casa...
– O que? Mas mãe é algo muito complicado isso... Não foi errado!
– Não discuta... Isso não passa de um drama adolescente! – Respondeu a mãe.

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