Anjos Mortais
13 Homem suficiente pra mim
Notas iniciais
“Temos que conversar” – Leu Emilly assim que pegou seu celular pela manhã.
Antes de responder à pequena levantou se tomou um banho e prendeu o longo cabelo em um coque no alto da cabeça.
“Venha aqui em casa” – Respondeu ela.
“Já chego ai”- Recebeu a resposta.
Emilly pegou uma coberta estampada de oncinha desceu até a sala gelada onde se aconchegou no sofá ligando a TV com o controle que estava em suas mãos. Não demorou muito para levantar se atender a porta.
– Bom dia! — Exclamou Gabriel com um sorriso melancólico.
– Bom dia. – Respondeu à jovem observando a forte chuva que caia lá fora.
– Posso entrar?- Perguntou Gabriel sem obter resposta da amada – Emilly eu posso entrar?
– Claro! – Respondeu ela com um pouco de receio.
Gabriel entregou a namorada dois copos quentes e uma sacola e antes que entrasse fechou seu guarda chuva colocando o em um balde na varanda da casa.
– Foi ao Caffé? – Perguntou a garota olhando a sacola e os copos em suas mãos.
– Sim eu fui buscar algo pra você comer.
– Eu já poderia ter tomado café da manhã.
– E já tomou?- Perguntou ele sorrindo sem receber resposta. – Eu imaginei!
– Você ainda nem conhece meus gostos. – Atacou Emilly.
– Toma esse é o seu Cappuccino com bastante chocolate um tanto exagerado em minha opinião e eu não me esqueci de pedir as gotinhas de amêndoas três para ser exato.
– Como você sabia?
– Estou brincando sobre isso eu não sabia de nada o Michael me contou.
– Quem é Michael?
– É o chefe do Sucrée.
– E como se conhecem?
– Simples ele é um de nós!
– Como assim Gabriel existe mais Carmichael perdidos aqui pela cidade.
– Sim querida na verdade em tudo que é importante para nós há um de nós presente lá.
– Quais lugares? – Perguntou Emilly assustada.
– No colégio temos o diretor, o Michael no Caffé, temos mais três de nós no hospital, prefeitura o próprio prefeito, na delegacia, nos escritórios de contabilidades todos são como nós.
– Isso é loucura achei que vampiros não existissem e olha só minha cidade é praticamente um covil deles.
– É disso que esta nos chamando agora vampiros?
– Não sei o que vocês são só que o que mais se aproxima da verdade é isso!
– Daqui a pouco você vai dizer que o filme Crepúsculo é baseado em uma historia real!
– É uma historia real?
– Não Emilly não é... Isso é loucura da sua cabeça somos algo ridículo como uma experiência mal sucedida já te expliquei isso somos bem parecidos com humanos só temos umas deficiências.
– Você pode sair no sol?
– Não acredito que esta me perguntando isso!
– Me responde!
– Claro que posso... Não com muita freqüência por que não me alimento todos os dias e o sol por algum motivo nos enfraquece quando não nos alimentamos.
– Mais um indicio.
– Por que a senhorita não toma seu café e para de falar bobagem...
– Alho te derrete? Água corrente te mata?
– Não Emi nada disso acontece é claro que eu não posso comer alho assim como não posso comer nenhuma outra coisa ao menos que contenha sangue humano como um ingrediente extra... Agora chega de bobagens e toma logo esse café ou vai esfriar outra hora conversamos sobre isso! – Respondeu Gabriel se irritando e entregando o cappuccino para namorada.
– Você está um pouco molhado. – Resmungou a jovem olhando a blusa de couro do namorado.
– Está tudo bem onde posso estendê-la?
– Me de aqui. – Pediu ela colocando o café na mesinha de centro em frente ao sofá.
Emilly estendeu a blusa na lavanderia e voltou a sala encontrando o namorado sentado entre a coberta com uma regata branca.
– E agora podemos comer?- Perguntou ele.
– Claro.
– Sente se aqui comigo. – Pediu ele em um tom meloso.
A jovem concedeu o desejo do namorado encostando se em seu peito viril.
– Tome. – Ordenou o jovem entregando o copo ainda quente.
– Obrigada...
– Disponha.
– Como se molhou tanto?
– Não usei meu carro hoje... Você demorou me responder como eu imaginava então eu decidi pensar um pouco e a chuva alcançou meus pensamentos já dentro do Caffé assim que ela cessou um pouco eu corri comprar um guarda chuva e olha onde estou agora... – Respondeu ele calmamente. — Eu já estava me esquecendo aqui está seu lanche natural do jeito que você gosta.
– Foi buscar tudo isso pra mim?
–Claro!
– Podíamos fazer algo aqui em casa mesmo e você poderia se alimentar de mim.
– Não vou mais te ferir... Eu não quero encurtar ainda mais seu tempo.
– Eu não me importo!
– Mas eu me importo e peço que respeite a minha decisão.
– Como queira. – Respondeu ela.
– Mais uma coisa... Eu quero que me perdoe eu sou muito estourado você me conhece eu odeio muito aquele cara e vocês dois... Eu sei que você não tem culpa mas aquilo feriu meu ego.
– Ele não é tão ruim assim.
– O que você sabe sobre ele?
– Sei que ele perdeu a família dele... A mulher e os dois filhos.
– Isso não é nada ele é mesquinho isso foi pouco eu era muito pequeno quando isso aconteceu... Mas foi por causa dele que minha mãe foi sacrificada e foi ele que matou meu pai... Meu pai que era nada mais nada menos que irmão dele.
– Ele fez isso?
– Sim por isso que não gosto que o defenda!
– Me desculpe eu nunca imaginei que ele pudesse fazer algo assim com você... Me perdoe meu amor. – Pediu a garota entristecida.
– Tudo bem você não tem culpa.
Emilly abraçou o namorado e ali permaneceu acolhida pelos braços do rapaz.
– Se sua mãe chegar agora você estará em problemas.
– Eu não me importo... E hoje ela esta de plantão no hospital cobrindo o lugar de uma amiga dela só a verei amanha de manhã.
– Entendo. – Respondeu ele sorrindo.
– O que foi por que essa cara?
– Como assim?
– No que o senhor está pensando?
– Em nada querida.
– Gabriel eu sei que você é homem e sei das suas necessidades... O fato é que eu ainda não estou preparada e eu...
– Eu não estou te pedindo nada Emilly não precisa entrar nesse assunto se não quiser. – Respondeu o namorado encostando o dedo nos lábios da amada.
– Acho que preciso deixar isso claro as meninas me disseram que se eu continuar assim você vai acabar se deitando com a Helena.
– Emilly suas amigas são loucas eu não sinto nada pela Helena e por garota nenhuma eu vou esperar por você eu quero só você amor entenda.
– Obrigada. – Agradeceu a menina.
Emilly e Gabriel passaram o dia assistindo filmes no sofá enquanto a chuva inundava o mundo lá fora.
– Que horas são? – Perguntou a Garota.
– Nove e quinze.
– Nossa o dia passou tão rápido. – Disse a menina se espreguiçando. – Que foi?- Perguntou ela vendo o namorado sorrindo enquanto a olhava.
– Odeio ficar brigado com você.
– Como se eu gostasse!
– Ontem foi diferente você estava mesmo irritada como comigo do mesmo jeito que ficava quando discutíamos antes de começarmos a namorar.
– Eu não gosto quando você me deixa confusa... Já não sou certa da cabeça me confundindo eu enlouqueço.
– Não foi minha intenção... Aquilo me destruiu se fosse o contrario garanto que você também se sentiria mal.
– Pensando por esse lado... Eu não consegui pensar em nada alem do fato que ele salvou a minha vida.
– Isso é ainda pior... Ele te salvou e não eu.
– E de que isso importa agora o importante é que eu estou aqui viva ao seu lado e eu quero deixar uma coisa clara pra você Gabriel... Eu amo você apenas você ninguém se encaixa tão bem quanto você eu tinha certeza que quando os Carmichael chegassem eu me surpreenderia e no fim você foi o primeiro que eu vi e bastou um único olhar assumo que no começo eu quis deixar isso de lado mas quando você era normal comigo eu amolecia de novo e quando voltava a ser estúpido eu enlouquecia mas a verdade é que isso só me prendeu ainda mais em você por isso meu amor ninguém se compara a você!
– Quando te vi pela primeira vez com os pezinhos levantados tentando pegar o livro da prateleira mais alta correndo de um lado para o outro toda desajeitada sem ao menos reparar a minha presença eu sabia que era você um pequeno chaveiro de temperamento quente.
– De novo essa maneira de tocar na minha altura o que eu nunca entendo por que eu tenho um e cinqüenta e oito de altura nem sou tão baixinha no colégio mesmo tem muitas garotas mais baixas que eu.
– Você poderia ser um centímetro menor que eu e ainda assim seria a minha baixinha e o fato de te chamar de chaveiro tem um significado.
– Tem?! – Perguntou a garota erguendo uma sobrancelha.
– Um chaveiro eu posso levar para onde eu quiser e se você prestar atenção sempre penduramos chaveiros em coisas que não queremos perder como em uma chave, por exemplo... O fato é que se te prender a mim não vou me perder do caminho que quero seguir.
– Não entendi direito por que eu ainda não sei que caminho você quer seguir.
– Um dia tudo vai parecer mais claro pequena Emilly.
– Eu espero...
– Acho que agora falta pouco... Semana que vem já é a viagem e assim que voltarmos provavelmente meu padrinho já estará hospedado lá em casa assim já tento convencê-lo a te transformar.
– Está falando serio? – Perguntou a jovem com os olhos arregalados.
– Claro não quero correr o risco de te perder.
– Você jamais vai me perder e mesmo que aconteça qualquer coisa comigo saiba que você é e sempre vai ser a melhor coisa que pode acontecer em minha vida. – Disse a garota segurando o rosto do namorado com as duas mãos. – Eu te amo meu anjo Gabriel.
– Eu te amo minha menina. – Respondeu ele fechando os olhos cor do mar para receber o beijo da amada.
A noite passou muito rápido que o casal nem percebeu o momento em que o sono tomou conta da garota que adormeceu no colo do namorado acordando apenas no outro dia encontrando se sozinha em casa.
“Onde você está?”- Enviou ela.
“Acabei de chegar em casa sua mãe chega em meia hora ela deixou recado na secretaria eletrônica.”
Emilly caminhou até a sala novamente de onde nem se lembrava de ter saído, checou a secretaria e encontrou a voz de sua mãe realmente dizendo sobre sua chegada.
“E não é que ela está vindo mesmo!”- Respondeu ela ao namorado.
“Achou que eu estava mentindo?”
“Claro que não meu amor”
“Bom mesmo... Eu preparei o café da manhã para as duas se ela perguntar diga que foi você mesma que fez.”
“Mas é claro que direi... Muito obrigada por fazer tudo isso por mim.”
“Imagina amor... Antes que ela chegue venha até sua janela me dar bom dia.”
“Okay”
Emilly subiu as escadas correndo prendeu o cabelo embaraçado pela noite novamente em um coque no alto da cabeça encontrou a face perfeita do namorado sentado na janela com as pernas para fora.
“Você está linda.”
“Obrigada! Cuidado é perigoso se pendurar ai!”
“Perigoso para mim? Estou apenas sentado”
“Amor só uma pergunta você voa?”
“Que diabos de pergunta é essa?”
“Voa ou não?”
“Claro que não Emi... Não que eu saiba.”
“É talvez você não seja um vampiro...”
“Ainda pensando em bobagens...”
“Minhas bobagens!”
“Okay Okay”
“Enquanto eu dormia o que você fazia perambulando em minha casa?”
“Nada demais apenas li o seu diário”
“É serio?!”- Perguntou a menina fazendo uma careta engraçada.
“Você tem mesmo um diário?”
“Você estava blefando...”
“E você tem mesmo um diário escondido... Já sei o que farei da próxima vez em que dormir...”
“Nem ouse!”
“Estou mesmo curioso para saber o que você escreve”
“Vai continuar curioso.”
“Eu não gosto de ficar curioso!”
“Não posso fazer nada a respeito a isso... Jamais deixarei você ler o meu diário isso é muito intimo.”
“Você não tem que deixar!”- Respondeu ele sorrindo maliciosamente.
“Preciso entrar a chefa deve estar chegando.”
“Okay minha linda até logo.”
Emilly jogou um beijo e fechou a janela.
– Bom dia filha. – Saldou Melissa assim que entrou pela sala.
– Bom dia mãe...
– Nossa que mesa mais linda. – Espantou se a mãe ao ver a mesa posta.
– Caprichei hoje. – Respondeu Emilly sorrindo.
– E o que tem de tão especial hoje minha menina?
– Nada mãe só que eu nunca faço nada para receber a senhora quando chega pela manhã.
– Esse meu novo emprego está mexendo com você não é mesmo?
– Não mãe imagina. – Respondeu Emilly sorrindo colocando café em sua xícara.
– Filha tem um doutor novo que abriu quatro vagas em Londres e ele...
– Não mãe eu não vou ficar com essas aberrações e eu estou muito bem! – Respondeu Emilly.
– Abaixa o tom de voz que eu ainda sou a tua mãe.
– Desculpa... A senhora sabe como eu fico quando falamos sobre isso.
– Devia pensar melhor sobre tudo isso minha filha.
– Não tem o que pensar.
Melissa nada respondeu a filha apenas sentou se e tomou seu café.
– Eu vou dormir um pouco pode deixar que eu lido com o almoço.
– Tudo bem dorme a vontade eu vou comprar algo para almoçarmos. – Respondeu Emilly calmamente.
– Tem certeza?
– Tenho sim... A senhora tem que descansar.
– Obrigada. – Agradeceu a mãe.
Emilly lavou toda a louça e caminhou até o jardim subiu pela arvore passando até o muro dos Carmichael descendo pelas pedras lisas escorregando de joelhos ao chão.
– Como foi que você conseguiu se sujar dessa forma? – Perguntou Karin.
– Tenho certeza que ela caiu. – Resmungou Gabriel olhando o estado da namorada.
– As pedras estavam lisas hoje. – Respondeu ela sorrindo.
– Pedras? – Perguntou Edmundo confuso.
– Eu não tenho duvida disso afinal ontem choveu o dia todo... – Respondeu Gabriel sorrindo ignorando a pergunta de Edmundo. – Por que diabos não entrou pelo portão da frente Emilly?
– Pelo jardim é mais rápido.
– Como você se mete tanto em confusões? – Comentou Edmundo.
– Isso é a minha especialidade. – Respondeu a jovem piscando para o amigo.
Emilly estranhou o rosto do namorado quando a grande porta do salão abriu se com alto rangido, não demorou muito para passos surgirem no corredor até a cozinha onde estavam, Emilly rapidamente encontrou Lucas com a face seria como de costume quase não pode ver a pequena criatura aparecendo atrás da silhueta do galã. Era uma garota japonesa dos cabelos negros e lisos na altura da cintura, a pequena pessoa parecia uma boneca perfeitamente branca dos lábios vermelhos, extremamente magra ainda mais baixa que Emilly ela deveria ter um metro e cinqüenta e cinco. Emilly só tomou consciência quando ouviu a fina e delicada voz da garota pronunciar o nome de seu namorado.
– Tiffa! – Respondeu Gabriel estranhamente.
– Quanto tempo faz? – Perguntou Tiffa se aproximando de Gabriel e o abraçando.
Emilly sentiu como se uma espada atravessasse seu corpo.
– Já faz um bom tempo. – Respondeu Gabriel não conseguindo esconder sua felicidade.
– O que aconteceu com você? – Perguntou Lucas vendo o estado de Emilly.
– Uma longa historia. – Respondeu Emilly com a voz tremula.
– Tiffa essa é Emilly a namorada de Gabriel. – Aproveitou Lucas.
– Namorada? Desculpe-me é a garota que Victor me contou prazer. – Respondeu Tiffa rapidamente sorrindo para a jovem enciumada.
– O prazer é inteiramente meu. – Respondeu Emilly sorrindo.
– O que aconteceu com você? – Perguntou Tiffa vendo o estado de Emilly.
– Não se preocupe ainda vai-me ver pior sou muito desastrada.
– Se quiser eu tenho uns vestidos lindos posso te emprestar. – Respondeu Tiffa ainda sorrindo.
– Não obrigada e mesmo se eu quisesse não serviriam em mim já estou indo em casa.
– Vai andar assim na rua? – Perguntou Tiffa.
– Sem problemas eu moro aqui ao lado. – Respondeu Emilly virando se e seguindo até ao salão.
– Emilly. – Chamou Gabriel.
– Diga. – Respondeu ela sem se virar.
– Sabe que eu não gosto quando me responde de costas. – Respondeu o namorado puxando a jovem pelo braço.
– Pronto agora pode falar.
– Eu amo você... Só você.
– Eu tenho minhas duvidas... Mas eu sim amo apenas você. – Respondeu a menina se soltando e voltando a caminhar.
A caminhada até a pequena casa pareceu infinita seus pensamentos tomavam conta do tempo o que não deixava a pequena heroína em paz era o olhar que Gabriel lançou no vazio da porta da cozinha antes mesmo da boneca japonesa entrar no salão sem duvida alguma ele podia sentir a presença da garota.
– Você esta bem? Não falou nada no almoço todo. – Perguntou Melissa estranhando o silencio da filha.
– Estou um pouco cansada é só isso.
– Cansada? Tomou seus remédios hoje?- Perguntou a mãe aflita.
– Sim mãe eu devo estar apenas com sono ou algo assim.
– Então suba e descanse meu bem. – Pediu Melissa.
– A senhora que não me parece muito bem hoje.
– Estou com uma dor de cabeça terrível agora mesmo vou tomar um analgésico.
– Por que a senhora não se deita mais um pouco daqui a pouco a senhora tem que voltar ao hospital.
– Só vou lavar essa louça e vou descansar um pouco.
– Pode subir eu limpo tudo aqui.
– Tem certeza?
– Claro.
– Muito obrigada.
Emilly limpou toda a cozinha e se sentou no sofá pegou seu celular sem encontrar nenhuma mensagem.
“Ele deve estar muito ocupado com aquela garota”. – Pensou ela.
Emilly nem reparou os pensamentos empurrá-la para um sono profundo acordando com sua mãe chamando seu nome.
– Filha eu já estou indo.
– Que horas a senhora volta?- Perguntou a menina esfregando os olhos.
– Só amanha de manhã meu amor e só vou te ver depois que voltar da viajem.
Emilly havia se esquecido completamente da viajem para Gramado.
– Não vai se esquecer dos remédios já coloquei tudo na sua mochila deixei um pouco de dinheiro em cima da geladeira pra você levar... Tire bastante fotos... Outra coisa você vai dormir na casa do Gabriel essa noite?
– O que como assim? Ficou louca? – Perguntou Emilly corando.
– Fico mais segura quando você está com ele por mim você pode dormir na casa dele hoje.
– Mãe a senhora esta ficando muito liberal!
– Não confunda menina eu disse que pode dormir na casa dele e não na cama dele! E se o relacionamento de vocês já evoluiu para o sexo quero deixar bem claro que eu não vou cuidar de netinho nenhum!
– Que isso mãe! Eu não quero falar sobre isso agora. — Respondeu Emilly constrangida.
– Tudo bem estou indo então.
Emilly acompanhou a mãe até o portão observando a virar à esquina.
–Era a sua mãe?
– Oi Lucas é ela mesma.
– Não pude reparar direito e mesmo assim pude ver quem você puxou.
– Sim somos bem parecidas.
– Ela é linda assim como você.
– Assim não tem como Gabriel não morrer de ciúmes de você.
– Ele sente ciúmes de mim?
–Ele morre de ciúmes... Bem que agora ele esta louco de ciúmes do Victor.
– E você com ciúmes da Tiffa!
– Eu com ciúmes dela? – Perguntou Emilly sorrindo.
– Não esta?
– Obviamente que não.
– Mas deveria afinal ela ama o Gabriel.
– Ela fala dele?
– Constantemente... Diz que só não esta com ele hoje por causa de Victor.
– Vadia!
– Calma Emilly ela não tem culpa de amar ele assim como você.
– Se for pra defendê-la pode dar meia volta.
– Não vim defender ninguém só digo que abra seus olhos ou ela vai tirar Gabriel de você o que eu não ligaria nenhum pouco... Mas não quero ver ninguém chorando principalmente você. – Respondeu Lucas pegando no queixo da jovem.
– É melhor eu entrar. – Respondeu Emilly se despedindo de Lucas.
– Até logo! — Despediu se o garoto.
Emilly entrou correndo seguindo até seu quarto colocando em sua mala as melhores roupas perfumes e sapatos. Antes de entrar no banho olhou novamente sua caixa de mensagens que continuava vazia.
“Vadia... Vadia... Vadia...” – Repetiu ela para si própria.
Emilly tomou um banho extremamente quente lavando os cabelos castanhos que lhe deram trabalho para escová-los sozinha. Vestiu se com uma calça jeans azul escura uma blusa cinza de manga longa e sua sapatilha favorita.
Antes de a garota seguir ate a casa dos Carmichael ela certificou se de trancar todas as janelas, pegou o dinheiro de cima da geladeira em seguida saiu da casa trancando a porta e deixando a chave debaixo do tapete de boas vindas.
– Por que não me ligou eu teria te ajudado. – Reclamou Gabriel vendo a namorada entrar toda atrapalhada pela sala.
– Eu sabia que eu agüentava.
– Você sabe que não pode carregar peso. – Respondeu o namorado levantando se do lado de Tiffa.
– Por que ela não pode? Não me diga que ela vai ter um bebezinho? – Perguntou Tiffa começando a derramar seu veneno perceptível apenas para Emilly.
– Bebe? Oh não eu e a Emilly...
– Gabriel... Por favor! – Interrompeu Emilly constrangida.
– Oh me desculpe eu não sabia. – Pediu Tiffa fingindo tristeza.
– Tudo bem você não tem culpa só não rolou ainda. – Continuou Gabriel.
– Gabriel acho que ela não precisa saber disso não é mesmo?- Disse Emilly revoltada.
– Tudo bem Emilly eu e o Gabriel somos bem íntimos afinal ele já foi meu amo assim como é o seu. – Continuou a venenosa.
– Contou pra ela sobre isso? Eu não acredito.
– Emilly querida eu te ajudo a levar as coisas lá para cima. – Intrometeu se Helena aparecendo do nada.
– Você vai dormir aqui? – Perguntou Gabriel.
– Algum problema? – Atacou Emilly nitidamente irritada.
– Não nenhum.
– Vamos Emilly. – Chamou Helena erguendo a mala pesada.
Helena caminhou com Emilly até o andar de cima onde ficavam os quartos.
– Neste quarto? – Perguntou Emilly reconhecendo o quarto de Gabriel.
– Vai dar espaço para aquela víbora aparecer aqui no meio da noite?- Respondeu Helena.
– Ela seria capaz?
– O que acha? Desde que ela chegou está lá embaixo praticamente no colo do seu namorado e se ela atacar ele vai cair.
– Duvido muito ele disse que me ama. – Respondeu Emilly.
– Eu sei que ele te ama... Mas entenda que agora ele esta refletindo todo o passado e o fato de ter ela tão perto esta mexendo com a cabeça dele não quero te deixar insegura... Mas eu conheço a cara de bobo que ele está agora mesmo foi está mesma cara que ele fez quando me deixou.
– E por que esta me ajudando?
– Eu odeio ela... Não que eu goste de você... Só acho que ninguém precisa ser passada para trás como eu fui ainda mais pela mesma pessoa.
– Você odeia mesmo ela!
– Se desejar que ela morresse fosse pouco então eu desejo coisas piores.
– Não quero perder ele.
– Então não banque a boba tente agradar o seu namorado e prender ele apenas a você.
– Isso eu vou tentar!
– Tem que conseguir... Agora eu preciso ir o Victor deve estar chegando.
– Obrigada Helena.
– Não me agradeça eu nunca aceito apenas palavras o que eu quero você já sabe e se a cachorra esta aqui o que ela guarda também esta e eu quero os diários do Victor.
– Okay eu vou encontrar todos eles. – Respondeu Emilly lembrando se do acordo.
– Agora desce que ele deve estar estranhando sua demora. – Respondeu a Loira.
Emilly desceu quase transformada em outra pessoa a personalidade que fluía dentro de si era algo que ela não conhecia.
Ao chegar à sala a garota reencontrou Tiffa sentada agarrada ao braço de Gabriel que sorriu quando a viu.
– Emilly você é muito linda... Acabei de dizer isso para o Gabriel! – Exclamou a boneca japonesa toda animada.
– Obrigada Tiffa não sou tão linda quanto você!
– Claro que é não é mesmo Gabriel? Você não acha a Emilly muito mais bonita que eu? – Perguntou Tiffa envenenando o rapaz.
– Por que esta me perguntando isso? – Confundiu se o rapaz.
– Você não acha? – Continuou Tiffa.
– Pra que isso? – Tornou a perguntar o rapaz soltando o braço das mãos de Tiffa.
– Responde Gabriel. – Atacou Emilly.
– As duas são lindas não tenho que escolher ninguém. – Respondeu ele agora irritado.
– Será mesmo?- Continuou Emilly.
– Chega Emilly. – Respondeu Gabriel levantando se e seguindo para um lugar qualquer.
– Cuidado onde tenta colocar suas garrinhas bonequinha eu corto uma por uma. – Cochichou Emilly assim que viu Gabriel se afastar.
– Ui Emilly não estou te entendendo. – Respondeu Tiffa.
– Eu sei que esta!
– Emilly amiguinha não me trate assim eu só quero a sua amizade. – Continuou Tiffa ameaçando chorar.
– Suas lagrimas de crocodilo não me impressionam.
– Emi o que você esta fazendo? – Perguntou Karin se aproximando com Edmundo. – Por que esta ofendendo a Tiffa dessa maneira?
– Eu a ofendendo? – Perguntou Emilly envergonhada.
– Nós ouvimos tudo! – Disse Edmundo. – Eu conheço a conheço a muito tempo e ela jamais aprontaria para alguém.
– Okay acreditem nela se quiserem eu não acredito. — Respondeu Emilly sentindo o rosto queimar.
– Emilly querida não precisa ficar insegura o que eu e o Gabriel tivemos já passou quando eu o deixei foi por que não daríamos certo.
– Você e Gabriel? – Perguntou Emilly. – O que exatamente vocês tiveram?
– Me desculpa não sabia que ele não tinha te contado... – Começou Tiffa novamente.
– Tiffa já pode parar por aqui. –Interrompeu Gabriel se aproximando com Richard.
– O que vocês tiveram? Quero que me conte Gabriel.
– Isso já faz muito tempo meu amor já passou. – Continuou Gabriel se aproximando da namorada.
– Ele e Tiffa eram noivos é isso que Gabriel não quer te contar Emilly. – Respondeu Victor entrando pela porta da sala na companhia de Helena.
– Noivos?! – Assustou se Emilly.
– Ela só desistiu de tudo por que eu poderia dar a ela a transformação que Gabriel não conseguiria.
– Victor meu amor chega! – Pediu Helena.
– Noivos... Claro que não seriam apenas amigo isso é lógico que não!- resmungou Emilly inconformada.
– Te faço uma proposta Emilly se você deixar Gabriel eu também te transformo. [
– O que?! – Perguntou Helena. – Por que essa sacanagem com o Gabriel de novo?
– Emilly entenda que a raça do Gabriel é maldita e você vai acabar como muitas pessoas que tentaram se aproximar do sangue deles hoje estão todos mortos. – Continuou Victor.
– Assim como Clarisse? – Perguntou Emilly enraivecida.
Victor assustou se com o nome da mulher ecoar no silencio do salão.
– Sim Emilly como a minha Clarisse! – Respondeu Victor rangendo os dentes. – A proposta eu já fiz cabe a você aceitar ou não.
– Se já é uma dor gigante viver com vocês por tão pouco tempo imagine se eu tivesse uma vida longa eu realmente tenho minhas duvidas se quero ser transformada.
– Emilly. – Resmungou Gabriel tentando alcançar à namorada.
– Quem sabe se eu morrer logo você não pode ser feliz com ela?
– Meu amor não diga besteiras eu estou com você agora!
– Eu não sei se quero continuar com você Gabriel... É simples assim!
– Sua idiota! – Gritou Helena. – Vai entregar ele de bandeja? Ninguém acredita que essa boneca de plástico é uma víbora eu acredito em você.
– Helena agora piorou que todo mundo vai ficar do lado da Tiffa todo mundo sabe o tipo de Vadia que você é! – Disse Karin.
– Não fale assim dela! – Defendeu Emilly. – Ela é a única pessoa que esta do meu lado nisso tudo desde o começo.
– Pronto se completaram. – Irritou se Karin.
Emilly vendo todos se olharem correu ate o fundo da mansão encontrando o grande jardim por onde sempre invade a mansão. A garota em prantos sobe pedra por pedra tentando alcançar o muro, antes que pudesse subir ao muro sentiu uma mão puxá-la pela cintura tentando abraçá-la.
– Já disse pra usar o portão da frente vai acabar se machucando uma hora dessas. – Reclama Gabriel tentando segurar a garota que o estapeava de todas as formas.
– Me larga agora. – Gritou ela sentindo o coração apertar.
– Pare ou vai se machucar você não pode ficar nesse estado.
– Como quer que eu fique você me escondeu muita coisa.
– Emilly olha quanto tempo agente já ta junto fazia tempo que não brigávamos e olha agora esta acontecendo direto...
– Okay Gabriel terminamos então e bola pra frente se quiser pode ir até mesmo para o inferno com aquela menina.
– Eu não quero isso você quer? – Perguntou Gabriel encostando Emilly no muro gelado.
– Gabriel já deixei bem claro que você é a melhor coisa que me aconteceu no momento que isso tudo acabar eu tenho certeza que eu não vou agüentar.
– Não faz isso com a gente eu preciso de você eu me assustei com tudo isso... Ver ela de novo claro que me deixou assim, mas eu jamais deixaria você por ela por que eu te amo como nunca amei ninguém.
– Gabriel vamos parar por aqui vai nessa viagem e se encontre.
– Se você não for comigo eu não irei... Por favor, vamos voltar ao normal isso esta acabando comigo.
– Me diz o que você quer Gabriel... Diga-me a verdade!
– Eu quero você meu amor quero que seja minha somente minha para sempre...
– Quem é a mais bonita ela ou eu?
– Por que isso?
– Quero saber Gabriel!
– Você mil vezes você... Ela parece uma criança você é uma mulher e quero que seja aminha mulher... – Respondeu Gabriel olhando profundamente nos olhos de Emilly- Mil vezes você eu te amo mais do que tudo.
Emilly não conseguiria resistir à tentação de beijar. Gabriel beijou a namorada como nunca antes agora temendo perde-la.
– Você fica linda quando sente ciúmes. – Respondeu Gabriel enchendo a namorada de beijinhos rápidos por todo o rosto.
– Odeio sentir ciúmes não quero você perto daquela menina nunca mais.
– Vou me lembrar disso!
– Espero que se lembre mesmo.
– Tenho uma coisa para te dar só que eu só vou te entregar em Gramado amanha. – Cochichou Gabriel ao pé do ouvido da namorada.
– O que é?- Perguntou Emilly.
– Vai continuar curiosa por que eu não vou te contar.
– Eu odeio ficar curiosa!
– Eu também por isso somente uma coisa pode me fazer te contar ou te entregar seu presente hoje mesmo.
– O que quer? – Perguntou Emilly sorrindo.
– Seu diário!
–Bom acho que eu posso esperar até amanha! – Respondeu Emilly.
– O que eu preciso fazer para você me deixar ler o seu diário?
– Nada vai me fazer mudar de idéia sobre isso... Eu acho q vou entrar está muito frio. – Respondeu Emilly tentando subir novamente pelo muro sendo impedida por Gabriel novamente.
– Onde pensa que vai? – Perguntou Gabriel segurando Emilly em seus braços.
– Não tem com eu ficar aqui todo mundo está bravo comigo.
– Eu posso arrumar isso!
– Como?
– Vamos que te mostro.
– Me coloque no chão primeiro...
– Gosto de te ter em meus braços vou continuar assim um pouco.
– Você é louco!- Respondeu Emilly sorrindo.
– Você ainda não viu nada!- Respondeu ele maliciosamente.
Gabriel carregou Emilly até a porta da cozinha onde a colocou no chão sem soltar sua mão pequena e gelada. O casal caminhou até a sala onde permaneciam todos os moradores.
– Emilly que bom que você se acertou com o Gabrielzinho eu não gosto de ver ninguém triste e eu nunca quis provocar isso em vocês dois.
– Tiffa eu peço silencio só um pouco gostaria de esclarecer umas coisas. – Pediu Gabriel. – Eu amo a Emilly e nada nem ninguém vai nos separar dessa forma quero deixar bem claro que o que eu tive com a Tiffa é passado e que não sinto mais nada por ela alem de uma grande amizade e como os meus amigos Richard e Edmundo sabem muito bem eu pretendo sim transformar a Emilly em minha mulher.
– Olha que lindo isso pede festa! – Brindou Tiffa expressando um sorriso falso.
– Gostaria mesmo de dar uma festa para brindar a isso mas temos muitas coisas para arrumar para a viagem de amanha e logo a Emilly e a Karin terão que comer algo por que elas ainda são humanas então gostaria que você Tiffa fizesse algo para as duas.- Atacou Gabriel.
– Eu?- Perguntou Tiffa alegremente arrasada.
– Algum problema Tiffa? – Perguntou Victor.
– Não senhor.
A discussão se encerrou o que Victor fala os Carmichael obedecem.
Gabriel subiu para o quarto com Emilly.
– Você está bem? – Perguntou Gabriel olhando a garota estremecer.
– Sim só estou com um pouco de frio.
– Isso não esta nenhum pouco frio comparado em como estará amanha em Gramado. – Respondeu Gabriel pegando duas cobertas do guarda roupa e colocando sobre a cama.
– Você tem frio? – Perguntou Emilly.
– Começou com a pesquisa de vampirismo de novo?
– Não! Só estranhei as cobertas no guarda roupa. – Respondeu a garota.
– Deite se que já te conto tudo que quiser saber dona curiosa.
Emilly tirou as sapatilhas e deitou se debaixo da colcha que cobria a cama fria que logo se esquentou enquanto Gabriel jogava as cobertas pesadas sobre o corpo da jovem em seguida deitando se com ela.
– Esta melhor? – Perguntou ele abraçando a namorada.
– Esta perfeito!
– Respondendo a sua pergunta eu sinto frio quando não me alimento... Quando não tomamos sangue humano é como se nosso corpo aos poucos morresse ficamos gelados e nenhum pouco flexível mas quando tomamos nem que seja uma gota é como se aquilo fervesse dentro de nós somos mais que humanos o coração bate muito mais rápido que o normal somos invencíveis.
– Isso parece legal!
– O difícil é que isso não dura muito uns três dias no máximo depois já temos que nos alimentar novamente por isso que a maioria de nós trabalhamos em hospitais por causa do banco de sangue.
– Então porque não transformam os doentes? Assim se alimentariam e salvariam vidas.
– Imagine se transformássemos todos os doentes seria uma devastação porque haveria mais transmutados do que humanos e isso seria o fim para a nossa espécie por isso temos alguns hospitais que realmente transformamos mas só os que realmente merecem.
– Isso é muito para minha cabeça.- Resmungou Emilly olhando para o nada.
– Um dia você vai entender meu amor.
– Você me disse que somente os que merecem são transformados há quanto tempo agem desse jeito?
–Já faz um bom tempo desde que Clarisse foi transformada as regras foram quebradas todos dizem que ela adorava quebrar as regras e irritar os superiores.
– Clarisse é a mulher de Victor não é?
–Isso... Eu era muito novo quando ela foi morta só sei que mesmo depois de tanto tempo muitos ainda falam dela... Acho que ela era louca porque pra casar com Victor.
– Teria alguma chance de terem transformado meu pai?
– Como assim Emi? – Perguntou Gabriel estranhando a pergunta da namorada.
– Meu pai desapareceu na mesma época que os Carmichael foram embora daqui minha mãe disse que ele havia levado todas as coisas sem deixar vestígio e nunca mais mandou noticias. – Respondeu ela sentando se na cama.
– Não sabia que você não tinha contato com seu pai... Imaginei que sua mãe era separada... Mas nunca pensei em algo assim.
– Mas há uma probabilidade não há?
– Como ele se chama? – Perguntou Gabriel sem obter uma resposta. – Você não sabe o nome do seu Pai?
– Eu nunca o conheci e minha mãe se reluta em me contar algo sobre ele nunca tive a oportunidade de perguntar o nome dele. – Respondeu ela.
– Não seja por isso. – Respondeu Gabriel pegando o telefone sem fio do criado de mármore. – Liga e pergunta.
– Ela vai surtar.
– Não custa tentar.
Emilly tomou o telefone da mão direita do rapaz em seguida digitou o numero do hospital onde sua mãe se encontrava.
– Santa’ Ana Cristiane boa noite? – Saudou do outro lado da linha.
– Boa noite eu gostaria de falar com a enfermeira Melissa.
– Quem deseja?
– Aqui é a filha dela. – Respondeu Emilly começando a tremer.
– Só um minuto vou passar a ligação.
Emilly quase teve um ataque epilético quando ouviu a voz da mãe do outro lado da linha.
– Mãe eu só te liguei por que quero saber o nome do papai. – Respondeu a menina em um sopro.
– Por que essa brincadeira agora Emilly. – Resmungou a mãe irritada.
–É só isso que quero saber nunca te perguntei isso mãe.
– E nem precisa me perguntar se ele fosse presente em sua vida você não precisaria me perguntar isso.
– Por favor, mamãe é só isso que te peço.
– Se isso vai te deixar contente seu amado pai se chama João... Agora estou trabalhando tome seus remédios durma e boa viagem e não se esqueça de me manter informada de seus passos. – Pediu a mãe antes de desligar.
– Ela disse que ele chama João...
– João? Você não tem cara de filha do João! – Riu Gabriel. – Sinto muito meu amor mas não conheço nenhum João que foi transformado aqui.
– Tudo bem. – Respondeu Emilly entristecida.
– Que tal você tomar um banho quente enquanto eu desço ver se a sua sopa esta pronta.
– Não quero que fique perto daquela boneca de plástico.
– Eu só vou buscar a sua sopa ou prefere que ela venha entregar aqui no meu quarto? – Provocou ele.
– Seja rápido! – Ordenou ela.
– Sim senhora!- Respondeu ele fazendo continência já em pé.
Emilly esperou o namorado sair do quarto pegou sua toalha azul da mala e seguiu até o banheiro. Assim que abriu a porta a jovem se assustou com o banheiro luxuoso com uma ducha no canto direito e uma banheira de hidromassagem ao lado oposto. Emilly não ousou tocar na hidromassagem com medo de destruir tudo com seu azar supremo optando pela ducha que parecia menos longe de sua realidade, assim que a água bateu sobre sua pele descobriu que a ducha também estava anos luz de sua realidade alternativa com sua água perfeitamente quente sem nenhum fio gelado destruindo sua perfeição deixando a garota atordoada de tanta tranqüilidade, a mesma não conseguiu ficar sem molhar os cabelos novamente perdendo noção dos minutos que já estava debaixo d’água saindo rapidamente assim que notou sua pele rosada quase apagada em meio ao vapor quente que emergia sobre o ambiente nitidamente branco. Emilly não havia escutado som algum no cômodo atrás da porta desconfiando que Gabriel ainda não houvesse voltado segurou suas roupas já dobradas e voltou para o quarto encontrando Gabriel deitado trocando de canal apenas movimentando a mão como se estivesse olhando uma revista gigante.
– Azul? – Perguntou ele olhando para a toalha.
–Me desculpe pensei que ainda estivesse lá em baixo. – Atrapalhou se Emilly deixando suas roupas cair ao chão.
Emilly se abaixou para pegar as roupas quando sentiu a toalha deslizar forçando a continuar em pé apertando a toalha contra o corpo.
– Eu vou descer e já volto pode ficar a vontade. – Disse Gabriel levantando se seguindo em direção a porta.
– Pode ficar! – Respondeu a menina delirando com sua paranóia imaginando o namorado com Tiffa.
–O que?! – Espantou se o jovem.
– Acho que já é hora de darmos um passo a diante não acha?- Respondeu a garota se aproximando do namorado sentindo novamente a sensação de se tornar outra pessoa.
–Emilly eu sei que você não quer isso e eu não quero me aproveitar da sua fraqueza.
– Do que está com medo?
– De te magoar e eu não vou fazer isso! – Respondeu ele se afastando tentando alcançar a maçaneta.
– Qual problema Gabriel?
– Já disse não há problema algum só não quero que seja assim.
– Você tem medo de não ser homem o suficiente pra mim?
– O que? – Perguntou o jovem sentindo seu ego ferir.
– Você não consegue é isso? Não consegue ser um homem a minha altura?
– Ser um homem a sua altura? – Perguntou ele agora revoltado se aproximando da namorada que continuava parada. – Quer que eu seja um homem a sua altura.
Emilly sentiu Gabriel apertar seus braços empurrando a sobre a grande cama em seguida apagando as luzes deixando apenas a TV iluminando o quarto.
– Um homem a sua altura... – Resmungou ele olhando a namorada sobre a cama mostrando a lateral do corpo livre da toalha.
– Gabriel eu...
Emilly sentiu o namorado subir na cama passando a mão sobre seu corpo descoberto beijando cada pedaço até chegar ao pescoço onde novamente penetrou suas presas causando um dor desconfortável.
– Gabriel, por favor, não foi isso que eu quis dizer... – Clamou ela.
–Eu não sou homem a sua altura? – Disse ele com a boca suja de sangue enquanto pressionava o quadril em meio às pernas da garota enquanto mordia outros locais do corpo da jovem.
– Por favor... Pare! – Pediu ela começando a choramingar.
– Não me atente se não agüenta... Não diga que não sou homem a sua altura quando eu é que estou esperando você se encaixar a minha. – Respondeu ele levantando se e limpando o rosto marcado de sangue. – Agora se vista e tome aquela sopa! – Terminou ele antes de sair do quarto.
Emilly desatou a chorar feito uma criança enquanto limpava os ferimentos de um lado apenas do corpo que continuavam sangrando mostrando que haviam sido rompidos com vontade sendo estancados apenas por pequenos curativos que desapareceram debaixo do pijama que em minutos já estava debaixo das cobertas.
– Você nem tocou na sopa. – Disse Gabriel assim que entrou no quarto encontrando a sopa no mesmo lugar.
– Estou sem fome!
– Eu... Te feri de novo eu agradeceria se comesse algo. – Continuou ele ainda aborrecido.
– Eu disse que não estou com fome! – Respondeu ela sem olhar para o namorado.
– Sairemos de madrugada coma algo ou eu ficarei preocupado.
– Me desculpe preciso dormir. — Respondeu a garota fechando os olhos se entregando ao silencio.

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