Notas iniciais
Emilly se aproximou e focou os olhos no quadro onde encontrou na pintura perfeita e vivida Victor ao lado de uma mulher atraente e duas crianças muito pequenas.

– O que te fez querer a minha oferta? – Perguntou Gabriel olhando a maid.

– Senhor eu preciso do dinheiro para ir à viagem. – Respondeu Emilly passando chá na mesa de centro no quarto de Gabriel.

– Meu amor eu te disse que posso pagar...

– Não! – Respondeu à jovem irritando se- Desculpe senhor, mas rejeito sua proposta.

– Vejo que alguém te deu aulas certo? – Perguntou Gabriel.

– Sim senhor.

– Quem?

– O senhor quer que adoce? – Perguntou Emilly mudando de assunto.

– Que te ajudou com tudo isso? Você nem sabia sobre a existência de uma maid. — Continuou Gabriel levantando se da grande poltrona azul real.

– Está tudo pronto meu amo. – Respondeu Emilly servindo o chá em uma xícara branca com bordas douradas.

Gabriel olhou para xícara em seguida olhou para namorada sorrindo com os olhos fechados.

– O que foi senhor?

– Desculpe Emilly... Eu não posso tomar isso. – Respondeu ele se certificando que não magoaria a namorada.

– Tudo bem senhor eu preparei tudo de acordo com suas necessidades.

– Emi... – Resmungou Gabriel ao encontrar o dedo anelar da jovem ferido. – O que você fez...

– Esta tudo bem Gabriel eu...

Emilly se assustou ao ver Gabriel jogar a xícara ao chão e puxar seu corpo perto ao dele. Gabriel rapidamente retirou um pequeno lenço da fantasia de Emilly. A garota encontrou os olhos vermelhos de Gabriel um tanto confuso sabia o que ele iria fazer e não relutou fechou os olhos e sentiu as presas do jovem perfurar sua pele.

– Me perdoe eu sou um monstro. – Pediu Gabriel assim que soltou a amada se afastando.

– Tudo bem meu amo. – Respondeu Emilly sorrindo.

– Para com isso não está vendo eu te machuquei de novo. – Respondeu Gabriel se aproximando da namorada outra vez.

– Eu sei que você está faminto, eu posso ver em seus olhos sei que desde aquela noite você não havia se alimentado.

– Isso não é desculpa Emilly...

– Eu deveria ter feito seu chá em outro lugar... Pensando bem... Esses dias Karyn estava me ensinando como fazer algo que vocês possam tomar e ela me contou que quando o Edmundo tem fome ele se alimenta dela então você também poderia fazer o mesmo...

– Isso te deixaria ainda mais fraca.

– Eu estou bem Gabriel... Você poderia tentar me transformar caso algo de errado aconteça...

– Jamais... Eu não quero passar pelo que Richard passou... E se não der certo eu não suportaria ver ele te matar.

– E se pedirmos para Victor me transformar?

– Ele jamais concordaria com isso... Só tem uma pessoa que concordaria em te transformar.

– Quem?

– Meu padrinho...

– Podemos conversar com ele...

– Tenho certeza que ele te transformaria...

–Podemos procurá-lo assim que voltarmos de Gramado.

– O problema é que ele mora em Londres.

– Nossa...

– Talvez ele venha aqui daqui uns dois meses para nossa festa de graduação de alguns parentes provavelmente ele virá.

– Se já há uma esperança eu acho que nada de ruim vai acontecer comigo... – Resmungou Emilly se aproximando de Gabriel.

– Mesmo assim podemos preservar qualquer incidente. – Respondeu Gabriel fechando o lenço novamente no pescoço da amada.

– Se insiste!

–Vamos para com isso então... – Respondeu Gabriel se agachando para pegar os cacos de porcelana.

– Não senhor... Isso é o meu trabalho.

– Emilly...

– Perdoe meu comportamento da próxima vez eu preparo tudo na cozinha.

– Emilly... – Resmungou Gabriel abraçando a namorada ajoelhada ao chão.

– O senhor não pode me abraçar. – Respondeu Emilly sem corresponder o abraço do namorado.

– Quem foi que te ensinou tudo isso?- Perguntou Gabriel olhando o rosto delicadamente maquiado. – Não me diga que foi a Helena...

–O senhor deseja algo mais? – Perguntou Emilly.

– Claro que foi ela quem mais saberia te arrumar assim... Bom então vou aproveitar isso... Não obrigado eu não desejo nada apenas descansar um pouco.

– Com licença. – Pediu Emilly saindo do quarto do jovem.

– Mas o que é isso? – Perguntou Emilly vendo Roberta e Karyn vestidas de Maid limpando a cozinha.

– Decidimos nos vestir assim também os garotos se apaixonaram quando te viram. – Respondeu Roberta.

– E olha que é bem divertido o Ed está gostando muito ele disse que eu fiquei ainda mais irresistível... Mas a Helena me disse que ele não pode nem ao menos me abraçar.

– Ela deu conselhos a vocês duas também?- Perguntou Emilly. – Em troca do que?

– Em troca de nada. – Respondeu as meninas.

– Ela te pediu algo em troca? – Perguntou Roberta.

– Não ela nem me pediu nada. – Respondeu Emilly.

– Se ela pediu você sabe que pode contar com a gente não sabe? – Continuou Roberta.

– Claro que sei... Mas ela nem me pediu nada disse que só queria mudar a impressão que eu tinha dela.

– Okay vamos confiar em você Emilly.

Os dias como Maid passaram muito rápido na companhia de Karyn e Roberta duas semanas e três dias de muita animação.

– Emi já conseguiu o dinheiro para a viagem? – Perguntou Karyn.

– Já sim e ainda sobrou uma boa quantia para eu poder gastar lá. – Respondeu Emilly toda animada com a viagem. – Meu patrão é uma pessoa muito generosa.

– E vocês dois já escolheram o quarto? – Perguntou Roberta.

– Achei que Richard ia ver isso. – Respondeu Emilly.

– Não ele só viu o hotel acho que ele já conversou isso com Gabriel.

– Bom ele tem bom gosto provavelmente vai me colocar em um quarto com vocês duas.

– Como assim com nós duas? – Resmungou Karyn rindo feito uma hiena.

– Por quê? – Perguntou Emilly.

–Pelo simples fato de que os Carmichael ficaram em quartos de casais... Ou seja o Gabriel quer que vocês dois fiquem no mesmo quarto e se você não sabia isso deve ser uma surpresa.- Respondeu Karyn.

– Emi... Você e ele ainda não... Você sabe... –Resmungou Roberta corada.

– Não ainda não. — Respondeu Emilly.

– Nossa como você consegue ser tão sem sal?

– Karyn não precisa falar assim com a Emi.

– Mas é verdade ou não é? Se continuar com esses seus passos lentos quem vai ficar na mesma cama que ele no hotel vai ser a Helena.

–Não dê ouvidos a essa louca!- Comentou Roberta. — Tudo tem seu tempo certo se você não está pronta isso é algo que tem ser resolvido entre você e ele ninguém mais pode se meter nesse assunto é algo muito intimo.

Emilly sentiu seu rosto corar, rapidamente deixou as amigas sozinhas na cozinha e se dirigiu a um lugar qualquer. A jovem nem ao menos reparou o corredor que havia tomado para se encontrar em um lugar que não havia estado antes na grande mansão um corredor largo cheio de janelas exageradamente grandes penduradas em paredes brancas meio amareladas pelo tempo completado pelo típico carpete vermelho um pouco rasurado nesta extremidade, sem duvida alguma aquele lado da mansão não havia sido reformada. No grande corredor havia oito portas de mármore dentre elas apenas uma não estava envelhecida o que chamou a atenção de Emilly que não resistiu em girar a maçaneta que como resposta estralou alto abrindo passagem para uma suíte muito grande com aparência medieval das paredes escuras em um tom vinho com o chão de madeira que rangiam muito baixo enquanto a jovem distribui seu peso em cada passo havia uma pequena mesa redonda no cômodo com uma cadeira bem próxima a janela havia também algo parecido com uma pena e um tinteiro em cima da pequena mesa. Uns passos à frente e Emilly atravessara um arco se encontrando agora em outra sala um pouco mais escura que a anterior com o chão muito parecido com um tabuleiro de xadrez parecia uma biblioteca cheia de livros um piano preto ao centro e uma poltrona em frente a um quadro no centro da sala em cima da lareira luxuosa. Emilly se aproximou e focou os olhos no quadro onde encontrou na pintura perfeita e vivida Victor ao lado de uma mulher atraente e duas crianças muito pequenas. A jovem se aproximou ainda mais do quadro erguendo a mão para tocá-lo, assim que sentiu a leve textura da pintura se assustou com a lareira se acender rapidamente.

– Você não devia estar aqui.

– Lucas!- Exclamou Emilly se virando em direção a voz. – Achei que estivesse viajando com Victor.

– Não preciso segui-lo feito um cão de guarda... Sei que é isso que pensa que eu sou... Mas a verdade é que sou muito grato a Victor ele tem um grande coração.

– Não é isso que parece! – Atacou a jovem voltando a olhar a pintura.

– Não tem que parecer nada... Depois de tudo que ele passou é normal se fechar.

– Pelo que ele passou? – Perguntou Emilly curiosa.

– Por tristezas.

– Todos nós passamos por tristezas.

– Não são comparadas as dele! – Respondeu Lucas.

– Que seja! – Deu de ombros ela. – Quem é ela? – Perguntou a curiosa olhando a atraente mulher do quadro.

– Essa era Clarisse... A amável Clarisse. – Respondeu Lucas suspirando.

– Era?

– Ela morreu há muito tempo eu ainda era humano quando a conheci.

– Como isso aconteceu?! – Perguntou Emilly empalidecendo.

– Não posso te contar nada profundo sobre isso... Só sei que ela sempre foi e sempre será o grande amor da vida de Victor.

– E as crianças... Elas eram...

– Sim... Alex e Alice os gêmeos de Clarisse e Victor.

– Eram?- Perguntou Emilly pasma com o contexto da frase.

– Sim... No mesmo dia que a mãe. – Respondeu Lucas agora com um olhar muito triste. – Nenhum pai deveria ficar sem seus filhos e sem sua amada mulher... Isso é pior que qualquer tortura.

– Você é casado? – Perguntou Emilly estranhando o olhar do rapaz.

– Não!

– Namora?

– Também não!

– Há quanto tempo não tem ninguém?

–Desde a noite em que fui transformado.

– Abriu mão dela?

– Não... Se eu não fosse transformado eu a perderia de qualquer forma... Éramos muito jovens.

– Por que não vai atrás dela?

– Pra que? Eu já não a quis para que não entrasse nesse mundo e outra qual seria a reação dela quando me visse?

– Por quê?

– Eu congelei naquela época Emilly agora ela deve estar muito mais velha que eu... E até onde eu sei ela tem uma linda família agora.

– Entendo... – Resmungou Emilly sentindo algo estranho.

– Você está bem? – Perguntou Lucas a encarando.

– Estou sim por quê?

– Você esta pálida e suando.

– Não é nada é apenas um mal estar acho que comi algo que não me fez bem. – Respondeu Emilly sentindo a fraqueza tomar seu corpo. – Agora não! – Resmungou ela para si mesma. – Nossa! – Disse ela apertando os dentes de dor enquanto apertava as mãos contra o peito tentando alcançar o coração.

– O que esta acontecendo? Emilly... Não me diga que ele te mordeu de novo... – Respondeu Lucas enraivecendo.

– Por favor, Lucas fique comigo e não conte nada a ele... Ele vai querer me levar ao hospital e eu não posso...

– O que esta acontecendo aqui? – Perguntou Victor ao entrar em seu próprio aposento.

– Victor!- Assustou se Emilly. – Droga o que esta havendo comigo. – Resmungou Emilly trincando novamente os dentes com a forte dor no peito.

– Você está morrendo. – Resmungou Victor encostando-se à parede. – será que eu devo assistir isso?

– Mas já? Assim... Não pode ser!

– Você não quer morrer? – Perguntou Victor vendo a menina cair aos poucos no chão.

– Não!

– Quer que eu te deixe viver por mais um ou dois meses? – Perguntou Victor segurando a cabeça da jovem que suava de dor.

– Você não é Deus!

– Tem razão eu não sou Deus e estou longe de ser... Mas por algum motivo posso te conceder esse desejo digamos como um gênio de uma lâmpada qualquer.

– Isso dói tanto...

– Quer parar com a dor? Eu posso basta você deixar... E você não tem tempo de relutar quanto a isso... Você continuar viva?

– Sim! – Respondeu Emilly quase em uma suplica sentindo seus olhos perderem o foco de tudo menos dos olhos de esmeralda a sua frente.

– Isso... Boa menina! – Respondeu Victor mordendo a própria língua. – Por favor, fica mais fácil se você não relutar e engolir.

Antes que Emilly pudesse refletir a frase de Victor foi surpreendida pelos lábios quentes do rapaz comprimir os seus e ter a boca entreaberta pela língua em brasa do lobo a entregar algo com gosto de ferrugem, mas que ferveu em seu corpo fazendo a correspondê-lo indesejavelmente desejável talvez fosse assim que aquela raça seduzia a vitima antes de drená-la.

Emilly não sabia o que havia acontecido sentiu que apagou assim que tudo terminou.

– Você está bem? – Perguntou Gabriel desesperado ao lado da cama onde se encontrava a amada.

– Onde estou?

– No meu quarto... Acho que você está melhor... Está até corada.

– Ele pode mesmo fazer isso... Como isso é possível.

– Já te disse ele é sangue puro... Ele e os dois irmãos, ou melhor, agora só restou um irmão.

– Como assim?

– Para de ser curiosa Emilly olha onde sua curiosidade te levou hoje.

– Se ela não tivesse me levado lá hoje eu estaria morta. – Respondeu a garota.

– Eu poderia te ajudar não como ele, mas eu poderia fazer algo você é minha e não dele e eu tenho certeza que ele vai fazer algo pra me tirar de você ele não presta.

– Ele não é tão ruim assim...

– Para de defender ele você nem o conhece.

– Ele sofreu muito Gabriel.

– Quem foi que te disse isso aquele cão de guarda? Gosta tanto dele corre lá ficar com ele... Ou melhor vai ficar com Victor ele pode te salvar o primeiro beijo vocês já trocaram não é mesmo.

– Como assim? Você...

– Sim Emilly eu estava lá e vi tudo!

– Mas você sabe que eu não tive controle de mim mesma... Eu não sei como aquilo aconteceu.

– Ele é um idiota que vai te tirar de mim!

– Não Gabriel se você continuar assim não vai ser preciso que alguém me tire de você eu posso muito bem sair disso tudo sozinha!

– Se é isso que quer Emilly pode ir eu não vou impedir você.

– Deveria Gabriel já que você diz que me ama de verdade você deveria. – Respondeu Emilly levantando e retirando a fantasia sem se importar com a presença do namorado.

– O que você esta fazendo? – Perguntou Gabriel.

– Estou trocando de roupa vou pra casa. – Respondeu ela pegando seu moletom da mochila sem tirar as meias calças.

– Vai trocar de roupa assim na minha frente?

– Estou com raiva demais pra pensar nisso agora.

– Emilly espera acho melhor conversarmos não quero que vá embora assim.

– Não vou ficar aqui você está louco demais... Esta na hora de esfriar a cabeça Gabriel.

– Eu já estou mais calmo só acho que não tem que defender aquele idiota.

– Esta vendo você não coopera. – Respondeu Emilly fechando a mochila com a fantasia. – Até amanha.

– Amanha não tem aula por que não saímos essa noite em casais?

– Estou sem animo Gabriel. – Respondeu ela colocando a mochila nas costas. – Até amanha!