Anjos Guardiões

5 Capítulo 5


Os dois desceram as escadas e a mãe de Sarah tinha preparado um lanche para eles. Tinha biscoitos de chocolate e baunilha, tinha café fresco e leite gelado. Os dois se serviram e deliciaram. Poucos depois do lanche, Bruno se despediu das duas e foi embora pois devia tomar conta do irmão caçula.

Sarah — chamou a mãe da menina.

Sim mãe — respondeu Sarah.

Você e o Bruno — disse a mãe de Sarah sem jeito — estão, namorando? — perguntou ela.

Não mãe, não! — apressou-se Sarah em responder.

Mas vocês formam um belo casal, sabia? — indagou.

Mãe, preste atenção, eu não gosto do Bruno dessa maneira, não consigo gostar, já tentei, tentei mesmo, mas assim como ele, nenhum garoto foi capaz de me despertar nada — disse sincera a menina.

Ok filha — disse a mulher.

Sarah ficou sem jeito de continuar ali, caso a mãe perguntasse mais algo. Ela não sabia como responder. Como ia explicar que quis beijar um menino, que se sentia melhor sozinha e que o Bruno tinha uma queda por ela a anos, e que ela mandava ele superar isso. Seria estranho tentar dizer isso tudo e não ouvir algo do tipo "mas por que não da uma chance ao garoto?" como se isso fosse mudar algo, como se não fosse piorar a amizade que eles construíram. Sarah tinha medo de perder o amigo, o único em quem poderia confiar, seria muito doloroso, porém seria pior fingir algo que ela não sentia.

A menina deitou no sofá, assistia ao seu programa favorito. Acabou adormecendo no sofá, mas sem sonhos. Sua mãe achou melhor acorda-la, e quando a menina despertou, foi para o quarto, pegou o notebook e foi procurar notícias sobre alguma mulher correndo com a filha. Depois de quase uma hora pesquisando, ela lê um título em um link do google "povo de pequena cidade força mulher sair fugida com filha" e ela clica, a imagem logo aparece no canto da reportagem, ela lê tudo... "Povo da pequena cidade de litoral, suspeitando que tenha sido feito bruxaria e encantamentos com a pequena garota, obriga a possível mãe da garota a fugir da cidade. Durante a fuga, o povo tenta matar a suposta mãe mas não alcançam. O paradeiro da mulher segue sem informação até os dias de hoje. O povo da cidade diz nunca mais ter visto a bruxa". Sarah fica perplexa, mais perplexa ainda quando lê a data de publicação, recente, tem uns seis anos, mas então ela vê ao fim da leitura, a data que o incidente ocorreu, pouco mais de quinze anos. Como ela poderia ter visto algo do passado? Sarah estava enlouquecendo, se não fossem as fotos... Todas as fotos da casa aonde a mulher morava e da mulher, eram as fotos do que ela havia sonhado. Bruxaria? Não, isso não seria possível. Sarah estava perplexa, não conseguia digerir a informação que tinha acabado de consumir. Nada se encaixava, tudo parecia tão estranho. Não podia ser real, não podia. Ela levanta da cama e desce as escadas com um casaco na mão.

Sarah, aonde vai? — pergunta sua mãe.

Vou na casa do Bruno, preciso falar com ele — responde Sarah e sai pela porta.

Está anoitecendo, ela anda pela calçada e fica tentando entender o que leu, sem perceber que estava sendo seguida de perto.

Seus pensamentos pairavam longe, mas logo ouviu passos atrás dela. Ela apressou o passo, faltava dois quarteirões até a casa de Bruno. Sarah pensou em correr, mas poderia despertar atenção do seu perseguidor. Ele estava cada vez mais perto, ela sentia calafrio, sentia um profundo medo. Seguiu assim até chegar a meio quarteirão da casa de Bruno, onde ela decidiu correr. Corria desesperadamente, e Bruno que estava na porta de casa viu ela correndo.

Sarah, o que houve? — perguntou o garoto aflito.

Tem um cara me seguindo — respondeu ela.

Bruno olhou para os cantos da rua e não viu ninguém.

Sarah, mas não tem ninguém na rua — disse ele.

Mas tinha Bruno, tinha alguém atrás de mim, ele dava calafrio, medo, e seus passos eram calmos, mas sempre estava perto — disse Sarah.

Tudo bem — disse Bruno abraçando a amiga — melhor você entrar, ai me explica melhor o que está havendo.