Anjos Guardiões

6 Capítulo 6


Os dois entraram e o irmão de Bruno estava dormindo no sofá, nem ligando pro que estava acontecendo ao seu redor. Sarah riu por um segundo, era legal achar que algo poderia ser diferente para alguém. Os dois foram para o quarto de Bruno, deixaram a porta aberta para caso do irmão de Bruno acordar.

– Vai, me diz o que aconteceu — ordenou Bruno.

Sarah contou cada detalhe do que descobriu, sem esconder nada. Estava claro que Bruno a achava um louca, mas após ele ouvir cada palavra do que ela havia dito, ele ficou assustado.

– Sarah, está me dizendo que não sabe aonde essa mulher e a garota estão? — perguntou Bruno.

– É exatamente isso, fiquei assustada, com medo pelas duas, precisava te contar isso, então vim pra cá, mas a alguns quarteirões daqui, ouvi passos, e eles pareciam cada vez mais próximos, e quando corri até sua casa, você disse que não viu, isso é o que mais me assusta! — diz a garota.

– Precisamos resolver essa questão, não pode ficar sendo perseguida, e essa coisa louca dos seus sonhos, tudo é tão, esquisito — completa Bruno.

– Mas como, como faremos isso parar? Não é um botão aonde ligamos e desligamos quando a gente bem entende — disse Sarah.

– Não sei como faremos, mas precisamos fazer, você não pode mais ficar sendo prisioneira do medo, refém dos sonhos, precisamos de fato fazer algo — disse o rapaz.

Eles não sabiam o que estava acontecendo, e assim que o pai de Bruno chegou, ele foi levar a garota até em casa. Ela chegou em segurança e fez Bruno prometer ligar para ela assim que chegasse, e ele concordou. Pouco mais de dez minutos o telefone toca.

– Alô — Sarah atende.

– Olá, cheguei em casa já — era a voz de Bruno.

– Ah, ainda bem que está tudo bem com você então — Sarah diz sorrindo.

– Sim sim, e você, já se acalmou depois de aquilo tudo? — pergunta o menino.

– Sim, você ajudou bastante — disse ela.

Os dois ficam conversando por mais algum tempo, até Sarah começar a ficar com sono, quando desligam e a menina sobe para o quarto, toma banho e veste sua roupa de dormir. Ela sentia um certo medo, mas sabia que era natural. Queria saber o que tinha acontecido a mulher, queria entender tudo que estava acontecendo, mas não sabia como, não entendia porque aquilo estava acontecendo. Adormeceu em seus próprios pensamentos.

Seu sonho era diferente dessa vez. Estava no que parecia ser um castelo antigo, era todo feito de pedra. Estava em um salão cheio de imagens, eram todos muito parecidos, mas ao mesmo tempo com características distintas. Os quadros tinha sempre dois adultos e no máximo duas crianças. Sarah observava atentamente aos quadros, mas eram vários, estudava-os o quanto podia, tentando entender e achar um padrão, até que o encontrou. Dos adultos, ao menos um possuía os olhos verdes, enquanto as crianças, seja uma ou duas, possuíam a mesma tonalidade. O tom era sempre forte, um verde intenso. Tentava acompanhar, e entendeu que quando havia duas crianças em um quadro, no posterior só mostrava uma pessoa com os olhos verdes. Quando só havia uma, ela percebeu melhor do que se tratava. Era a hereditariedade de uma família. Foi acompanhando os quadros, até chegar no último e dar de cara com a imagem da garotinha. A mãe da menina a direita, e o homem no qual só vira de costas, na esquerda. Ele tinha os olhos verdes, o que fez Sarah olhar o anterior para ver sua figura quando mais jovem. A filha nada se parecia com ele, a não ser pelos olhos e a cor do cabelo. A garota estava sozinha na foto, o que possivelmente queria dizer que não teve irmãos, e como não havia sequência, ela ainda não estava governando ou não havia tido filhos, ou, poderia estar morta. Esse pensamento deu um nó no estômago de Sarah, ela não sabia o que fazer. Seguiu pelos corredores do lugar e deu de cara com o trio, conversando com um homem. O homem era loiro, de olhos verdes, parecia familiar. Sarah então notou que ele era o pai da garotinha.

– Senhor, estamos fazendo o possível, mas... — disse o menino da pela negra.

– Eu imagino, vocês tentam e não conseguem, não posso culpa-los, afinal, são um dos poucos que me resta, e os mais jovens — disse o homem.

– Se pudéssemos ao menos falar com ela — disse o outro menino.

– O contato é apenas em último caso, sabem o que aconteceu, não podemos deixar que isso se repita — disse o homem.

Em seguida, os três se levantaram e estavam vindo na direção de Sarah. Passaram por ela sem nem ao menos nota-la. Sarah os seguiu, e eles foram para uma sala. A sala repleta de espadas e capas pretas. Mas Sarah parou de notar a sala quando a garota do trio começou a olhar fixamente para onde ela estava. Ela não sabia se a garota estava te vendo, mas os meninos estavam distraídos mexendo em seus aparelhos que pareciam celulares. A garota ainda olhava para Sarah e disse nos entre lábios, sem emitir som "o que esta fazendo aqui?". Sarah olhou para trás e viu a parede, percebeu que a garota falava com ela. A garota voltou a falar sem som "o que esta fazendo aqui?". Sarah diz em emitir som "estou sonhando, eu acho". A garota ficou sem entender por um breve momento. Voltou-se para os meninos.

– Precisamos ir — disse a garota.

Os dois meninos olharam pra ela e saíram correndo da sala, deixando a menina sair por último. Ela se virou para Sarah.

– Tente ficar viva.