Anjos Guardiões
19 Capítulo 19
Notas iniciais
O homem desmaiou. Havia perdido seus poderes e no quesito, acabou sofrendo o processo brutal de demasiada dor. Fernando estava em pedaços, a declaração de sua filha o chamando de fraco ainda o doía, mas sabia que era verdade, que era um rei tolo, um rei fraco, mas sabia também que sua herdeira era promissora. Mas como ela conseguiria dar sequência ao trono se mantivesse um relacionamento com Marcela? Como o império não quebraria? Essas dúvidas o pegavam desprevenido.
Sarah também pensava nisso, mas não se importava, estava agora segurando a mão da garota que ela amava, da pessoa que conseguiu despertar seu desejo, sua vontade de viver. Sarah agora sabia o que era amar e se importar com alguém, sabia o que era confortável e o que era se sentir segura. Sarah sabia o que queria. A garota estava deitada nos braços de Marcela, que estava sentada e encostada em uma parede. Os braços da Marcela envolviam a cintura de Sarah. O sorriso da garota não deixava dúvidas de o quanto ela amava estar ali e o quanto ela queria cada vez mais estar nos braços de sua amada.
– Sarah, acho que devíamos anunciar seu retorno — disse seu pai.
– Tudo bem, posso tomar um banho antes? — perguntou a garota.
– Claro querida — disse ele — os quartos ficam no andar de cima, nossos guardiões podem leva-los, e em cada quarto tem banheiro. Pedirei para levaram roupas limpas para vocês — concluiu.
Sarah levantou e ajudou Marcela a se levantar. Elas foram para o corredor de quartos juntas. Os meninos pegaram quartos próximos ao dela.
– Marcy — disse Sarah.
– Sim... — respondeu Marcela.
– Fica comigo — disse a garota — não quero ficar longe de você.
– Tudo bem, avisarei que estou no mesmo quarto que você — disse Marcela segurando Sarah pela cintura.
Sarah agradecia por momentos como esse, por momentos onde ela podia ser quem ela queria ser, podia ser ela mesma, podia amar Marcela, podia olhar nos olhos dela, aqueles olhos cinza como uma tempestade de verão, e ver que no meio do caos ela conseguia acalmar Marcela, e Marcela conseguia faze-la se sentir mais amada do que tudo, mais desejada e acima de tudo, feliz.
Marcela beijou a testa da menina.
– Volto logo — sussurrou ela.
E desceu as escadas. Sarah fechou a porta, foi até a janela e olhou para fora, viu o reino de fato, viu pessoas andando pelas ruas, pessoas como as que via no mundo normal, pessoas simples, tendo atividades cotidianas, empregos e estudos, ela talvez tivesse achado o seu mundinho, aonde poderia quem sabe ser livre. Mas então lembrou de sua mãe, que deu tudo por ela. Como encararia aqueles olhos? Como diria a ela que moraria em um lugar que ela sozinha não chegaria? Sarah não podia fazer isso. Não ia abandona-la.
Marcela abriu a porta devagar.
– Posso entrar? — perguntou a menina.
– Pode sim — respondeu Sarah.
Marcela entrou, tinha mudas de roupa para elas, roupas completamente pretas, mas havia uma tiara dourada em cima das roupas.
– Seu pai pediu que colocasse — disse Marcela se referindo a tiara — quer avisar a todos que a herdeira retornou.
– Marcy, não sei se quero ficar — disse a menina — não seria capaz de deixar minha mãe sozinha, não posso fazer isso — concluiu.
– Eu sei que não pode, mas precisa avisar que esta aqui, e você não precisa necessariamente governar, quando chegar sua hora, pode optar, e se não quiser pode eleger um representante, mas acho que... — dizia Marcela.
– Que o que? — perguntou Sarah.
– Que mesmo assim ainda tem que dar um herdeiro para o trono — concluiu Marcy.
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