Anjos Guardiões
20 Capítulo 20
Sarah não sabia o que fazer. Como ela teria um filho se Marcela não é capaz de engravida-la? Mas apesar das dúvidas, ela só queria estar ao lado de Marcy. Ela segurou a mão da garota, encostou na porta e a trancou. Marcela olhava para a menina com uma certa malícia. Sarah enroscou a perna na de Marcela e segurou na nuca da garota, ficou na ponta dos pés e mordeu os lábios dela. Marcela segurou na cintura da Sarah, sentiu ela morder seus lábios e então a beijou. O beijo foi intenso, Sarah parecia que se entregava como nunca e Marcela não se continha.
A guardiã encostou a garota na parede enquanto Sarah segurava o cabelo dela com toda a força que podia. Beijar Sarah era como beijar uma princesa delicada, apesar de ela ser princesa e delicada, o beijo era doce, mas quente e sedutor. Não tinha maldade, não tinha excesso e acima de tudo, tinha entrega, dos dois lados.
Tudo corria bem, mas logo ouve batidas na porta. Marcela sorriu. Sarah abriu os olhos e viu Marcela vermelha, sem jeito, o que não ocorria. Sarah corou.
– Vou ver quem é — disse Marcela.
Então a garota foi até a porta, destrancou e abriu. Era Gregor.
– Oi — disse ele — eu... estou atrapalhando algo? — perguntou o garoto meio atrapalhado.
– Mais ou menos — disse ela rindo, ainda vermelha.
– O rei quer falar com a gente. Felipe esta la em baixo já — ele então notou que a garota não havia tomado banho ainda — bom, pelo menos não serei o único sem banho — disse ele rindo.
– Menos mal né — ria a garota — espera um instante?
– Ok Marcy, mas não demore muito — disse ele.
Marcela encostou a porta. Foi até Sarah.
– Eu já volto, seu pai quer falar com os guardiões, mas volto logo — disse Marcela sorridente — você vai ficando cheirosa enquanto isso, ai seu pai te anuncia, e depois voltamos para dormir um pouco — disse a menina e por fim beijou Sarah.
– Tudo bem — disse a garota — mas, Marcy...
– Pois não — falou Marcela.
– Eu te amo.
– Eu também te amo.
Marcela então desceu para encontrar o rei e levou uma das chaves do quarto. Sarah trancou a porta e foi tomar banho.
A sensação da água caindo sobre seu corpo era maravilhosa, sentia um misto de desejo e alívio. Ela finalmente estava em segurança, mas e então, o que seria dela, dos garotos, e da Marcela. Ela lavou o cabelo e despachou os pensamentos ruins, só havia espaço para coisas boas, e ela não iria ficar pensando no que aconteceria. Saiu do banho, passou creme no corpo e foi se arrumar. Deduziu que o traje menor deveria ser o dela, e notou que sua blusa era diferente da de Marcela. Sua calça era igual, uma jeans preta, porém a blusa era uma caída em um ombro, com detalhes dourados e uma das mangas mais comprida, também notou que não tinha capa para ela. Tratamento diferenciado, ela nunca gostou disso, mas aceitava os mimos, pelo menos desta vez.
Marcela desceu junto com Gregor, ela estava feliz, tinha Sarah, tinha ela em segurança, podiam ficar juntas, mas sabia que teriam que enfrentar ainda alguns obstáculos. Gregor olhava para menina.
– Melhor tirar o sorriso evidente do rosto, o rei pode interpretar mal — disse ele.
– Verdade — concordou ela, ficando mais séria.
– Ei, fico feliz por você — disse ele.
Os dois seguiram até a sala de reunião. Felipe já se encontrava la. Fernando ainda não estava, o que lhes causou uma confusão.
– Ele não nos chamou aqui? — perguntou Gregor — Ele não costuma se atrasar.
Então se sentaram. Passaram-se cinco minutos e o rei chegou. Ele estava nos trajes cerimoniais, o que levou a Marcela pensar no que Sarah vestiria, já que a algumas gerações o herdeiro era homem.
– Bem, chamei vocês aqui para agradece-los, vocês trouxeram minha filha em segurança, eu nem sei como recompensa-los — disse ele.
– Simples, seja sincero com ela em relação ao que aconteceu a mãe — disse Gregor — acho que Sarah merece saber e sei que Marcela não tocou nesse assunto.
– Realmente não, eu não disse nada sobre o que aconteceu — disse a menina.
– Mas então, como ela soube de mim? De que eu abandonei a mãe dela e a fiz fugir? — perguntou ele.
– Sarah tem visões e sonhos fortes enquanto dorme, as vezes pesadelos terríveis e as vezes visões do que já aconteceu — disse Felipe.
– Ou do que está acontecendo — completou Marcela.
– Ela é uma menina bem especial — disse o rei — ah, Marcela, não lhe pedi obrigado o suficiente por tudo que fez por ela, sei que vocês... enfim, deve ter sido difícil para ela passar por tanta coisa.
– Acho que o senhor devia conversar a sós com ela, seria muito importante e correto da parte do senhor, ela precisa realmente de um esclarecimento e de um pai — disse Marcela.
A reunião seguiu por mais um tempo, debateram sobre a segurança da cidade, e para onde cada um deles seria designado, já que agora tinham achado a herdeira do trono. Felipe ficou com as fronteiras com as zonas neutras, na separação e encaminhamento de tropas para fiscalizar, Gregor ficou com o patrulhamento na parte do mundo normal, e Marcela ganhou a permissão de ser a protetora de Sarah e de sua mãe.
Enquanto Marcela estava na reunião, Bruno batia na porta de Sarah.
– Quem é? — disse Sarah, enquanto terminava de se trocar.
– Bruno — disse o rapaz.
– Só um minuto — pediu ela.
Ela terminou de vestir a blusa, estava com o pente na mão e abriu a porta para o menino. Ele tinha o olhar cansado, estava com os cabelos ruivos molhados e seus olhos estavam serenos.
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