Anjos Guardiões

18 Capítulo 18


Notas iniciais
Galera, eu to na rua, to postando de um lanchonete, então, to usando a 3g do celular pra rotear no noot, não sei se terei tempo de postar rápido. 3bj

Ninguém sabia o que fazer, estavam todos se entreolhando e não sabiam como Sarah os guiou sem erro. Sarah correu para tirar o pai das amarras. Ela estava nervosa, sua mão tremia, ela não tinha muita reação, e sabia que devia agir logo. O pai soltou as mãos e tirou as amarras da boca. Tentava não se machucar. Ele estava liberto.

– Vocês foram excelentes — disse o homem para o grupo.

Todos ficaram calados. Sarah estava sentada no chão, não conseguia tirar os olhos de seu pai. Seu respiração estava descoordenada, ela nunca sonhou em conhecer seu pai biológico... mas onde estava sua mãe?

– Senhor essa é a Sarah, ou se preferir, Pietra — disse Marcela.

– A minha pequenina! — disse o homem, abraçou sua filha e ela retribuiu o abraço. Eram muito parecidos.

– Quem te prendeu aqui? — perguntou Sarah.

– Não sei — respondeu ele — eu estava sentado na mesa do café e fui derrubado com uma porrada na nuca, quando acordei estava aqui amarrado, eles só me trazem comida duas vezes por dia e água uma vez a mais.

Todos observavam o homem, estava esguio, havia emagrecido muito. Sarah sabia que ele não era o homem de sua visão, o que queria mata-la.

– Temos que achar o impostor — disse Sarah, a menina estava determinada.

– Tudo bem — concordou Felipe.

Sarah segurou novamente a mão de Marcela. Seu pai olhou e não entendeu, mas preferiu ficar quieto.

Todos corriam pelos cantos do castelo com o pai de Sarah na frente, guiando-os até a sala do trono. A porta também estava trancada. Marcela encarou Sarah.

– De novo? — perguntou Marcy.

– Por favor — disse a menina.

Marcela segurou na cintura da menina enquanto ela olhava para frente. Sarah se concentrou e esmagou novamente a porta, como fizera na anterior. Seu pai ficou perplexo.

– Como? Como aprendeu a fazer isso? — perguntou ele.

– Bem... Marcela me treinou junto com os meninos para fazer algumas coisas, e disse que pensamentos bons e felizes nos trás mais força, certo? — perguntou a garota.

– Certo — respondeu seu pai.

– Então, eu gosto da Marcela, e quando ela ta comigo, eu fico feliz, lembro de coisas bonitas e fico alegra, digamos assim, e consigo fazer o que vem a minha mente — respondeu calmamente a garota, numa tranquilidade surreal para quem estava quase que se assumindo para o pai que acabara de conhecer.

– Pera... vocês... — tentou formular a pergunta.

– Bem, a gente ta junta — disse Marcela, tomando a frente.

– Isso é meio diferente, mas entendo, eu acho — disse o homem.

Marcela apertou a mão de Sarah, seu rosto estava vermelho, em chamar, e notou que Sarah sorria como uma criança. Era disso que ela estava falando quando disse "lutar por mim".

Bruno parecia que tinha perdido o chão. Ele tinha um sentimento de inveja, afinal, Sarah não ficou com ele mas estava namorando Marcela, sem contar para ele, o melhor amigo. Ele se sentia traído, se sentia sozinho e principalmente, carente. Havia entrado nessa pra protege-la, e até agora, foi um fardo na equipe. Ele estava querendo sumir.

Gregor olhou para Bruno, e percebeu que o menino estava com as mãos fechadas, contraídas como se fosse socar algo. Ele instintivamente segurou o braço do menino.

– Não tenha raiva, ninguém consegue mudar os sentimentos — sussurrou Gregor — nenhuma delas tem culpa de ter se apaixonado — finalizou.

– Você tem razão — disse Bruno arrependido do que estava pensando.

Eles entraram pela porta esmagada. Deram de cara com um homem idêntico ao pai de Sarah, mas com saúde perfeita. O homem encarou o grupo, parecia assustado.

– O que estão fazendo aqui? — perguntou o homem.

– Bem, sou o rei, me chamo Fernando, e você sabe o que eu vim fazer — disse o pai de Sarah.

– Você? Fernando? Acho que não, eu sou o rei — alegou o homem.

A sala estava repleta de pessoas. Todas espantadas com a presença de dois reis.

– Povo de Steland, vão confiar em mim, seu rei, ou nesse impostor com sua trupe? — disse o homem.

O povo se encontrava e dúvida, não sabiam quem era o real. E então, a guerra estourou.

Marcela puxava Sarah pela mão, defendendo do ataque do falso rei. O rei verdadeiro, ele estava parado, sem reação. Bruno o puxou para de trás da mureta. Eles se esgueiravam pelos cantos, Bruno, o humano sem poder algum, estava salvando o rei de seja la qual for o lugar, e mais estranho, salvando o pai biológico de Sarah.

O menino estava nervoso, carregava em uma mão a arma que Marcela tinha dado a ele e sua outra mão estava puxando Fernando pelo braço.

Gregor estava um tanto ocupado, tentava distrair o falso rei, criando barreiras para conter a ira do impostor. Atacando e defendendo o quanto podia.

Felipe tentava derrubar as defesas do homem. Girava o ar mas não o atingia. Não tinha explicação, como ele não sofria pelos ataques dos guardiões? Isso estava muito estranho.

Marcela não tinha um plano, apenas tentava não deixar Sarah ser atingida, mas não conseguiu puxa-la por muito tempo. Um dos tiros acertou sua perna e ela caiu.

Sarah estava com raiva, tinha acertado Marcela, ela queria esmagar o responsável por aquilo. A menina ficou de pé. Todos olharam pra ela. A raiva não podia tomar conta do seu ser, mas tinha seu coração atingido quando atingiram Marcela. Ela se revoltou. Não se importou com mais nada, apenas mirou na garganta do homem.

– Para!!! — gritou a menina — parem de ataca-lo.

Todos pararam, o homem que tomava o lugar de seu pai o encarou.

– Filha querida, você ouviu a voz da razão? — perguntou o homem.

– Você não é meu pai. Você não sabe nem ao menos a força que meu pai tem. — ela apontou para o pai, escondido atrás de Bruno — O meu pai, ele tem medo, não me pergunte porque, mas se fosse forte o bastante, eu não teria ido parar num lar adotivo e minha mãe não teria que ter fugido comigo — disse a menina — meu pai é medroso, provavelmente nunca aprendeu a usar sua magia por não ter momentos felizes, e você acha que ele invocaria isso contra três guardiões? Provavelmente não seria tolo. Não sei como conseguiu, não sei mesmo, mas não vai sair dessa.

Então, um fleche de memórias percorreu Sarah. Pensava em sua mãe, a mãe que a criou, pensava em Bruno e como ele era atencioso e pensava em Marcela, nas noites juntas, nas palavras de amor e carinho trocadas e no beijo, que ela queria que se repetissem mais vezes. Tudo aquilo a impulsionou. Ela estava numa disputa corpo-a-corpo com o homem, quanto mais ele tentava bater nela, mas ela se esquivava dele, socando-o e fazendo ele urrar de dor. Mas ele atingiu ela. Um feixe de luz espirrou em sua barriga. A dor era inigualável, pela primeira vez entendia a dor que os Pirriots sentiam, mas não se conteve. Levantou e estendeu as mãos, fechou-as e bateu uma contra a outra, no mesmo momento, o falso homem foi esmagado e jogado contra a parede. Seus olhos estavam com olhar de medo. Pela primeira vez, o homem estava com um real medo.

– Mas como isso é possível?? — perguntou ele em voz alta.

Cada vez que a menina chegava mais perto, ele se retorcia. Inevitavelmente o rosto do homem começou a enrugar, a se deformar. Ficava cada vez mais horrendo, mais feio e mais estranho. Sua pele começou a craquelar e esfarelar, revelando o rosto do impostor.

O rosto de um traidor, o rosto desesperado. Era alto, da mesma altura do rei, tinha olhos negros e pele branca, seus cabelos tinham um tom caramelo. O rei o reconheceu.

– Como você ousa! — gritou o rei.

– Seu pai me roubou o trono que era meu, me condenou a viver como um simples plebeu. Mesmo sabendo que eu tinha poderes, que eu deveria ser o rei. Quem se importa com o sangue? A magia negra dos Perriots me ensinou a ser forte, mas eu ainda precisava de sentimentos para invocar a magia, já que minha fonte canalizadora ainda era dessa família ingrata — respondeu o homem.

– Quem é ele? — perguntou Gregor.

– Ele... — Sarah se lembrou dos quadros — ele é o tio do meu pai.

– Sim menina, sou o irmão do seu avô, o irmão dez anos mais novo que o antigo rei. Eu matei meu irmão, fiz meu querido sobrinho assumir o trono sem treinamento e assustado, com apenas dezoito anos, tentei matar você também, mas só graças a sua mãe, não consegui. Fiz seu papaizinho te deixar no mundo natural, fiz ele abandonar a esposa e deixa-la morrer. Durante anos te procurei, tinha que mata-la, para então eu ser o único herdeiro, e assim ter o trono que era meu de direito.

– Você é louco — disse Sarah.

– Visionário — disse ele.

Sarah não se conformou. Chutou entre suas pernas, o homem urrou e dor e foi algemado.

– Chamem o sacerdote — ordenou Fernando.

Em instantes um senhor de idade chegou.

– Castre-o — pediu o rei.

O senhor concordou com a cabeça. Ele pôs a mão na cabeça do traidor.

– Akebalo sentracxy troban — sussurrou o homem.

O tio-avô de Sarah gritou. Estava se contorcendo, se revirando, seus olhos brilhavam por debaixo das pálpebras. A expressão de dor do homem era visível.

– Feito — disse o senhor, se retirando da sala.

Sarah não entendia o que tinha visto.

– Ele perdeu os poderes e a capacidade de canalizar energia — respondeu seu pai.