Anjos Guardiões

10 Capítulo 10


O sonho de Sarah foi mais estranho do que o normal. Ela via Marcela em apuros, cercadas pelos Perriots, sem saída, encurralada. Seu cajado estava distante e nenhum sinal dos garotos. Sarah não sabia o que fazer. Tentava invocar a luz mas não conseguia, estava desesperada demais. Marcela se debatia quando os Perriots lançaram a fumaça. Sarah não conseguia conter a raiva. Não podiam machucar Marcela, sentiu necessidade e obrigação de protege-la. Então a menina correu entre os seres deformados e passava socando e quebrando pescoços tentando chegar até Marcy, numa correria súbita e desesperada. Viu Marcy inconsciente e pulou na direção da garota. Sarah estava suando frio, mas tinha a garota nos braços. Marcela apertou com força a mão de Sarah, dando à garota um sentimento estranho de puro êxtase, que fez a menina corar, e irradiar luz de uma maneira inacreditável, mas a sensação do gás atingiu suas narinas, ela não havia pensado em se defender.

Marcela sacode desesperadamente Sarah.

– Saraaaaaah — disse Marcy enquanto sacudia a menina pequena.

Sarah acorda e pula em cima de Marcela, abraçando-a o máximo que pode.

– Você está bem? — pergunto Sarah.

– Eu que deveria te fazer essa pergunta, você começou a gemer e a... — não conseguiu completar a frase.

– E à o que? — perguntou Sarah.

– E a chamar meu nome em sussurros — disse sem jeito Marcela.

Foi a vez de Sarah corar, ela não sabia o que fazer nem o que falar, mas estava feliz de ter sido apenas um sonho e que sua, amiga, Marcela estava bem.

– Qual foi o sonho? — perguntou Marcela com a menina ainda agarrada ao seu pescoço.

Sarah soltou Marcy que parecia meio sem jeito com aquela demonstração.

– Sonhei que você... estava... quase morrendo — disse Sarah olhando para baixo — eu me desesperei e ao invés de fazer a cúpula eu só emiti luz.

– Acho melhor tentar descansar, eu estou bem — disse Marcela sorrindo.

– Eu não quero dormir, não quero ter mais pesadelos, nem sonhar que eu estou te perdendo pra sempre — disparou a garota sem pensar.

Marcela sorriu, levantou da cama, pegou sua coberta em cima de sua cama, apagou a luz.

– Vai chega pro lado, vamos usar minha coberta porque ela é maior — disse Marcela, deitando junto com Sarah na cama.

– Tudo bem — Sarah disse, agradecendo pelo quarto estar escuro e Marcela não notar o quão vermelho o rosto da garota estava e o largo sorriso que Sarah exibia, mal sabendo ela que Marcela estava contente e demasiadamente feliz por dentro.

Sarah chegou pro lado e Marcela se deitou. O braço de Marcy passou por debaixo da cabeça de Sarah que logo enroscou na cintura da outra menina. Marcela demorou a dormir, ficou com receio que Sarah tivesse outro pesadelo, e fora que estava curtindo o calor da garota esquentando seu corpo. Naquela noite, após dormir com Marcela, Sarah não teve pesadelos e Marcela nunca havia dormido tão bem.

Quando Sarah acordou, bateu os olhos com Marcela te olhando. A garota era linda de todas as formas, até mesmo quando acordava e nem escovar os dentes escovava. Estavam deitadas, uma enrolada na outra. Sarah queria ficar ali paralisada para sempre, e que ninguém incomodasse aquele momento das duas.

Mas o mundo não é perfeito, e os cinco agora eram fugitivos dos Pirriots, mesmo Sarah odiando aquela ideia, sabendo que possivelmente nunca mais seria uma garota normal e que acabou envolvendo seu melhor amigo nisso. Falando nele, como será que passou a noite? Sarah estava preocupada com ele, e Marcela percebeu.

– Ele deve estar bem — disse a menina sorridente.

– Como sabe que estou pensando nele? — perguntou Sarah.

– Quando fica pensativa relaxa o corpo e seu olhar fica distante — disse Marcela.

– Acho que você sabe demais de mim — disse Sarah rindo.

– Poderia saber mais — diz Marcy baixinho.

Sarah tenta fingir que não ouviu, mas suas bochechas queimam. Marcela beija sua testa e senta na cama. Sarah se agarra em sua cintura.

– Não levanta, fica mais um pouco comigo — pede Sarah.

Marcela olha pra menina e deixa escapar um sorriso.

– Fico com pena e remorso em negar as coisas pra você — diz Marcela, e em seguida segura a mão de Sarah — mas eu preciso mesmo levantar, ver se os garotos dormiram bem e fazer algo para comermos, não quer morrer de fome, quer? — pergunta Marcela.

– Não — responde Sarah — fica só mais um pouquinho — insistiu a garota.

Sarah acaba vencendo, Marcela deita ao seu lado e ficam abraçadas por mais ou menos meia hora, quando Sarah finalmente deixa Marcela levantar. A garota vai direto para o banho e Sarah fica cheirando a coberta, sentindo o cheiro da menina que de alguma forma estava deixando Sarah apaixonada.

Após Marcy sair do banho e vestir o traje habitual, Sarah tomou o banho e pôs as roupas casuais que o trio costumava usar para posteriormente ir treinar com eles. Bruno olhou Sarah da porta do quarto e foi falar com ela.

– Dormiu bem? — perguntou Bruno.

– Sim e você? — Sarah não queria entrar em detalhes, já que não sabia se aquela noite deveria ser um segredo das garotas.

– Dormi, eu mal bati na cama e apaguei — disse ele rindo.

Os dois desceram e deram de cara com um café da manhã caprichado que Marcy e Gregor tinham feito. Felipe também ficou boquiaberto.

– O que deu em você para preparar isso para todos? — perguntou Felipe para Marcela.

– Tive uma boa noite de sono, acordei com bom humor, não posso fazer as coisas de boa vontade? — questionou Marcy.

– Claro, sem reclamações — brincou Felipe.

Todos se sentaram a mesa e Marcela sentou ao lado de Sarah, todos riram e brincaram, falaram sobre como a comida estava boa e foram treinar.

O treinamento foi pesado e intenso. Sarah aprendeu a canalizar a luz, e a emiti-la de diferentes formas. A semana de treinos intensos, e de noites perfeitas para Sarah. Marcela dormia com ela todas as noites. Marcela não reclamava e agora, praticamente adormecia junto com Sarah. Os sonhos da menina estavam menos constantes e o pesadelo da Marcela sendo quase morta pelos Pirriots já não aconteciam mais. A normalidade tinha enfim entrado na vida de Sarah, até aquela manhã de terça-feira.