Anjos Guardiões
21 Capítulo 21
Sarah — disse o menino com a voz calma.
Sim Bruno, entre — disse a garota.
Bruno entrou e sentou-se na ponta da cama que tinha no quarto.
Eu quero conversar... — disse Bruno.
Então conversemos, sobre o que quer falar meu anjo — disse a menina sorrindo.
Eu sei que você e Marcela estão juntas, e fiquei meio chateado por ser o último a saber, você sempre me contou tudo, sempre dividimos segredos, eu me senti desprezado — disse o garoto olhando para baixo — eu sei que não podemos ter nada, mas eu gosto de você, você sabe disso, eu só não sei como poderei suportar ver você se afastando de mim e quebrando nossa amizade.
Ei, nossa amizade vai prevalecer não importa o que aconteça. Bruno, você veio junto comigo! A gente quase morreu algumas vezes, poderíamos ter simplesmente fugido, eu e você, mas o que aconteceria? Iríamos sobreviver? Eu iria te amar? Eu não sei, não sei o que teria acontecido, mas sei que gosto de você aqui comigo, mas não do mesmo jeito que você gosta de mim — disse Sarah, sentando-se ao lado do garoto — eu não vou deixa-lo, jamais! Preciso muito de você.
Mas como será agora? Você vai voltar? Eu tenho que viver a minha vida como humano normalzinho mesmo sabendo de uma dimensão alternativa! Isso é um tanto perturbador não acha? — perguntou ele.
Ah, também acho, ainda não me acostumei, mas, se meu pai permitir, voltarei para casa, fora que já estou morrendo de saudade da minha mãe — disse ela.
Os dois se abraçaram. Bruno sentia falta daquilo, das conversas. Eles eram amigos desde muito pequenos.
Sarah beijou a bochecha dele e o empurrou da cama. O garoto deu uma cambalhota para trás.
Achei que fosse elogiar meu modelito — disse o garoto.
Bruno realmente estava elegante. Usava a calça preta e uma camisa social também preta por fora da calça, de maneira despojada, o preto caia muito bem nele, seu tom de pele dava um contraste perfeito, o menino era realmente belo, ela não podia negar, mas nunca sentiu desejo por ele, mesmo agora. Ele era bobo, enquanto Sarah o olhava, ele fazia caretas.
Então, acho que shippo Sarline — disse o menino rindo.
Shippamos né! — concordou a garota.
Os dois caíram na gargalhada. Era uma daquelas crises de riso bobas, aonde apenas de se olhar voltavam a rir. Ficaram assim por um bom tempo.
Marcela estava subindo junto com os garotos, ela estava feliz, poderia ficar com Sarah. Marcela ouviu as gargalhadas de trás da porta e entrou no quarto rindo.
Bruno viu Marcela entrar, mas não conseguia parar de rir. Sarah estava deitada na cama rindo também.
Marcela ficou olhando os dois, até que Sarah conseguiu parar de rir e foi até ela e a abraçou, foi quando Bruno pediu licença e saiu do quarto.
Sarah... — disse Marcy.
Olha, a gente só estava conversando — foi explicando Sarah.
Eu sei — disse Marcela rindo — é que eu queria falar do seu pai.
O que tem ele? — perguntou ela.
Ele quer que você desça, eu vou espera-la do lado de fora da sala assim que tomar meu banho e me arrumar — disse a menina.
Tudo bem — disse Sarah, dando um selinho em Marcela — estarei te esperando mesmo.
Logo logo eu vou — disse Marcela.
Sarah fechou a porta e trancou. Marcela seguiu para o banho.
Ela estava linda, como sempre né — disse Marcela a si mesmo sorrindo.
Sarah ouviu Marcela por trás da porta e sorria. Desceu as escadas e viu seu pai esperando-a na porta imensa. Ela o beijou no rosto e ganhou um abraço.
Entre, temos muito o que conversar minha filha — disse ele.
Eles se sentaram um do lado do outro.
Acho que lhe devo explicações — disse ele.
Sim, realmente deve — completou ela.
Quando eu me apaixonei pela sua mãe, eu era apenas um garoto, devia ter uns dezessete anos, eu recusava me tornar rei, queria ter uma vida como um humano, uma vida normal, sem seres deformados querendo me matar ou uma legião para governar, os guardiões estavam "mortos", tinham renascido mas não estavam adultos nem treinados, logo, não sabíamos quem eles eram. Eu abandonei meus deveres, larguei tudo e fiz uma vida com sua mãe, mas quando você tinha quase dois anos, eu tive que voltar, meu pai havia morrido, e eu era o herdeiro. Tive que assumir minha responsabilidades, mas eu nunca havia treinado minha fonte canalizadora, eu só conseguia lançar bolinhas de luz. Mas meu pai foi morto por um grupo de Perriots. Eu tinha que tomar decisões, e na época, aqui era perigoso, como iria trazer sua mãe? Achei que ela ficaria mais segura lá, mas me enganei, quando você era pequena, já demonstrava talento, já tinha magia quando estava com sua mãe, conseguia levitar coisas e impedir sua própria queda. Mas um dia, quando brincava no quintal, os Perriots atacaram vocês, sua mãe corria, ela não conseguia vê-los tão bem, pois geralmente iam apenas visitar, sem poder toca-la, então quando eles foram de verdade, sua mãe os espantou como pode, mas os ataques deles fizeram o vilarejo achar que ela era uma bruxa. Ela teve que correr, conseguiu deixar você com um ancião que guardava uma das entradas seguras, e ele a levou para um novo lar, dando o recado que quando chegasse a hora, você deveria procurar os guardiões. Sua mãe acabou sendo encurralada e morta pelos Perriots, na época achava que a mataram para me desestabilizar, mas hoje imagino que tenha sido obra de meu tio — e por fim, o pai de Sarah tinha lágrimas escorrendo pelo rosto — desculpe não ter sido um pai, ou um marido forte.
Sarah não sabia o que dizer, estava perplexa.
Você pode não ter sido um forte antes, mas pode recompensar agora — disse ela — só não faça mais bobagens.
O rei estava sorrindo. Ela era parecida com sua mãe.
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