Anjos Guardiões

22 Capítulo 22


As duas eram bem parecidas, tanto em questões físicas, o sorriso, as sobrancelhas arqueadas e até mesmo as orelhas com as pontas soltas.

Fernando se sentiu leve, solto e mais calmo. Estava contente de ter contado tudo que estava entalado dentro dele. Se sentia mais humano.

Sarah compreendia o pai, não o perdoava por completo, sentia ainda uma raiva interna, mas aceitava.

– Sarah, queria te dizer mais uma coisa — disse ele.

– O que pai? — perguntou ela.

– Eu designei os guardiões para suas tarefas ainda a pouco — disse ele.

– Eh? — perguntou ela, com medo e curiosidade.

– E pedi que Marcela cuidasse do meu maior tesouro, você — disse ele — ela sempre foi responsável e habilidosa, e achei que como estão juntas, seria o melhor a fazer — completou.

– Sério?! — perguntou a garota animada.

– Sério, e ela aceitou — disse ele sorrindo.

A menina abraçou seu pai, ela estava contente, poderia ficar com a sua garota. Tudo estava bem. Sarah saiu da sala e Marcy estava sentada no pé da escada limpando o cajado.

– Oi coisa linda — disse Sarah. Marcela estava linda, impecável no traje de guardiã, a capa tinha abotoaduras vermelhas, mais precisamente pingentes de fogo, e sua blusa, idêntica a outra exceto pelas mangas compridas, tinha as pontas das mangas vermelha e com detalhes dourados na costura. Marcela ergueu os olhos quando ouviu as voz de Sarah.

– Oi meu amor — disse Marcela, sorrindo.

Sarah sentou ao lado de Marcela, e olhou para o cajado. Nunca havia percebido, mas eles tinham os desenhos dos quatro elementos e o elemento de Marcela, o fogo, era o primeiro. Marcela percebeu que a menina o olhava.

– Cada cajado de guardião muda, cada um acaba tendo como primeiro, o elemento do guardião, o do irmão de Felipe era lindo, quando ele usava, parecia que tinha um oceano na ponta do cajado, ele era inigualavelmente forte, derrotava facilmente uma legião de soldados.

– Como ele morreu então? — perguntou Sarah.

– Ele foi dado como morto, achamos sua capa, botas e camisa ensanguentadas, e o cajado de um guardião se esfarela e se transforma naquilo que é do elemento do guardião, quando ele morre — disse Marcy — não achamos um corpo, mas também nunca mais sentimos a força dele, nem mesmo quando nós todos utilizamos nossas forças juntos.

Sarah não sabia o que dizer, apenas ouvia.

– Em nossa última missão juntos, um Perriot o capturou. Eram muitos, fomos cercados, eles capturaram o Lucas, sufocaram ele, e o levaram. Não conseguimos alcança-los, eles fugiram rapidamente. Estávamos arrebentados, eramos os escolhidos mas não conseguíamos nem nos proteger, imagina uma cidade? Então quando chegamos, passamos mais dois anos apenas treinando, e depois, tentando encontrar você — disse a garota — e alguns dias depois da luta, tentamos encontra-lo sabe, mas só havia restado como eu já lhe disse, a capa, botas e camisa, todos cheio de sangue.

– Marcy... — Sarah não sabia o que dizer.

A menina secou as lágrimas que escorriam de seus olhos.

– Tudo bem, hoje a gente compreende e sabe o quão fortes somos, e o que não podemos fazer em uma batalha — completou ela.

Marcela segurava forte a mão de Sarah. O rei estava olhando as duas.

– Sarah, está na hora. Marcela, por favor, chame os outros dois guardiões e o Bruno — disse ele.

– Certo — disse a menina já subindo as escadas.

– Para onde vamos pai? — perguntou Sarah.

– Te anunciar filha, te anunciar — disse ele.

Então os dois se encaminharam para um enorme salão. Sarah nunca tinha visto tanta gente bem vestida em um mesmo lugar, tinha seu rosto um tanto vermelho, estava envergonhada. Todo prestavam atenção nela, provavelmente por estar de braços dados com o rei.

Seu pai a conduziu até uma espécie de palanque, chegando lá todos os aplaudiram.

– Boa noite meus amigos, é com muita honra que anuncio a chegada de uma pessoa muito especial — disse ele — está é Pietra, minha filha e herdeira, porém, hoje ela atende pelo nome de Sarah — concluiu ele, e todos aplaudiram com as mãos para cima, Sarah achou que devia ser uma tradição do lugar — E é graças a quatro pessoas que ela chegou segura aqui, nosso três guardiões, Felipe, Marcela e Gregor e um humano da dimensão principal, Bruno, amigo de minha filha.

Os aplausos foram tremendos. A música soou e todos começaram a dançar. Fernando tirou Sarah para dançar, era uma espécie de sertanejo, digamos assim, mas dançado colado e marcado. Felipe também dançou com a menina, seguido de Gregor e Bruno. Marcela também havia dançado com os meninos, e por fim, meio sem jeito, a menina pediu a Bruno que deixasse a vez para ela, tomou a frente e conduziu a menina na dança. Por fim, estavam todos cansados, haviam se esbaldado. A festa prosseguiria a noite toda, mas os cinco acabaram se retirando e subindo para seus quartos, estavam tremendamente exaustos.

Marcela segurou a mão de Sarah, elas riam e brincavam com os meninos até a porta do quarto, onde todos se separaram. Elas entraram no quarto, Sarah foi direto para o banho, ela queria livrar-se daquela roupa. Marcela tirava mudas de roupa para elas e reparou que suas roupas estavam ali no armário, todas elas, haviam pego e as guardado, se sentia mais normal sem os trajes negros, mesmo sabendo que era questão de segurança. Sarah saiu do banho enrolada na toalha.

– Marcela, trouxeram roupas? — perguntou Sarah.

– Trouxeram — Marcy entregou a ela a calça de moletom e uma camisa baby dol.

– Só deixaram essas? — perguntou a menina.

– Pra ti tem isso e trajes para sair amanhã — disse Marcela.

– Ah, tudo bem — disse a menina.

– Ei, eu vou tomar banho, se quiser, deixaram minhas roupas aqui, minhas mesmo, do meu armário, se quiser, pode usar alguma para dormir — disse Marcela, pegando a calcinha, um short e uma camisa vermelha de malha e indo para o banho.

Notas finais
Quem tiver ideias, me mandem mensagens e considerarei as que encaixarem com as minhas ideia "soltas" :D