Anjos
5 Uma esperança
Notas iniciais
Senhor Anselmo chegou do trabalho 20 minutos antes do que tinha avisado no bilhete, encontrou sua esposa se arrumando no quarto, ficou a observando pela abertura da porta, parado, sem fazer barulho, no bolso de sua calça, tinha uma caixinha com um colar, que tinha um pingente formando um par de asas prateado.
Enquanto ela arrumava seu cabelo com grampos floridos, que combinavam com o vestido novo, ele a surpreendeu aparecendo atrás dela no espelho, ela se assustou, ele a abraçou por trás e apoiou o queixo em seu ombro:
—Quais são os planos para hoje?
—Combinei de ir com a Luiza ao culto, gostaria de ir comigo?
Anselmo sorriu com o semblante chateado:
—Eu acompanho vocês até o culto, não posso deixar uma mulher linda igual você andando a toa por aí, é perigoso.
Alice o olhou com olhos apaixonados, ela o puxou pelo braço para se sentarem na cama, ela segurou seu rosto com as mãos, e esperou que ele a olhasse devolta:
—Ja faz um tempo, eu sei, mas você não pode ficar chateado com Deus pelo rumo que as nossas vidas tomaram, eu tenho você, nós temos um patrimônio enorme, nós temos saúde, empregamos muitas pessoas, nós cuidamos de muita coisa e somos muito abençoados...
Anselmo sorriu vagamente e abraçou a esposa.
—Eu me casei com um anjo mesmo, eu fiz certo, escolhendo isto -ele tirou uma caixinha média, preta e aveludada do bolso e abriu diante dos olhos dela, ficou encarando a expressão surpresa da esposa e depois o sorriso de felicidade se abrindo lentamente e em seguida entregou a ela.
—Coloca em mim?
Ele tirou o colar da caixinha e passou o cordão prateado e fino envolta do seu pescoço, o par de asas iluminava seu pescoço e o seu coração.
—Ficou perfeito querida! Melhor do que eu imaginei.
Alice abraçou Anselmo e logo em seguida o beijou, ficaram ainda abraçados por um longo tempo... Ele quebrou o silêncio:
—O culto começa em 30 minutos, vamos?
Alice pegou sua bolsa deu uma última olhada no espelho e dessa vez gostou do que viu e agradeceu mentalmente.
Luiza, Antônio, Adam e Mariana os esperavam na porta da igreja.
Adam correu para os braços de Alice, e imediatamente notou o colar e o pingente de asas:
—Você gosta mesmo das galinha né tia?
Alice riu como nunca, eles entraram no templo, sentaram-se todos no penúltimo banco, reencontraram alguns amigos que já não viam a tempos... O pai de Alice era um dos pastores convidados e a mãe já havia falecido a alguns anos, vítima de um câncer maligno.
Durante a pregação, onde o tema era a fé e esperança, o coração de Alice queimou com a promessa de um filho que ouvirá do altar.
Anselmo apertou a mão de Alice gentilmente quando percebeu que ela havia suspirado mais fundo, quando sentiu o olhar do jovem que pregava no altar e disse em alto e bom tom:
"-Ainda está semana, em teu ventre eu soprarei vida e tu gerarás um filho."
Luiza olhou com os olhos marejados para o céu, sorriu e deu uma piscadela para cima:
—O Senhor é o cara mesmo em! Antonio Ele falou com a Alice, você sabe né?
Antônio ajeitou o cabelo de Adam que insistia em ficar bagunçado, mesmo usando gel:
—Eu espero que seja uma menina, ela pode fazer parzinho com o Adam.
Luiza cutucou o marido e deu risada.
Mariana cruzou os braços e resmungou baixinho: -Falem baixo que vocês estão atraindo atenção pra gente.
O culto seguiu normalmente até às 20:30 da noite, e eles permaneceram até o final, Alice se agarrou com todas as suas esperanças e com todas as suas forças nessa promessa.
Ela sabia, ela sentia e era para ela.
Assim que o pastor terminou a benção, Luiza se jogou no abraço da amiga e falou: -Me fala que você entendeu que foi pra você? Você entendeu, não é? FOI PRA VOCÊ ALICE!!
Alice sorriu quase chorando e abraçou a amiga devolta: -Eu sei que foi sim, eu senti, e o Anselmo também.
Luiza cochichou no ouvido da amiga: -Trate de começar a praticar porque um filho não se faz sozinho, e ele disse que seria essa semana mesmo, se apresse!
Alice arregalou os olhos e deu um tapinha na cabeça da amiga: A gente nem saiu da igreja e você fica falando essa coisas, toma juízo!
As duas deram risada segurando as mãos uma da outra como duas adolescentes.
Todos eles se despediram e foram embora, no caminho até em casa, Alice viu os olhos de Anselmo marejados de lágrimas:- O que foi meu bem? — disse Alice se inclinando de lado no banco do carro e secando os olhos do marido com um lenço branco de algodão.
Anselmo sorriu para a esposa e disse: — Finalmente uma resposta para as nossas orações. — Ele passou um braço ao redor do pescoço dela, deu um beijo no topo de sua cabeça e agradeceu mentalmente.
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