Anjo da Salvação
10 Capitulo 19 - Exposto
Notas iniciais
Depois do almoço, fomos todos para a piscina aproveitar o sol. Hinata e Ino de biquíni tomam sol, deitadas na toalha. Naruto e Shikamaru conversam só de bermudas sobre futebol, enquanto eu observo o pequeno ser rosa dentro da cozinha.
O que ela está fazendo?
Me levanto e vou para a cozinha, tomando minha cerveja no caminho. Sem ser visto, ocupo um lugar na bancada e assisto ao espetáculo. Ela está batendo concentrada alguma coisa. Em cima da pia, a vários potes esparramados e um pouquinho de chocolate em pó caído sobre a pia. Que bagunça. Quando ela se vira e me vê, fica paralisada.
_ Precisa de ajuda? – digo disfarçando o riso
_ Na- Não. – gagueja.
_ Tem certeza? – arqueio uma sobrancelha apontando para a bagunça em cima da pia.
Ela olha para pia e depois para mim com os olhos arregalados. Seus olhos são lindos, e por um momento acho que ela pode me enxergar por dentro e me sinto... exposto. Porra.
Aquele rubor toma conta de sua pele pálida. Com um sorriso tímido dá de ombros.
_ Sabe fazer brigadeiro? – murmura.
Se sei fazer brigadeiro? É meu doce preferido.
Me levanto da cadeira e fico ao lado dela na pia. Seus cabelos róseos estão presos num rabo de cavalo alto, deixando apenas alguns fios soltos. Ela me olha com expetativa.
_ Não se faz brigadeiro numa vasilha. – digo pegando uma panela no armário.
Pego a vasilha de suas mãos e despejo o conteúdo na panela. Ligo o fogo e coloco a panela no fogão, ciente do seu olhar sobre minhas costas nuas. Não sei por que mais sorrio com isso.
_ Pega uma colher para mim. – peço um pouco autoritário.
Ela hesita por uns segundos. Olho-a e ela está parada, me olhando com curiosidade. Suas sobrancelhas se franzem e aquele V aparece em sua testa.
Encaro- a e depois de um tempinho, ela vai pegar a colher.
_ Você é sempre assim com as pessoas? – pergunta me entregando a colher.
_ Assim como? – digo mexendo a panela.
_ Prepotente. – sua voz tem um tom de desaprovação.
Paro de mexer a panela por uma fração de segundo. Eu sou prepotente? Às vezes. Bom, parece que a Haruno pode mesmo enxergar através de mim.
_ Um pouco.
_ Sem falar que é arrogante. – diz séria.
Que porra é essa?
Tiro a panela do fogo e a coloco na pia. Ela é sincera. Não há muitas pessoas com coragem suficiente para me dizer que sou arrogante. Olho- a com mais intensidade e ela desvia o olhar.
Ótimo, assim está melhor.
Nos sentamos na bancada e comemos o brigadeiro, enquanto os outros se refrescam lá fora.
_ Hum, está muito bom. – diz lambendo a colher – me surpreendeu.
_ Pensou que não sabia cozinhar? – provoco achando graça.
Seu olhar é intenso e me queima por dentro.
_ Não, pensei que você pudesse se virar na cozinha, mas nunca fazer maravilhas como essa.
Sorrio satisfeito comigo mesmo. Eu sou bom em várias coisas anjo, em varias coisas.
_ Superou suas expectativas?
Sakura demora um tempinho para responder, fazendo com que eu fique... ansioso? As únicas vezes que eu fico ansioso são quando faço algo para agradar meu pai e quando estamos prestes a resolver um grande caso mas, antes disso nunca.
Que sentimentos há muito adormecidos essa garota está despertando em mim?
_ Sim – diz me tirando dos meus devaneios – superou as minhas expectativas.
Ela está sorrindo e seus olhos verdes brilham de satisfação. Não sei por que mais me sinto como se tivesse ganhado a promoção da minha vida. Um alerta soa em minha cabeça. Não vá por esse caminho Uchiha, ou já se esqueceu da última vez?
Sim, a última vez.
_ De onde você conhece a Yamanaka? – pergunto numa tentativa de afastar meus pensamentos sombrios.
_ Desde o colégio. Ela é uma boa amiga. – sua voz sai com afeto e sorri com ternura.
Como mais um pouco de brigadeiro. Estou curioso sobre para saber desde ontem, pois quero entender a relação que as duas tem, especialmente a compatibilidade das duas
_ Hum.
_ Ficamos mais próximas quando meus pais morreram. – diz.
Fico estático por uma fração de segundos. Como assim os pais dela morreram porra?
Sakura fica pálida e, seus olhos marejados. Merda.
Não sei o que dizer, as palavras fugiram da minha boca. Sem perceber pego sua mão e aperto. Como uma menina indefessa como ela pode ser órfã? Ela olha para mim, com tristeza e tenho vontade de envolve-la em meus braços.
_ Sinto muito. – sussurro.
_ Obrigada. – diz com um sorriso amarelo.
Por isso ela não recebe muitas visitas, nem nunca tinha visto os pais dela no condomínio. Ela é sozinha. Instantaneamente sinto compaixão por ela.
_ Foi num acidente. – diz.
_ Não precisa me explicar, se não quiser. – murmuro apertando sua mão.
_ Não, tudo bem. – diz melancólica – Foi em um acidente de carro. Estava na escola quando soube.
_ Faz muito tempo?
_ Uns 3 anos. Eles estavam vindo almoçar comigo.
Sakura respira fundo, como se tomasse coragem para contar. Eu não falo nada, apenas seguro sua mão, como forma de conforto.
_ O hospital entrou em contato com a escola – continua, mas com o olhar vago – Na hora, estava com Ino e Hinata. Quando me disseram eu não acreditei, mas depois de um tempo comecei a sentir um buraco se abrindo no meu peito. Foi a pior sensação do mundo. Saber que nunca mais veria meus pais, que eu ficaria sozinha.
Nunca pensei que ela carregava uma dor tão profunda. Eu sei que não conhecemos as pessoas apenas por uma primeira impressão, mas Sakura me surpreendeu. Ela é tão delicada, doce e amável. E já passou por uma coisas dessas tão jovem, e ainda por cima teve que seguir em frente sozinha.
_ Mas elas me apoiaram, ficaram comigo até o fim. Agora, elas são tudo que tenho. – diz com ternura.
_ Entendo.
_ Depois de um tempo, você aprende a conviver com a dor. – diz com a voz doce, tranquilizadora.
Ela retira sua mão da minha e coloca mais um pouco de brigadeiro na colher, levando-a a boca. Ficamos em silencio, comendo nosso doce enquanto nossos amigos se divertiam na piscina. Olho- a por alguns instantes, sem que ela perceba, claro. Seu perfil é delicado – nariz arrebitado, lábios macios, carnudos.
Como um anjo caído do céu.
Se vira para minha direção e nossos olhares se cruzam. Seu rostinho doce cora, assumindo um tom rosa-claro inocente. Seus olhos são límpidos, da cor mais extraordinária, verde – claros, e puros. Ela desvia o olhar, focando em nossos amigos na piscina.
_ Parece que Ino e Shikamaru ficaram bem próximos. – diz com uma risadinha.
Ino e Shikamaru conversam animadamente sentados na toalha. Ele tem um sorriso bobo no rosto. Reviro os olhos e concordo com a cabeça.
_ Você não é muito de falar não é.
_ Não, sou mais na minha. – confesso.
_ Não foi o que pareceu ontem à noite, na festa. – dispara ela.
Ela é fascinante, mesmo com essa língua atrevida. Dou um sorriso contido e meus pensamentos me levam até a festa. Conversamos, dançamos, aliás ela dança muito bem, e em Sasori.
Franzo o cenho. De onde eles se conhecem? Ela disse que estavam apenas conversando, mas sei que não é verdade. Como eu sei? Simples. Ela estava com um olhar assustado, na defensiva. Ele estava com os músculos tensos, um sorriso cínico e segurando-a de maneira hostil pelo braço.
_ De onde você conhece Akasuma no Sasori? – pergunto inexpressivo.
Seu sorriso desaparece e seu olhar se torna assustado.
O que aquele filho da puta fez com ela?
_ Da faculdade. – diz se endireitando na cadeira. Percebo que a uma tensão em sua voz.
_ Faculdade? – indago.
_ Sim, ele está cursando medicina comigo. – sua voz sai inexpressiva.
_ Tem muito tempo?
_ Ele entrou essa semana. Veio de Sunakagure.
Então o filho da mãe está na faculdade, e na mesma turma que ela. Isso só confirma minhas suspeitas.
_ Por que a pergunta? – diz séria, com o cenho franzido.
_ Eu vi vocês conversando na festa, e ao meu ver, não era uma conversa tão amigável. – confesso.
Seus olhos se arregalam e a cor foge de seu rosto. Estava certo, eles não estavam apenas conversando.
Faça ela falar Uchiha.
_ Ele tentou me agarrar. – diz num fio de voz.
_ ELE O QUE? – rosno.
Ela fica estática e pisca algumas vezes, de certo deve ter se assustado com meu tom de voz. Passo a mão no cabelo nervoso. Mas que porra.
_ Por que você não disse na festa?
Estou fervendo de raiva, e a olho furioso.
Controle- se Uchiha, você e ela não tem nada.
_ Ele me chantageou. Disse que se eu der um pio ou pedir ajuda, ele acabaria com a festa. – responde triste.
Filho da puta miserável. Tenho que fazer uma reunião urgente com minha equipe e com Kakashi também. Sasori já deu o primeiro passo. Temos que pará-lo antes que seja tarde.
Olho para Sakura e ela está pálida. Seu olhar é vago, distante.
Involuntariamente pego sua mão e com a outra, enxugo uma lagrima que cai em seu rosto.
_ Ei...ele não vai mais incomodar você. – digo com afeto.
Seu olhar se focaliza no meu, os verdes com os ônix. Não sei o que ela tem, mas faz eu quer ficar perto dela, estar com ela todo o tempo.
Protege-la
_ Como tem tanta certeza? – sua voz sai num fio.
_ Confie em mim anjo.
Meus dedos acariciam seu rosto. Sua pele é macia e fria. Desço o polegar e passo por seu lábio inferior, fico sem ar. Quero beija-la. Só uma vez. Seus lábios estão entreabertos, prontos. Sua boca parece tão acolhedora sob meu polegar.
Não. Não. Não. Não faça isso Uchiha. Lembre-se da última vez.
Ela vai fazer o mesmo com você.
Fecho os olhos para tentar resistir à tentação. Quando volto a abri-los, retiro minha mão.
Será melhor assim.
_ O que vocês estão fazendo? – pergunta Yamanaka parada de biquíni na soleira da porta.
Nossa, será que existi mulher mais irritante?
Sakura sai do torpor e olha para todos os lados menos para mim. Suas bochechas estão coradas. Yamanaka franze o cenho cruzando os braços, com certeza esperando uma resposta. Sakura encara a amiga, seus olhos estão arregalados e o rubor toma conta de sua face.
_ Comendo brigadeiro. – responde me olhando de soslaio.
Ela continua na mesma posição, parada na porta.
Nossa como essa mulher é irritante, penso. Coitado do Shikamaru, ter que aguentar essa Barbie especuladora. Deus me livre.
E foi só falar no diabo que ele apareceu. Shikamaru é todo sorrisos quando abraça a Yamanaka por trás e dá um beijo demorado em seu pescoço.
Puta que pariu. Cara se você soubesse como está ridículo...
Sakura fica constrangida ao observá- los. Ela se vira para mim com, me encara com ar especulativo e olhos semicerrados.
O que será que está pensando?
_ O que estão conversando? – diz percebendo nossa presença.
Que isso? Hoje é o dia de questionar o Uchiha?
Lanço um olhar frio para eles, e Shikamaru murmura algo de eles irem para fora. Mas antes de sair, Yamanaka se virá para Sakura.
_ Você vem Skay? – indaga me lançando um olhar repreensor.
Dessa vez, a fuzilo com o olhar. Quem ela pensa que é?
_ Daqui a pouco – pigarreia – vou arrumar a bagunça.
A Yamanaka ia dizer alguma coisa mais se conteve. Dá um sorriso terno para a amiga e segue Shikamaru para a piscina.
Sakura se levanta pegando a panela e colocando- a na pia. Fico sentado observando o pequeno ser rosa agir com agilidade na cozinha. Ela evita contado visual comigo, e me pergunto se foi pelo incidente mais cedo.
Eu queria beija-la, eu quero beija-la mais não posso. Não vou suportar passar por aquela dor novamente.
_ Sakura – ela se vira para mim, com o rosto ainda corado – o que aconteceu aqui, não vai mais acontecer.
Seus olhos estão fixos em mim, e me impressionam por serem tão grandes e verdes. Mesmo com o cabelo preso em um rabo de cavalo mal feito, deixando alguns fios escaparem, ela é deslumbrante.
_ Tudo bem Sasuke. – diz ríspida.
Puta merda. Ela está brava comigo e isso me surpreende. Nunca uma mulher falou comigo nesse tom e isso me deixa, excitado.
Me levanto da bancada, com os olhos fixos nos dela. Caminho calmamente até ela, como um predador rodeando a presa. Ela prende a respiração e seus olhos se arregalam.
Tão bonita, penso.
Paro a poucos centímetros dela, e posso ouvir as batidas fortes de seu coração. Nervosa ela morde o lábio e olha para as mãos, quebrando o contato visual comigo. Ela está tão perto, que basta apenas mais um passo para poder toca-la.
_ Vamos lá pra fora. – digo por fim.
Sakura me lança um olhar ferido, e me sinto um filho da puta. Ela se desvencilha de mim e sai da cozinha. Suspiro exasperado, assim será melhor. Nem eu nem ela iremos nos machucar.
E com esse pensamento, a sigo pelo gramado.
POV SAKURA
_ Foi um fim de semana maravilhoso Ino. – digo abraçando minha amiga.
Já é noite e estamos todos na porta principal da casa, nos preparando para voltar para casa.
_ Estou tão feliz que você veio. – diz com um sorriso afetuoso.
_ Eu também.
_ Sakura vamos. – Sasuke grita ao lado do Audi 4x4 preto.
Olho- o enquanto ele conversa com Naruto e Shikamaru, tão lindo e ao mesmo tempo tão frustrante. Esse homem me leva ao céu e ao inferno ao mesmo tempo.
_ Sakura – Ino chama minha atenção – o que há entre você e o Sasuke?
_ Nada. – digo com melancolia.
Ino me olha avaliativa. A não, por favor, sem interrogatório Yamanaka. Balanço a cabeça, dispensando seu interrogatório, não posso com isso agora.
_ Então por que essa carinha tão triste? – diz num tom mais suave.
_ Ele é muita areia pro meu caminhãozinho, Ino. – digo com a voz embargada.
_ Como assim?
_ Ino não é obvio? – digo exasperada.
_ Não pra mim. Skay, você é muito inocente.
A não, essa história de novo não.
_ Ino, homens como ele não saem com garotas como eu.
Ela me olha furiosa, cruzando os braços. Ino é um amor de pessoa mas, quando ela lança esse olhar para alguém, é melhor sair de perto por que vem bomba.
_ Sakura – sua voz sai mortalmente ameaçadora – quantas vezes eu tenho que repetir que você é linda? – engulo em seco. Linda? Por favor Yamanaka, não me faça rir. – E homens como o Uchiha podem muito bem se envolver com garotas como você.
_ Ino você sabe que não é verdade? – indago.
_ O que as outras tem que você não? – retruca ríspida.
Tudo, penso na mesma hora.
Lanço lhe um olhar do tipo “olhe pra mim que você descobrirá”
Ela revira os olhos e coloca a mão em meu ombro. Sua expressão agora é mais suave, e respira fundo antes de continuar.
_ O Uchiha – começa escolhendo as palavras – está caidinho por você, qualquer um pode enxergar isso.
Quando vou responder, eu o sinto antes de vê- lo. E como eu sei? É como se todo o meu corpo estivesse antenado para sua presença: relaxo e me inflo ao mesmo tempo, numa dualidade interna, e sinto uma peculiar mais pulsante eletricidade dentro de mim. A mesma eletricidade que sinto quando estamos próximos.
_ Sakura, vamos? – diz com voz inexpressiva.
Ino nos observa, com um pequeno e frio sorriso que não chega a alcançar seus olhos. Sasuke retribui o olhar com a mesma frieza, mas com a boca crispada.
Acabe com essa tensão Haruno.
_ Vamos Sasuke – digo nervosa.
Dou um abraço apertado em Ino, a pegando de surpresa. Ela processa por um milésimo de segundo o que aconteceu e retribui meu abraço.
_ Não se preocupe, eu vou ficar bem. – sussurro para que somente ela ouça.
_ Me promete? – sua voz sai cheia de preocupação.
_ Prometo. – Sorrio e meus olhos ficam marejados. A Ino, se você soubesse que eu estou gostando dele, mais que não é um amor correspondido. Respiro fundo e aperto o abraço.
Me solto de Ino e Sasuke acena para ela, com o olhar gélido e expressão inalterada. No caminho nos despedimos de Hinata e Naruto. Eles estão conversando do lado do carro dela quando nos aproximamos.
_ Ele parece um bom partido – diz me lançando uma piscadela.
Reviro os olhos e sorrio alegre para ela.
_ Não temos nada Hina, nada.
_ Ainda não tem Skay, ainda não tem. – corrigi ela.
_ Hina, você não existe. – digo dando um abraço apertado nela.
Naruto se aproxima de nós, e me dá um abraço exagerado e demorado. Nossa!
Quando ele me solta, Sasuke está parado ao meu lado, olhando Naruto com um olhar penetrante. Ele sorri e se volta para Hinata. Que controlador.
_ Façam boa viagem. – grita Hina quando nos afastamos indo em direção ao carro.
_ Vocês também. – grito de volta.
Sasuke abre a porta do Audi para mim, agradeço e me sento, colocando o cinto. Ele contorna o carro com elegância, como um príncipe e quase solto um suspiro, quase. Se senta, afivela os cintos e me olha por alguns instantes.
_ Tudo pronto? – pergunta com os olhos ônix sombrios, e não faço a mínima ideia do que ele possa estar pensando.
_ Sim – minha voz sai mais baixa que o normal. Controle- se Haruno.
Ele liga o carro e saí devagar, deixando nossos amigos para trás na noite de domingo. Ele liga o som e uma música mágica e sensual cantada por um homem preenche o silencio entre nós. Relaxo no banco, deixando a música tomar conta da minha mente. Sasuke chega a Interestadual, e dirige sem pressa, tranquilamente.
_ O que estamos ouvindo?
_ É What Gones Around… Gones Around, de Justin Timberlake, gosta?
_ Sim, é muito boa Sasuke.
_ É mesmo, não é? – diz sorrindo ladino.
E, por um instante fugaz, ele aparenta a idade que tem: jovem, descontraído e lindo de morrer. Não que eu saiba quantos anos tem, arrisco dizer que deve ser 22 mas, em grande parte do tempo, (pelo menos a que estive junto dele) ele age como se tivesse 35 anos. Fico ouvindo o homem cantar, me provocando e seduzindo.
Quero bombardea- ló de perguntas. Saber o que realmente ele quer comigo, se sente alguma coisa por mim. Não quero alimentar falsas esperanças para depois, sofrer por algo que nem aconteceu, que ficou só na vontade.
Observo- o dirigindo. Tão concentrado e mesmo assim ainda é lindo de morrer. Engulo em seco quando ele passa a mão no cabelo, tirando a franja de cima dos olhos. Ele me olha de soslaio e prendo a respiração. Então ele sorri, um sorriso tímido que me tira o folego e volta a olhar para a estrada.
Quem eu quero enganar? Eu quero Uchiha Sasuke. Quero desesperadamente. É fato. Pela primeira vez em toda a minha vida, eu nunca desejei tanto um homem. Sorrio para mim mesma. Céus, será que estou apaixonada?
_ Chegamos – diz suave.
Olho pela janela e estamos em frente ao nosso prédio. Que estranho, por que será que ele não estacionou na garagem?
Ele sai do carro, dá a volta e abre a porta para mim. A noite está fria e eu tremo um pouco.
_ Com frio? – pergunta preocupado.
_ Um pouco.
Ele então tira seu paletó e o coloca sobre meus ombros. Inspiro seu perfume.
_ Obrigada. – murmuro tímida.
_ Sakura, tem problema eu deixa- lá na portaria? Pois eu tenho que pegar algumas coisas no departamento. – diz nervoso e passa a mão no cabelo novamente.
_ Não, problema algum. – digo suave.
Ele relaxa e expira pesadamente, e só então percebo que ele estava prendendo a respiração.
Ficamos em silencio por uns instantes, parados de frente para o outro na calçada. Suas grandes ônix prendem meu olhar e, me sinto mergulhar neles, na sua intensidade, no seu calor.
_ Obrigada pela carona. – digo num sussurro.
_ Foi um prazer Sakura. – murmura sensualmente.
Essa é minha deixa. Ele não vai me beijar, pois teve a oportunidade na cozinha de Ino e não o fez. Fico um pouco atordoada, pois eu queria ser beijada.
_ Boa noite Sasuke. – digo num sussurro. Não quero ir, quero que ele suba comigo.
De repente, ele se aproxima de mim e coloca uma mecha que se soltou do rabo de cavalo atrás da minha orelha. Sua pele é quente e, quando entra em contato com a minha fria, sinto um arrepio percorrer meu corpo.
_ Boa noite Sakura. – diz baixinho.
Meu coração para na garganta. Como ele é capaz de me desarmar dessa forma?
Me viro e caminho em direção a portaria. Lucas destranca o portão com um sorriso e entro. Olho uma última vez para Sasuke, que está parado na calçada, olhando para mim. Gravo suas feições: cabelo negro revolto, olhos ônix misteriosos, nariz arrebitado, boca fina e pequena mas, sensual e muito atraente. Resumindo um deus grego.
Dou um tchauzinho e subo as escadas. O prédio está muito silencioso, o que me preocupa. Quando vou pegar o celular na minha bolsa, percebo que a esqueci no carro de Sasuke.
_ Seja mais atenta da próxima Haruno, isso se houver próxima. – murmuro revirando os olhos.
Chego no meu andar e pego a chave reserva debaixo do tapete. Nossa estou exausta. Quando vou destrancar a porta, a fechadura está arrombada.
Meu couro cabeludo começa a pinicar, e todos os pelos do meu corpo se eriçam – a adrenalina flui em minhas.
Empurro a porta com cuidado, tentando fazer o mínimo de ruído possível. Entro no meu apartamento que está coberto pelas sombras. Com o coração a mil, bato no interruptor e as luzes da sala se ascendem. Sufoco o grito na garganta ao ver a cena:
Meu apartamento está revirado, minha sala não existe mais. Meus olhos ficam marejados e caminho pelo que um dia foi, a minha sala. Os moveis estão quebrados, meus livros, rasgados e jogados pelo chão. Minha mesinha de centro virou uma mar de cacos de vidro. Os sofás estão virados do avesso.
Quem fez isso?
_ Demorou pra chegar, Sakura- chan.
E no mesmo instante, congelo. É a mesma voz do homem do meu pesadelo. Isso não está acontecendo, não está acontecendo.
Me viro lentamente na direção da voz e quando o vejo, a cor foge meu rosto.
Ele está sentado numa poltrona, com as pernas cruzadas. Seus olhos estão frio e vejo sombra assustadora passar por eles e, em sua boca, um sorriso malicioso e cheio de más intenções me fazem estremecer. Em suas mão, brinca com uma Kunai girando- a de um lado para o outro.
A adrenalina flui em minhas veias e o mundo para de girar.
_ Sa- Sasori.
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