Anjo da Salvação
15 Capitulo 15- Eu prometo
Notas iniciais
Estou sentado na bancada da cozinha lendo alguns relatórios de missões e um de Shikamaru, sobre o andamento das investigações sobre Sasori. Depois do ataque mais cedo, ele ainda não deu as caras e duvido que dará. Mandei que o prédio ficasse cercado de ANBUS, e que os peritos fizessem uma perícia minuciosa no apartamento de Sakura.
Enquanto leio os relatórios, Sakura está tomando banho. Fui até o quarto e peguei umas roupas minhas, pois eu não tinha nada dela aqui e, uma toalha. Coloquei tudo no batente da porta assim como tinha dito a ela que faria. Bom eu vou ficar bastante tempo com ela, e isso me deixa apavorado. Depois do meu relacionamento com a Karin e do modo como ele terminou, eu não me envolvi com mais nenhuma mulher. Eu me envolvia apenas para sexo, caso de uma noite e nada mais. Eu dava a elas o que elas queriam e me satisfazia, nada mais.
Mas com Sakura é diferente. Eu tenho um sentimento forte por ela, sentimento esse que a muito o tinha deixado de sentir por medo, medo de me machucar novamente. Naruto disse para mim dar mais uma chance ao meu coração, que a hora era essa mas não sei se vou conseguir. A muito eu não me permito sentir paixão, amor. Tranquei meu coração e meus sentimentos juntos. As lembranças do passado fazem com que meus demônios fiquem instáveis, indomáveis e, depois do destino cruzar minha vida com Sakura, eles ficaram ainda mais atormentados.
Minha vida é uma constante luta interna onde eu preciso dominar meus demônios a deixar que eles me dominem.
Sou retirado dos meus pensamentos quando Sakura aparece na sala. O cabelo está molhado, molhado até demais e com a roupa que deixei para ela. Coloco os dedos na boca tentando esconder um sorriso. Até com minhas roupas ela é encantadora.
Minha cueca ficava com um mini shorts para ela e minha blusa cobria tudo até a altura das coxas, dando a impressão que ela só usava aquilo. Dentro da minha calça, sinto meu pau dar um espasmo.
Porra.
— Quer comer alguma coisa? – pergunto. Eu sei que ela já comeu, mas mesmo assim insisto, pois ela está mais pálida que antes.
— Não obrigada. – responde num fio de voz.
Olho seu rosto e vejo que seus olhos estão inchados. Droga ela estava chorando? Desço o olhar e vejo que o corte parece melhor, mais a vermelhidão contrasta drasticamente com a palidez dela.
Coloco as mãos sobre os bolsos e sinto algo dentro deles. Imediatamente me lembro da pomada que Tsunade me entregou depois de cuidar das feridas de Sakura.
— Sente – se no sofá, eu vou passar pomada em você. – digo me levantando.
Ela franze o cenho e me olha confusa. Tudo bem, isso saiu estranho, mas foda-se. Se eu não passar pomada naquele corte, irá ficar uma cicatriz horrível. Sakura ainda continua parada, com o cenho franzido. Será que ela viu duplo sentindo na frase?
Devagar retiro a pomada do bolso e balanço no ar para que ela veja. Seu rosto cora e ela caminha rápido rumo ao sofá. Eu vou logo atrás me deleitando com a imagem de suas belas pernas, apesar de estarem com alguns arranhões e escoriações.
— Vai doer? – seus olhos se fixam nos meus.
— Espero que não. – digo me sentando na mesinha de centro, ficando de frente para ela.
Tiro a tampinha da pomada e aperto o tubo. Coloco uma boa quantidade da pomada nos dedos, que mais parece um gel e olho para Sakura, esperando que ela autorize eu começar.
Seus olhos caem sobre os meus e neles, um misto de medo e confiança se apossam da imensidão verde que é seu olhar.
— Tudo bem. – concede.
Me inclino ficando mais perto dela. Ela se assusta, e o rubor toma conta de seu rosto. Com uma delicadeza fora do normal, coloco a pomada sobre o corte em seu rosto. Sakura fica imóvel, sua respiração fica desregular. Meus dedos encostam em sua pele quente e uma corrente elétrica passa por meu corpo. Não sei se ela também sentiu, mas a sensação foi, boa.
Devagar espalho a pomada sobre o corte, tomando cuidado para não doer. Sinto o olhar dela sobre mim, e me pergunto o que estaria pensando. Me inclino ainda mais e sinto seu perfume. Mesmo depois de tudo o que aconteceu, o aroma suave de cerejeira ainda emana dela. Sorrio internamente.
Estamos muito próximos, nossas testas estão quase coladas. Termino de espalhar a pomada sobre o corte, fazendo o impossível para não olhar em seus olhos. Essa mulher mexe comigo de uma maneira fora do normal, e isso não posso negar. Mesmo frágil como uma criança na minha frente ela é ainda mais, amável. Sakura é amável, doce, radiante. Bom, ela não está tão radiante depois do ocorrido mas ainda assim, continua perfeita.
Por um descuido, prendo meu olhar em seus olhos esmeraldinos e num instante, me permito mergulhar, afundar na profundidade do tom esverdeado, o mesmo tom das aguas do mar em Cabo. O rubor toma conta do seu rosto pálido novamente. Devagar acaricio a pele alva de seu rosto com as costas das mãos. Com meu toque, ele fecha os olhos e se entrega ao meu carinho e para piorar, ela morde o lábio. Ela está tão pronta, eu posso sentir o calor entre nós. Quero beija-la, toma-la para mim mas meus demônios não permitem. Mas que mal teria? Somos adultos, não devemos satisfações a ninguém e além do mais, estamos sozinhos.
Afasta – se dela Uchiha, para seu bem.
Para meu bem.
— Pronto. – sussurro tirando minha mão de seu rosto.
Seus olhos se abrem com um misto de confusão e decepção.
— Obrigada. – diz com a voz rouca.
Me levanto e vou para a cozinha tomar agua, de repente o ar ficou quente. Da bancada da cozinha observo Sakura se encolher no sofá e abraça os joelhos. Seus cabelos estão soltos e caem sobre suas costas como uma cascata rosada. Ele está muito molhado e, se ela não secar- ló rápido irá pegar um resfriado.
— Seu cabelo está muito molhado. – a repreendo voltando para a sala.
— Não achei o secador de cabelo.
— Hum.
Vou até o quarto buscar alguma coisa que ela possa secar os cabelos. Nunca em toda minha vida vi uma pessoa com os cabelos rosados. Será que é natural? Não pode ser. Vou até o armário e pego uma toalha para ela. De volta a sala, encontro Sakura do mesmo modo que a deixei, sentada abraçada com os joelhos. Sua expressão é neutra mas seu olhar está distante, longe. Será que ela quer ir embora? Minha companhia não é agradável? Que loucura, as pessoas amam estar com você... meu ego falando.
— Aqui. – lhe estendo a toalha.
Olhos esverdeados surpresos me encaram, eu ainda estou segurando a toalha e Sakura não moveu um musculo para pegar. Que situação embaraçosa Sasuke, o que diabos deu em você de ir buscar uma toalha pra ela? Por Deus, pegue a toalha Sakura.
Depois de alguns segundos que duraram uma eternidade constrangedora, ela pega a toalha e me dá um sorriso doce.
— Obrigada. – diz abrindo a toalha para secar o cabelo.
A observo enquanto ela seca o cabelo. Com cuidado, ela desembaraça os fios com os dedos. Ela parece uma sereia, sentada numa rocha olhando o pôr do sol e seduzindo os marinheiros com sua beleza e doçura. Sorrio com esse pensamento.
— O que quer fazer? – pergunta se virando para mim.
Sua pergunta me pega de surpresa, O que quero fazer? Bom quero tomar um banho demorado e dormir. Olho para o relógio e são quase 3 da madrugada. Se bem que dormir não vai ser nada fácil com esse ser rosa tão perto assim.
Do jeito como ela está e com a minha roupa, ela é uma tentação. Não pensem que sou depravado ou coisa do tipo, sou homem e como tal tenho necessidades a suprir.
Concentre – se Uchiha, concentre – se.
— Não sei. Quer ir dormir? Já está tarde. – sugiro.
Ela olha de mim para a televisão e depois, volta a olhar para mim com os olhos esperançosos. Quer ver tv?
— Ou podemos ver tv até o sono chegar. – digo e sou recompensado com um sorriso encantador.
— Tv então.
Pegando o controle me sento perto dela. Ligo a tv e escolho um canal que esteja passando um filme ou alguma série. Olhamos canal por canal e por fim, escolhemos ver um filme. Me acomodo ao lado de Sakura, ficando uma distância segura dela. Não que eu esteja com medo ou coisa e tal, mas porque eu não sei o que estou sentindo em relação a ela e não sei por onde esse sentimento pode me levar se eu escolher sentir, deixar sair.
Sakura abraça as pernas e coloca a cabeça sobre os joelhos. Sua blusa está um pouco transparente por causa da agua que pingava de seu cabelo. Em silencio, vemos o filme, cada um mergulhados em seus próprios pensamentos, dores, lembranças do passado. Me pergunto se Naruto está certo, se devo dar uma chance a esse sentimento que a muito tempo deixei de sentir, mas e se Sakura não sente o mesmo que eu? E se só for atração e nada mais?
Olho para o lado e vejo Sakura dormindo serenamente no sofá. Desligo a televisão e arregaço as mangas da camisa. Com todo cuidado do mundo, pego Sakura e a aninho em meus braços. Me surpreendo com sua leveza, ele é muito leve. Tenho que alimentar essa garota, senão ela vai sumir. A caminho do quarto, Sakura murmura algumas palavras sem nexo e se encolhe ainda mais no meu colo.
Entro no quarto e a acomodo com cuidado na cama. Sakura vira para o lado e se encolhe em posição fetal, ficando ainda mais pequena e vulnerável. Tiro seu cabelo sob seu rosto e a observo por breves instantes. Sua respiração é calma, seus cílios tremulam levemente acima de suas bochechas pálidas, e sua pele parece impecável.
— Durma bem anjo. – dou um beijo em seu cabelo e depois, inspiro seu perfume. Cerejeira.
Após por Sakura para dormir, vou até o armário e tiro uma toalha, preciso de um banho. Entro no banheiro, tiro as roupas e permito que agua quente caia com tudo sobre meu corpo. Que dia, que dia. Foram tantos acontecimentos para assimilar tudo de uma vez que parece que estou num filme. Me aproximo de Sakura na casa de Ino, depois a levo para casa e saio da minha zona de conforto dando aquele afago em seu cabelo, logo depois a salvo de ser morta de um maníaco psicopata que invadiu seu apartamento e por fim, Kakashi me manda ser o guardião dela e ainda temos que ficar na minha casa, de onde eu não tenho boas lembranças. Meu Deus, isso é muito para um único dia.
Devagar coloco sabonete líquido na esponja e começo a passar sobre meu corpo, o cheiro de almíscar invade o banheiro e pela primeira vez depois de tudo, me permito relaxar. Mas nada disso teria acontecido se eu não tivesse bancado o difícil e a levado até seu apartamento. O medo, as ameaças, as agressões, ela não teria passado por nada disso. Isso é minha culpa, e do modo que eu a encontrei, do modo como Sasori a deixou, não sei se poderei me perdoar um dia.
Termino meu banho e me enrolo na toalha. Entro no quarto e Sakura continua dormindo tranquilamente. Vou até o armário e de lá tiro uma calça de moletom preta e uma cueca box também preta. Olho para o relógio e são quase 4 da madrugada, preciso de um chá. Com os pés descalços caminho sem pressa até a cozinha e faço um chá de maça, meu preferido. Naruto abasteceu a cozinha e temos bastante comida. Me sento na bancada da cozinha e quando estou prestes a tomar o chá, ouço um grito vindo do quarto.
— Merda.
Imediatamente corro até lá e quando entro no quarto, vejo Sakura se debatendo sob a cama, murmurando coisas que não consigo entender.
— Sakura. – a chamo mas ela continua se debatendo.
O que eu vou fazer? Ela está descontrolada, gritando e se debatendo. Tento agarrar seus pulsos mais não consigo, ela é mais rápida.
— Não por favor....
Os machucados em suas pernas começam a sangrar e ela continua a se debater. Meu Deus o que eu faço?
— Não me machuque por favor...
— Quem vai te machucar Sakura? – pergunto mais ela não responde.
Lagrimas saem de seus olhos e sua expressão é de dor. Sasuke faça alguma antes que ela se machuque ainda mais.
— Por favor....
— A que foda.
Em um ato de desespero, monto em Sakura de modo que fico sentado sob seu quadril e agarro seus pulsos. O seguro com força com uma das mãos e com a outra, seguro sua nuca e a chacoalho com um pouco de força, com esperança que funcione.
E por benção divina, funcionou. Ela abre os olhos e eles estão assustados, amedrontados presos aos meus. Seu rosto está molhado de lagrimas e seus cabelos estão bagunçados, com alguns fios colados em seu rosto.
Sakura.
— Está tudo bem? – pergunto.
Estamos ofegantes, respirando com dificuldades. Com a ponta dos dedos, tiro alguns fios de cabelo de seu rosto.
— Tive um pesadelo horrível. – diz ofegante.
— Sonhou com ele? – pergunto sabendo a resposta.
Ela concorda com a cabeça e leves tremores percorrem seu corpo. Ela leva a mão a perna e observa os dedos manchados de sangue. Uma lagrima cai de seu olho, percorrendo com lentidão a bochecha manchada de vermelho e violeta pelo corte feito por Sasori.
— Estou com medo Sasuke. – sua voz sai rouca, embargada.
Com o polegar, enxugo a lagrima e seguro sua nuca. Grande esmeraldas me olham com espanto e ela prende a respiração. Quero protege – lá de tudo e de todos, mante –lá escondida, a salvo.
— Eu não vou deixar que nada, nada aconteça com você me ouviu? – digo com veemência, quase rosnando.
Sakura sorri ladino, mas seu sorriso não é tão radiante como hoje de manhã, mas tudo bem.
A puxo para um abraço. Ela se assusta e seu copo fica tenso, mas depois de alguns segundos, seu corpo relaxa e ela passa os braços em volta do meu corpo. Aberto meus braços em volta de seu corpo pequeno e enterro meu rosto nos seus cabelos róseos. Fecho os olhos e inspiro seu perfume embriagador, único como ela.
— Vou proteger você, eu prometo. – sussurro em seu ouvido.
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