Anjo Protetor
7 Uma noite agradável
Notas iniciais
*POV BELLA *
Eu ainda olhava o profundo mar de esmeraldas que eram os olhos de Edward, as palavras dele giravam na minha cabeça, meu coração batia acelerado. Eu estava surpresa e… como posso dizer admirada com tudo que ele disse. Ele era um estranho pra mim, mas naquele momento olhando em seus olhos parecia que a gente se conhecia uma eternidade.
Eu fiquei o tempo todo pensando que ele não me queria na vida dele e que ele iria me mandar embora, meu Deus como eu pude pensar tão mal de um homem tão maravilhoso! Ele era sem duvida um príncipe, ou melhor, ele era realmente um anjo. O meu anjo. E eu faria de tudo pra não deixa-lo triste, eu tinha que me recuperar, iria superar tudo isso, por mais que fosse difícil, mas eu iria vencer, por ele, eu iria voltar a viver, pelo Edward.
(…)
Depois do que pareceu uma eternidade olhando nos olhos um do outro fomos interrompidos pelo garçom que trouxe o nosso almoço. O Edward levantou e voltou pra sua cadeira sem em momento algum desviar os olhos do meu. O garçom nos serviu.
– Obrigado Caius. Se precisar de mais alguma coisa eu te chamo. — Edward agradeceu ao garçom antes que ele se retirasse.
Eu continuei a olhar pra ele, sabia que deveria dizer alguma coisa, mas não sabia exatamente o que dizer depois de tudo que ele falou.
– Isabella eu espero que você goste de lasanha, essa é a minha especialidade é diferente de qualquer outra que você tenha provado. — ele disse com um sorriso torto encantador.
Parece que ele adivinhou, lasanha era o meu prato favorito.
– Eu adoro lasanha. — seu sorriso aumentou.
– Que bom que eu acertei então!
Bem… foi uma mudança nada sutil de assunto né?! Uma hora ele estava falando de um assunto um tanto delicado e agora conversando sobre comida. Não sabia como voltar ao assunto anterior, eu precisava dizer alguma coisa sobre o que ele me falou. Ele foi tão… tão atencioso nunca ninguém além dos meus pais se preocupou tanto comigo, o Edward era uma pessoa especial, como ele existiam poucos no mundo.
– Edward… — comecei a falar, minha voz ainda estava estranha, tomei um gole da minha coca pra ver se melhorava um pouco. — Eu nem sei como te agradecer o que você esta fazendo por mim. — Fiquei olhando pras minhas mãos que estavam sobre a mesa.
– Eu sei exatamente o que você pode fazer. — ele falou e eu levantei meu rosto pra olhar pra ele, seu rosto agora estava serio. — Você pode melhorar Isabella! Você pode sorrir… viver… se você fizesse isso eu ficaria eternamente grato. — ele voltou a sorrir e segurou minha mão. Meu Deus esse homem realmente existia?!
Eu senti uma descarga elétrica quando nossas mãos se tocaram, acho que ele também sentiu, pois ficou com uma expressão diferente, sei lá.
– Edward, eu te prometo que vou tentar melhorar, mas eu realmente não sei nem por onde começar.
– Que tal você começar comendo?! O delicioso almoço que eu preparei carinhosamente pra você vai acabar esfriando. — senti minhas bochechas esquentarem, com certeza eu estava corada, já devia ter me acostumado com isso. Comi um pedaço da Lasanha. UAU! Isso está muito bom! Ultimamente eu não tenho comido quase nada, e quando como nem reparo no gosto.
Edward só me observava comer, parecia que eu estava passando fome, pelo jeito que eu comia e nem parava pra respirar. Depois de um tempo sendo observada isso me incomodou.
– Não vai comer também Edward? — ele pareceu despertar do seu transe e começou a comer também.
– Então Isabella eu estou aprovado? — perguntou assim que terminamos de almoçar.
Não aguentava mais ele me chamando de Isabella. Nunca gostei muito do meu nome, por isso prefiro que me chamem de Bella. E o Edward parecia não saber disso.
– Você vai estar aprovado assim que parar de me chamar de Isabella. — o Edward conseguiu mesmo me ajudar a melhorar meu humor. Já estou até fazendo piada.
– Como? — ele me olhou com cara de confuso.
Eu ri. Um pequeno sorriso, mais ainda assim foi um sorriso. A expressão de confusão de Edward mudou para de espanto. Será que meus dentes estavam sujos? Mas logo depois seu rosto suavizou.
– Pensei que nunca teria o prazer de te ver sorrir. Se você soubesse o quando fica linda sorrindo Isab… como devo mesmo te chamar? — nem preciso dizer que eu corei né?!
– Bella. Eu prefiro que você me chame de Bella, na verdade, todo mundo me chama assim. — Edward sorriu ainda mais.
– Combina com você. Sabia que Bella em italiano e em português quer dizer bonita/ linda? — ele realmente tirou o dia pra me deixar vermelha. Eu já sabia disso, mas ninguém nunca tinha falado isso pra mim, descobri pesquisando na internet.
– Er… sabia sim. — disse sem graça. Numa mesma conversa ele já tinha me elogiado duas vezes. Eu não estava acostumada com isso.
Depois da sobremesa Edward disse que me levaria até o seu apartamento e depois voltaria para o restaurante. E eu iria aproveitar esse tempo sozinha pra pensar nos últimos acontecimentos.
Estava deitada no meu quarto pensando na vida, eu levei uma boa rasteira dela. Meus pais se foram cedo demais e pra mim foi uma perda imensurável. Nada que eu ganhe nessa vida vai amenizar a dor da perda, eles sempre vão ser uma parte de mim, sempre vai ficar um vazio que nunca poderá ser preenchido. Mas tá na hora de seguir em frente! Meu Deus se a minha mãe me visse assim… ela era tão alegre, me ver pra baixo a deixaria muito triste, ela sempre tentava me animar quando eu estava assim, inventava mil e uma coisas divertidas pra fazer. E meu pai, eu era tão apegada a ele, ele era meu herói, não podia me ver chorando ou cabisbaixa que minutos depois aparecia com um pote enorme de sorvete de queijo com goiabada com cobertura de morango e confeitos coloridos por cima, e assistíamos A bela e a fera, ele realmente sabia como me animar, nada me deixava mas feliz que meu sorvete preferido e meu filme favorito juntos, ele assistia ao desenho junto comigo sempre. Saudade é uma coisa que não deveria existir.
Como eu os queria de volta, mas infelizmente isso não vai acontecer e eu tenho que me conformar e viver minha vida como eles gostariam que eu vivesse feliz e não trancada dentro de um apartamento pelo o resto da vida.
Eu tinha uma vida boa lá em Seattle, não era muito popular na escola, também não era uma nerd, eu me considerava normal, sempre me dei bem com todo mundo, mas só falava o necessário, só tinha uma amiga de verdade, a Angela, a gente andava sempre junta ela era tímida como eu, mas ai de alguém se mexesse com ela. Ela era apaixonada pelo Ben desde o jardim de infância, mas não teve coragem de se declarar até entrarmos no ensino médio, hoje eles eram namorados e ela sempre tentava me empurrar os amigos do Ben, cada semana tinha um pra me apresentar. Alguns meninos eram até agradáveis, tinham uma boa conversa, mas eu nunca me interessei por nenhum, já tinha dados uns beijinhos em alguns meninos, mas isso foi há muito tempo, na época tinha uns treze ou catorze anos era coisa de criança.
Eu nunca pensei em me apaixonar; não que eu não acreditasse no amor eu achava o amor dos meus pais lindo, mas acredito que isso não é uma coisa comum, que acontece com qualquer pessoa. Pra mim o amor sempre foi à exceção e não a regra, eu nunca tive a ilusão de encontrar alguém que me fizesse sentir tudo o que eu lia nos romances. É claro que eu não pretendia ficar sozinha pra sempre, eu apenas esperava encontrar alguém legal, que me compreendesse e tivéssemos cumplicidade, a maioria dos casamentos é assim… hoje não vemos muitos casais que se amam loucamente e são capazes de dar a vida um pelo outro. Isso existe, mas eu não achava que fosse acontecer comigo, e eu estava conformada com isso. Ou pelo menos estava. Talvez eu tivesse medo do amor, do que ele poderia me causar. Mas o que me assusta mesmo é que agora meus pensamentos estavam confusos. Eu, a menina que nunca ia se apaixonar, me pego tendo pensamentos estranhos, pensando que talvez eu tenha uma chance de conhecer esse amor de contos de fada, esse amor que faz nossas mãos suarem, o coração palpitar mais rápido e essas coisas de gente apaixonada.
Mas se eu tivesse a sorte do cupido olhar pra mim não seria problema, o problema seria me apaixonar por quem eu não devo. Imagens do almoço vêm a minha cabeça, imagens da noite anterior… Como uma pessoa pode ser tão encantadora a ponto de invadir o pensamento de uma pessoa que mal a conhece. EDWARD. O nome dele estava estampado em letras garrafais no meu cérebro, não importa em que rumo estava meu pensamento sempre acabavam nele.
E isso me assustava, e muito. Eu não queria sair machucada dessa história. Meu Deus! Que história Bella?! Não existia história nenhuma. Só na minha cabeça mesmo para fantasiar que um dia Edward pudesse me olhar com outros olhos, ele era gentil, carinhoso, cuidadoso, lindo, e ainda tinha prometido que seria meu anjo protetor… Mas ele era meu tutor, e pra ele eu era uma criança, sei lá… talvez como uma irmã. Eu não podia gostar dele de outra forma, se isso acontecesse eu ia estragar tudo, e eu ia perder a única pessoa que se importava comigo nesse mundo.
***
Eu estava sentindo frio, rolava na cama me embolando na coberta, sentia uma brisa gelada batendo em mim, mas não estava com a mínima vontade de levantar pra fechar a janela, de onde provavelmente vinha o vento frio. Queria dormir mais um pouco, nem sabia que horas eram, acho que já havia escurecido.
Ouvi o barulho da janela sendo fechada e a brisa gelada sumiu. Agora estava tão quentinho que eu me encolhi mais pra voltar a dormir. Ouvi um riso baixo. Virei-me na cama e abri os olhos devagar. O quarto estava parcialmente escuro, somente iluminado pela luz que vinha do corredor, e deu pra ver o Edward saindo.
– Edward?
Ele se virou pra mim e sorriu.
– Boa noite dorminhoca! — ele acendeu a luz e veio se sentar no pé da minha cama. Eu fechei os olhos pela claridade. Ele riu.
– Gosta mesmo de invadir o meu quarto em? — falei em tom de brincadeira. Ele riu sem graça. — Bem na verdade o quarto é seu, é a sua casa afinal. A intrusa aqui sou eu.
– A casa é tão sua quanto minha você mora aqui agora. E bem… eu acabei de chegar do restaurante, te chamei e você não respondeu, vim ver se tinha acontecido alguma coisa e quando cheguei aqui você estava tremendo de frio com a janela aberta, resolvi fechar antes que você congelasse. Mas vejo que acabei te acordando.
– Obrigada, e eu acho que estava mesmo na hora de acordar, peguei no sono logo que você me trouxe. Que horas são? — esperava sinceramente que a minha cara não estivesse muito amassada.
– Já são quase 19h00min. Então quais são os planos pra noite? — ele me perguntou.
– Não tenho lição de casa hoje, e acho que depois de uma tarde toda dormindo acho que não vou consegui dormir tão cedo. Acabei dormindo demais, já que na noite passada não dormi muito bem. — na verdade eu dormi pouco, mas o pouco que eu dormi eu dormi maravilhosamente bem. — Mas não desfaça seus planos por minha causa eu não me importo de ficar sozinha. — mas preferia que ele ficasse comigo.
– Na verdade eu ia te chamar pra darmos uma volta, mas esta uma ventania muito grande lá fora, então acho melhor fazermos alguma coisa por aqui mesmo. — ele queria sair comigo? — Sei lá acho que podíamos ver um filme, eu posso fazer uma pizza… que tal?
– Ótimo! Um filme seria perfeito. — acho que pareci um pouco animada demais. — Mas antes preciso tomar um banho.
– Claro, vai tomar seu banho, eu também vou me lavar e vou preparar a pizza pra gente ok? — ele disse já se levantando.
– Ok. — e ele saiu do quarto.
Eu fui em direção ao closet pra procurar uma roupa pra colocar. Eu queria me arrumar mais, sei lá ficar mais bonita. Mas eu ia apenas assistir um filme em casa. Por fim optei em colocar meu pijama comprido mesmo, já que estava um pouco frio. Fui tomar um banho quente e aproveitei pra lavar o cabelo. Não sei por que eu estava tão nervosa, era apenas um filme. Mas não tinha como não ficar nervosa perto do Edward, ele me causava reações e sentimentos que eu não entendia. E isso me assustava. Deixei a água quente relaxar meu corpo, não sei quanto tempo passou, mas levei um bom tempo debaixo do chuveiro. Quando finalmente tive coragem pra sair do banho, coloquei minha roupa e desembaracei meu cabelo.
Quando terminei fui procurar o Edward. O encontrei na cozinha. Ele estava simplesmente lindo, calça de moletom azul e camisa de manga comprida cinza que emoldurava em seu corpo destacando o peito e os braços bem definidos, o cabelo estava úmido caindo sobre sua testa. Ele terminava de preparar uma pizza e estava tão concentrado. Fiquei um tempo só observando.
Quando ele se virou pra colocar a pizza no forno me viu parada na entrada da cozinha. E como sempre abriu seu sorriso encantador.
– Tá ai há muito tempo? — ele perguntou.
– Não, demorei um pouquinho no banho.
– Hum. Já esta quase pronto aqui. Você pode ir escolhendo o filme se quiser. Esta na prateleira de cima da estante da sala.
– Tudo bem. — fui até a prateleira que ele mencionou e havia muitos filmes lá. De tipos variados, eu gostava de ver romances, mas não tinha esperanças de encontrar algum filme do tipo aqui, mas me enganei ele tinha todos os meus preferidos. Escolhi Cartas para Julieta era romântico e divertido ao mesmo tempo, coloquei o filme e fiquei esperando o Edward, estava com um pouco de frio e fui até o quarto pegar um edredom.
Quando voltei pra sala Edward estava colocando a pizza sobre a mesa de centro, o cheiro estava ótimo.
– Com frio? — ele perguntou se virando pra mim.
– Um pouco. — me sentei no sofá e joguei o edredom por cima de mim. Edward foi até a cozinha e voltou com uma garrafa de cerveja e outra de coca, estendendo a de coca pra mim.
– Gosta de romance? — perguntou apontando pra TV.
– Que garota não gosta? — dei de ombros.
– Minha amiga Vic detesta. Ela diz que são muito previsíveis, sempre tem os mocinhos apaixonados, um vilão ou alguma causa que faz eles sofrerem o tempo todo e no final ou eles ficam juntos e são felizes para sempre ou morrem. Ela não acha justo o vilão se dar mal, porque é ele que passa o tempo todo tendo ideias magnificas que dão certo o tempo menos no final da história.
– Nunca vi ninguém torcer pelos vilões. — meio insensível essa amiga dele. Eu não acreditava muito em certas histórias, apenas as achava bonitas. Mas torcer pelos vilões?
– Ela é uma boa pessoa, só é meio realista demais.
– Hum.
Ele pegou uma fatia de pizza e sentou ao meu lado no sofá. Pegou o controle e soltou o filme. Servi-me de uma fatia de pizza também e ficamos em silencio assistindo o filme.
Até que o Edward quebrou a silencio.
– Se importa de dividir o edredom, também estou com frio. — ele disse já se aproximando de mim e se cobrindo com o edredom também. Ele estava muito perto, nossos braços praticamente encostados.
– Cl… claro. — falei depois que ele já estava acomodado. Era estranho ficar tão próxima dele assim.
– Você acredita que um amor possa sobreviver por mais de cinquenta anos? — ele perguntou de repente. Estava na parte do filme que a Claire decidiu procurar o seu Lorenzo.
– Não acho que qualquer amor sobreviva por tanto tempo. Isso é raro. Não acontece com todo mundo.
– Acha que um dia pode acontecer com você? — ele perguntou. Isso já estava ficando constrangedor demais.
– Não. — falei rapidamente. Ele me encarou, o cenho franzido. — Quer dizer… Se eu amasse uma pessoa eu a amaria pra sempre. Mas eu não acho que teria a sorte de viver um amor assim. São tão raros. Não acontece com qualquer um.
– Mas você não é qualquer uma. — ele disse simplesmente e se virou de volta pra TV.
Permanecemos em silencio até quase o final do filme quando o Charlie leva aquele tombo quando sobe pra falar com a Sophie que estava na sacada.
– Eu jamais pagaria um mico desses. — o Edward quebrou o silencio novamente.
– Não foi um mico, isso foi romântico. — eu disse. Adorava essa parte.
– Eu sou um cara romântico, mas eu usaria as escadas. — eu toquei uma almofada nele. — Ai. — ele olhou de cara feia pra mim, mas não aguentou e começou a rir.
Eu estava me sentindo bem perto dele e estava me divertindo. Isso era bom. Era bom começar a viver novamente.
– Já esta com sono? — ele me perguntou depois que tirou o filme.
– Ainda não.
– Eu fiquei pensando… eu te conheço tão pouco, e a gente mora na mesma casa. Acho que deveríamos saber algumas coisas básicas um do outro, pra ter uma boa convivência sabe?
– É… sim.
– Então… o que você gosta de fazer durante o dia quando não tá na escola? — ele perguntou se sentando novamente no sofá e se virando pra mim.
– Gosto de ler. Lá em Seattle eu fazia um trabalho voluntário, lia pras criancinhas carentes que participavam de um projeto na minha escola.
– Isso é bem legal. O que gosta de ler? Quais são seus autores preferidos?
– Romances. E contos infantis. — ele riu. — Sei que é coisa de criança, mas é legal. Gosto de Shakespeare, Stephenie Meyer, Nicholas Sparks é o meu preferido.
– Também é o meu autor favorito. Viu já descobrimos uma coisa que temos em comum. — ele gostava de romances, isso é raro em um homem.
– O que pretende fazer quando acabar o ensino médio? — ele fez outra pergunta.
– Quero fazer faculdade de jornalismo em Columbia. Gosto de escrever. Quem sabe um dia eu não viro uma colunista do New York Times. Também quero escrever livros. — esse era o meu sonho na verdade, eu não tinha a mínima ideia se isso um dia poderia acontecer, estava nas mãos de Deus, o que eu podia fazer agora era estudar e tirar notas boas.
– Nossa é um grande sonho em! Você vai conseguir. Eu já consegui realizar o meu graças a Deus e não tem sensação melhor que essa. Quem sabe quando você for pra Columbia eu não abro uma filial do meu restaurante em Nova York. — seria muito bom ter ele por perto quando eu não morasse mais aqui. — Agora só falta realizar mais um sonho.
– Que sonho? — a pergunta saiu meio sem pensar.
– Formar uma família. — ele permaneceu em silencio por um tempo. — Quero viver um grande amor sabe? Tipo esses dos filmes. Ainda estou procurando a pessoa certa, mas tá difícil. — me peguei pensando se existia uma possibilidade, remota que seja de eu ser a pessoa certa. Mas logo afastei esses pensamentos da minha cabeça.
– Você não tem uma namorada? — a pergunta saiu mais uma vez sem pensar. A curiosidade era grande.
– Eu tinha. Mas terminei com ela. — a expressão dele ficou estranha, ele pareceu estressado, sei lá. Será que minhas perguntas o estavam incomodando? Mas ele continuou falando. — Terminei porque não a amava, mas ela não aceita isso e vive correndo atrás de mim até hoje, já faz dois meses que acabou. Isso me estressa. — hum, então era esse o motivo de estresse. — Eu gostava dela, até achei que poderia virar amor, mas depois de quase um ano isso não aconteceu, então desisti, não era justo com ela e nem comigo, mas a Tanya não entende.
– Você já parou pra pensar que você pode até não amar ela, mas ela pode te amar de verdade e por isso não desistiu ainda? — não posso negar que estava feliz por ele não ter namorada, mas fiquei com pena da moça, só imagino como deve ser ter um homem como o Edward nas mãos e perde-lo.
– Eu acho que ela gosta muito de mim sim, mas já não posso fazer mais nada por ela. A falta de amor não foi o único motivo para o fim do namoro. Éramos incompatíveis, ela era muito ciumenta e não aceitava minhas amizades, principalmente com a Vic. — de novo essa Vic, devia ser mesmo importante na vida dele.
– E essa Vic? Ela parece ser muito importante pra você. — a curiosidade me dominando novamente.
– Ela é a minha melhor amiga, e trabalha comigo. É uma pessoa maravilhosa, você vai gostar dela. Ela aparece sempre por aqui.
– Hum. — foi à única coisa que eu disse.
– E então já esta com sono? — ele perguntou.
– Acho que não vou conseguir dormir tão cedo hoje. Dormi bastante essa tarde. — a conversa estava boa e eu não estava com a mínima vontade de por um fim nela. — E então o que te fez gostar de cozinhar? — mudei de assunto. E ele se entusiasmou com isso. Cozinhar era sua paixão e ficamos conversando até tarde sobre isso.
E depois de vários dias de sofrimento e choro, eu dormi em paz pela primeira vez.
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