Anjo Protetor
29 Caindo a máscara
Notas iniciais
7 meses depois...
*POV EDWARD*
— Desculpa, mas eu não estou interessado. – a cara que Lilly fez até que foi um pouco engraçada, com certeza não estava acostumada a levar um fora. Ela era uma mulher muito bonita, 22 anos, tinha ganhado o programa de culinária que foi gravado no nosso restaurante, e como parte do prêmio tinha conquistado uma vaga de prestígio na nossa equipe. Ela era uma ótima pessoa, boa e sonhadora, tinha se tornado uma boa amiga, mas ela acabou levando as coisas para o outro lado, e achando que poderíamos ter algo além disso.
— Ah, então é verdade o que a Steph disse... – falou mais para si mesma, o que me deixou confuso.
— E o que foi que ela disse? – quis saber. Stephenie era uma das produtoras do programa, ela não foi tão discreta como a Lilly, praticamente se atirou em cima de mim e ficou muito arrasada quando levou um fora. Provavelmente ela deve ter comentado sobre isso.
— Ela disse que você era gay. Sabe, no começo eu não acreditei, mas agora vejo que era verdade. – falou calma.
— Gay? – perguntei incrédulo.
— Edward querido, – disse pegando em minhas mãos – eu sei que esse mundo é preconceituoso, mas você não pode ter vergonha de assumir o que você realmente é. – me aconselhou. E eu não sabia se ria ou se chorava.
— Vamos ver se eu entendi... Eu não quis a Stephenie e ela deduziu que eu era gay, e contou para você, aí agora eu digo que não quero ficar com você e você acredita na mesma teoria? – não consegui conter o sarcasmo.
— Bem, somos solteiros, bonitos, estamos aqui jantando, temos uma amizade legal, por que outro motivo não iria querer ficar comigo? E também, você já olhou bem para a Steph? Que homem diria não a ela? – ela explicou como se fosse obvio.
— Eu gostaria de entender qual é o problema das mulheres em ouvirem um não? – perguntei retoricamente.
— Espera! Você não é gay? – perguntou assustada.
— Não. – sua face ficou vermelho escarlate assim que ouviu minha resposta. Ela também corava assim quando ficava envergonhada. Droga! Não posso ficar pensando nessas coisas!
— Ai meu Deus! Eu... eu não sei o que dizer. – ela estava tão envergonhada que percebi que sua vontade era sair correndo.
— Não precisa dizer nada Lilly. Acredito que você não recebe um não frequentemente. Eu entendo sua confusão. – tentei deixá-la mais confortável, mas confesso que a situação estava cômica.
— Por favor Edward, me desculpe. Nem todo homem é obrigado a gostar de mim, eu sei que também tenho defeitos. – disse olhando para suas mãos.
— Lilly, é claro que você deve ter defeitos como todo outro ser humano normal, mas não é por isso que eu não quero ficar com você.
— Por que então? – agora podia ver a curiosidade em seus olhos.
— Eu... é complicado. – não queria falar sobre isso.
— Pode me contar Edward, apesar de meu ataque de narcisismo vergonhoso, eu ainda quero que me considere sua amiga. – ela segurou minhas mãos por cima da mesa novamente.
— Eu simplesmente amo outra pessoa. Apenas isso. – lembrar disso doía, sentir isso mais ainda.
— Hum, entendo. Mas onde está essa pessoa? Que eu saiba você não tem namorada. – um dos defeitos da Lilly era a curiosidade.
— Apenas não deu certo, mas esquecer é difícil. – quanto menos eu falasse sobre isso era melhor para mim.
— Sabe um novo relacionamento pode te ajudar a esquecer um outro, é apenas questão de tempo. – disse batendo os cílios. A moça era persistente.
— Eu não sou o tipo de pessoa que usa outra pessoa dessa maneira, isso só pioraria as coisas, e eu poderia te magoar. Não adianta, o que eu vivi não há como esquecer. – já se passaram sete meses e eu sinto como se tivesse vivido tudo aquilo ontem. – Sei que vai soar muito clichê, mas não é você, sou eu. – percebi seus ombros caírem.
— Tudo bem, me desculpe por confundir as coisas. – pelo seu olhar vi que ela tinha finalmente desistido. – Então, sabe aquele prato árabe que o Emmett mostrou na semana passada? – Lilly era a rainha em mudar de assunto, e eu era muito grato por isso.
***
Ultimamente eu não tinha animo nenhum para sair de casa, o fazia para tentar parecer normal, e com isso evitar que minha família e amigos ficassem pegando no meu pé.
Era muito estranho viver uma fase tão boa da minha vida de um lado e tão ruim de outro, era como se faltasse equilíbrio.
Minha vida profissional nunca esteve tão boa. O programa do qual eu fui jurado foi um verdadeiro sucesso na TV inglesa. Ele atrasou um pouco para ir ao ar, devido ao incêndio no restaurante, incêndio que apesar de ter sido criminoso, não teve um culpado apontado pela polícia. Mas depois da reforma e reinauguração do restaurante começamos a gravar e tudo correu muito bem, o restaurante ficou mais conhecido, vieram propostas para mais publicidade e já estava marcado uma segunda temporada do programa para daqui a alguns meses.
Com minha família estava tudo em ordem, meus pais estavam bem, Alice havia concluído o seu primeiro período na faculdade e veio passar as férias de primavera com a família. A Rose e o Emmett tinham finalmente marcado o casamento para daqui a dois meses, pois a minha irmã descobriu que estava grávida, eu estava muito feliz com a notícia, pois ia ganhar meu primeiro sobrinho ou sobrinha, bem, isso sem contar a Mel, e uma criança sempre alegrava as coisas. Meus pais estavam nas nuvens com isso, e faziam vários planos para a chegada do primeiro neto.
Mas, apesar de minha vida estar “tecnicamente” boa, eu não posso negar que esses sete meses foram os piores da minha vida. Desde aquele maldito dia do incêndio meu mundo de felicidade ruiu, mas tudo ficou ainda pior depois que ela foi embora. Eu gostaria muito de arrancar esse amor do peito, mas eu percebi que era impossível, estava fadado a amá-la para sempre, não tinha jeito. Havia horas que eu pensava em deixar todo o meu orgulho e amor-próprio de lado e ir atrás dela, implorar para que aceitasse de volta, rezar para que ainda me amasse.
Até hoje eu não consigo compreender porque ela me traiu. Estava tudo tão perfeito entre a gente na época em que tudo aconteceu. Estávamos felizes, realizados, nos amando cada dia mais, eu ia pedi-la em casamento naquela noite. Foi um choque muito grande para mim, é come se viesse um furacão e destruísse minha vida perfeita em apenas algumas horas, e como numa tragédia natural, algumas coisas tem reparo, outras se perdem para sempre. E eu perdi o que me era mais precioso.
Não sei até quando vou viver assim, é como se eu estivesse em coma estando acordado. A Lilly não era a primeira mulher que se interessava por mim, mas eu não quis nenhuma delas, não pensei nem se quer na hipótese de considerar suas investidas. Mesmo depois de tanto tempo eu ainda era completamente dela.
Abri a gaveta do criado-mudo e tirei um porta-retratos de lá, tinha uma foto nossa do natal retrasado, ela estava tão linda naquele dia, usava um vestido azul e tinha os cabelos soltos, foi naquela noite que fizemos amor pela primeira vez.
Toda noite era isso, antes de conseguir dormir, eu ficava olhando para suas fotos, as coisas que ela deixou par atrás, seu quarto ainda estava intacto, tirando as coisas que ela levou. No armário do meu banheiro ainda tinha o seu perfume, e eu as vezes recorria a ele só para sentir seu cheiro.
Estava quase pegando no sono quando minha campainha tocou. Quem seria a uma hora dessas? Já passava da meia noite. Levantei vestindo uma calça de moletom e uma camiseta e fui atender a porta.
— Você? – perguntei confuso e com muita raiva ao encontrar a pessoa que eu menos queria ver na face da terra.
— Precisamos conversar. É importante, sobre a Bella. – disse entrando sem ser convidado.
— Você só pode ser muito cara de pau mesmo! – minha raiva já estava subindo pela cabeça, minhas mãos em punho.
— Eu não vim aqui para brigar. Preciso esclarecer as coisas, e você vai me ouvir. – disse me encarando como se mandasse em alguma coisa.
— Eu acho muito bom você sair da minha casa agora, aliás, como consegui subir? – já era quase uma da manhã e ele não tinha sido anunciado.
— Eu tenho meus meios. Mas agora vamos direto para o que interessa. Você precisa ir atrás dela. – ele disse na maior calma do mundo.
— Ir atrás dela? – eu estava com tanta raiva e tão confuso ao mesmo tempo.
— Sim, ela precisa de você Cullen, agora mais do que nunca. – disse essa última parte como quem lembrava de algo muito importante.
— Você só pode ter ficado louco Black! Como você entra na minha casa a uma hora dessas e me diz para ir atrás da mulher que você tirou de mim? – perguntei dando um passo em sua direção.
— Eu não tirei a Bella de você, é uma longa história, é melhor se sentar. – disse sentando no meu sofá. Esse cara estava pedindo para apanhar.
— Você deve estar orgulhoso do que fez, não é? Conseguiu o que queria. E não me mande sentar como se a casa fosse sua. – era só o que me faltava!
— Como quiser! Fique de pé então. E não, eu não consegui o que eu queria. A Bella nunca dormiu comigo. Foi tudo uma armação. – eu estava em choque. Não sabia se eu ria, se chorava ou se dava na cara desse desgraçado.
— Isso não é possível! Eu vi vocês dois na cama. Por que está inventando essas coisas agora? O que vai ganhar com isso? – eu queria acreditar que era verdade, queria acreditar que a Bella nunca havia me traído, mas era surreal demais para mim.
— Como você mesmo percebeu, eu tenho mais coisas a perder com isso do que a ganhar. Bem, para começar se a Bella tivesse algum caso comigo eu estaria com ela agora e não aqui dizendo para você ir atrás dela. – ele falou como se fosse obvio demais. Se isso fosse verdade, todo esse tempo separados... Eu perdi a Bella por... nada.
— Eu não entendo. Você está querendo dizer que armou para eu pensar que a Bella foi pra cama com você? – tentei esclarecer. Se ele confirmasse não sairia daqui vivo.
— Eu não disse isso. Não armei nada, apesar de a Bella pensar isso. Se você deixar eu falar posso te explicar exatamente o que aconteceu. – eu não tinha outra opção senão ouvi-lo.
— Então explique-se Black.
— Bem, o que aconteceu foi o seguinte: Quando você foi embora por causa do incêndio a Bella ficou muito preocupada e nervosa e eu fiquei fazendo companhia a ela na varanda durante a festa, a sua irmã e o namorado sumiram e então a festa acabou e você não apareceu, eu me ofereci para trazê-la, mas ela por causa da sua condição não estava se sentindo bem. Não sei se você lembra, mas havia um cara da escola das meninas tomando conta do bar, quando a Bella passou mal ele pegou um lanche para ela e depois foi embora. A gente lanchou, e eu fui procurar a chave do carro, e depois disso só me lembro de ter encontrado a Bella desmaiada no sofá e eu apaguei logo em seguida.
— Você sabe que isso não faz muito sentido. – eu não sabia se podia acreditar nele ou não. A imagem daquele dia ainda estava bem forte em minha memória.
— Até aí não, mas eu investiguei e descobri o que aconteceu naquela noite. – só aí reparei que ele tinha alguns papéis nas mãos.
— São exames meus e uma análise do suco que tomamos naquela noite. – ele me ofereceu os papéis.
— Você está querendo me dizer que foram dopados? – perguntei ao ler o nome de várias substâncias que eu não conhecia no papel.
— Exatamente. Tanto no meu organismo quanto no suco foi encontrado um mix de substâncias, o que a gente chama de “boa noite Cinderela”. Com certeza Riley batizou o suco. – ele explicou.
— Tá. O que eu estou tentando entender é porque ele faria isso. – as peças não se encaixavam. O que esse cara ganhou com isso? Quem era ele?
— Tenho certeza que ele não fez isso sozinho. Na realidade acho era só um peão no jogo. Você não pode pensar em alguém que quisesse você e a Bella separados? – perguntou.
— Além de você? – sério que ele precisava fazer essa pergunta?
— Tá. Eu confesso que torci muito para isso acontecer, mas não sou o tipo de pessoa que joga sujo. Sem falar que eu também fui prejudicado nessa história toda, já que a Bella nunca mais falou comigo depois daquele dia, ela pensa que eu armei para vocês se separarem. – pude ver um lampejo de tristeza em seu olhar quando mencionou a Bella.
— Então quem mais queria a gente separado? Será que tinha outro cara atrás da Bella e eu não sabia? – eu precisava encaixar essas peças. A verdade poderia significar minha salvação.
— Acredito que não, a Bella vivia grudada com a Alice e na escola não tinha muitos amigos homens. Acredito que a motivação de tudo isso pode ser você. – ele parecia suspeitar de alguma coisa.
— Eu?
— É o que parece. – ele confirmou. – Não deu nenhum fora numa garota que talvez seja um pouco desequilibrada enquanto estava com a Bella? – perguntou.
— Não. Quer dizer… só na Tanya, mas ela não faria isso. Era amiga da Bella. – não podia desconfiar da Tanya, ela podia ser meio louca as vezes, mas não jogava baixo.
— Sabe o que é estranho? O incêndio no restaurante. Parece estar tudo ligado de alguma forma. O incêndio foi criminoso, e aparentemente quem o provocou não queria fazer muito estrago, apenas chamar sua atenção para lá. – ele falava como quem entendesse do assunto.
— Como sabe que o incêndio foi criminoso? – perguntei.
— Saiu no jornal. Todo mundo sabe. – deu de ombros.
— Você tem razão. A pessoa que colocou fogo no restaurante esteve lá dentro, se quisesse poderia muito bem ter feito o lugar ir pelos ares, mas não o fez. – parecia até coisa de filme. Será que havia mesmo um vilão querendo me prejudicar?
— Eu tentei ir atrás do Riley, mas ele simplesmente sumiu, sem deixar rastro. Só ele poderia esclarecer quem fez isso. – falou com raiva. – Pense Cullen! Tem que ter alguém. Um desafeto talvez, alguém que não gostava da Bella.
— Merda! – como eu não havia pensado nisso antes? Depois que descobri da suposta traição, eu ignorei tudo que a Bella me disse. Como fui idiota!
— Lembrou de alguém? – Jacob perguntou.
— Talvez. Eu preciso tirar essa história a limpo agora. – olhei em volta tentando achar a chave do carro.
— Onde você vai? – o Black me olhou curioso.
— Vou esclarecer isso de uma vez por todas. Tudo que você me disse faz sentido, eu só preciso confirmar. – Disse achando a chave no aparador próximo a porta.
— É claro que faz sentido. É a verdade. – eu já ia me virando para a porta quando uma dúvida me ocorreu.
— Jacob, por só me contou isso agora? – se ele tivesse se manifestado antes muito sofrimento seria evitado.
— Eu esperava que você fosse atrás dela, se conhecesse a Bella de verdade saberia que ela jamais trairia você. – ele disse como se tivesse razão.
— Você não viu o que eu vi. Nunca esteve no meu lugar, não pode me dizer isso. – afirmei.
— Bem, isso nós nunca saberemos. Mas já que você não foi atrás dela antes, resolvi que precisava fazer alguma coisa, a Bella está praticamente sozinha, ela está sofrendo, e eu não podia permitir isso, você sabe que a amo. – ele explicou. Não era agradável ouvi-lo dizer que a amava, mas eu entendia, era impossível não amar.
— Érr... Obrigado. – era estranho dizer isso depois de tudo.
— Não tem que me agradecer, só vá atrás dela, por favor. O mais rápido possível. – ele pediu.
— Você fala como se soubesse de algo que eu desconheço. – observei.
— E eu sei. Mas não posso dizer, ela é quem tem que contar, se bem que pelo andar da carruagem acho que vai perceber assim que a vir. – agora ele tinha um sorriso no rosto como se tivesse lembrando de uma cena muito especial. – Agora vai, resolve logo o que tem que resolver e não deixe mais a Bella esperando, ela precisa de você.
***
O caminho até o apartamento dela foi mais curto do que costumava ser, talvez por ser madrugada e as ruas estarem desertas, ou talvez pela minha velocidade acima do limite. Assim que parei em sua porta toquei a campainha insistentemente.
— Já vai! – ouvi-a resmungar. E logo abriu a porta.
— Edward? O que aconteceu? – Victória perguntou surpresa.
— Oi, será que posso entrar? – perguntei tentando me manter controlado. – Preciso muito esclarecer uma coisa.
— Claro. Vem. – disse segurando minha mão e me levou até o sofá mais próximo. Nos sentamos ali.
— Vou ser direto. Sabe Vic, nós somos amigos a tanto tempo, e estamos sozinho, ultimamente eu tenho andado pensando, se... – isso ia ser difícil.
— Se... – ela incentivou.
— Eu pensei que talvez pudesse acontecer algo mais entre a gente, você sabe... – eu realmente não sabia como fazer isso.
— O que você quer dizer com algo mais? – ela havia entendido muito bem, porém quis confirmar.
— Você sabe o que eu quero dizer Victória. – tentei sorrir um pouco para ver se ajudava.
— Você está dizendo que gosta de mim? Como mulher? – meu estômago gelou quando ela se aproximou mais de mim.
— Acho que sim. Mas eu quero saber o que você acha disso Vic. – disse olhando em seus olhos. Seu sorriso aumentou mais ainda.
— Sabe Ed... – sua voz ficou melosa. Meu estômago embrulhou. – Eu esperei tempo demais por esse dia, o dia que você ia perceber que eu era a mulher certa pra você, você perdeu tempo demais com aquela pirralha traíra, mas agora tudo está como deveria. – e ela foi se aproximando. E isso era demais para mim.
— Espera Vic. – disse me levantando. E virando de costas.
— O que foi? – ela perguntou confusa.
— A quanto tempo você... gosta de mim? – perguntei. A cada minuto eu sentia mais raiva de mim. Como pude ser tão tapado.
— Desde que eu te conheci. Percebi que éramos perfeitos juntos. – ela me abraçou por trás. Meu corpo enrijeceu.
— E por que você nunca me falou? – quis saber.
— Você nunca demonstrou interesse. Sabe é meio lento para sacar as coisas. – ela brincou.
— Sou lento até demais. – resmunguei.
— Mas agora isso não importa querido, vamos recuperar todo o tempo perdido. – ela beijou meu pescoço me fazendo arrepiar, mas não foi um arrepio bom.
— Sabe Vic, a imagem dessa mulher que fica esperando ser notada não combina muito com você. – comentei. Eu já tinha certeza, mas precisava ouvir as palavras.
— Acredite, eu não fiquei esperando. – ela riu.
— Como assim? – esperava que anestesiada pela alegria de conseguir o que queria, ela revelasse algumas coisas.
— Digamos que eu apenas, fui tirando alguns obstáculos do meu caminho. – ela me virou e olhou nos meus olhos. – Depois foi só questão de tempo para você perceber que no fundo me amava e que eu era a mulher certa pra você. – seu sorriso era radiante.
— Obstáculos... sei.
— Esquece isso. Acho que temos coisas mais interessantes pra fazer agora. – suas mãos foram para meus cabelos.
— A Bella era um obstáculo para você? – perguntei subitamente. Seu sorriso murchou quando mencionei o nome da Bella.
— Por que quer saber disso agora? – ela parecia irritada. – Aquela fedelha nunca foi mulher o suficiente para você, e nem soube te valorizar como deveria. Deu para outro na primeira oportunidade. Não vamos estragar a nossa noite lembrando dessas coisas desagradáveis e insignificantes.
— Eu sei. Mas eu não consigo entender porque ela fez isso comigo. Se eu tivesse enxergado antes... – joguei a isca.
— Mas o importante é que você viu, a viu na cama com aquele cara, abraçadinhos como um casal apaixonado, entregue ao sono dos amantes, as roupas espalhadas no chão e tudo mais. Bendito dia em que você entrou naquele apartamento e descobriu a verdade! – ela disse se aproximando. Trazendo sua mão para o meu rosto. – Eu te falei que não podia confiar nela. Mas já passou. Ela perdeu e agora você está aqui comigo. Agora que tal pararmos de conversas desagradáveis e você me beijar? – dei um passo para trás tirando suas mãos de mim.
— O que foi meu anjo? – perguntou confusa.
— Não. Me. Chame. Assim. – falei pausadamente. Só a minha Bella me chamava assim. – Sabe Victória, quando você reapareceu depois de sumir sem dar explicações e me procurou, eu apenas te disse que a Bella havia me traído, não falei as condições em que isso aconteceu. – seu rosto agora estava paralisado.
— Não estou entendendo. – ela se fingiu de boba.
— Você acabou de confessar sua culpa. – disse dando mais um passo para trás.
— Culpa? Que culpa meu amor? – ela se aproximou.
— Não se faça de boba Victória! Você acha mesmo que eu ia querer alguma coisa com você? – eu nunca senti tanta vontade de bater numa mulher antes. Mas eu jamais faria isso, não me igualaria a ela em caráter.
— O que você está dizendo? Você veio até aqui. Disse que me queria! Por que está falando assim agora? É por causa daquela vadia?! Esquece ela Edward, eu já tirei ela do nosso caminho!
— E isso é tudo que eu queria saber! – disse incrédulo. – Como você pode descer tão baixo?
— Edward, por favor, para com isso! – Você me quer... você me quer... – ela perdeu toda sua pose ficando descontrolada.
— Não. Eu não quero. – respondi me afastando ainda mais. – Você foi a pessoa que eu mais confiei durante muito tempo, eu fui seu amigo, te dei todo carinho do mundo, e você só fodeu com a minha vida! – eu olhava para ela com um misto de ódio e pena. Como uma pessoa pode descer tão baixo?
— Você não sabe o que você está falando meu amor. – agora ela estava aos prantos. E por incrível que pareça não era fingimento. Ela parecia doentia.
— Eu não sou seu amor. Você está doente Victória! Louca! Como você pode destruir minha vida dessa maneira por que acha que sente algo por mim? – se seu plano não tive dado certo até onde essa mulher iria? Precisava sair dali. Não aguentava mais olhar para cara de Victória e saber de tudo que fez, colou fogo no meu restaurante, armou para eu pensar que a Bella havia me traído. Ah meu Deus! Bella! O Black tinha razão, eu tinha que ir atrás dela, não ia perder nem mais um segundo aqui.
— Edward! Espera. – ainda ouvi a Victória me gritando quando sai porta a fora. Mas não olhei para trás, não desperdiçaria nem mais um segundo longe do amor da minha vida.
Bella meu amor por favor me queira de volta...
*POV BELLA*
— Então Bella, como tem se sentido na última semana? – a Dra. Kim me perguntou assim que eu entrei no consultório.
— Praticamente não consigo me mover sem ajuda. Estou tão inchada que há horas que eu penso que vou estourar, sem falar das dores nas pernas e nas costas. – desabafei. A doutora riu.
— Sei bem como é isso. Também me senti assim no fim das minhas gestações. – Dra. Kim era minha obstetra, uma mulher simpática quase nos seus quarenta anos, mas que aparentava trinta, tinha quatro filhos. Ela vem cuidando da minha gravidez desde que me mudei para Nova York. E faria o parto do meu bebê.
— Será que ainda vai demorar muito? – perguntei ansiosa.
— Bem, você já completou os nove meses, você e a criança estão saudáveis. Hoje vamos fazer a última ultrassonografia para ver se ele já está na posição correta para um parto normal. – algum tempo depois eu estava na maca e Kim passava o aparelho de ultrassom na minha barriga imensa. Eu já havia escutado o coraçãozinho do meu menino algumas vezes, sim no quinto mês descobri que seria mãe de um garotinho, eu não tinha preferência quanto ao sexo, mas saber que eu teria uma miniatura dele mexia muito comigo.
— E então? – perguntei para a doutora que olhava atentamente a tela onde eu já conseguia identificar meu bebezinho.
— Tudo certo. Como você pode ver, aqui esta a cabecinha dele, já na posição correta para nascer por parto normal. – ela disse apontando para a parte redonda na parte debaixo da tela.
— E agora o que eu tenho que fazer? – perguntei.
— Esperar. – disse limpando gel da minha barriga. – Ele pode nascer a qualquer momento, mas pelos exames que eu realizei acredito que não seja hoje, você ainda não está com nenhuma dilatação.
— Ai meu Deus! Não sei se estou preparada, já me acostumei com ele aqui dentro. – disse me sentando e acariciando a barriga. Dra. Kim riu.
— Normal você se sentir assim, mas pense pelo lado bom, você vai ter seu bebê nos braços. E acredite, nenhuma sensação no mundo se compara a isso.
— Imagino, já o amo estando aqui dentro, imagine quando eu puder ver o rostinho do meu filho, sentir o cheirinho dele... – eu estava louca para esse dia chegar, mas, ao mesmo tempo, assustada. Criar uma criança sozinha com certeza seria complicado. Mas eu ia ser tudo que o meu filho precisava.
— Então, já escolheu o nome? – ela perguntou. Ultimamente todo mundo tem me feito essa pergunta. A resposta era sempre não. Mas ontem a noite eu tinha tomado uma decisão.
— Sim. Edward.
***
Esses últimos meses têm sido os mais difíceis da minha vida. Depois da armação do Jacob, Edward ficou completamente diferente. Tudo o que existiu entre a gente ruiu. Ele simplesmente me evitava a todo custo, por algumas vezes eu até tentei contar com detalhes tudo que aconteceu, pra ver se ele conseguia acreditar em mim, entender que foi tudo um plano sujo para nos separar. Mas sempre que eu tentava ele arranjava uma forma de sair de perto, me dizia que não importava, que acabou, e que nada que eu dissesse mudaria o que ele viu. Por diversas vezes me deixava falando sozinha, e simplesmente saía ou se trancava no quarto dele.
Desesperada e sem saber o que fazer contei tudo o que eu me lembrava a Alice, ela, ao contrário de mim, não se desesperou, disse que o que o Jacob havia feito era crime e que eu deveria ir na polícia, e que, talvez, isso fizesse o Edward me ouvir. Mas eu não consegui fazer isso, algo me dizia que eu pioraria a situação se o fizesse.
Jacob não parou de me ligar por pelo menos uma semana depois do ocorrido, e, como desgraça pouca é bobagem, numa dessas vezes Edward viu o celular tocando com o nome do Jacob piscando no visor, naquele dia ele me lançou o sorriso mais frio que eu já vira na vida. Alice logo foi para Paris, e eu estava sozinha em Londres. E depois do episódio do celular o Edward passou a fingir que eu não existia, dormiu três noites fora de casa naquela primeira semana, despedaçando ainda mais meu coração. A família dele, percebeu que havia alguma coisa de errado entre a gente, e surgiram perguntas de todos os lados. Mas não falei nada com ninguém, nessas horas eu apenas chorava.
Houve um momento em que eu não aguentei mais. O homem que eu amava achava que eu o tinha traído e me desprezava, minha melhor amiga estava em outro país, ainda que perto, e meu melhor amigo tinha sido o causador de toda minha desgraça. Eu não vi outra alternativa, apenas adiantei a separação definitiva.
#Flash Back On#
Minhas malas estavam arrumadas, não eram muitas, não me preocupei em levar tudo o que a Alice me obrigou a comprar nesses quase um ano que eu morei aqui. Só queria o suficiente para sair dali rápido, e se eu pudesse evitaria a despedida, mas o destino é cruel e irônico. Quando decidi adiantar minha ida a Nova York me esqueci de um detalhe importante, que me foi lembrado assim que eu tentei agendar minha passagem: eu ainda era menor de idade e por isso precisava da autorização do meu tutor para viajar.
Fiquei sentada no sofá da sala por algumas horas, minhas malas ao lado da porta, na mesa de centro a minha frente, um papel e uma caneta esperavam por ele. No meu amago ainda tinha um resquício de esperança de que ele me negaria a autorização para viajar, me proibiria de sair da sua casa, do seu lado, me pegaria nos braços e me faria sua como da última vez. Não custava nada sonhar...
Eram quase 22h00min quando ele chegou em casa, meu coração disparou ao ver a maçaneta mexendo. Sua primeira reação foi choque, ainda com a mão na maçaneta e com a porta aberta, Edward encarava minhas malas, depois ele olhou pra mim, e eu pude ver claramente a dor atravessar sua face, mas ele logo se recompôs, e colocou a mascara fria que usava ultimamente. Apenas me encarou sem dizer uma só palavra. Se ele soubesse o quando esse olhar gélido me feria...
— Eu preciso que assine isso. – falei sem rodeios. Não podia prolongar mais essa dolorosa situação. Ele continuou parado. – É uma autorização, para eu poder viajar. Se não fosse preciso eu não pediria, mas isso aqui já está insuportável para nós dois. Preciso ir embora. – as palavras saiam emboladas. Lentamente ele caminhou em minha direção. “Por favor anjo, pegue-me em seus braços e não nos deixe ir a lugar nenhum!”desejei mentalmente. Mas ele apenas alcançou o papel e o assinou.
Foi impossível conter as lágrimas naquele instante, e eu chorei vergonhosamente. Então, ele me abraçou.
— Apesar de tudo, não esqueci da promessa. Continuarei cuidando de você. – sussurrou em meu ouvido. E da mesma forma inesperada que o abraço veio, ele se foi.
# Flash Back Off #
Aquela foi a última vez que eu vi Edward, que ouvi a voz dele, que senti seu cheiro...
Horas depois eu já estava no avião vindo pra cá, a caminho do que um dia havia sido meu sonho e que hoje só significava uma dolorosa saudade.
As únicas notícias que eu tinha dele eram através de algumas ligações e conversas com a Alie, mas com o tempo ela foi parando de dizer, não se conformava com a nossa separação. E com isso as ligações foram ficando mais escassas da minha parte, era muito difícil esconder a gravidez da Alice, sentia que uma hora ou outra ia escapar, e se ela descobrisse contaria para ele. E eu estaria perdida. Havia também as movimentações em minha conta bancária. Com o dinheiro reservado para a universidade que meus pais haviam deixado e tendo apartamento próprio, eu conseguiria pagar metade do curso e nos manter sem precisar trabalhar, pelo menos até meu filho completar um ano. Mas apesar de eu ter completado dezoito anos alguns dias depois de ter saído de Londres e dele não ter mais nenhuma responsabilidade sobre mim, ele ainda depositava uma quantia significativa na minha conta todos os meses. Talvez tenha sido isso que ele quis dizer quando falou que cuidaria de mim. Mas de todas as formas que ele podia fazer isso, a ajuda financeira era a que eu menos precisava.
Minha única companhia em Nova York eram a Ângela e o Ben. A Ang como eu sempre sonhou em vir a estudar em Nova York, e como a excelente violinista que era, cursava música em Julliard. O Ben também estudava em Columbia, fazia jornalismo assim como eu. Eles foram essenciais para eu conseguir me manter de pé. Eles e meu pequeno anjinho.
Ângela sempre que tinha oportunidade me dizia que era loucura eu não ter contado ao Edward sobre o nosso bebê. Mas apesar de concordar com ela ás vezes, sabia que tinha sido o certo a se fazer. Duas coisas poderiam acontecer se eu contasse ao Edward sobre a gravidez. Primeiramente, tinha certeza de que assim que eu contasse ele duvidaria da sua paternidade, pois ele acreditava que eu o havia traído, logo, essa seria a lógica de qualquer pessoa. Mas isso seria facilmente resolvido com um exame de DNA. Então aconteceria a segunda coisa, Edward fora criado os primeiros anos da sua vida longe do pai, com certeza não iria querer que seu filho passasse por isso, e isso nos levaria a um relacionamento puramente de aparências. Ele me aceitaria de volta por causa da criança, e apesar do amor que sentíamos um pelo outro, nossa relação estaria fadada ao fracasso, com o risco de todo amor que ele sentia por mim ser transformado em raiva, em ódio, por se sentir preso a uma mulher na qual ele não confia. Eu não negaria, mas também não aguentaria essa situação e seria apenas mais uma dessas mulheres amarguradas, por saber que o homem que ela ama se sente preso a ela por causa de um filho.
Eu havia feito a escolha certa. Se algum dia o Edward me desse a oportunidade de explicar o que aconteceu, e me aceitasse de volta, seria por mim, por vontade própria e não por uma obrigação. Sei que não é justo eu privá-lo da convivência com o filho, mas no momento eu não encontrei outra alternativa. Rezava todas as noites para que minha história fosse parecida com a da Esme, nem que se passassem anos, mas que ficasse com o amor da minha vida novamente. Meu maior sonho nesse momento era ter minha família unida.
***
Cinco dias se passaram desde que eu fiz minha última ultra, já estava tudo certo pro meu pequeno anjo nascer, todas as coisas arrumadas, eu apenas esperava. Estava muito ansiosa e particularmente hoje me sentindo muito estranha.
Ang estava morando aqui comigo no último mês, ela e o Ben dividiam um apartamento praticamento do outro lado da cidade, mas quando eu entrei no último mês de gestação ela disse que eu não poderia mais ficar sozinha, e veio passar um tempo comigo, trazendo o Ben junto, é claro. Apesar de estarem de férias na faculdade interromperam um plano de viajem, justamente porque minha amiga quer estar ao meu lado quando o bebê nascer. E eu não sei o que seria de mim sem ela.
Eu tranquei a faculdade quando terminei o primeiro semestre, e só voltaria daqui a seis meses quando o meu filho estivesse maiorzinho. Esses eram os únicos planos que eu havia feito pro futuro, planejar uma vida onde só tivesse eu e meu pequeno, “sozinhos”, me assustava, eu estava vivendo um dia de cada vez.
— Bella, você tem certeza de que vai ficar bem? Estou sentindo que você está muito agitada hoje. – Ang quis conferir pela milésima vez.
— É normal ficar agitada quando alguém não para de perguntar como você está se sentindo a cada dois minutos. Pode sair tranquila, nós vamos ficar bem. – disse acariciando minha enorme barriga, sentada no sofá da sala. Há muito eu já não conseguia ficar mais que alguns minutos de pé.
— Ok. Mas prometo que não vou demorar. – ela disse mais uma vez.
— Ângela vai logo, antes que eu te expulse daqui a ponta pés! O Ben já foi tirar o carro da garagem a quase quinze minutos já deve estar impaciente. – hoje era aniversário de três anos de namoro deles e a louca da minha amiga não queria sair para comemorar por minha causa, vê se pode!
— Ai meu Deus! O Ben! Me esqueci dele. Ah, ele vai me matar! – saiu correndo porta a fora. Mas não sem gritar recomendações até entrar no elevador. Essa menina era tão louca quanto a Alice. Ao lembrar da Alie sorri, ontem ela havia me ligado e disse que o Jasper finalmente conseguiu a transferência para Paris, muito por conta dos últimos atentados e que depois das férias de primavera voltariam juntos para França. Pelo menos as coisas estavam dando certo para ela.
— Ai. – resmunguei ao sentir mais uma fisgada na parte debaixo da barriga, elas começaram nos últimos dias, mas estavam mais constantes hoje. Na verdade nas últimas horas estavam quase insuportáveis, mas eu tentei disfarçar o máximo possível pra não estragar a noite dos meus amigos. Mas iria passar, eu estava muito ansiosa nos últimos dias e pensando em muitos assuntos muito dolorosos pra mim.
Passou-se uma hora desde que a Ângela e o Ben saíram, e as fisgadas apareciam com um intervalo bem menor, quase nenhum tempo ente uma e outra. Assustada procurei meu celular pelo sofá, precisava ligar urgente para a doutora Kim, ao que tudo indicava meu pequeno anjinho queria nascer. Assim que conseguir alcançar o aparelho percebi que estava descarregado, com um resmungo me esforcei o máximo para me levantar do sofá e ir atrás do carregador. Ao conseguir chegar no quarto com muita dificuldade alcancei a fonte, e aproveitei para pegar a bolsa com as nossas coisas para levar para a maternidade. Foi difícil voltar para a sala, assim que conectei o celular na tomada para poder chamar uma ambulância ouço a campainha tocar, me escorando nos móveis me encaminhei lentamente até a porta, para atender a pessoa que tinha o dedo grudado na minha campainha, como se soubesse que eu precisava de ajuda. Talvez Deus tivesse me enviado um anjo. E assim que abri a porta tive certeza disso, era como se eu já tivesse vivido esse momento antes.
Senti um líquido escorrendo por minhas pernas.
Fale com o autor