Anjo Protetor
12 A ex-namorada.
Notas iniciais
*POV BELLA*
Eu nunca pensei que um dia pudesse me apaixonar e viver um romance, e isso era mil vezes melhor do que eu imaginava. Ler sobre uma coisa ou assisti-la de fora é completamente diferente de vivê-la. Eu achei que estava completamente apaixonada pelo Edward, eu estava errada. Eu não estava completamente apaixonada por ele, apaixonada sim, mas não completamente, por que não existia esse negocio de estar completo, o amor não é um recipiente que você enche até o limite e pronto. Ele é infinito, a cada dia ao lado da pessoa ele cresce mais, e mais, e mais…
O amor é algo mágico que a cada dia aumenta, ele não tem dimensões fixas, é imensurável. Eu estava a cada dia mais apaixonada pelo Edward e parecia que era impossível amar alguém mais que isso, mas eu sempre me surpreendia, a cada novo gesto ou simples palavra eu o amava mais, eu não havia dito com todas as palavras isso a ele ainda; sei lá acho que iria assusta-lo, faz tão pouco tempo, apenas uma semana que estamos juntos, tudo bem que parece que se passaram anos, mas é apenas uma semana.
A gente é tão parecido, gostávamos das mesmas coisas, parece que fomos feitos um para o outro, a única coisa ruim é não poder contar pra ninguém, tirando isso esta tudo perfeito. Alice com certeza havia percebido a minha mudança de humor, e fazia algumas piadinhas maliciosas, mas eu as ignorava, ela era minha melhor amiga e era chato não poder dizer nada a ela. Lembrar da Alice me fazia lembrar da Ang, eu estava em falta com ela, não liguei pra ela desde que cheguei a Londres, e isso já fazia quase dois meses, quando vim pra Londres eu troquei de celular, a Ang não tinha esse novo numero, então só eu podia ligar pra ela, que espécie de amiga eu era? Coitada da Angela, ela era uma pessoa muito boa e adorava ajudar as pessoas, ela devia estar muito preocupada comigo. Vou ligar pra ela depois do banho. Eu tinha acabado de chegar da escola, já tinha almoçado com a Alice lá mesmo, nada comparado a comida do Ed, aliás, eu estou ficando mal acostumada, mas a comida da escola dava pra alimentar.
Peguei minha roupa no closet e entrei no banho, nossa, o tempo tinha esfriado bastante, só percebi que estava com tanto frio, quando entrei debaixo da água quente. Nem dava vontade de sair debaixo do chuveiro. Depois de meia hora tomando coragem pra sair debaixo da água quentinha, eu finalmente sai do meu banho. Vesti minhas roupas intimas, eu ouvi a campainha tocar, por que será que o porteiro não interfonou? Devia ser a Alice, mas ela tinha a chave. Deve ser alguém da família para o porteiro ter deixado subir direto. A campainha tocou mais uma vez, me apressei em terminar de vestir meu short peguei a blusa de moletom de manga comprida do Ed e vesti, eu tinha essa mania de usar as camisas dele, isso desde antes da gente começar a namorar; não sei por que mais as blusas de homem sempre são mais confortáveis pra se usar em casa, ainda mais com o cheiro do Edward. A pessoa que tocava a campainha parecia desesperada, eu fiquei preocupada, corri e abri logo a porta antes que a pessoa ficasse com cãibra no dedo. Do outro lado da porta estava uma mulher loira com aparência de uma modelo, bem eu diria que ela era modelo se ela não estivesse vestida toda de branco, com certeza ela era médica, ou enfermeira, sei lá, mas pelas olheiras tinha acabado de sair de um plantão; segurando a mão da mulher havia uma garotinha, também loira, com os cabelos lisos e compridos até a cintura, muito branquinha com uma aparência frágil, devia ter no máximo uns oito anos.
– Pois não. — falei. A mulher me encarava, com a expressão confusa.
– Er… oi, por a caso o Edward se mudou e não me avisou? — ela perguntou.
– Não, o Edward ainda mora aqui, mas ele não esta. — respondi.
– E você é? — ela perguntou.
– Bella. — estendi a mão pra ela.
– Hum, então Bella… será que ele vai demorar muito?- ela parecia ainda mais confusa, a garotinha olhava pra ela impaciente.
– Ele já deve esta chegando, se quiser entrar e esperar… — ofereci. O que será que essa mulher queria com o Ed?
– Claro. — ela disse entrando. — A proposito eu sou Tanya. — ela falou. Eu me lembrei imediatamente aonde tinha ouvido esse nome. Ela era a ex-namorada do Edward, ele falou dela, naquela noite em que vimos Cartas para Julieta, no dia que eu saí do meu estado zumbi. O que será que ela queria aqui? Quem será que era a menina, era muito parecida com ela, será que era filha? — E essa é a minha irmãzinha Kate. — ela respondeu come se tivesse lido os meus pensamentos.
– Oi Kate. — eu sorri para a garota.
– Oi. — ela retribuiu o sorriso. E me olhava com curiosidade. Tinha algo diferente na garota, eu não sabia dizer o que.
– Nossa! — a Tanya falou. — Ela não fala com quase ninguém. E falou com você logo de primeira. — ela pareceu feliz com esse detalhe. Eu apenas sorri. Não estava confortável com essa mulher aqui. Ela era muito bonita, e em pensar que ela era namorada do Ed, eu me sentia bem pra baixo, eu não chegava nem aos pés dessa mulher. — Então Bella, eu nunca te vi aqui antes, nem na casa dos Cullen, você é exatamente o que do Edward? — ela foi bem direta em.
– O Edward é meu tutor. — eu queria era dizer “EU SOU A NAMORADA DO EDWARD”, mas infelizmente essa verdade não poderia ser revelada por enquanto.
– Tutor? Por quê? — ela perguntou confusa.
– É uma longa história, não quer se sentar? — não era uma longa história só não estava a fim de falar nisso. E tudo bem que eu não estava confortável com a presença dela aqui, mas eu tinha que ser educada.
– Claro. — ela se sentou no sofá, a menina sentou em seu colo. Dava pra ver que ela gostava muito da irmã.
– Quer um suco, um chá, alguma coisa? — perguntei.
– Só uma água pra Kate, se puder por num copo plástico eu agradeço. — ela pediu. Eu fui até a cozinha e peguei a água para menina, entreguei o copo a Tanya que agradeceu e deu nas mãos da pequena Kate. — Vamos beba tudo, tem que ficar bem hidratada. — após dar a água para garotinha ela se virou pra mim. — E então, como veio parar aqui Bella, por que o Edward é o seu tutor? — E lá vamos nós…
– Meu pai era padrinho do Edward, e ele e minha mãe morreram em um acidente de carro a uns dois meses atrás, os dois eram filhos únicos e meus avós já são falecidos, então a pessoa mais próxima da minha família era o Edward, e meu pai deixou isso em testamento, pediu que Edward cuidasse de mim até eu completar dezoito anos, faltam apenas alguns meses. — eu queria parecer mais velha o possível. Não que isso fosse mudar alguma coisa, mas eu me sentia muito insegura perto dela.
– Eu sinto muito pelos seus pais. — ela pareceu realmente sentida, eu já tinha ouvido isso muitas vezes desde que meus pais se foram, mas vindo dela parecia ser mais sincero, sei lá. — Eu sei bem o que é isso, meus pais também morreram, eles estavam vindo da maternidade quando a Kate nasceu, e um caminhão desgovernado bateu no carro deles, só a Kate sobreviveu. — ela apertou a irmã conta seu peito e lhe deu um beijo na cabeça. — Acho que foi um milagre, ela tinha apenas dias de vida, e escapou ilesa, bem ou quase ilesa, ela desenvolveu uma espécie de autismo, mas os médicos não sabem dizer se foi pelo acidente, ou se ela desenvolveria de qualquer maneira. Sorte que eu tinha uma tia, a tia Carmem nos amparou, mas eu tive que aprender a ser responsável muito cedo, pois a minha tia tinha a família dela e eu não queria atrapalhar. Eu criei a Kate fiz faculdade de medicina ao mesmo tempo, mas aqui estamos nós. — disse olhando pra menina. — Me formei esse ano, sou pediatra. Bem, eu só queria dizer que apesar de tudo que sei que deve esta passando, você vai vencer, tudo vai dar certo, ainda mais com uma pessoa maravilhosa como o Edward te ajudando. — ela me pareceu bem sincera, não sei por que não tinha mais insegurança em relação a ela, ela parecia ser uma boa pessoa, apesar de ter sido namorada do meu Ed.
– Nossa, sua história é tão triste quanto a minha. — disse.
– É verdade, mas pense pelo lado bom, você não foi abandonada pelo homem que você ama, eu fui, e vou te contar isso dói. — ela disse triste. Claramente estava falando do Edward. Bem, eu não sei se deveria, mas apesar dela ser boazinha e tudo eu não conseguir ficar com pena dela, afinal de contas o Edward esta comigo, e disse que esta apaixonado por mim, eu gostaria muito que ele me amasse, eu não sei se ele sente isso, mas seria a pessoa mais feliz do universo se ele sentisse.
– É, eu realmente não sei o que é isso, nem gostaria de saber. — falei.
– Sabe, o melhor é não se apaixonar. Não sei se o Edward já falou de mim, mas eu sou ex-namorada dele, e ele anda me evitando, mas a Kate insistiu muito pra vim aqui, ela é muito apegada a ele. Ele é uma pessoa ótima apesar de me fazer sofrer. — eu acho que minha cara de assustada não foi nada discreta.
– Por que ele te fez sofrer? Te traiu? — eu não pude evitar essa pergunta.
– Não que eu saiba, acho que ele não seria capaz disso. Ele me fez sofrer por não corresponder ao meu amor. Não que ele seja culpado, mas ele é muito sonhador sabe? — fiquei aliviada, não que eu desconfiasse do Ed, mas as vezes é mas forte que eu, perto dele eu sou apenas uma adolescente sem graça. Mas o que será que ela quis com sonhador?
– O que você quis dizer com sonhador? — perguntei.
– Ele queria encontrar a mulher da vida dele, e sentir aquela paixão avassaladora dos livros e cinema. Eu tentei proporcionar isso a ele, mas não deu, a gente se dava bem, mas não parecia que ia chegar a algum lugar, ele não parecia querer se casar, ou formar uma família, e eu sabia que isso era um sonho dele. Mas ele parecia não querer isso comigo, e eu comecei a ficar insegura e histérica, e eu sei que foi isso que fez terminar comigo, talvez se eu tivesse sido um pouco mais paciente… — ela pareceu perdida em pensamentos, mas dava pra ver claramente que ela ainda tinha esperanças de reconquistar o Edward. E lá vem a insegurança de novo. Ela era bonita, médica, tinha uma irmãzinha adorável e eu sabia que o Ed gostava de crianças, com ela ele não precisaria esconder nada, pois ele era maior de idade. Tem como não se sentir ameaçada diante disso?
– Kate quer ver o tio Edward. — a garotinha falou depois de tanto tempo calada.
– Ele já deve esta chegando querida. — Tanya disse. Eu queria saber que reação ele teria ao chegar aqui e encontrar a Tanya. Eu não precisei esperar muito, logo ouvir a porta sendo aberta.
– Bella, eu já falei pra você não deixar a porta aberta, é perigoso. — ele disse ainda de costas trancando a porta.
– Sempre super protetor, não muda nunca não é Edward?! — a Tanya disse. Ele se virou assustado, olhou de mim pra Tanya com cara de preocupado, mas logo foi surpreendido pela menina que correu e pulou em seus braços. — Ela queria te ver. — Tanya disse.
Ela era uma criança de poucas palavras devido ao sua condição especial, mas com Edward, ela era falante e prestava atenção em tudo o que ele falava. Ver Edward interagindo com a menina, me fez pensar no futuro, será que um dia nós dois teríamos a nossa família? Sorri com o pensamento de um filho meu e de Edward.
– Torta de morango. — a menina disse a ele depois de um tempo eu e Tanya apenas observávamos tudo do sofá. Ele e a pequena estavam no tapete da sala, brincando com o quebra cabeça que ela trouxe.
– Você quer? — ele perguntou. Ela acenou com a cabeça. — Tudo bem, o tio vai fazer pra você. — ele levantou. — Kate por que você não mostra seu quebra-cabeça à tia Bella em? — ele perguntou a garota, ele mal tinha olhado pra mim desde a hora que chegou, sua atenção completamente voltada para a menina. Kate sorriu pra mim e me fez sinal com a mãozinha para que eu me sentasse perto dela no tapete. Eu o fiz. O Edward se afastou indo em direção a cozinha.
– Edward será que a gente pode conversar? — Tanya perguntou se levantando também.
– Vem comigo até a cozinha. — eu senti seu olhar em mim, mas não me virei, continuei brincando com a Kate, ouvi os dois se afastarem.
Não fazia muito tempo que eles estavam lá, mas eu não pude controlar a minha curiosidade, eu estava ajudando a Kate a montar o quebra-cabeça, mas minha atenção estava voltada para a cozinha, atenta a qualquer ruído, eu queria ser uma mosquinha pra saber o que eles estavam conversando, com certeza a Tanya queria o Edward de volta, mas e ele? Será que queria isso também?
Logo a Tanya voltou pra sala, ela se juntou a mim e a Kate, ela estava quieta, como se segurasse o choro. Sinal de que a conversa não tinha sido muito boa. Eu não queria me sentir feliz com isso, mas era inevitável. Pouco tempo depois o Edward votou pra sala e nos serviu com a sua deliciosa torta de morango, eu já havia experimentado antes, mas me surpreendia a cada pedaço que comia, o Edward simplesmente fazia a melhor torta de morango do mundo, na verdade tudo que ele fazia era maravilhoso, eu comi três pedaços da torta. Ele estava numa conversa animada com a Kate e a ajudava a comer a dela, a Tanya permanecia quieta. Eu podia sentir o olhar do Edward em mim, era como se uma onda de calor estivesse me atingindo, algo magnético sei lá.
– Acho melhor irmos pra casa pequena. — Tanya disse depois de um tempo. A menina abraçou Edward e em seguida me abraçou também. — Ela gostou mesmo de você em. — a Tanya não parecia a mesma pessoa que chegou aqui, agora era estava um pouco abatida.
– Tchau princesa. — Edward falou dando um beijo na bochecha da Kate. Ela apenas sorriu, acho que ela tinha percebido a mudança na irmã, pois estava mais calada.
– Tchau Bella, foi muito bom te conhecer a gente se ver por ai. Tchau Edward. — Tanya
– Também foi bom te conhecer. Tchau pequena Kate. — me despedi da garota.
– Tchau. Eu levo vocês até a porta. — ele abriu a porta pra elas saírem. Quando elas entraram no elevador ele fechou a porta e veio se sentar ao meu lado. — Isso foi estranho. — ele comentou serio.
– É. — respondi.
– O que vocês estavam falando antes de eu chegar? — ele quis saber.
– Ela estava me contando a história dela. — respondi.
– É parecida com a sua. — ele falou.
– É. Ela disse que te ama. — falei. Ele olhou pra mim.
– É ela me disse isso na cozinha também. — ele falou como se isso não tivesse a mínima importância.
– E você disse o que a ela? — a curiosidade falou mais alto.
– Que eu estava apaixonado por outra pessoa. — respondeu me olhando intensamente.
– Hum… essa é uma garota de sorte. — respondi sorrindo.
– É mesmo?! — ele disse se aproximando de mim, sua mão foi para os meus cabelos, minha cabeça tombou para o lado. Seus lábios roçaram no meu pescoço, eu me arrepiei, ele riu. Segundos depois nos beijávamos intensamente.
*POV TANYA*
Será que eu havia perdido de vez? Ele nunca me olhou daquela forma. Eu sinceramente não sabia onde tinha errado, talvez tenha sido muito intensa ou talvez tenha sido por que o pressionei demais. As coisas na minha vida sempre foram muito difíceis, quem me vê hoje pode até pensar que sou uma patricinha, fútil, mas minha vida não foi nada fácil. Às vezes me diziam que eu me achava melhor que os outros, até o Edward já falou isso, mas na verdade era mais um mecanismo de defesa, eu não podia ser fraca, tinha a Kate, e ela dependia exclusivamente de mim, eu tinha que me mostrar superior, não que eu fosse, mas não podia deixar as pessoas me magoarem, a não ser pelo Edward é claro. Com ele minhas defesas ruíam, e eu faria simplesmente o que ele me pedisse, qualquer coisa, a única coisa que eu não abriria mão por ele nessa vida era a Kate, mas ele nunca me pediria uma coisa dessas, ele simplesmente ama a Kate. Até minha bonequinha tinha ganhado o coração do Edward, por que eu não?
Nos conhecemos numa festa de fim de ano da clinica de Carlisle, foi no ano que eu comecei a fazer minha residência lá. Ele estava na cozinha como sempre e eu sem querer derramei vinho no meu vestido, eu fui até lá tentar tirar a mancha e ele me ajudou. Ele sempre foi um cavalheiro, lindo, e ainda cozinhava bem, impossível não se apaixonar. Depois daquele dia nos saímos algumas vezes e começamos a namorar, no começo ele era muito intenso, e passava a maior parte do tempo que tinha livre comigo, mas depois ele pareceu desistir de alguma coisa sei lá. Ele me tratava mais como uma amiga que namorada, quase não nos víamos, e quando nos víamos tudo se resumia a sexo, e eu aproveitava o máximo que podia, mas passou a não ser suficiente. Pra piorar tudo ainda tinha aquela vaca Victória, se dizia melhor amiga dele, mas no fundo queria era ser dona. Ela era louca por ele, eu não a culpava por isso, mas ela jogava sujo, eu confesso que era ciumenta, mas ela provocava demais. Era Ed pra cá Ed pra lá, ele odeia que o chamem assim, e reclamava com ela, mas ela nem ligava, as vezes quando eu ia na casa dele, ela dava um jeito de aparecer lá, por isso eu quase não ia lá; sempre que podia ela agarrava ele, e ficava o alisando e beijando ele. O Edward era uma pessoa muito inteligente, mas às vezes nossas qualidades podem se tornar um defeito, resumindo ele era bonzinho demais, pra não dizer tapado. Ele dizia que era só amizade, e que ela era como uma irmã pra ele, e era ai que começava nossas discussões, pra ele era só amizade, mas pra ela passava longe disso eu tinha certeza. Uma vez ela disse que era apaixonada por ele com todas as letras, mas o Edward não acreditou no que eu disse. Tudo bem que ela gostava dele, mas o que custava jogar limpo? Fala pro cara que gosta dele, e pergunta se é retribuída, ele pode dizer sim ou não, mas ficar em cima pra estragar o relacionamento dos outros não é certo. Mas dizem que no amor e na guerra vale tudo não é? Será que valia mesmo? Acho que esta na hora de eu descobrir.
A conversa com o Edward me deu o que pensar, agora aqui na minha cama sozinha, eu não consigo parar de pensar no que ele me disse.
# FLASH BACK ON #
Eu observava o Edward brincando com a Kate no tapete da sala, essa é uma cena que eu poderia observar por um bom tempo, eles se davam super bem, a Kate era uma criança especial, ela não falava com quase ninguém, apesar de falar bem hoje em dia, mas só quando ela queria, e com quem ela queria. Ela não era de se socializar muito, tinha oito anos, mas sua idade mental era de uma criança de quatro, mas de uma criança de quatro anos bem inteligente, ás vezes era inteligente até demais, o que me assustava, como os cálculos que ela fazia, o médico especialista dela dizia que isso era normal, devido ao fato dela se concentrar muito em certas coisas. Ela era um amor, mas só se abria quando conhecia bem a pessoa, e em casos raros como aconteceu com o Edward era amor a primeira vista, ela gostou dele imediatamente quando o conheceu e desde então se tornaram inseparáveis, mas ultimamente não têm se visto muito por que eu e o Edward terminamos, e não estamos num clima muito bom. Mas hoje aconteceu novamente, ela gostou da Bella logo de cara. Na hora que aquela menina abriu a porta eu tomei um susto, sinceramente pensei que ela pudesse ser namorada do Edward, ficante, sei lá qualquer coisa do gênero, mas fiquei mais tranquila ao saber que ele era apenas o seu tutor, a história dela é bem parecida com a minha, eu sei bem o que é perder os pais, eu tinha quase a mesma idade dela quando os meus morreram, apenas dezesseis anos, e é muito difícil passar por isso.
– Torta de morango. — Kate disse depois de um tempo brincando, eu acho que já tinha passado da hora do lanchinho dela. A torta de morango do Edward era a preferida da Kate.
– Você quer? — Edward perguntou. Ela acenou com a cabeça. — Tudo bem, o tio vai fazer pra você. — ele levantou. — Kate por que você não mostra seu quebra-cabeça à tia Bella em? — era a oportunidade que eu precisava pra conversar com Edward, ver ele brincando com a Kate me fez sentir ainda mais a falta dele. Eu só queria uma oportunidade, iria fazer tudo diferente, com calma, sem pressiona-lo, e sem deixar aquela vaca ruiva atrapalhar.
– Edward será que a gente pode conversar? — perguntei me levantando também.
– Vem comigo até a cozinha. — ele olhou pra Bella e Kate no tapete depois andou até a cozinha, eu o segui. Ele foi até a dispensa e pegou os ingredientes para a torta, eu apoiei meus braços no balcão da cozinha. — Então Tanya o que você quer falar comigo? — ele perguntou enquanto trabalhava na torta.
– Bem, primeiro eu queria te pedir desculpas pelo papel ridículo que fiz lá no restaurante na ultima vez que nos vimos. Fui patética eu admito. — foi mesmo ridículo o papel que eu fiz naquele dia.
– Tudo bem está perdoada, desde que não faça de novo. — ele disse serio.
– Não vou fazer prometo. — eu disse.
– Era só isso que você queria falar? — ele perguntou.
– Na verdade eu queria te perguntar uma coisa… — ele fez sinal pra que eu prosseguisse. — O que eu tenho que fazer pra ter você de volta? — preferi ser direta. Ele parou o que estava fazendo e veio até mim, parou do outro lado do balcão na minha frente.
– Tanya… — ele hesitou. — Eu já te falei mais de uma fez por que a gente terminou. Você não fez nada, eu terminei porque eu não te amo. Nós ficamos um tempo juntos e não deu certo, você é legal, eu adoro a Kate e não quero me afastar dela, mas entre eu e você não rola mais nada. — por mais que não fosse a primeira vez que eu tenha ouvido isso, doeu. Mas eu não podia desistir fácil.
– Por que não Edward? Eu sei que você não me ama, mas eu posso te fazer me amar, é uma questão de tempo Edward. Eu te amo e isso é suficiente pra mim por enquanto. — lágrimas já ameaçavam sair dos meus olhos.
– Não dá Tanya. Eu não posso te amar. — por um momento ele pareceu perdido em pensamentos.
– Por que não? — perguntei.
– Por que eu estou apaixonado por outra pessoa. Meu coração é só dela, meu corpo, minha alma, é tudo dela. Você vai encontrar alguém que te ame Tanya, mas eu não sou o cara certo. — e aquilo doeu mais ainda. Saber que ele não me amava tudo bem, mas saber que existia outra que ele amava outra pessoa, era demais pra mim.
– Tudo bem. — disse enxugando as lágrimas.
– Tanya não fica assim, por favor. Eu quero ser seu amigo, não nos conhecemos por acaso, algum proposito tem. — ele tentou me consolar. Ele era uma boa pessoa. Podia dizer que não me amava e pronto, mas não ele tinha que tentar me deixar bem, e me fazer admira-lo ainda mais. Esse é o Edward o cara que faz você se apaixonar mesmo quando está tentando fazer você esquece-lo.
– Amigos então. — disse enxugando as lágrimas.
# FLASH BACK OFF #
Se amizade era o máximo que eu poderia ter dele nesse momento eu aceitaria. Por enquanto me bastava. Mas eu não sei se esse ditado que diz que no amor e na guerra vale tudo se aplicaria pra mim, não sei até onde eu iria pra ter o amor do Edward pra mim. O pior nem foi ter descoberto que ele estava apaixonado por outra, foi descobri por quem. Eu tinha gostado dela, apesar de que só o fato da Kate ter gostado dela já me faria gostar, eu sinceramente gostei. Ela era assim como eu uma menina que perdeu tudo na vida, e estava perdida nesse mundo, no meu caso eu não havia perdido tudo, pois me sobrou a Kate, a coisa mais importante na minha vida. Já ela perdeu tudo mesmo, mas em compensação ganhou tudo que eu queria ter nesse momento, o amor do Edward. Eu vi como ele a olhou, nunca em quase um ano de namoro ele me dirigiu sequer metade daquele olhar, era como um cego que vê a luz pela primeira vez, como um viajante que encontra um oásis depois de dias viajando no deserto. Quando ele olhou pra ela daquele jeito, eu soube imediatamente que era dela que ele estava falando na cozinha. Era aquela menina, aquela criança a dona do seu coração, corpo e alma. Eu nem sabia se ao menos ela sabia o que ele sentia por ela, talvez ela não retribuísse, isso seria quase impossível, mas era uma possibilidade, não era?
Eu não sabia o que fazer, não sabia como lutar pra tê-lo de volta, no momento a minha única alternativa era esperar. Eu ia deixar a vida seguir, e depois decidiria como agir. Mas eu não podia sair machucada dessa história.
Fale com o autor