Anjo Protetor
13 Amizades irritantes - Parte I
Notas iniciais
*POV EDWARD*
A parte chata de ter seu próprio negócio, é que têm horas que tem muita burocracia, papéis pra assinar e essas coisas, e isso é muito chato. Tô há meia hora nesse escritório lendo e assinando os contratos com os fornecedores, mera burocracia, os contratos seriam apenas renovados, eram quase a mesma coisa dos outros, mas mesmo assim eu tinha que ler tudo, não é que eu não confiasse na Vic, é que eu tenho que ser responsável e tal, e o meu pai sempre diz que das nossas coisas temos que cuidar nós mesmos, o Emm já tinha assinado a parte dele, provavelmente nem leu, ele apenas gostava de cozinhar, era o melhor chefe especializado em comida brasileira de Londres e não entendia nada da parte burocrática de se ter um restaurante e então sobrava tudo pra mim. A Vic dava conta do recado, mas tinha horas que eu não conseguia escapar da parte chata. Eu tinha feito um curso técnico de administração a distancia enquanto cursava culinária, eu sempre tive o sonho de abrir meu próprio restaurante desde criança, por isso resolvi estar preparado. Assinei o ultimo contrato.
– Finalmente! — disse afastando a cadeira e colocando meus pés em cima da mesa, estava precisando esticar meu corpo um pouquinho, fiquei sentado muito tempo na mesma posição e olhando pra baixo, agora tô todo dolorido.
Fechei os olhos um pouco, meus pensamentos foram diretamente pra Bella. Como eu era um cara sortudo, o que mais eu poderia querer que não fosse aquela garota? A minha garota. Como eu gosto de pensar nela assim, como minha, Bella foi um verdadeiro presente de Deus na minha vida, quando eu estava desistindo de encontrar a mulher certa eis que ela surgiu e fez meu coração finalmente conhecer o amor. Sim, eu definitivamente amo Isabella Swan, e não sei como sobrevivi vinte três anos e meio sem ela, com ela tudo parece completo. Com ela é impossível não sorrir. A prova disso é o sorriso sempre estampado em meu rosto, se a gente era grudado antes, agora tá muito pior, chega até ser doloroso ficar longe dela. Eu venho para o restaurante contando as horas pra voltar pra casa, passo o dia inteiro com saudades. Ah minha doce Isabella! O que você fez comigo garota?
– Sonhando acordado de novo chefinho? — tomei um susto e quase cai da cadeira.
– Um dia você ainda me mata do coração mulher! — olhei zangado pra Victória, ás vezes ela é tão silenciosa que chega e eu nem percebo, vive me assustando, ou será que sou eu que ando distraído demais?
– Ué eu não tenho culpa que você fica viajando e não presta atenção nas coisas que acontecem ao seu redor. — isso me pareceu uma indireta.
– Impressão sua. — disse.
– Ah tá! Então você vai negar que anda distraído demais, soltando suspiros por ai como um adolescente apaixonado? — ela me perguntou arqueando as sobrancelhas. A Vic me conhecia muito bem, não tinha como eu esconder nada dela.
– Não, não vou negar. Afinal não só pareço como sou um. — disse rindo.
– O que?! Ah fala sério Edward conta outra vai! — ela disse se sentando na mesa a minha frente. Eu a encarei sério. — Tem certeza que não é mais um alarme falso? — ela perguntou se referindo as inúmeras vezes que eu tentava me apaixonar por alguém e não dava certo.
– Absoluta. — respondi.
– Finalmente! — ela pulou no meu colo bagunçando meu cabelo e enchendo meu rosto de beijos.
– Para Vic você tá me sufocando, parece a minha mãe! — ela se afastou rindo.
– Desculpa lindo é que essa é a noticia do século, uma mera mortal finalmente conseguiu conquistar o coração do homem mais difícil do mundo. — ela disse fazendo piada. Eu fiz cara feia pra ela. — É sério Edward, foi mais fácil uma plebeia conquistar o coração do príncipe da Inglaterra, do que uma mulher conseguir conquistar o coração desse chefe de cozinha britânico a minha frente. — ela disse rindo.
– Só pra você saber eu sou americano tá. — disse.
– Certo senhor americano do sotaque britânico. Então me conta quem é a digníssima dama que conquistou o coração desse nobre cavalheiro. — dava pra ver a curiosidade em seus olhos, eu fiquei no dilema entre contar ou não, mas optei por não falar nada por enquanto, uma hora ou outra ela ia descobrir, mas o quanto mais eu puder adiar isso, mas a Bella vai esta perto de fazer dezoito anos.
– Não dá pra te dizer agora. — o sorriso dela morreu na hora.
– Por quê? Sou ou não sou sua melhor amiga Edward? — ela disse fazendo aquele bico que ela fazia quando estava magoada, ou fazendo manha mesmo.
– Sim você é. — bem, tecnicamente minha melhor amiga agora além de namorada era a Bella, mas não dava pra falar isso pra Vic né? — Mas não é o momento certo ainda. Mas prometo que será a primeira a saber.
– Uma dica? — ela perguntou esperançosa.
– Bem é alguém que sempre esteve perto mais ao mesmo tempo longe. — olhando por um lado a Bella sempre foi ligada a minha família apesar de nos vermos pouco, eu sempre conversava com o tio Charlie e a Tia Reneé por telefone e eles falavam tanto da Bella que eu ás vezes sentia que conhecia ela, mesmo morando em continentes diferentes.
– Nossa Edward isso que você disse tem muito sentido! — Victória ironizou.
– Sinto muito ruivinha, mas é o máximo que posso te dizer por enquanto. — apertei a bochecha dela. — E agora que acabou o interrogatório, sai de cima de mim que eu tenho que trabalhar, voltar para meu verdadeiro ofício. — ela saiu do meu colo e eu levantei da cadeira. Fui para o meu habitat natural, a cozinha.
Passei a tarde fazendo os doces pra confeitaria, apesar de eu saber cozinhar de tudo um pouco, eu tinha a minha especialidade, que era comida italiana, que pra minha sorte era a preferida da Bella, mas eu tinha mesmo um dom pra doces, sabia fazer de tudo, fazia mágica com o açúcar, novamente ponto pra mim, por que minha Bella era uma formiguinha.
– Giana vai chamar o Emmett pra mim por favor, ele está no churrasco eu acho, fala pra ele que acabaram os chuviscos. — Eu sabia fazer chuvisco, mas os do Emmett eram melhores, afinal comida brasileira era com ele. Ele fez mais de vinte viagens ao Brasil, era obcecado pela comida de lá, e vez questão de conhecer cada estado, e aprender as principais comidas típicas das principais cidades de cada um. Chuvisco é um doce típico de uma cidade do Rio de Janeiro, é indispensável em casamentos, mais até que os bem-casados. Era o doce preferido da minha mãe.
– Mandou me chamar mano? — perguntou Emm entrando na cozinha da confeitaria, as cozinhas apesar de separadas eram todas interligadas.
– Sim, acabaram os chuviscos. — ele me olhou de cara feia.
– Sério que você pediu pra me chamar só pra fazer chuviscos? — ele perguntou.
– É que eu sou modesto, e admito que chuvisco é o único doce que você sabe fazer melhor que eu, e eu queria levar pra Bella.
– E a Bella merece a perfeição, certo? — perguntou desconfiado.
– Exatamente. — disse com a minha maior cara de inocente.
– Você é bem cuidadoso com a Bella não é pequeno Ed? — eu odiava quando ele me chamava assim, soava tão gay. Lancei um olhar mortal pra ele. O pior é que eu nem podia o chamar de pequeno Emm, por que de pequeno ele não tinha nada, bem, nada que eu já tenha visto. Não que eu fosse pequeno, mas quando eu era criança além da nossa diferença de idade eu era meio mirradinho e ficava o seguindo pra baixo e pra cima.
– É claro que eu cuido da Bella Emmett, sou o tutor dela lembra? — não queria entrar nesse assunto, o Emmett é bem esperto quando ele quer, e adora dá uma de detetive.
– Eu queria saber se você lembra isso quando está fazendo certas coisas com ela… — eu o olhei incrédulo. — O que?! Você acha que me engana né pequeno Ed? — ele falou com a cara mais lavada do mundo.
– Vê se para de falar besteira Emmett! — disse jogando um pano de prato na cara dele.
– Tudo bem, se você tá pedindo, a partir de hoje não falo mais nada, só observo! — ele disse rindo.
Meu celular começou a tocar. Era Alice.
– Oi Alice. — atendi.
– Oi irmãozinho lindo que eu amo tanto. — ela disse do outro lado da linha.
– Pode falar, o que você quer?! — pra ela tá falando assim toda carinhosa é por que quer alguma coisa, geralmente ela é mandona e abusada.
– Nossa! Depois você reclama quando eu dou mais carinho ao Emm do que a você. — ela disse fingindo estar magoada. – Bem na verdade eu liguei pra te comunicar, que a Bellinha vai dormir comigo no Ap. da Rose hoje, vamos fazer a festa do pijama. – serio isso?! Já estava acostumado a dormir com a Bella em meus braços, apesar da gente só dormir mesmo, ela ia fazer falta, mas eu não tinha motivos pra não deixar né?! Era egoísmo demais querer a Bella só pra mim?
– Ok Alice. Mas a Bella tá sabendo disso ou isso é um sequestro?
– Bem, sabendo disso ela tá, mas se nega a ir, por tanto pode ser considerado um sequestro. – isso era bem a cara da Alice mesmo, era impossível negar qualquer coisa a ela.
– Tudo bem monstrinha, mas cuida bem da minha…
– Nossa! Já tá usando pronomes possessivos! – ela me interrompeu. — Continue, da sua… — menininha irritante!
– Da minha amiga Alice.
– Amiga, sei. — ela debochou. Será que estávamos disfarçando tão mal assim?
– Tchau Alice. — desliguei o telefone sem esperar ela responder. Onde será que essa menina aprendeu a ser tão irritante? Só precisei olhar pro lado pra responder a minha própria pergunta. Meu celular vibrou no bolço, era um áudio da Alice no WhatsApp.
– Maninho diz pro cabeçudo do Emmett que ele esta banido de casa hoje, por que é uma noite só de garotas!
– Você ouviu né?! — perguntei pro Emm que estava do meu lado e ouviu o áudio também.
– Noite dos garotos? — ele sugeriu.
– É o que nos resta, não é mesmo?
– É o que parece, posso cair lá pelo seu Ap. hoje? — perguntou.
– Desde que você pare com esses papos estranhos, e de me chamar de pequeno Ed. — impus minhas condições.
– Fechado. — ele estendeu o punho pra eu tocar. Eu dei um leve soco na mão dele.
– Fechado. — o Emmett era uma pessoa legal quando não estava sendo irritante, coisa muito rara de acontecer.
Saímos do restaurante após o jantar. Fomos para um pub badalado no centro de Londres, se as meninas tinham direito a uma noite só delas nós também podíamos, certo?
Fazia tempo que eu não saia à noite, pra ser mais exato desde umas duas semanas antes da Bella vir morar comigo, e isso já faz cerca de dois meses, então fazendo as contas eu estava há aproximadamente três meses sem sexo. Eu já estava ficando doido! Ter a Bella perto de mim o tempo todo piora ainda mais as coisas, eu tenho pensamentos nada puros com ela, mas fica só nos pensamentos mesmo, eu não posso ir além de beijos com a Bella, ela é menor de idade, só o fato de eu estar namorando com ela soa tão errado. Mas que droga! A Bella não podia ter nascido prematura?! Eu tô me sentindo um tarado, mas fazer o que se aquela menina me provoca mesmo sem querer. Aquele jeitinho inocente dela… a forma como ela me beija, as vezes que ela se joga no meu colo e eu tenho que me controlar pra não acordar o meu amigão. E sem falar no fato de dormir ao lado dela todas as noites, o jeito que ela se esfrega em mim quando dorme e até bota inconscientemente aquelas mãozinhas em lugares que não deve. E isso em pouco mais de uma semana, agora como eu vou aguentar mais tempo? Bem, eu tenho me virado sozinho ultimamente, quase todo dia pra ser mais exato, mas já tá ficando meio incontrolável, eu posso acabar atacando ela a qualquer momento. Mas eu tenho que aguentar o máximo que eu conseguir.
– Pensando nela? — perguntou Emm. Estávamos sentados no bar tomando uma cerveja.
– Nela quem Emmett? — me fiz de desentendido.
– Na misteriosa mulher que toma conta dos seus pensamentos e faz você sair fora do ar o dia todo. — respondeu dando um gole na sua cerveja.
– Não tem mulher nenhuma Emm! — eu precisava disfarçar mais.
– Vai continuar negando? Prova então! — ele disse presunçoso.
– Como? — perguntei confuso.
– Aquela morena ali esta te dando a maior condição. Pega. — ele disse apontando para uma moça que estava sentada numa mesa com mais três amigas. Ela olhou pra mim e sorriu. Eu me virei de volta pro Emm.
– Eu não to a fim de ficar com ninguém hoje. — falei. A moça até que era bonita, mas não era aquela morena que eu queria.
– Ahh conta outra pequeno Ed! — ele disse debochando. Lá vem ele com essa parada de pequeno Ed de novo.
– Já não tinha conversado sobre me chamar de pequeno Ed? Quer pedir abrigo na casa da mamãe hoje? — ameacei. Os pais do Emm não moravam aqui em Londres. Ele quando não esta no Ap. dele esta lá na casa dos meus pais.
– Não tá mais aqui quem falou peq… Edward. — ele disse. — Mas eu acho melhor você informar pra aquela gata que não tá a fim de ficar com ninguém hoje, porque ela tá vindo pra cá. — ele falou olhando pra trás de mim. Eu me virei. A moça que estava sorrindo estava parada atrás de mim.
– Oi gatinho, será que você me pagaria uma bebida? Quem sabe ir pra um lugar mais discreto pra gente conversar… — ela disse colocando a mão no meu peito. Direta a menina em! Eu educadamente tirei a mão dela que estava no meu peito.
– Er me desculpa, é que eu já estou de saída. — disse a ela. O sorriso da garota sumiu.
– E não teria nada que te faria ficar? — insistiu se inclinando pra frente deixando mais a mostra o seu decote, ela tinha peitos grandes, mas isso não provocou nenhuma reação em mim, parece que depois que me apaixonei fiquei imune a todas as mulheres.
– Não dá. — disse me virando pro barmen. — Uma bebida pra moça, por favor. — falei deixando uma nota em cima do balcão e puxando o Emm em direção à saída.
– Já vamos? — perguntou incrédulo.
– Sim, tenho bastante cerveja lá em casa.
O Emmett foi me zoando por todo caminho até o apartamento, dizendo que eu era gay, ou coisas do tipo, e eu sempre ameaçava deixar ele dormir na rua, ou implorar pra Rose deixar ele entrar em casa. Chegando em casa pegamos mais umas cervejas e ficamos vendo futebol. Fui dormir era quase meia noite, o Emmett ficou no quarto de hospedes.
Será que a Bella já esta dormindo? Ela ainda tem escola amanhã, deve ter ido dormir cedo. Será que eu devia ligar, pra ela ou a acordaria? Depois de um tempo resolvi manda uma mensagem de texto.
De: Edward.
Para: Bella.
Já esta dormindo minha princesa? Vai ser difícil consegui dormir sem você aqui, essa cama tá tão vazia.
Saudades. xx
Ela não respondeu, eu fiquei me revirando na cama. Como em tão pouco tempo eu fui ficar tão dependente? Mas não era isso que eu queria? Amar intensamente? Eu só não imaginava que era tão intensamente assim, parece que a Bella foi feita exatamente pra mim, tudo sob medida sabe? Praticamente gostávamos das mesmas coisas, concordávamos em quase tudo, era tudo quase perfeito, se não fosse o pequeno probleminha com a idade, que na verdade pra mim não importava nenhum pouco, era com a Bella que eu me preocupava e com qualquer coisa que me fizesse perde-la.
Senti meu celular vibrar em algum lugar na cama, o procurei em meio as cobertas, demorou um pouquinho, mas eu achei, era a Bella, será que eu tinha acordado ela com a minha mensagem? Atendi ao telefone.
– Oi minha princesa.
– Oi Ed. Eu estou com saudades. - ela disse baixinho.
– Eu também estou louco de saudades. Por que tá sussurrando? — perguntei.
– É que a Alice proibiu eu e a Rose de usar o celular, e esperamos ela pegar no sono pra ligar, por isso não te respondi antes. — ela explicou.
– Isso é bem a cara da Alice mesmo. — eu falei.
– É ela sabe ser irritante quando quer.
– Ou seja, sempre. Mas não vamos perder tempo falando da Alice. Eu não estou conseguindo dormir, acho que nunca mais vou conseguir dormir sem você nos meus braços. — declarei.
– Eu acho que também não vou conseguir dormir, é você que me aquece todas as noites. — eu sorri.
– Acho que vou vim pra casa depois do almoço amanhã, preciso desesperadamente te ver. — ela resmungou do outro lado. — O que foi?
– É que a Alice me fez prometer ir ao shopping com ela depois da escola amanhã. Então provavelmente só vou chegar em casa lá pelas quatro, isso se eu conseguir tirar ela do shopping antes de anoitecer. — ela disse desanimada.
– Qualquer coisa você foge. — disse. — Ou quem sabe eu não vou te resgatar.
– O máximo que você conseguiria seria nos acompanhar nas compras. Você aturaria uma tarde toda de compras por mim? — ela perguntou.
– Eu iria até o fim do mundo por você Bella. — e até depois dele.
– Depois de ouvir isso vou dormir bem melhor com certeza. — ela disse com a voz mais animada.
– Que bom minha princesa, sonhe com os anjos. — eu disse.
– Com certeza sonharei com meu anjo. - pude ouvir sua doce risada.
– E eu com certeza sonharei com você. — já fazia tempo que eu sonhava com ela toda noite.
– Boa noite anjinho.– ela disse.
– Boa noite. — ela desligou.
E depois de ter ouvido sua voz consegui finalmente dormir.
...
Fale com o autor