Anjo Negro
3 O Anjo Azul
Lilith entrou novamente na sala escura onde Luci ficava, para conversar com ele.
-- Então Luci, por quê me chamou? Precisa de algo? -- Lilith perguntou, prestativa.
-- Sim, de uma ceifadora melhor. -- Ele falou, com raiva.
-- Mas...
-- Sem “mas”. -- Ele falou, áspero.
Nesse momento, eles ouviram passos e uma mulher loira e muito pálida apareceu.
-- Luci, chamou? -- A mulher perguntou, suavemente, enquanto fechava suas asas negras e arrumava o vestido dourado.
-- Sim, Ruby. Eu estava explicando para Lilith, preciso de uma ceifadora melhor. Então te chamei.
-- Espera um pouco. Você vai me substituir por ela? -- Lilith interrompeu Luci, brava.
-- Mais respeito, Lilith. Ainda não, vocês sabem que aprecio sangue. Terei uma competição entre vocês duas.
-- O quê? -- Lilith perguntou, incrédula.
-- Sim, meu mestre. -- Ruby falou, fez uma referência, e saiu.
Lilith não se mexeu e olhou com raiva para Luci.
-- Você vai ficar para trás. Vá, você já sabe o que fazer. -- Luci falou, calmo.
Lilith saiu pisando forte do lugar e voou, adentrando a escuridão da noite.
Algum tempo depois.
Uma mulher normal, com seus vinte anos, está trabalhando em uma agência. Depois de mexer um pouco no computador, ela imprimiu algumas páginas e se levantou, andando até a sala do seu chefe. Bateu na porta e, após entrar na sala e deixar os papéis, saiu rapidamente, em uma tentativa fracassada de se esquivar dos olhares que o seu chefe lhe dava.
Nesse mesmo dia, no fim do expediente, o chefe a chamou para a sala dele.
-- Carolina, sente-se, por favor. -- O chefe falou, indicando uma cadeira
A menina, um pouco tensa, chegou perto da cadeira e se sentou.
-- Eu não vou ser despedida, certo? -- Caroline perguntou.
-- Calma, calma. Isso não vai acontecer, não hoje.
Um menino alto abriu a porta e avisou que estava ido embora e pediu para o chefe apagar tudo, já que todos já haviam ido embora. O chefe concordou e o menino saiu de lá quase correndo.
-- Então, posso ir embora também? -- Carolina perguntou, ainda tensa.
-- Calma, nem começamos aqui. -- O chefe falou, sedutoramente, e tirou a gravata.
Carolina engoliu seco e se levantou, percebendo do que aquilo se tratava. Quando estava se dirigindo à porta, o homem segurou seu pulso com força.
-- Você não vai a lugar nenhum.
-- Me solta!
Carolina tentava se soltar, mas não conseguia. O chefe pegou seu outro braço e prendeu-a contra a parede. Carolina conseguiu se desvencilhar e correu em direção à porta, porém seu chefe pegou um peso de papel de cima da mesa e acertou na cabeça dela. Ela caiu, e por alguns segundos o chefe achou que o seu plano havia dado certo e ela estava inconsciente. Mas ele mudou de ideia após ver a enorme quantidade de sangue no seu carpete.
Alguns dias depois, no enterro de Carolina, o chefe vai, junto com vários empregados da empresa. Ele olha em volta e vê uma mulher, também aos seus vinte anos, muito parecida com Carolina, porém seu cabelo é azul. O chefe se assustou com a semelhança, mas pensou que era uma irmã. E realmente era. Caroline era a irmã gêmea de Carolina, mas depois de ser confundida tantas vezes com a irmã decidiu que pintaria seu cabelo de cores exóticas, por isso o azul.
A aparente causa da morte foi que ela havia caído em cima do peso de papel, e todos acreditavam nisso. E, na verdade, ninguém se importava. Carolina logo foi substituída por outra menina, as pessoas na agência a esqueceram, mas houve uma pessoa que era diferente. Sua irmã não acreditou na história da morte de Carolina, e resolveu falar com o chefe dela. Ela chegou na agência no fim do expediente e foi recepcionada por uma outra garota, que a encaminhou para a sala do chefe e foi embora, apagando todas as luzes.
-- Sou Caroline, a irmã de Carolina. -- Caroline se apresentou.
-- Sente-se. -- O chefe indicou uma cadeira à sua frente. -- Então, por quê veio aqui?
-- Gostaria de falar sobre Carolina. -- O chefe empalideceu. -- Sabe, eu não acho que ela tenha morrido daquele jeito. -- Caroline falava, séria, observando as reações do chefe.
-- Não entendi. -- O chefe falou, suando frio.
-- O que eu quero dizer é que você a matou. -- Caroline falou, direta.
-- Não faça acusações sem fundamentos.
-- Ah, eu tenho fundamentos, sim. Todo dia ela chegava em casa e me contava seu dia de trabalho, já que morávamos juntas. Ela me contava que você lançava olhares estranhos para ela, e que só ficava nesse emprego pelo dinheiro.
O chefe discretamente tentou abrir uma gaveta, mas Caroline foi mais rápida e tirou uma arma da bolsa.
-- Pare! -- Ela falou, e ele não se mexeu.
-- O que você quer para não me matar? Posso te dar dinheiro. -- O chefe falou.
-- Eu não quero dinheiro. Eu quero ouvir da sua boca que você matou Carolina.
-- Então você não vai me matar?
-- Não, só fale.
-- Sim, eu matei Carolina com o peso de papel. -- Ele falou, e respirou fundo, derrotado.
Caroline tira um gravador do bolso e aperta um botão de pause. Ele, ao perceber o erro que havia cometido, se levanta e tenta tirar o gravador da mão de Caroline, mas essa se assusta e puxa o gatilho.
Ao ver o corpo do homem no chão e o sangue, ela coloca a arma na cabeça e atira.
A porta da sala é aberta e Lilith entra.
-- Droga de competição! Já tive que acabar com aquela morena maldita, agora tem a loira também? Eu vou ganhar dela, só para provar que sou melhor. Não posso perder. Nunca.
Ela abriu suas asas e voou para o horizonte, deixando para trás, intocada, a cena do crime.
Notas finais
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