Anjo Negro
4 O Anjo Rosa
Notas iniciais
Era o fim da tarde de um dia ensolarado, e um menino pequeno estava sentado em uma cadeira, olhando com tédio para a rua vazia. De repente, uma mulher com um longo vestido vermelho aparece. Ela se abaixou para pegar um jornal caído e recostou na parede, folheando-o. Ela passou pelas matérias de política (ministro se suicida na prisão), cotidiano (deslizamento mata casal), até que chegou na matéria da capa. Era sobre uma pessoa, mas não uma qualquer.
-- Ah, Ruby, vá se ferrar! Serial Killer já é trapaça! Ok, não é, mas não vale! -- Falou uma Lilith furiosa após ver a matéria (Assassino em série mata sua oitava vítima). -- Ah, que droga, o que eu faço agora? Ela vai ganhar desse jeito! Mandando outros fazerem o trabalho sujo dela...
Antes de Lilith conseguir terminar o que falava, um carro passou correndo na rua. Era preto, e os vidros eram escuros, mas Lilith ainda conseguiu ver quem estava no carro, e deu um sorriso, antes de desaparecer.
Dentro do carro estavam cinco adolescentes, duas meninas e três meninos. A menina que estava dirigindo era morena, e estava segurando a mão do menino que estava na frente ao seu lado, também moreno. No banco de trás, havia uma menina e um menino se beijando, e encostado na janela oposta, estava um outro menino. O carro tocava uma música alta e haviam algumas mochilas no porta malas.
-- Jo, quanto falta para chegarmos lá? -- Perguntou o moreno que estava na frente para a menina que estava dirigindo.
-- Ah, umas duas horas, Shane. -- Respondeu Joanne, olhando para o menino. -- Brincando, só uns vinte minutos.
-- Ei Jenny, Jack, vocês ainda não morreram aí atrás? -- Perguntou Shane, olhando para trás. -- E você, Ryan?
Jenny e Jack nem responderam, e Ryan estava dormindo. Joanne suspirou.
-- Ah, Shane, você viu o jornal? Tem um assassino à solta.
-- E?
-- Você não está com medo? A área que ele atacou é perto do sítio dos seus pais. Eu acho que deveríamos ter adiado a viagem.
-- Não fique com medo, tem três homens aqui para protegem você e a Jenny caso algo aconteça, mas não vai acontecer nada.
-- Ah, claro, três caras... -- Falou Jo, sem confiar no namorado, que bocejou e recostou a cabeça na fria janela do carro.
O sol já havia desaparecido atrás das montanhas e nuvens se formavam no céu, escondendo as poucas estrelas que haviam aparecido até o momento.
O carro preto passou por uma trilha em uma floresta, que tinha árvores altas e muitos buracos, antes de chegar ao sítio. Quando eles chegaram, saíram do carro e pegaram suas mochilas no porta malas. Alexis ainda dormia quando eles pararam, e foi acordado por Shane.
-- Ei, Ryan, acorda aí, chegamos.
Alexis abriu vagarosamente os olhos e tirou seus cabelos loiros da face, olhando para Shane.
-- O que foi? Perdeu alguma coisa em mim? Pega a sua mochila e entra na casa. -- Shane falou rudemente, irritado com o longo olhar do loiro, que se levantou e saiu rápido do carro. Ryan pegou sua mochila e fechou o porta malas. Ele ainda lançou um último olhar para Shane, que estava entrando na casa. Ele apressou o passo e correu, evitando ser pego pela fina chuva que havia começado.
A chuva começou a ficar mais forte, e Jenny fechou triste as cortinas da janela da sala. Ela andou até um dos sofás e se sentou ao lado de Jack, que segurou a sua mão.
-- Está chovendo tão forte que não consigo ver além do carro! -- Jenny reclamou.
Em um outro sofá, estavam sentados Shane e Joanne. Shane estava deitado com a cabeça no colo de Joanne, que brincava com seu cabelo.
-- Me parece que você vai ter um aniversário muito cinza. -- Jo falou para Shane.
-- Isso é deprimente. -- Ryan falou, sentado em uma poltrona. -- Desse jeito não conseguiremos nem sair da casa.
-- Tem quatro quartos no andar de cima, escolham o de vocês, o nosso já está definido. -- Shane falou.
-- Não se preocupem, provavelmente amanhã teremos um dia sem nuvens. -- Falou Jack, e subiu as escadas com Jenny, seguido por Ryan.
No dia seguinte, o clima era o mesmo: Nublado e chuvoso. Mais ou menos às oito da manhã, todos se levantaram e foram para a cozinha. Em cima da mesa havia um bolo de chocolate que Jo havia trazido, e todos cantaram parabéns, ainda de pijamas. Todos subiram de volta para os seus quartos, e somente Jenny desceu, com um grosso casaco e botas, depois de prometer à Jack que deixaria pistas para aonde havia ido, para ele a encontrar mais facilmente, pois ele havia preparado uma surpresa.
Jenny pegou um guarda-chuva e começou a andar em volta da casa. Porém, alguns segundos depois descobriu que não precisaria mais dele, pois a chuva havia parado. Deixou seu guarda-chuva na garagem e pegou um saco de areia que estava encostado na parede, fechado. Pegou o saco de areia e fez um furo pequeno, deixando cair um pouco de areia a cada passo. Ela encontrou um balanço em uma árvore e, revivendo sua infância, sentou-se nele e começou a balançar, após deixar o saco de areia encostado na árvore. Porém, alguns minutos depois, Jenny ouviu um barulho e parou. Ela se levantou e olhou em volta. Porém, não viu ninguém, e achou que fosse a sua imaginação. Resolveu voltar, mas quando deu o primeiro passo para longe do balanço, sentiu algo apertar o seu pescoço. Não deu nem tempo de gritar. A corda, passada por cima do mesmo galho do balanço, suspendeu o corpo da menina muito alto no ar e a matou por enforcamento. Logo depois dela parar de se mexer, uma pessoa saiu de trás da árvore. Estava encapuzada e vestida de preto. Parou embaixo da menina e deixou nove pétalas rosas caírem no chão.
-- Jenny! -- Jack chamou, alguns segundos depois de sair pela garagem.
Ele olhou para o chão, viu a trilha de areia e sorriu, seguindo-a. Porém, quando chegou ao balanço, não viu nada, somente as rosas no chão. Ele se abaixou para olhá-las de perto e, quando voltou ao normal, olhou para cima. Quando viu o corpo de Jenny pendurado, queria gritar, mas sua voz entalou na garganta. Correu para a garagem, a maneira mais perto de entrar na casa, mas tropeçou e caiu. Quando se levantou, foi acertado por uma chave de fenda e desmaiou. Jack nem teve chance de fugir, já que, quando acordou, logo depois foi suspenso no ar, exatamente igual a Jenny.
A pessoa encapuzada esperou ele parar de se mexer e deixou dez pétalas rosas embaixo do corpo.
No quarto de Joanne e Shane, Joanne estava deitada na cama, abraçada com Shane.
-- Shane, eu vou até o carro, pegar uma surpresa para você. Você vai adorar! -- Ela falou, e saiu da cama, ainda de pijamas. -- Você quer mais um pedaço de bolo?
-- Claro que sim. Ah, você não colocou o carro na garagem, colocou?
-- Não coloquei, mas não estou a fim de colocar agora. Depois do almoço você coloca. -- Joanne falou, se espreguiçando.
Joanne saiu do quarto e desceu as escadas. Nesse momento, ele ouviu uma batida leve na janela e saiu da cama, afastando a cortina. Era Ryan. Ele abriu a janela e saiu para a varanda. Ryan estava com um fone de ouvido em volta no pescoço.
-- O que foi? -- Shane perguntou,
Nesse momento, a porta do quarto se abriu e Joanne entrou, com uma mochila nas costas e uma fatia de bolo na mão. Ao não ver o namorado, deixou as coisas na cama e foi para o banheiro. A porta do quarto se abriu e Joanne foi fechar.
-- Que estranho. Deve ser o vento. -- Joanne falou, após fechar a porta do quarto sem ver ninguém. Ela entrou no banheiro e ligou o chuveiro.
Do lado de fora, na varanda, Ryan ainda não havia falado nada. Ele estava muito pálido.
-- Cara, está tudo bem com você? -- Shane perguntou, preocupado.
Ryan ficou um pouco vermelho. Ele ia falar alguma coisa, mas Joanne gritou. Shane correu para o quarto, e Ryan ficou parado na varanda. A chuva começou, fina, e depois engrossou. Ele nem ligou, e entrou pela janela no seu próprio quarto, ensopado. Trancou a janela e entrou no banheiro, fechando somente a porta.
Shane abriu com força a porta do banheiro, para encontrar Joanne pendurada, como os outros dois. O chuveiro ainda estava ligado, e ela ainda estava de roupa. Na pia haviam onze pétalas rosas. A água inundava o banheiro e Shane escorregou. Shane, com os olhos arregalados, se apoiou na parede e tentou levantar, mas suas pernas estavam bambas e ele caiu.
-- Jo... -- Ele sussurou, tremendo.
Shane rastejou para fora do banheiro, se levantou e correu para fora do quarto. Foi até o quarto vizinho, o de Ryan, e esmurrou a porta.
-- Ryan! -- Chamou, desesperado.
Como não ouviu resposta, abriu a porta e entrou no quarto. A cama estava arrumada, como se ninguém tivesse dormido lá, e Shane teve a impressão de que Ryan havia passado a noite na varanda.
Não encontrando ninguém no quarto, bateu na porta do banheiro. Sem ouvir resposta também, entrou. O corpo do loiro estava imerso na água vermelha da banheira, e somente a cabeça e os pulsos estavam do lado de fora. Uma faca, manchada de sangue, estava caída no chão. O rosto e a franja de Ryan estavam sujos de sangue, que ainda escorria, fracamente, dos cortes nos pulsos. Um tubo de remédio estava no chão, vazio. Shane o pegou e leu.
-- Anticoagulante. Merda! -- Shane jogou o tubo no chão e saiu correndo do quarto.
O quarto de Ryan era quase no fim do corredor, e Shane correu até a escada. Ele desceu correndo, e tropeçou no último degrau. Se apoiou no corrimão de madeira para se levantar e sentiu uma dor agonizante no peito. Uma facada. Shane caiu no chão, morto. Foi pendurado, como todos os outros, e doze pétalas foram deixadas embaixo do seu corpo.
A pessoa deu vários passos do corpo e saiu da sala, subindo as escadas. Foi até o último quarto, o quarto ao lado do de Ryan, que estava vazio. Jenny e Jack estavam usando o quarto em frente ao de Shane e Joanne. O último quarto do corredor estava com todos os móveis cobertos por lençóis, e a pessoa se posicionou no meio do quarto. Um tiro cortou o silêncio fúnebre que pairava na casa.
Lilith estava parada em frente ao corpo estirado do assassino, com um sorriso cruel no rosto. Ela começou a rir, e depois sumiu. Reapareceu na mesma sala escura de sempre, e alguns segundos depois Ruby apareceu.
-- Como você pode fazer isso? Meu assassino em série! -- Ruby falou, bem perto de Lilith
-- Correção. -- Lilith pigarreou. -- MEU assassino em série! Você sabe muito bem que o Anjo que o matar ganha as almas que ele tenha tirado. Quer dizer que eu ganhei treze, não, quatorze, almas novinhas!
Ruby estava sem palavras. Ela abria a boca para falar e logo a fechava, sem emitir nenhum som. Ruby saiu pisando duro e abriu suas asas, desaparecendo. Lilith abriu um sorriso sádico e também desapareceu.
No dia seguinte, havia uma matéria especial no jornal: Assassino em série pego. “Os corpos de Jenny Simpson, Shane Dickson, Jack Ackermann, Joanne Allard e Ryan Stavros foram encontrados no sítio da família Dickson. Aparentemente, todos eles teriam ido até lá para comemorar o aniversário de Shane Dickson, mas todos foram vítimas do “Assassino da Rosa”, cujo corpo também foi encontrado na área da casa. Foi descoberto que o “Assassino da Rosa” era uma mulher que, após descobrir que o seu marido a havia traído, o matou, junto com a amante. A matéria continua na página 7.\"
Notas finais
Também foi o capítulo mais diferente até agora, na minha opinião. Por isso quero que digam o que acharam dele, por favor.
E também foi o capítulo mais longo até agora. Estou começando a notar que a censura e o tamanho dos capítulos estão crescendo junto com a história.
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