Aniquila-me

9 Prenda a respiração


Notas iniciais
Oláaa gente! Mas já está postando? SIM! Fiquei tão feliz com os comentários, recebi leitores novos e vocês foram tão lindos, comentando tão rápido, que resolvi agradecer e bem..a forma que tenho para agradecer é postando mais um capítulo, então realmente espero que gostem, pois estão me fazendo muito feliz e quero também agrada-los com o que escrevo! Boa leitura, lindinhos!

O caminho foi calmo.

Stiles não tentou falar comigo, não tentou encostar em mim, mas pela forma como dirigia, lembrei o quanto ele era hiperativo e me perguntei como fui capaz de esquecer o jeito peculiar do garoto. Ela batia os dedos no volante, falava sozinho com certa frequência, se remexia no banco e cantarolava com a voz rouca e desafinada.

Eu fiquei parada, tentando não chamar atenção, contudo era inútil, Stiles olhava para mim a cada instante e aqueles olhos avelãs faziam meu interior se contorcer. Coloquei as pernas para cima do banco e abracei os joelhos, me arrependendo de não ter tirado a roupa de hospital ao perceber o quanto eu ficava exposta, o que fez que eu lutasse o tempo todo para cobrir minhas pernas e manter as costas nuas escondidas no estofado.

Em algum momento, me distrai completamente com a paisagem do lado de fora, observando, vidrada. Apesar de ter lutado para não dormir, com medo do que Stiles poderia fazer comigo, acabei apagando quando o céu estava completamente escuro e quando abri os olhos novamente, o mesmo céu tinha uma cor rosada e o garoto ao meu lado tinha olheiras marcando o rosto branco.

— Chegamos. — Foi a primeira palavra de Stiles dirigida a mim.

Observei com mais atenção a rua em que estávamos, cercada de árvores, prédios pequenos e casas grandes. Tinha pouca movimentação, apenas comerciantes entrando em pequenas lojas; era obviamente uma cidade pequena.

O garoto abriu janela do Jeep e não pude deixar de estremecer com o delicioso e característico cheiro do mar. Há quanto tempo não sentia aquela fragrância? A brisa gelada bateu na minha pele, fazendo com eu tremesse novamente, mas não me importava com o frio, a sensação era maravilhosa.

O carro se movimentou por mais alguns poucos minutos e então, parou em frente a um prédio pequeno de cores pasteis, com grandes varandas. Era aconchegante, não tinha como negar, no entanto, o aconchego parecia uma coisa tão surreal, que não soube como reagir ao aperto insuportável em meu peito e a vontade de chorar, como se só naquele momento que eu realmente percebesse que tinha saído daquele inferno.

Stiles foi até o estacionamento do prédio e eu permaneci parada quando ele saiu do carro, sem saber o que fazer e tive um leve sobressalto quando ele deu a volta e abriu a porta para mim.

— Agora está tudo bem, Lydia, você vai gostar daqui. — Ele falou baixo, os olhos esperançosos e erguendo a mão em minha direção.

Levantei sem aceitar sua ajuda, apesar da tontura, e fiquei de pé com certa dificuldade. Ouvi seu suspiro, mas estava distraída demais com o lugar a minha volta, a curiosidade vencendo meu medo, eu queria ver onde ficaríamos.

Stiles andou na minha frente quando percebeu que eu não encostaria nele, então ficou me guiando, olhando o tempo todo para mim, dando passos curtos ao ver minha extrema dificuldade ao me mover. Minhas pernas pareciam geleias, minha cabeça girava e minhas mãos tremiam, mas segui o garoto com passos incertos, indo ao pequeno elevador e observando que ficaríamos no terceiro andar.

O elevador parou e Stiles foi até o final do longo corredor, só assim percebi que o prédio não era tão pequeno quanto aparentava do lado de fora. Ele parou na última porta, de madeira escura e abriu com uma chave brilhante.

O garoto entrou e me encarou aflito, esperando que eu entrasse. Deparei-me com uma sala de piso claro, um sofá grande que ocupava a maior parte do espaço e uma televisão em cima de um móvel repleto de livros na parte inferior. Não tinha mais nada ali, a não ser as cortinas brancas que revelavam a varanda e o tapete um pouco mais escuro que a cor do piso.

— Aqui, é melhor você sentar. — Ele tentou encostar nas minhas costas, mas eu recuei, então com um novo suspiro, ele apontou para o sofá.

Não queria fazer o que ele dizia, mas sentia que desabaria no chão a qualquer momento, por isso cambaleei até o sofá e sentei na ponta. Meus músculos explodiram de prazer ao sentir a superfície macia, acolhedora.

Stiles sumiu por alguns instantes e voltou com um copo d’água e uma maçã extremamente vermelha, colocou nas minhas mãos com cuidado e sentou ao meu lado, com uma distância considerável.

— Eu ainda tenho que conferir o que você pode comer, então não quero arriscar, mas fica tranquila que já vou cozinhar para a gente.

Não resisti, mordi a fruta molhada que invadiu minha boca como um pedaço do paraíso. A comida do inferno era repugnante e a do hospital, sem sabor, além do fato que eu comia pouquíssimas vezes e estava sempre faminta.

Só quando bebi uma grande quantidade da água, percebi que Stiles esperava que eu dissesse alguma coisa. Apenas o encarei, desconfiada, porém sem conseguir manter uma posição de defesa devido minha fome.

— Ok, você deve ter muitas perguntas, então vamos começar assim, pode me perguntar qualquer coisa e eu prometo que vou responder, sem esconder nada, sem mentir e você promete que vai se esforçar para acreditar no que eu falar.

A forma como ele falou, fez com que aquela frase parecesse decorada. Stiles me encarava com expectativa e eu não disse nada, apenas abaixei a cabeça e continuei a devorar a fruta, pois jamais prometeria que tentaria acreditar em um traidor.

— Tudo bem, pode perguntar. — Ele pigarrou, constrangido com meu silêncio. — Por favor, fala alguma coisa, Lydia, esse silêncio está me enlouquecendo.

— Meus pais. O que aconteceu? — Por fim perguntei, com a voz rouca, sem ter coragem de encarar os olhos avelãs.

— Alguém já disse alguma coisa sobre eles? — Percebi sua insegurança e respondi rapidamente, a voz sem emoção, pois já tinha sofrido o bastante, não esperava que sairia daquele lugar, muito menos que encontraria alguém vivo.

— Ouvi um dos enfermeiros falando que eles morreram.

— Sim, o mesmo homem que a sequestrou, os matou. — A resposta segura, direta, fez com que eu o encarasse, sua expressão parecia sincera.

— Como?

— A facadas, meses depois que você sumiu, eles estavam dormindo.

— Quem fez isso?

— Não sabemos o nome dele, as pessoas só o chamam de ‘Doutor’, talvez o mesmo homem que fazia experimentos com você.

— Não, ele jamais faria isso, o doutor estava me ajudando, me protegendo. — Senti meus olhos arderem com lágrimas e esperei que Stiles me contradissesse, mas ele não falou nada. — Por que isso aconteceu comigo, o que eu fiz para merecer? — Minha voz subiu contra a minha vontade e por um breve descuido, o copo caiu de minha mão e se estilhaçou no chão.

— Shh, Lydia, calma, você não fez nada. — Stiles se aproximou e segurou minhas mãos, impedindo que eu me preocupasse com o copo.

— Então por que me tiraram da minha vida? Por que mataram meus pais? Isso só aconteceu comigo. — Senti as lágrimas recém-formadas deslizando pelo meu rosto, afastei as mãos do toque quente de Stiles.

— Porque você é especial, Lydia, porque você é provavelmente a última Banshee e porque eu não cuidei de você como deveria, a culpa não é sua. — A confusão que me dominou fez meus sentidos ficarem turvos. — Você tem razão sobre uma coisa, a culpa foi minha. Não porque eu tentei fazer mal a você, mas porque não impedi que você passasse por tudo isso.

— O doutor me contou tudo, ele disse como vocês me abandonaram lá.

— Ele mentiu, Lydia.

— No início eu não acreditei nele, mas vocês não apareceram, eu esperei que viessem me salvar, mas ninguém veio. — Não consegui e nem quis controlar o choro mais violento, desviei o olhar de Stiles e me contorci, repentinamente desconfortável no sofá macio. — Vocês me deixaram lá! Você me deixou sozinha, eu fiquei sem ninguém!

— Lydia, eu...

— Sai daqui! — O ar escapou dos meus pulmões, a sala pareceu tremer ao meu redor.

Fiquei de pé por instinto, mas logo em seguida senti a dor de meus joelhos cedendo contra o piso, alguns cacos de vidro raspando minha pele. Escutei a voz grave de Stiles me chamar e não consegui empurra-lo quando seus braços me levantaram.

Tudo girava, meu próprio corpo parecia rodar, minha garganta fechava, como se tivesse sendo sufocada por um ser invisível. Senti algo ainda mais macio que o sofá sob minha coluna e um comprimido foi empurrado contra minha boca.

— Lydia, calma, olha para mim, prende a respiração.

Quis gritar algum xingamento, entretanto não tive forças. Eu estava sufocando, como ele podia pedir para eu prender a respiração?

— Está tudo bem, é um ataque de pânico.

Escutava, mas não podia compreender, até sentir dedos quentes apertando meu nariz e prendendo minha boca.

Ele vai me matar! Ele vai me matar! Reaja, Lydia!

Gritei comigo mesma por poucos segundos e então a pressão sobre meu nariz e boca sumiram, pude respirar novamente.

O ataque parou.

Notas finais
Caso alguém tenha ficado com dúvida, o Stiles prendeu o nariz e a boca da Lydia para ela prender a respiração e assim para o ataque...e ai? O que acharam desse começo meio tenso? Haha No próximo capítulo mais algumas coisas vão ser esclarecidas para Lydia e para vocês e no momento estou escrevendo um capítulo narrado pelo Stiles, decidi fazer isso de ultima hora, para vocês verem um pouquinho através dos olhos deles! Continuem comentando e me deixando assim tão feliz! Tenho muitas ideias para essa fic e estou enlouquecida para mostrar a vocês o que planejei! Beijinhos!