Aniquila-me
11 Nunca a esqueceu
Notas iniciais
Stiles Stilinski
Lydia tem os seios mais lindos que já vi na minha vida.
Sempre disseram que as atrizes tinham uma beleza surreal, que não dava para acreditar que toda mulher era perfeita daquela forma e que no final das contas, com os defeitos era melhor que a mulher real, do jeito que é, é a verdadeira beleza. Ou essas pessoas são mentirosas ou estão completamente enganadas, pois Lydia é perfeita, inigualavelmente perfeita e nenhuma falsa beleza que os filmes mostram superam a dela.
Ela estava muito magra, cada osso pulando de seu corpo frágil, mas ainda assim, seu corpo tinha uma beleza assustadora. Quando a despi, a primeira coisa que senti foi raiva, um ódio tão profundo que fez com que eu me arrependesse por não ter esquartejado cada pessoa daquele lugar desgraçado que a feriu daquela forma.
Lydia tinha hematomas, cicatrizes, recebidos milhares de pontos e é impossível entender como alguém foi capaz de machuca-la daquela forma e, quando liguei a água, pude perceber a vergonha que ela sentia, tentando esconder o próprio corpo e eu sabia muito bem que aquilo não era algo típico da antiga Lydia, mas após imagináveis humilhações, a garota confiante que eu conhecia se transformou em insegura e medrosa.
Apesar de desejar desesperadamente olhar para seu corpo, gravar na minha mente cada detalhe da sua nudez, me controlei. Olhei somente para onde tinha feridas mais graves para dar a atenção que precisava e percebi a surpresa no olhar de Lydia ao ver que eu não encarava seu corpo.
Porém, por descuido, encarei aqueles seios redondos, arrebitados e eles eram tão perfeitos, que fiquei ainda mais intimidado e desviei o olhar, constrangido. Nunca fui bom com garotas e a única mulher que já tinha visto sem roupa era Malia e a própria Lydia, quando tive um lampejo do seu corpo após um “ataque de Banshee”, que a fez andar nua pela floresta, mas estar perto daquele corpo era completamente diferente.
Eu sentia tanta vergonha de ter a possibilidade de encarar sua nudez e era um esforço sobrenatural conter minha vontade de olha-la, sem querer assusta-la e a afastar ainda mais de mim, porém confesso que quando eu a virei de costas e lavei seu cabelo, encarei descaradamente a parte exposta para mim.
Agora me sinto o pior homem da face da terra, um pervertido miserável. Afinal, Lydia precisa de mim, estou morando com ela para ajudá-la e achei que nada pudesse desviar meus pensamentos desse propósito, mas aqui estou eu, deitado depois que ela finalmente dormiu e pensando somente naqueles seios empinados, naquele bumbum redondo e na minha vontade de conhecer o resto do seu corpo.
Que tipo de homem eu sou? Terminei com a Malia, deixei meus amigos, meu pai e no mesmo dia estou fervendo de desejo, repleto de pensamentos impróprios e sem conseguir me concentrar em nada.
Talvez tenha sido uma péssima ideia vir morar sozinho com ela, eu devia ter colocado essa responsabilidade para outra pessoa, mas parecia tão certo ser eu, afinal ninguém a conhece como eu conheço.
Por causa da minha paixão por ela, que pareceu durar por toda uma vida, eu a conheço perfeitamente. Sei o que ela ama e odeia comer, os filmes prediletos, as alergias, seu lazer, o que gosta de fazer em casa e para onde vai quando quer se divertir.
Sim, eu era meio obcecado por ela, contudo, agora, posso usar isso para ajudá-la a se lembrar quem ela é, pois Lydia pode não lembrar, não ser a mesma de antes, mas eu sei exatamente quem é Lydia Martin, sempre soube, desde a época que ela tentava se esconder com uma falsa futilidade, que nunca me enganou.
Eu conheço a sua essência e de alguma maneira, vou trazê-la de volta.
***
Uma palavra para descrever essa primeira semana morando com a Lydia: tortura.
Depois do primeiro banho, achei que as coisas iam melhorar, que ela ia deixar que eu me aproximasse, nem que fosse para fazer perguntas, pois ela sabia muito pouco do que tinha acontecido e eu estava disposto a explicar tudo, saciar suas dúvidas, mas estava completamente enganado.
Eu estava desesperado para recuperar sua confiança, para poder cuidar dela bem de perto, a abraçar quando escuto seu choro, no entanto ela não deixa e não posso invadir seu espaço.
Esses dias se seguiram com uma espécie de ritual. Lydia tem pesadelos, acorda gritando, chorando e eu demoro algumas horas para conseguir acalma-la, isso acontece entre duas a três vezes na mesma noite. Ela demora muito para dormir e eu espero que ela perca a consciência para sair do seu quarto.
Dou todos os remédios nas horas certas e ela não reclama, trago comida variadas e ela come pouquíssimo. Chora muito durante todo o dia, senta muito mais no chão do que no sofá ou na cama e quando acha que eu não estou ouvindo, escuto seus sussurros falando com Allison. Hoje a ouvi planejar uma forma de me matar.
Não sei o que fazer, não sou capaz de tirar toda a sua dor como queria e ela nem sequer reage a mim. Lydia só responde o que eu falo quando muito necessário, não impede que eu fique no mesmo cômodo que ela, mas nunca vem até mim e sempre recua quando tento algum contato físico.
A melhor parte do meu dia, quando conseguimos nos aproximar e onde achei que fosse ser a parta mais complicada, é no banho. Ela continua extremamente insegura, envergonhada, os olhos transbordam de medo e sempre tenta esconder a nudez, mas não se afasta, não reclama, deixa que eu a ajude e observa meu rosto o tempo todo, como se para ter a certeza de que não vou explora-la de alguma forma. Como se eu fosse capaz de machucar ou entristecer propositalmente aquela garota, eu a amo tanto que às vezes duvido da minha própria sanidade.
Depois do primeiro banho, eu consegui não olhar novamente para nenhuma parte intima de seu corpo, aceitando a tortura de escuta-la gemendo enquanto lavo seu cabelo, a vendo completamente frágil e entregue ao carinho, sem espiar a nudez que não sai da minha mente. Mesmo quando preciso ajudá-la a se equilibrar, na hora de colocar a calcinha, ou quando fecho seu sutiã, eu não cedo, pois sei que não posso trair sua confiança dessa forma.
— Stiles, ei cara, está vivo? — A voz de Scott, me chamando pelo celular chamou minha atenção.
— Desculpa, me distrai aqui. — Ri fraco e quase pude visualizar meu melhor amigo revirando os olhos. — O que você disse?
— Perguntei quando posso ir aí ver vocês.
— A fila está longa.
— Sou seu melhor amigo, tenho prioridade!
— Engraçado, Malia, Liam e meu pai disseram a mesma coisa. — Murmurei lembrando dos milhares de mensagens e ligações de cada um deles durante a semana.
— Stiles, se eu souber que você está dando prioridade para ver algum deles antes de mim...
— Malia vai vir semana que vem. — Confessei rápido, sabendo que ele brigaria comigo. — Desculpa, cara, mas eu prometi antes e nem sei se isso vai dar certo, não acho que Lydia esteja pronta para ter mais alguém aqui.
Scott começou a me xingar de todos os nomes possíveis e eu esperei que ele terminasse seu drama, dizendo que eu me importava mais com a Malia do que com ele.
— Mas como Lydia está? — Quando se acalmou, foi a primeira pergunta de Scott e com um longo suspiro, despejei tudo para ele.
Como Lydia não falava direito comigo, eu tinha a grande necessidade de jorrar palavras quando tinha oportunidade, agindo como o perfeito verborrágico que sou e não sentia liberdade de falar sobre detalhes do que acontecia com ninguém além de Scott, então aproveitei e contei tudo que ainda não tinha tido tempo de falar.
Falei sobre como ela impedia que eu me aproximasse, falei sobre os banhos e que depois que vi seu corpo, passava as noites em claro pensando naquela perfeição e que no tempo que passava sozinho, com ela trancada no quarto e eu em outro cômodo, não conseguia parar de pensar nela por um segundo, em como ajuda-la, no que dizer, em como fazer que ela pare de chorar todos os dias.
— Stiles, por favor, me diz que essa sua ideia de morar com ela não teve nenhuma relação com sua paixão por Lydia. — Foi a primeira coisa que Scott disse. Ele só podia estar enlouquecendo.
— Scott, você por acaso escutou alguma coisa do que eu disse?
— Escutei e você vai responder minha pergunta?
— Você sabe que não gosto mais dela dessa forma, Scott, estou fazendo isso porque me preocupo com ela. Faria o mesmo por qualquer um de vocês.
— Eu sei que você diz que não gosta mais dela. — Bufei com o tom que ele usava. — Não insisti nesse assunto, porque ela tinha sumido e depois não vi oportunidade de falar sobre isso, mas...
— Scott, Lydia passou por tanta coisa, voltou agora, estou lutando para ajudá-la, você tem que se preocupar em descobrir o que esses desgraçados fizeram com ela e impedir que tentem busca-la novamente e você está preocupado em falar sobre isso comigo?
— E você está preocupado com o corpo dela. — Não tive respostas para aquela afirmação, o que é uma coisa bem rara e a frase seguinte fez com que eu ficasse completamente sem reação. — No meio disso tudo você parou um segundo que fosse para lamentar o término com a Malia?
Não. Eu nem tinha pensado nisso.
Com tanta coisa acontecendo, era natural que eu não sofresse por causa disso, não era?
— Foi o que pensei. Eu conheço você, Stiles e sei que está fazendo isso porque se importa com ela e que faria o mesmo por qualquer amigo, mas também sei que você nunca a esqueceu.
— Você acha que eu ficaria tanto tempo com a Malia se não gostasse dela?
— Você se apaixonou pela Malia, Stiles, você aprendeu a gostar dela porque sabia que era melhor para todo mundo. Melhor para você, para Malia, para Lydia que nunca gostou de você, mas isso não significa que você deixou de amar a Martin e no fundo você sabe disso, o que sente pela Malia é muito mais amizade do que qualquer outra coisa e não dá para comparar com o que sente pela Lydia.
— E-eu preciso desligar. — Querendo fugir, só murmurei isso antes de encerrar a ligação e encarar estatelado o celular na minha mão.
— Está tudo bem? — Depois de minutos, a voz rouca de Lydia me chamou.
A encarei, surpreso com a preocupação na voz fraca e vi a expressão curiosa no rosto ainda amassado. Seu cabelo estava bagunçado, por ter acabado de acordar, e o pijama desarrumado, mostrando um pouco mais de pele magra do que deveria.
— Estou, é o Scott que enlouqueceu. — Senti minhas bochechas me traírem, ameaçando a corar e precisei desviar o olhar ao pensar no que ele tinha falado.
Lydia me surpreendeu mais uma vez e nem acreditei nos meus próprios ouvidos quando escutei um som fraco, triste, mas definitivamente era uma risada. Uma risadinha tímida e pesada, que me fez arregalar os olhos.
Desde que a tiramos da Eichen House, ela não sorriu, nem riu nenhuma vez. Sem pensar, abri um sorriso, mesmo sem saber o motivo daquela risada curta que soou como uma canção para mim.
— Quando eu disse que Allison estava gritando comigo, você agiu como se fosse normal e agora diz que é Scott que enlouqueceu.
— Você sempre escutou vozes, então de certa forma nada mudou, sempre foi meio louca. — Falei por impulsividade e me arrependi, com medo que ela ficasse ofendida por brincar com algo sério, algo que a perturbava dia e noite, entretanto ela apenas concordou com a cabeça e permaneceu parada, apoiada na parede para não desabar. — Oh, meu Deus! Você está com fome, é por isso que está aqui, desculpa!
Corri para cozinha, desajeitado, me sentindo perfeitamente estupido por já não ter servido o café da manhã e antes que ela sumisse de vista, encontrei seu olhar em minha direção e achei ali algo que não imaginava enxergar tão cedo naqueles olhos grandes, verdes e intimidadores: afeto.
Fale com o autor