Notas iniciais
Como prometido, mais um capítulo narrado pelo Stiles e eu estou muito ansiosa para saber a reação de vocês! Quero agradecer especialmente a IsaLoDy que me ajudou com essa ideia que já estava na minha cabeça e ela teve também hahah e incentivar a todos vocês a fazerem como ela, deixar opiniões e ideias para que eu use e a fic seja como imaginam! Não tenho muito o que falar aqui, vou deixar para as notas finais, então boa leitura!

Stiles Stilisnki

Lydia comeu em silêncio, mordiscando o pão, sentada na ponta do sofá, distante de mim.

— Você quer fazer alguma coisa hoje? — Repeti a pergunta que inutilmente, fazia todos os dias. — Ver um filme, sair, conhecer a cidade, comer algo diferente...?

Tentava não ficar aflito, mas meus pés se remexiam contra minha vontade, achava que ia enlouquecer se continuasse trancado naquela casa e para piorar, longe dela, tentando me distrair sozinho, enquanto escuto seu choro no quarto e ela demonstra não gostar quando tento a consolar.

Ela nem olhou para mim, apenas negou com a cabeça e largou mais da metade do pão no prato em seu colo. Suspirei, Lydia sabia que precisava engordar, estava muito abaixo do peso, mas tinha muita dificuldade para comer e quando se alimentava um pouco mais, acabava vomitando e pedindo desculpas para mim, encolhida, como se esperasse que batesse nela por ter vomitado.

Dei os seus compridos, que impediam que ela sentisse dores excruciantes por causa das substâncias que colocaram em seu corpo e ela cambaleou, fraca, de volta para o quarto, as pernas finas, cobertas com cicatrizes, tremiam dolorosamente a cada passo e eu tinha vontade de carrega-la para todo lugar, todavia ela nem deixava que eu sustentasse seu peso com um abraço.

Quando ela foi para o quarto, apaguei por alguns minutos, cochilando quando devia estar a vigiando e apesar do tempo mínimo, acordei com os berros de Lydia, um som agoniado, sofrido, desesperado.

— Lydia! — Gritei seu nome e corri para o quarto, a porta estava fechada. — Lydia! O que foi? Abre a porta! — Meu coração acelerou, bati na porta com fúria, ela não parava de gritar. — Lydia!

Forcei a maçaneta e não tive nenhuma resposta, continuei gritando seu nome e batendo na madeira da porta. Se ela se machucasse eu nunca me perdoaria, não podia deixar que algo ruim acontecesse com ela, de novo não, eu não podia ser culpado por mais sofrimento.

— Sai daqui! Sai daqui! Eu te odeio! — Ela berrou dentro do quarto e percebi seu choro.

Não pensei, agoniado com o sofrimento em sua voz, bati o ombro contra a porta e eu sabia que em qualquer outra situação, nunca teria forças para arromba-la, mas sentia a adrenalina correndo por meus músculos.

Suando frio, vi perplexo a porta cair em resposta a minha força e entrei no quarto de Lydia, a encontrando segurando uma faca com as duas mãos trêmulas, chorando, com os olhos fechados.

— Lydia, ei, o que você está fazendo? — Apesar de sentir vontade de gritar, controlei minha voz e sussurrei, tentando acalma-la. — Lydia, me dá essa faca.

Andei em sua direção, ela não se moveu.

— Você tem razão, sempre teve.

— Lydia?

— Desculpa, eu sei, eu sei, me perdoa. Estou tentando consertar isso. — Ela não abriu os olhos, não se moveu, mas parou de gritar, sussurrando sozinha. Será que ela me escutava?

— Lydia, com quem você está falando? Lydia? — Minha voz falhou quando voltei a chama-la.

Aquilo não era justo. Lydia, a minha Lydia, a garotinha ruiva que conheci na aula de matemática estava completamente atordoada, apertando o cabo da faca comprida e afiada na altura do abdômen, a lâmina apontando para o chão. As mãos e as pernas tremiam convulsivamente.

— Lydia, abre os olhos, olha para mim, pequena. — Sussurrei e não consegui ser forte o suficiente para prender as lágrimas.

Andei mais alguns passos na sua direção, lentamente, esperando que ela se movesse, tivesse alguma reação.

— Você quer que eu faça isso agora? Como? — Ela voltou a murmurar, mexendo a cabeça como se ouvisse alguém sussurrando na sua orelha. Vê-la daquela maneira era assustador. — Tem certeza? E se.... — Ela suspirou, continuei me aproximando. — Tem razão.

— Lydia? Por favor, volta para mim. — Implorei, desejando que de alguma forma meu pedido a fizesse voltar a sanidade.

Ela abriu os olhos, eu já estava perto o suficiente para conseguir tirar a faca de suas mãos, mas paralisei quando encontrei uma fúria imensurável no tom verde que eu amava.

Onde estava a Lydia que eu conhecia? Aquele olhar era insano de tão raivoso, tempestuoso o suficiente para fazer meus músculos travarem. Só minhas pálpebras continuaram trabalhando insistentemente, expulsando lágrimas.

— Lydia, minha princesa, por favor.

Assim que a palavra princesa saiu da minha boca, percebi que tinha algo errado. A expressão de Lydia mudou drasticamente diversas vezes. Ela demonstrou medo, surpresa, nojo e então, voltou a mostrar um ódio profundo.

— Não me chama de princesa! — Ela berrou com tanta fúria que a voz doce se tornou grave, perigosa e então, tudo foi muito rápido.

Lydia saltou sobre meu corpo, senti seu peso se chocando contra meu tronco e uma dor aguda surgiu no ombro esquerdo. Ela caiu por cima de mim, nós desabamos no chão e demorei uma eternidade para entender o que estava acontecendo.

Atordoado com a dor, olhei para meu ombro e vi a faca comprida fincada em mim, provocando a dor absurda. Não tive tempo de raciocinar, Lydia arrancou a faca do meu ombro e o ergueu na direção do meu rosto, as mãos trêmulas fazendo a lâmina ensanguentada balançar de um lado para o outro, roçando na minha bochecha.

Ela rosnou de raiva, o corpo magro prensando o meu e fiz a primeira coisa que pensei, segurei seus braços, os forçando para longe do meu rosto e impulsionei meu tronco para frente, a derrubando no chão ao meu lado. Eu era muito mais forte do que ela e usei isso ao meu favor, girando de modo que deitei por cima de seu corpo, invertendo nossas posições.

Agarrei a faca e a joguei para o outro lado do quarto, ela gritou, se contorcendo, tentando me atingir com os braços inquietos e minha única opção foi segurar seus pulsos e os jogar no alto da cabeça, a imobilizando com uma mão.

— Me solta! Me solta!

Ela gritou, rosnando de raiva, jogando o tronco contra o meu, chutando o ar em uma tentativa de me machucar. Ajeitei meu corpo sobre o dela, jogando meu peso de forma que ela parou de seu mover, forçando suas pernas para os lados de maneira que ajeite as minhas entre as suas, para que ela atingisse somente o vazio e pressionei meu quadril contra o seu, a deixando absolutamente imóvel, somente sua cabeça se movia, a expressão raivosa.

A dor em meu ombro era grotesca, o sangue gotejava no piso e me dava vertigem, mas aquilo não se comparava a raiva que me atingiu, como um murro no estômago que tirou completamente meu ar.

— Eu te odeio! Eu te odeio! Me solta.

— Lydia! — Ela não parava de gritar, então berrei por cima de sua voz. — Você tentou me matar, Lydia!

Não sei se foi meu grito, a magoa na minha voz, meu choro compulsivo ou a raiva que sentia transbordar no meu rosto, mas algo fez com que Lydia parasse de lutar, me encarando com aqueles olhos enormes, arregalados e assustados.

— Você entende o que você fez, Lydia? Você me machucou! — Diminui um pouco meu tom de voz, sem querer que ela tivesse medo, entretanto não conseguia controlar minhas lágrimas e magoa.

— Você tentou... — Ela gaguejou, com a voz falha, tremula, mas não deixei que ela terminasse de falar.

— Eu tentei te ajudar, Lydia! Por que você não acredita em mim? Eu só estou tentando te ajudar! — Trêmulo, evitei encarar o sangue que me enjoava.

A expressão dela mudou novamente e em uma fração de segundos, ela voltou a sussurrar, dessa vez eu não entendia o que dizia, mas sabia que estava presa novamente em uma das suas alucinações.

O que foi capaz de dissolver a raiva que me invadiu, foi o bico que surgiu nos lábios grossos e choro que rompeu repentinamente. Ela começou a chorar, soluçando e soube que ouviu algo que a entristeceu.

Soltei seus braços e diminui o peso sobre seu corpo, deixando que ela se movesse, mas não sai de cima dela, com medo que voltasse a crise anterior. A encarei sem reação, completamente impotente, sem saber como ajuda-la, o que fazer, ganhando a certeza que ela precisava de um profissional e não de mim, que não conseguia fazer nada para deixa-la melhor.

No entanto, em meio ao choro, Lydia me encarou, fitando meus olhos profundamente e sussurrou a frase que tirou completamente a minha sanidade, meu controle e fez com que eu esquecesse a dor no ombro que insistia em sangrar.

— Por favor, não desiste de mim.

Guiado pela insanidade que aquele sussurrou provocou, agi por impulso, sem pensar por um segundo, obedecendo ao que me coração descompassado pedia. Com uma mão trêmula, suada, apoiei os dedos na bochecha rosada da menina e uni nossos lábios em um selo breve.

Nossas bocas se encostaram por poucos segundos, misturando as lágrimas que despencavam e se uniam com o contato que o breve beijo provou. Não permiti que meus lábios cedessem ao desejo de se mover sobre os dela, apenas me afastei trêmulo, após experimentar a sensação da boca grossa na minha fina.

— Eu nunca vou desistir de você.

Notas finais
ENTÃO?? O QUE ACHARAM? Esse beijo foi completamente fora do planejado, eu já tinha na minha mente uma situação completamente diferente, mas conforme fui escrevendo, foi como se o Stiles criasse vida própria e a beijasse! Então estou muito ansiosa para saber o que vocês acharam e morrendo de medo de não gostarem! Mostrei para minha amiga milhares de vezes, pensei em mudar esse final, mas acabei deixando assim..então espero que não tenham se decepcionado! Quero ver o comentário de todos deixando a opinião e muito obrigada pelo apoio que estão me dando!